Miguel Serrano: A Iniciação

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Tive de esperar anos até que o Mestre decidisse a iniciar-me, tendo recebido minha aceitação por parte dos Guias, que nos dirigem desde o Raio Verde.

Fui convocado ao Recinto Circular de Vidro, construído ao Sul, tal como uma lareira. Ali se encontravam os guerreiros, vestidos de preto e portando suas espadas. Eu, na ocasião, também portava a minha. O grande Sinal do Regresso, que gira em direção contrária à terra atual, pendia por sua abóbada. O fogo do centro ardia.

Empunhei minha espada, passando-a ao Mestre. “Mantenha-se em pé”, me disse. “Entre nós nada se põe de joelhos”. Os outros formaram um círculo em torno de nós. O mestre passou minha espada sobre as chamas.

 

“Existem duas espadas. Um dia você será o Guerreiro de Duas Espadas, quando recuperar a linguagem que o permita comunicar-se com os animais e as plantas. O idioma de Avalon, aquele, que se fala na Cidade dos Césares. Será você um Guerreiro de Dois Mundos, de dentro e de fora. A espada é uma só, mas com dois fios, tal como uma Águia Bicéfala. É a espada das Consciências, do despertar”.

 

O Mestre devolveu-ma depois de traçar um sinal sobre sua folha. Os guerreiros dirigiam as pontas de suas espadas sobre o meu coração. Depois, levantaram-nas para o Emblema do Retorno.

 

“O círculo se chama Huilkanota. Você agora é um Ankahuinka, um Guerreiro dos Deuses Brancos da antiga Albânia. E não há volta. Quem aqui pôs suas plantas, não retrocede. Por desertos ardidos, por planícies geladas, padecendo de sede, semi-congelado, solitário, sem consolo humano, sem o abraço cálido da mulher vivente, deverá seguir, seguir, usque ad mortem, até um dia encontrar-se junto aos muros diamantinos da Cidade de Alba, a sua ponte levadiça, a sua entrada indubitável. Com o esforço do combater continuamente, unicamente com sua ‘fúria’, você terá ganhado então o direito da ressurreição e da vida eterna. Porém, quem põe suas plantas neste caminho que conduz a mais adiante, não poderá avançar se tem a intenção de voltar. Aquele que chegou ao estado humano e não trata de sobrepor-se a ele, é como quem se suicida”.

 

E o Mestre entregou-me o primeiro Sinal de nossa Iniciação:

 

“O Sinal é a linguagem de Atlântida-Hiperbórea. Ao aplicá-lo sobre o seu coração, este afeta as Duas Cabeças da Águia Bicéfala, e, de um modo instantâneo, alcança as Duas Terras e a todos os seus corpos, reativando-os. É a sua defesa, que por consequência passa a paralisar àqueles que são contrários ao seu Mito, vivendo em direção oposta a nós, como uma contra-iniciação, um anti-espírito. Outros Sinais ser-lhe-ão aos poucos entregues por mim, ou pelos Guias, à medida que se sejam necessários na glória do seu combate, no caminho perigoso que você irá recorrer. Que as Nornas sejam-lhe propícias! Que os imortais cheguem a bendizê-lo! Parta, busque! E não volte mais! Salte!”.

 

Fonte: Texto original sob o título original “La iniciación”, extraído da página 78 do capítulo “Otra ronda”. Tradução por Tholf zine.

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One thought on “Miguel Serrano: A Iniciação”

  1. O assunto do esoterismo é o que mais mistura afirmações verdadeiras implícitas e explícitas, bem como afirmações falsas implícitas e explícitas.

    Miguel Serrano, ao menos nas obras que li dele, principalmente “El Cordon Dorado” que aborda o choque de forças dessa era humana, no que me lembro, mesmo com rigor crítico da minha parte, detectei apenas dois erros ao meu ver, desses que são implícitos, enquanto o resto da obra, no que toca história ou interpretação simbólica da história, entendi como sempre apontando o mais próximo do plausível, do verdadeiro. Nesse aspecto não vejo ele abaixo nem d René Guénon nem de Julius Evola, dois nomes que são ponto de partida e referência para o século XX e XXI entender o mundo atual.

    O mérito maior Serrano, no meu entender, é ter uma capacidade de comparar fontes e tradições sabendo separar o que elas têm em comum elas acumulam de erros no passar do tempo, na sucessão de interpretações, distorções etc.

    E no que toca o esoterismo no sentido de abordar temas sobre o que as tradições afirmam em relação desenvolvimento das faculdades psíquicas e energéticas do homem, e ele é o único autor com material publicado acessível ao público que vejo como seguro, comparado aos desastres que são as coisas da linha de Samael Aun Weor e Ninhod de Rosário (da chamada Sabedoria Hiperbórea), que fazem muito mais mal do que bem aos leitores, ao colocarem pontos realmente pertinentes e verdadeiros, em meio de tantas deturpações, fazendo com que as pessoas impressionadas com algumas verdades constatáveis pensem que tudo que colocam também são verdades, e não são!

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