Há 80 Anos, a Itália Fascista Conquistava o Bicampeonato Mundial de Futebol

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A Itália foi a primeira seleção a conquistar duas copas do mundo consecutivamente e, a segunda a conquistar quatro títulos da Copa do Mundo (“tetracampeonato”). Ela representa a Itália nas competições de futebol da FIFA. A equipe é uma das seleções de futebol mais bem sucedidas em Copas do Mundo, tendo disputado seis finais e saído vitoriosa em quatro.
A cor tradicional da camisa da seleção é em homenagem à antiga casa real italiana de Saboia, cuja família reinou o país de 1861 até 1946 e tinha como o brasão imperial a cor predominante azul claro e, portanto, os membros da seleção são apelidados “Azzurri” e a seleção, de “Nazionale“. Os calções são tradicionalmente brancos, e tradicionalmente também a combinação contrária (camisas e meias brancas e calções azuis) constituem o uniforme reserva. Todavia na Copa do Mundo de 1938, foi usado um uniforme totalmente preto, a cor do fascismo, nas quartas de finais contra os anfitriões franceses. Calções pretos também foram utilizados na Copa do Mundo de 1966, no jogo contra a União Soviética.
A Copa do Mundo de 1930 teve a chance de ser realizada, a primeira edição de todas as Copas do Mundo, na Itália, entretanto, a escolha da realização da competição foi no Uruguai, a “celeste” que fora campeã da primeira edição desse ano e atual campeão olímpico de 1928. Diante da dificuldade da viagem até a América do Sul, na época, se recusou a participar. Ficando, desde já, que a realização da Copa do Mundo seguinte seria no velho continente.
Os campeonatos mundiais como propaganda anti-difamação
A Copa do Mundo FIFA de 1934 foi a segunda Copa do Mundo FIFA, o campeonato mundial entre seleções masculinas de futebol. Teve lugar na Itália de 27 de maio a 10 de junho.
Esta Copa do Mundo foi a primeira à qual as equipes tiveram de se classificar para participar. 32 nações entraram para a competição e, depois das eliminatórias, 16 seleções participaram do torneio definitivo. O então campeão Uruguai não quis participar em represália as seleções europeias que 4 anos antes não quiseram ir a sua copa em 1930.
Após um longo processo de tomada de decisão em que o comitê executivo da FIFA se reuniu oito vezes, a Itália foi escolhida como o país anfitrião. A decisão foi tomada pelo Comitê Executivo, por decisão unânime dos 29 membros. Ganhando força após a desistência da Suécia, o governo fascista italiano fez questão da Copa ser na Itália, combatendo assim a propaganda de massa promovida pelo sionismo financeiro internacional,  designando o general Giorgio Vaccaro para a missão de negociar com a FIFA. O governo italiano garantiu que dinheiro não seria problema e investiu 3,5 milhões de liras no torneio.
Como as Olimpíadas de Berlim dois anos depois, a Copa de 1934 foi um exemplo de alto nível de um evento esportivo sendo usado para benefício político. No esforço de fazer a Azzurra campeã e promover o idealismo nacional-fascista, também convidou jogadores sul-americanos de destaque internacional com ascendência italiana para jogar na seleção. Foram naturalizados italianos os argentinos Luís Monti, Raimundo Orsi e Enrique Guaita e o brasileiro Filó (Guarisi), assim como também contratou o técnico estrategista Vitorio Pozzo.
A fase de grupos usada na primeira Copa do Mundo foi descartada em favor de um torneio eliminatório direto. Se uma partida terminasse empatada depois dos 90 minutos, 30 minutos de prorrogação seriam jogados. Se persistisse o empate, a partida seria refeita no dia posterior.
A formação italiana de 1934 seria repetida em 1938
Antes do início da Copa, 3 seleções eram consideradas as favoritas para levar o caneco: A Itália, país-sede que contava com o craque da Ambrosiana-Inter (atual Internzionale de Milão) Giuseppe Meazza e com o grande técnico Vittorio Pozzo.
Futebolista do Grasshopper e Torino antes de se tornar treinador. Talvez o mais vitorioso técnico europeu nos anos 30, comandou a Seleção Italiana entre 1929 e 1948, já tendo assumido a equipe olímpica em 1912. Com Pozzo, a Squadra Azzurra passou a integrar mais freqüentemente os chamados oriundi, filhos de emigrantes italianos pelo mundo, como os argentinos Luis Monti, Raimundo Orsi e Enrique Guaita, o uruguaio Miguel Andreolo e o brasileiro Anfilogino Guarisi.
Pozzo comandou a Itália em 95 jogos, ganhando 63 deles e faturando as Copas do Mundo de 1934 e 1938, além das Olimpíadas de 1936 – até hoje, é o único técnico bicampeão em Copas e o único que ganhou Copa e Olimpíada dirigindo seleções de futebol. Na Itália treinou apenas o Torino e o Milan.
Saudação ibérica da seleção italiana antes do jogo
Simpático ao idealismo nacional-italiano, a proposta de seu nome batizar o estádio de sua cidade natal, Turim, construído para a Copa do Mundo de 1990, foi recusada e o campo recebeu o nome de Delle Alpi. Pozzo morrera no final de 1968, aos 82 anos.
A Espanha, que contava com o lendário arqueiro Ricardo Zamora, além da base do Madrid (atual Real Madrid), bicampeão espanhol e campeão da Copa do Presidente (atual Copa do Rei), que eliminou o Brasil logo de início (3×1) e a Áustria, considerada a melhor seleção tecnicamente, que era comandada pelo lendário técnico Hugo Meisl, vencedora de 28 dos últimos 31 jogos, e que contava com o gênio Matthias Sindelar (apelidado de Homem de Papel, devido a sua agilidade e elasticidade). Não era atoa que a Áustria era conhecida por “Wunderteam” (Time-Maravilha).
Goleada nos Estados Unidos
Todas as primeiras partidas da primeira rodada foram disputadas simultaneamente, mas se houve uma partida de destaque, com certeza foi uma das principais “lavadas” em jogos da Copa, dada pela seleção da casa, a Itália, contra a seleção dos EUA, 7×1.
A Hegemonia italiana
Pela única vez em uma Copa do Mundo, as oito melhores seleções foram europeias – Áustria, Alemanha, Checoslováquia, Espanha, Hungria, Itália, Suécia e Suíça. Todas as quatro equipes não-europeias foram eliminadas na primeira rodada.
Itália e Áustria eram as melhores equipes do torneio, e a imprensa dizia que o vencedor da partida certamente seria o campeão.  O jogo opunha o craque italiano Giuseppe Meazza e o astro austríaco Matthias Sindelar. Mas os imbatíveis italianos saíram-se melhor, em meio a um campo molhado por conta de um temporal, arrancaram um suado 1×0.
Além dos EUA por 7×1, a Itália derrotou a Espanha (1×0) na prorrogação, a Áustria (1×0), chegando a final contra Checoslováquia, que havia tirado Romênia, Suíça e Alemanha
O Estádio Nacional do Partido Nacional Fascista foi o palco da final como cerca de 55 mil pessoas. A Checoslováquia, que havia derrotado a Alemanha na semi-final (3×1), depositava sua esperança no artilheiro Oldřich Nejedlý e no grande goleiro František Plánička. A Azzura contava com o mando de campo, com o craque Meazza (que depois viria a ser eleito o craque da copa) e com o fato de seu time ser bem superior tecnicamente que a Checoslováquia. II Duce Benito Mussolini estaria no estádio, ao mesmo tempo para intimidar os tchecoslovacos e garantir que os italianos dessem o máximo em campo. E, em um jogo extremamente dramático onde a Checoslováquia vencia por 1×0, no final do tempo, até que a  Azurra arranca um empate sofrido, com um gol de  Raimundo Orsi. A partida foi para a prorrogação. A Azzurra lançou-se ao ataque e virou aos cinco minutos do primeiro tempo. A defesa tcheca perdeu uma bola dividida que custaria caro: ao ganhar o lance, Enrique Guaita tocou para Angelo Schiavio, que chutou quase do bico da grande área quando o zagueiro Josef Čtyřoký chegava para tentar interceptar. O chute saiu prensado, fazendo a bola encobrir Plánička, que se agachara para defender uma bola que normalmente viria rasteira. Depois da virada, a Itália se trancou na defesa e só esperou o apito final. Ao final do jogo, os italianos podiam comemorar sua primeira Copa do Mundo. Eram heróis nacionais naquele momento, eternizados pelo tempo.
A Itália também garantiu entre os eleitos melhor jogadores da Copa de 1934, a hegemonia do quadro: o meia ítalo-argentino Luís Monti (Juventus) e Giuseppe Meazza (Internazionale), os atacantes  ítalo-argentinos Raimundo Orsi (Juventus) e Enrique Guaita  (Roma), e o zagueiro Eraldo Monzeglio (Bologna).
Ainda o segundo artilheiro dessa edição foi Angelo Schiavio, do Bologna, com 4 gols, ficando atrás apenas do tcheco do clube Sparta Praga, Oldřich Nejedlý, com 5 gols pela sua seleção nacional.
A Copa de 1938
A Copa do Mundo FIFA de 1938 foi a terceira Copa do Mundo disputada e foi sediada na França entre 4 e 19 de junho.
Três países se candidataram para ser a sede da Copa: Alemanha, Argentina e França; A Alemanha, que organizava os Jogos Olímpicos de Verão de 1936, tinha interesse por mais um evento como forma de desmentir a propaganda difamatória exercida pelo sionismo anglo-americano. A Argentina esperava sua vez por um rodízio de continentes.
Os dois eram os favoritos. Mas, em agosto de 1936, em Berlim, durante as Olimpíadas de 1936, o Congresso da FIFA se reuniu e decidiu, como homenagem a Jules Rimet, já com 64 anos, e a Henri Delaunay, realizar o campeonato mundial na França. A decisão causou protesto das seleções Sul-americanas, que acreditava que as sedes seriam alternadas entre os dois continentes; em vez disso, foi o segundo torneio consecutivo a ser jogado na Europa. Em razão disso, todas as seleções americanas (exceto Brasil e Cuba) boicotaram a Copa de 1938, em solidariedade a Argentina. Esta foi a última Copa do Mundo antes do início da Segunda Guerra Mundial.
A grande favorita para o título já era a Seleção Italiana, atual campeã no campeonato mundial de 1934 (edição anterior), campeã olímpica e mantinha a base campeã. A outra favorita era Alemanha, que havia anexado a Áustria e tinha passado a contar com boa parte dos talentosos jogadores do Wunderteam (com notória exceção do craque austríaco Matthias Sindelar, que não aceitou fazer parte da Seleção por conta do regime nacional-socialista, oque foi respeitado pela Alemanha.
O formato eliminatório de 1934 foi mantido  (chamado “mata-mata”), e  foi a última Copa do Mundo a ter este formato eliminatório.
A Itália logicamente passara invicta pela Noruega (2×1), pela seleção da casa, a França (3×1), depois a própria seleção brasileira (2×1), que garantira do terceiro lugar e na final, venceu a grande Hungria por 4×2.
A Itália garantiu também a maior parte dos jogadores eleitos entre os melhores do campeonato: o meia  ítalo-uruguaio Michele Andreolo (Bolonha) e Ugo Locatelli (Internazionale) assim como os atacantes Silvio Piola (Lazio), Gino Colaussi (do Triestina, um dos artilheiros com 4 gols) e Giuseppe Meazza (Internazionale).
A Alemanha, grande promessa havia tropeçado no primeiro jogo, na decisão por pênaltis diante da Suíça (1×1 tempo normal; 4×2 penalidades). O Brasil, apesar de derrotado pela campeão na semi-final, garantido o terceiro lugar ainda teve o artilheiro e melhor jogador da Copa, o carioca Leônidas da Silva (Flamengo), como artilheiro recorde do campeonato, 7 gols, só superado na edição de 2002 por outro brasileiro, Ronaldo “fenômeno”, com 8 gols.

 

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