Gustavo Barroso: O Conceito da História

“Há duas histórias, a oficial, mentirosa, Ad Usum Delphini, e a secreta, em que estão as verdadeiras causas dos acontecimentos, História Vergonhosa” – Balzac, “Les ilusions perdues”. t. III)
A história não é propriamente uma ciência; é antes uma arte. Muitos espíritos avançados do século XIX se esforçaram para dar À história esse conceito científico. Havia a mais generalizada do cientificismo. Seus esforços, porém, como se anularam ante a concepção atual da história. O espírito do século XX é outro e não admite mais esses exageros do cientificismo generalizado, querendo impor a todos os departamentos e categorias do pensamento humano seus cânones empíricos ou pragmáticos.
A invenção dos fatos, a fixação da datas, a interpretação da dúvidas, o confronto e a análise dos documentos, devem certamente obedecer a princípios rigorosamente científicos. Mas a narração dos acontecimentos e sua fixação precisa no tempo e no espaço, não são a verdadeira história, não formam completamente a história. Além disso, há coisas mais importante, substancial, a projeção dos homens e dos acontecimentos no espelho das épocas, as ideias de cada século, seu espírito, seu gênio próprio. São as mudanças dos aspectos intelectuais do mundo que transportam os critérios dos homens.
Para que a história deixe de ser uma cronologia seca, um rol de fórmulas mnemônicas, é necessário iluminá-la com o esplendor solar das ideias, com a luz maravilhosa da vida espiritual. Assim, a história se reflete melhor na obra dos pensadores, escritores, poetas, dramaturgos e críticos do que na enumeração dos governantes, na série das batalhas ou nos salões dos congressos diplomáticos. Por isso, em geral, o que se aprende na história são movimentos dos corpos sociais, ignorando-se a ação e a vida das almas sociais, das almas do povo. A verdadeira história seria a revelação da vida espiritual dos homens. 

“A história é obra representativa – escreve um mestre – e, portanto, deve ser um obra de arte. Não nego os méritos da investigação científica no campo da história. Sobre essa investigação se identificaram os mais belos monumentos da arte, no gênero mais difícil entre os gêneros literários. Entre a obra de arte histórica e a investigação que lhe serve de base, há  mesma diferença que entre a anatomia e a escultura estatuária. O escultor precisa conhecer a fundo, cientificamente, a anatomia do corpo humano; entretanto, isso não é o bastante para que sua obra seja considerada científica. Nas formas humanas representadas no mármore, revela-se um espírito, na emoção e nos sentimentos expressos pelas atitudes e gestos da estátua.”

Esta página do magnífico livro “La Guerre Occulte” de Emanuel Malynski e Léon de Poncis termina com essas palavras profundas, que resumem a história da humanidade nos últimos tempos:

“Ainda se tem em vista toda a hierarquia humana, quando o mundo começa a se afastar de Cristo, no Renascimento. Ainda se têm em vista os Príncipes e os Reis, quando se afasta do Papa e do Imperador, na reforma. Ainda se têm em vista a burguesia quando se retiram a nobreza Reis e Príncipes, que são os seus pontos culminantes, na Revolução Francesa. Ainda se têm em vista o Povo, quando se ultrapassa o plano da burguesia de 1848 à 1917, e não se têm em vista senão a borra social guiada pelo judeu, quando se vai além das massas, em 1917″.

Todo esse plano, em todas as nações, foi cuidadosamente elaborado e lentamente executado pelo judaísmo, raramente descoberto e sempre embuçado nas sociedades secretas. Judaísmo e maçonarias criaram um meio social propício à guerra do que está embaixo contra o que se acha em cima, desmoralizando e materializando a humanidade pelo capitalismo “mamônico”, dividindo-a e enfraquecendo-a intimamente pela democracia, separando-a e tornando-a agressiva pelo exagero dos nacionalismos, dissolvendo-a e descaracterizando-a pelo cosmopolitismo, encolerizando-a pelas crises econômicas e enlouquecendo-a com o comunismo. Conhecendo isso, é que se pode dar seu verdadeiro caráter aos acontecimentos históricos e mostrar a verdadeira fisionomia das revoluções.
Até hoje se têm escrito histórias políticas do Brasil. Empreendo, neste ensaio, a história da ação deletéria e dissolvente dessas forças ocultas. Até hoje se escreveu a história do que se via e olho nu, sem esforço. Esta será a história daquilo que somente se descobre com certos instrumentos de ótica e não pequeno esforço. É a primeira tentativa no gênero e, oxalá possa servir de ensinamento à gente moça, a quem pertence o futuro.
Gustavo Barroso 
Fonte: BARROSO, Gustavo. História secreta do Brasil vol. I. p. 25 – 27. 1 reedição. Ed. Revisão, 1990. Porto Alegre, RS.
 
Edição e adaptação de texto: www.osentinela.org
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