Leon Degrelle: O Enigma de Hitler

Nos ajude a espalhar a palavra:

“Hitler… você o conheceu! Como ele era?”. Esta pergunta mil vezes tem sido feita a mim desde 1945 e estou certo de que não há nada mais difícil nesse mundo do que simplesmente respondê-la.

Aproximadamente duzentos mil livros têm sido lançados tratando da Segunda Guerra Mundial e sua figura central, Adolf Hitler. Mas fica a questão:  Foi a figura verdadeira de Hitler descoberta por alguns deles, autores desses livros? “O enigma de Hitler está além da compreensão humana”, o jornal alemão Die Zeit, de circulação semanal e orientação esquerdista, certa vez fez tal afirmação.

Salvador Dali, gênio único da arte, buscou penetrar no mistério absoluto, em uma das suas pinturas dramáticas mais intensas. Sobressaindo toda paisagem montanhosa, mas com uma tela cheia, deixando apenas poucos metros de uma beira-mar luminosa, pontilhada delicadamente com diminutas figuras humanas: a última testemunha de uma paz agonizante. Um enorme telefone recebendo lágrimas de sangue, enforcado no galho de uma árvore morta; e aqui e ali, sombrinhas penduradas e morcegos cuja visibilidade é a mesma. Como Dali fala a respeito, “A sombrinha de Chamberlain apareceu nesta pintura como uma luz sinistra, evidentemente feita por um morcego que havia me golpeado enquanto eu pintava isso como fruto de uma enorme angústia”.

“O Enigma de Hitler”, Salvador Dali, Espanha, 1938.

Ele então confessou:

“Eu senti que esta pintura foi profundamente profética, mas tenho de confessar que eu não havia ainda pensado na figura de Hitler como um enigma. Ele me atraiu apenas como um objeto das minhas loucas imaginações e porque eu o vi como um homem único, capaz de tornar as coisas de cabeça para baixo”.

Que lição de humildade para os críticos que se apressaram com publicações desde 1945, com suas centenas de livros definitivos, grande parte desprezíveis, sobre o homem que tomou conta dos pensamentos de Dali que, quarenta anos depois, ainda sentia-se angustiado e incerto quanto à presença em sua pintura alucinada. À parte de Dali, quem mais tentou apresentar um retrato desse homem extraordinário a quem ele tratou como “A mais explosiva figura humana da História”? (Dali fora expulso do Movimento Surrealista em 1934, por causa de sua fascinação por Hitler e também suas simpatias ao Fascismo).

Como o sino de Pavlov

A montanha de livros sobre Hitler, baseados em ignorância e um ódio completamente cego, pouco descrevem ou explicam o mais poderoso homem que o mundo já viu. Eu pergunto: como esses milhares de retratos de Hitler assemelham-se à figura do homem que eu conheci? O Hitler sentado ao meu lado, levantando-se, falando, ouvindo. Tornou-se impossível de explicar às pessoas, alimentadas por fantásticas lendas que se perpetuam ao longo de décadas, que o que elas leram ou ouviram na televisão não corresponde com a verdade.

As pessoas aceitaram esta ficção como realidade, repetida mil vezes, mesmo que nunca tenham visto Hitler, nunca tenham falado com ele, nunca sequer ouvido uma só palavra de sua boca. O nome de Hitler automaticamente designa um demônio amedrontador, o fundo de todas as emoções negativas. Como o sino de Pavlov, a menção de Hitler significa dispensar com substância e realidade. Em tempo, de qualquer forma, a História irá demandar mais do que esses julgamentos sumários.

Estranhamente atrativo

Hitler está sempre presente diante dos meus olhos: como um homem de paz em 1936, como um homem de guerra em 1944. Não é possível haver uma testemunha pessoal à vida deste homem extraordinário sem ser
marcado por isso por toda a eternidade. Não passa um dia sem que a figura de Hitler não reapareça em minha memória – não como um homem morto, mas como um ser real que passa por seu escritório, senta em sua cadeira e cutuca os troncos ardentes na lareira.

A primeira coisa que se espalhou ao seu respeito quando ele apareceu foi o fato de usar um pequeno bigode. Inúmeras vezes ele foi aconselhado a raspá-lo, mas ele sempre recusou.

Ele não era alto – não o era, se comparado como foi Napoleão ou Alexandre o Grande.

Hitler tinha olhos profundamente azuis, que muitas pessoas consideravam encantadores, embora eu não os veja da mesma forma. E eu também não detectei a corrente elétrica que se dizia ser emitida através de
suas mãos. Eu as agarrei por pouco tempo e nunca estive imobilizado por seus raios.

Hitler felicita o belga Leon Degrelle após condecorá-lo em 1944 com a Cruz de Ferro de Cavaleiro. I Fonte:  Bundesarchiv; BArch.

 

Seu rosto mostrava emoção ou indiferença de acordo com a paixão ou a apatia do momento. Em tempos, ele parecia estar amortecido, não dizendo uma só palavra, enquanto suas mandíbulas moviam-se como se estivessem moendo um obstáculo, transformando-o a um pedacinho no vazio. De repente, tinha o desejo de voltar, lançando um discurso direcionado apenas a você, mas aparentando sentir como se estivesse endereçando-o a uma multidão de centenas de milhares no aeródromo Tempel, em Berlim. E então ele se tornava algo como que uma transfiguração de si próprio – mesmo com sua complexidade, ainda que sombria, iluminada, como ele costumava dizer. E nesses momentos, tenho a certeza, Hitler era estranhamente atrativo, como se estivesse possuído por poderes mágicos.

Vigor excepcional

Diferentemente das atribuições dadas a Hitler como um homem exageradamente solene, ele costumava inserir-se em suas conversas com um humor moderado. “O mundo pitoresco” era uma frase que costumava
fazer parte de seu comando. Em um feixe de luz, ele era capaz de pintar uma palavra-figura que trazia consigo um sorriso, ou vir com uma comparação inesperada. Ele poderia ser severo e até implacável em seus julgamentos, ainda que ao mesmo tempo fosse surpreendentemente conciliador, sensível e calmo.

Após 1945, Hitler foi acusado de toda e qualquer crueldade, mas não fazia parte de sua natureza ser cruel. Ele amava crianças. Era bastante comum para ele, parar o carro e servir-se de sua comida junto de jovens
ciclistas ao longo da estrada. Certa vez, ele deu sua capa de chuva a um trabalhador abandonado encharcado. À meia-noite, ele interrompia o seu trabalho para preparar comida para o seu cão Blondi.

Adolf e sua cadela Blondi, da raça pastor alemão.

Ele não poderia aguentar comer carne, porque isto significava a morte de um ser vivo. Ele se recusava a ter tanto um coelho quanto uma truta sacrificada, fornecida em sua comida. Ele permitia somente ter ovos em sua mesa, porque o ato da galinha botá-los significava que ela havia sido poupada do sacrifício, não tendo sido morta.

Os hábitos alimentares de Hitler me eram uma fonte de espanto constante. Como poderia alguém manter uma agenda tão rigorosa, levando-se em conta o fato de estar em contato por milhares de vezes com a massa, de onde ele emergia banhado de suor, tendo perdido de duas a quatro libras (de 906 gramas a 1,8 KG) no processo; alguém que dormia somente de três a quatro horas por noite; alguém que, de 1940 a 1945, importou-se com o buraco do mundo sobre seus ombros, quando 380 milhões de europeus estavam sob o seu comando; como, eu me pergunto, ele pôde psicologicamente sobreviver, alimentando-se basicamente de um ovo cozinho, alguns poucos tomates, duas ou três panquecas e um prato de macarrão? E ele ainda conseguia ganhar peso!

Ele bebia somente água. Não fumava e não tolerava este ato em sua presença. A uma ou duas da manhã, ele ainda estava disposto a conversar, calmo, próximo da lareira, frequentemente divertindo-se. Ele nunca mostrava um sinal de cansaço. Cansativa de morrer deve ter estado sua platéia, mas Hitler não.

Ele era descrito como um velho homem cansado, mas nada esteve mais longe da verdade. Em setembro de 1944, quando se deu a notícia de que estaria tremendo razoavelmente, eu estive com ele durante uma semana. Seu vigor físico e mental ainda estavam excepcionais. O atentado feito contra sua vida em 20 de julho (operação Valquíria) não lhe causou nada, ao contrário: ainda proporcionou novas cargas à sua energia. Ele carregava chá em seu quarto com uma tranquilidade como se estivesse em seu pequeno apartamento privado, na Chancelaria antes da guerra, ou adentrando a vista da neve e o brilho do céu azul através de sua janela, em Berchtesgaden.

Autocontrole de ferro

Bem ao fim de sua vida, posso dizer, suas costas se tornaram mais dobradas, mas sua mente permanecia tão brilhante quanto a luz de um raio. O testamento que ditou com compostura extraordinária antes de sua morte, às três da manhã de 29 de Abril de 1945, nos traz um testemunho final. Napoleão ao Fontainebleau não estava em pânico antes de sua abdicação. Hitler simplesmente tremia suas mãos como se estivessem associadas ao silêncio de um dia qualquer em seu café da manhã, e então foi em direção à morte como se estivesse partindo para um passeio. Quando foi que a história trouxe o testemunho de uma tragédia com um fim em tamanho autocontrole de ferro?

Adolf Hitler condecora membros da juventude hitlerista na defesa de Berlim. Esta foto foi tirada em abril de 1945. Logo, os russos chegariam na Chancelaria do Reich. É provavelmente a última aparição do Führer vivo

A característica mais notável de Hitler certamente foi sua simplicidade. O mais complexo dos problemas resolvia-se por conta própria em sua mente, em poucos minutos. Suas ações eram engrenadas às idéias e decisões que poderiam ser entendidas por qualquer pessoa. O trabalhador de Essen, o fazendeiro isolado, o industrial da Ruhr, o professor de Universidade. Todos podiam facilmente seguir a linha de seu pensamento. A grande clareza de sua argumentação fazia com que tudo se tornasse óbvio.

Seu comportamento e estilo de vida nunca mudaram, mesmo quando ele se tornou o “führer ” da Alemanha. Vestia-se e vivia frugalmente. Durante os dias anteriores em Munique, ele não gastava mais que um marco por dia em comida. Em nenhum momento de sua vida ele gastou dinheiro consigo próprio. Ao longo de seus treze anos na Chancelaria, ele nunca se importou em carregar carteira ou dinheiro em seus bolsos.

Curiosidade intelectual

Hitler foi um autodidata e não fazia questão de esconder esse fato. O presumido conceito de intelectuais, com suas ideias brilhantes juntadas umas às outras como baterias de flashs, irritavam-no por vezes. Seu próprio conhecimento fora adquirido através de estudos seletos e constantes, e ele conhecia muito mais que milhões de acadêmicos cujos diplomas servem de mera decoração.

Eu acredito que não exista outra pessoa que tenha lido tanto quanto ele. Ele normalmente lia um livro por dia, sempre, de início, lendo a conclusão e o sumário em ordem do seu interesse. Ele tinha um poder de extrair a
essência de cada trabalho e então armazená-los em uma mente quase que computadorizada. Ouvi-o falar sobre complicados livros científicos com precisão, sem erros, ainda que no auge da guerra.

Sua curiosidade intelectual era ilimitada. Ele estava bastante familiarizado com escritos de uma porção de autores, e nada lhe soava complexo demais para sua compreensão. Ele tinha um profundo conhecimento e entendimento de Buda, Confúcio e Jesus Cristo, bem como Lutero, Calvino e Savonarola; dos gigantes literatos como Dante, Schiller, Shakespeare e Goethe; e de escritores analíticos, como Renan e Gobineau,
Chamberlain e Sorel.

Ele treinou a si próprio em filosofia, através de estudos de Aristóteles e Platão. Ele podia citar parágrafos inteiros de Schopenhauer de cabeça, e por um longo tempo carregou consigo uma edição de bolso dos seus livros (no caso, seria “O mundo como vontade e representação”). Nietzsche ensinou-lhe muito sobre a ideia da vontade de potência.

Sua sede por conhecimento era insaciável. Ele passava centenas de horas estudando as obras de Tácito e Mommsen, estrategistas militares como Clausewitz, e construtores de império como Bismarck. Nada escapava dele: História do mundo ou das civilizações, o estudo da Bíblia e do Talmude, Filosofia Tomística e todas as obras grandiosas de Homero, Sófocles, Horácio, Ovídio, Tito Lívio e Cícero. Ele conhecia Juliano o apóstata como se ele próprio tivesse sido seu contemporâneo.

Seu conhecimento estendia-se também à mecânica. Ele sabia como as máquinas trabalhavam; entendia da balística de várias armas; e surpreendeu os melhores cientistas e médicos com o seu conhecimento de medicina e biologia.

A universalidade do conhecimento de Hitler deveria surpreender ou aborrecer aqueles que desconhecem sua especialidade, no entanto sem dúvida isto é algo que consiste em um fato histórico: Hitler foi um dos homens mais cultos do século. Está há distâncias de Churchill, dono de uma mediocridade intelectual; ou de um Pierre Laval, com seu conhecimento superficial de História; Roosevelt; ou Eisenhower, o qual nunca foi além de contos policiais.

Artista e arquiteto

Mesmo quando mais novo, Hitler demonstrava-se uma criança diferente das demais. Ele possuía certo poder interno, sendo guiado por espírito e instintos seus.

Ele era capaz de desenhar habilmente com apenas onze anos de idade. Seus esboços feitos nessa idade mostram uma firmeza e vivacidade notáveis.

Sua primeira pintura à cores, criada aos quinze anos, está repleta de poesia e sensibilidade. Um dos seus trabalhos iniciais mais impressionantes, “Utopia da fortaleza” mostra-o como um artista dotado de imaginação rara. Sua orientação artística tivera muitas formas. Ele escreveu poesia nos tempos em que era rapaz. Ditou uma peça completa à sua irmã Paula, que estava impressionada com sua presunção. Com a idade de 16 anos, em Viena, lançou-se na criação de uma ópera. Chegou a desenhar as colocações do palco, bem como os trajes; e, é claro, os personagens eram todos heróis wagnerianos.

Muito mais que um artista, Hitler foi acima de tudo um arquiteto. Centenas de obras suas eram notáveis, tanto para a arquitetura quanto para a pintura. De memória, sozinho ele era capaz de reproduzir em cada detalhe a cúpula de uma igreja ou as curvas complicadas forjadas a ferro. É claro, foi em busca do sonho de se tornar um arquiteto que Hitler foi à Viena, no começo do século XX.

Quando são vistas centenas de pinturas, esboços e desenhos que ele criou nessa época, revelando seu domínio sobre três figuras dimensionais, torna-se impressionante pensar que os examinadores da Academia de Artes de Viena reprovaram-no em dois exames. O historiador alemão Werner Maser, que não é amigo de Hitler, castigou tais examinadores: “Todas as suas obras revelaram conhecimento e são verdadeiros presentes extraordinários à arquitetura. [As reprovações] ao construtor do Terceiro Reich causam vergonha à antiga Academia de Artes de Viena”.

Origens humildes

Impressionado pela beleza de uma igreja em um monastério beneditino onde fazia parte de um coral, sendo coroinha, Hitler sonhou em fugir, pensando na hipótese de tornar-se monge beneditino caso ficasse. E esse foi um tempo interessante, quando ele era assistido pela massa, onde costumava passar abaixo da primeira suástica com que ele havia estado em contato: tratava-se de um túmulo no escudo de pedra do portal da abadia.

O pai de Hitler, um chefe da alfândega, esperava que o garoto seguisse seus passos, tornando-se funcionário público. Seu tutor encorajava-o a tornar-se monge. Ao invés disso, o jovem Hitler foi, ou melhor, fugiu para
Viena. E lá, contrariado em suas aspirações artísticas pela mediocridade burocrática da Academia, retornou ao isolamento e à meditação. Perdido na capital do Império Austro-Húngaro, ele procurou por seu destino.

Durante seus primeiros trinta anos de vida de Hitler, a data 20 de Abril de 1889 não significou nada para ninguém. Ele nasceu nesse dia em Branau, uma pequena cidade no vale do Inn. Durante seu exílio em Viena, contou com uma casa modesta, e particularmente com sua mãe. Quando ela esteve doente, ele retornou de Viena para vê-la. Por semanas ele a alimentou, fez todas as tarefas domésticas e a apoiou como o mais amável dos filhos. Quando ela finalmente morreu, na véspera de natal, sua dor era imensa. Arruinado com aflição, ele enterrou sua mãe em um pequeno cemitério. “Nunca vi alguém tão abatido com a aflição”, disse o médico de sua mãe, que era judeu.

Em seu quarto, Hitler sempre se dispôs de um uma antiga fotografia de sua mãe. A memória da mãe a quem ele tanto amava o acompanhou até o dia de sua própria morte. Antes de deixar esta terra, em 30 de Abril de 1945, ele colocou a fotografia de sua mãe diante de seus olhos. Ela possuía olhos azuis como os de Hitler, e um rosto parecido. Sua intuição materna disse a ela que seu filho era diferente das outras crianças. Ela agiu quase como se ela soubesse o destino de seu filho. Quando ela morreu, é certo que se sentiu angustiada pelo mistério imenso que o rondava.

Ao longo dos anos de sua juventude, Hitler viveu a vida de uma reclusão virtual. Seu grande desejo era retirar-se do mundo. Dotado de um coração solitário, ele se perguntava sobre certas coisas, tendo, por vezes,
comido comidas escassas, mas sempre devorando os livros das três bibliotecas públicas da cidade. Ele se privava de conversações em geral e possuía poucos amigos.

É praticamente impossível imaginar o destino que ele tomaria, tendo começado tão baixo e chegado à tamanha altura. Alexandre o Grande era filho de um rei. Napoleão, vindo de uma família nobre, foi general aos vinte e quatro anos. Com quinze anos, Hitler ainda era desconhecido. Milhares de outros tiveram inúmeras de oportunidades de deixar sua marca no mundo.

Hitler não era muito interessado em sua vida privada. Em Viena, viveu em um alojamento gasto e constrangedor. Mas ele locou um piano seu quarto que ocupava metade do espaço, e então passou a se concentrar na composição de sua ópera. Ele vivia à base de pão, leite e sopa de vegetais. Sua pobreza era real. Ele não possuía sequer um sobre-casaco próprio. Ele cavou com pá as ruas em dias de neve. Ele carregou bagagens na estrada de ferro. Ele gastou muitas semanas em abrigos por estar sem moradia. Mas
nunca parou de pintar ou ler.

Deixando de lado a pobreza medonha, Hitler de alguma forma buscava manter uma boa aparência. Senhores e senhoras de Viena e Munique lembravam dele por sua civilidade e uma disposição agradável. Seu comportamento era impecável. Seu quarto estava sempre limpo, sua escassez era meticulosamente organizada, e suas roupas eram nitidamente dobradas e penduradas. Ele lavava e passava, algo que nos dias de hoje poucos homens o fazem, e o dinheiro da venda de suas poucas pinturas era o suficiente para suprir todas as suas necessidades.

Somando coisas

Hitler ainda não havia se focado em política, sem se dar conta que seria essa a carreira na qual haveria o maior apelo à sua presença. O sentido desta política transformou-se, posteriormente passando a estar atrelada à sua paixão pela arte. Pessoas, as massas, ser-lhe-iam a argila para o que um escultor transformaria em uma forma imortal. A argila humana se tornaria para ele uma linda obra de arte como as esculturas em mármore de Myron, as pinturas de Hans Makart e a trilogia de Wagner.

Seu amor pela música, arte e arquitetura não foram removidos de sua vida política e de preocupações sociais de Viena. Em ordem de sobrevivência, ele trabalhou como alguém comum, lado a lado com outros
trabalhadores. Ele era um espectador calado, mas nada lhe escapava: a vaidade e o egoísmo da burguesia; a miséria moral e material das pessoas; nem as centenas de anos dos trabalhadores que foram jogados para baixo das avenidas de Viena, com angústia em seus corações.

Adolf Hitler, o patriota alemão no meio da multidão, em meio da Declaração de Guerra, 1914.

Ele também havia sido surpreendido pela crescente presença de judeus barbudos trajando cafetãs, algo desconhecido até então em Linz. “Como podem eles ser alemães?”, ele perguntava a si próprio. Ele lia as estatísticas: em 1860: existiam em Viena 69 famílias judias; quarenta anos após, duas mil. Eles estavam em todas as partes. Hitler observava a invasão nas universidades, profissões legais e médicas, e o domínio na circulação dos grandes jornais.

Hitler expôs-se às reações apaixonadas por parte dos trabalhadores nesse afluxo, mas eles não estavam sozinhos em sua infelicidade. Havia muitas pessoas proeminentes na Áustria-Hungria que não escondiam seu ressentimento, acreditando que seus países sofriam uma verdadeira invasão estrangeira. O prefeito de Viena, um cristão-democrata e poderoso orador, foi ouvido por Hitler.

Hitler também estava interessado no destino dos oito milhões de austro-alemães mantidos separados da Alemanha, estando assim desprovidos da legítima nacionalidade alemã. Ele viu o Imperador Franz Josef como um áspero e insignificante homem velho, incapaz de conciliar os problemas do presente com as aspirações do futuro. Quietamente, o jovem Hitler foi somando as coisas em sua mente.

Primeiro: Austríacos eram parte da Alemanha, sendo esta uma pátria comum.

Segundo: Os judeus eram estrangeiros dentro da comunidade alemã.

Terceiro: O patriotismo somente seria válido se fosse compartilhado por todas as classes. As pessoas comuns que compartilharam aflição e humilhação junto de Hitler, faziam parte da pátria tanto quanto os milionários da alta sociedade.

Quarto: A luta de classes, cedo ou tarde, iria prejudicar tanto trabalhadores quanto patrões, arruinando assim qualquer país. Nenhum país poderia sobreviver à luta de classes; somente a cooperação entre trabalhadores e patrões poderia beneficiá-lo. Os trabalhadores precisam ser respeitados e viver com decência e honra. A criatividade nunca deve ser abalada.

Quando Hitler posteriormente disse que havia formado sua doutrina social e política em Viena, ele havia dito a verdade. Dez anos após suas observações feitas em Viena, viria à tona a ordem do dia. Assim Hitler viveu por anos na aglomerada cidade de Viena como um desterrado virtual, ainda que silenciosamente observando tudo ao seu redor. Seu poder tinha origens internas. Ele não confiava a ninguém fazer o que lhe corria pela mente. Seres humanos excepcionais sempre se sentem sozinhos entre a multidão. Hitler viu em sua solidão uma bela oportunidade de meditar e não de afundar-se em um mar de monotonia. Em ordem para não se perder na vastidão de um deserto estéril, uma alma forte procura um refúgio dentro de si própria. Hitler era essa alma.

O relâmpago e o mundo

O relâmpago na vida de Hitler viria do mundo.

Todo seu talento artístico seria incorporado ao domínio da comunicação e da eloquência. Hitler nunca iria conceber conquistas populares sem o poder do mundo. Ele encantava e era encantado por isso. Achava um cumprimento ideal quando a mágica de suas palavras inspirava os corações e as mentes das massas com quem ele se comunicava. Sentia como se estivesse a renascer em cada instante que carregava com uma beleza mística, o conhecimento que ele havia adquirido durante toda sua vida.

A encantadora eloquência de Hitler permanecerá por muito tempo, um campo vasto de estudo para os psicanalistas. O poder das palavras de Hitler é a chave. Sem isto, nunca teria existido a Era de Hitler.

Fonte: O texto, originalmente em inglês, é extraído do volume dois da série “Hitler Century” de Degrelle, sobre a vida e legado de Adolf Hitler. Seu título original é “The enigma of Hitler”.

Link em inglês: http://www.library.flawlesslogic.com/index.htm

LIVRO: DEGRELLE, Leon. Hitler: Born at Versailles.  Institue for Historical Review, 1ª edição, 1987.

Sobre o autor

Léon Marie Joseph Ignace Degrelle (15 de junho de 1906 em Bouillon, Bélgica; 31 de março de 1994 em Málaga, Espanha) foi um político nacionalista belga fundador do rexismo, movimento político belga, fortemente influenciado pelo nacional-socialismo alemão e pelo movimento social da Igreja católica. Participou na Segunda Guerra Mundial primeiramente como voluntário na frente oriental, em seguida tornou-se oficial das Waffen-SS e foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. Após a guerra, foi uma importante figura na divulgação do Nacional-Socialismo e do Revisionismo Histórico vivendo como refugiado político na Espanha franquista até sua morte. Ele nunca abandonou sua visão política mesmo após o fim da guerra.

Nos ajude a espalhar a palavra:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.