Fantasmas Nacional-Socialistas na América do Sul: o refúgio paraguaio

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O Hotel del Lago, onde você ainda pode descansar a cabeça hoje, foi um local central para grande parte da história nacional-socialista do Paraguai.
“Do pai do nacional-socialismo no Paraguai a um doutor de Auschwitz, o Paraguai abrigou ex-membros do NSDAP.”
Bernhard Förster estava cheio de esperança quando chegou ao Paraguai em 1886. O pequeno país sem litoral ainda estava se recuperando da guerra paralisante da tríplice aliança, quando três vizinhos mais poderosos – Brasil, Argentina e Uruguai – tomaram seu território e abateram mais da metade dos seus habitantes.
Em resposta, o Paraguai abriu suas fronteiras, oferecendo dinheiro ou propriedades a potenciais imigrantes, em um esforço para reconstruir sua população. Förster, cunhado do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, aceitou a oferta. Um intrépido explorador e antigo teórico anti-sionista, Förster desprezava uma Europa que parecia em chamas – a monarquia britânica debatendo-se, o Império Prussiano morrendo, os judeus constituindo “um parasita no corpo alemão”. Sua solução: criar uma “Nueva Germânia” na América do Sul.
Förster, sua esposa, Elizabeth, e mais 14 famílias da Saxônia atravessaram o Atlântico no auge do inverno e chegaram ao Paraguai no meio do verão. Eles construíram um assentamento a partir da floresta tropical a nordeste da capital, Assunção, mas a comunidade isolada logo foi infestada de insetos que atacavam as unhas das mãos e dos pés e colocando ovos sob a pele.
Professor, político e escritor alemão do século XIX, Bernhard Förster, natural de Delitzsch, Saxônia, era casado com Elisabeth Förster-Nietzsche, irmã de Friedrich Wilhelm Nietzsche. 
Os jovens da estrita colônia começaram a ir para o caixão junto com uma Nova Alemanha e alguns, sem opção, começaram a casar mulheres locais e agregando suas famílias mas desfazendo-se da colônia. Atormentado por doença e empréstimos bancários não pagos, Förster retirou-se para o Hotel del Lago na cidade de San Bernardino em 1899 cometeu suicídio injetando com morfina e estricnina no quarto 19.

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A ligação do país com a Alemanha não terminou com Förster. “Para a história do Paraguai, [o suicídio de Förster] foi apenas uma coisa de muitas”, diz Osvaldo Codas, gerente e historiador do Hotel del Lago. Considere o seguinte: O primeiro Partido Nacional-Socialista oficial fora da Alemanha foi organizado no Paraguai, em 1927. “Debaixo daquela mangueira aqui, onde eles põem a mesa”, diz Codas, apontando.
Túmulo de Bernard Föster (1843 – 1889) no Paraguai. 
Tão poderosa era a conexão que o Führer, que conhecia a viúva de Förster como uma figura materna, que enviou terra da Alemanha para cobrir o túmulo de Förster no Paraguai, junto com uma placa de lápide que dizia: “O lugar onde está o pai do Nacional Socialismo”. A pátria esquecida, nas palavras do historiador britânico, Ben MacIntyre.
Outros paraguaios apoiaram o Terceiro Reich de longe. O primeiro diretor de polícia nacional do país nomeou seu filho com o nome “Adolfo” e ordenou que seus cadetes usassem suásticas em seus uniformes. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, o Paraguai apoiou a Alemanha, embora tenha mudado de lado quando o resultado ficou claro. Os colonos menonitas de Fernheim, refugiados russos do stalinismo, estavam unidos com seus vizinhos alemães, e muitos na colônia eram simpáticos. “Um professor colocou mensagens nacional-socialistas nas escolas”, diz Patrick Friesen, gerente de comunicações da colônia menonita paraguaia de Chortitzer.
Depois da guerra, o país tornou-se um famoso refúgio para os refugiados nacional-socialistas. Alguns historiadores acreditam que o doutor Josef Mengele se escondeu em uma fazenda paraguaia perto da fronteira argentina antes de residir no Brasil. Um dos pilotos pessoais de Hitler foi conselheiro do presidente paraguaio Alfredo Stroessner (1912 – 2006), filho de um imigrante bávaro, em seu mandato de 1954 à 1986.
Durante os julgamentos de Nuremberg, um réu declarou que os nacional-socialistas queriam colocar Stroessner no poder para criar um refúgio amigável na América do Sul, de acordo com o jornalista e escritor argentino Abel Basti (tal como havia na Argentina de Perón).
O Hotel del Lago, no entanto, não é claro em sua própria história: seu site alega que Franklin Delano Roosevelt era um convidado, mas o Escritório do Historiador do Departamento de Estado dos EUA não lista nenhuma visita de FDR ao Paraguai (notavelmente, em 1936, ele visitou Brasil, Argentina e Uruguai – os três maiores inimigos do Paraguai na Guerra da Tríplice Aliança).
A foto acima foi retirada na fundação do Partido Nacional-Socialista do Paraguai. Evento que ocorreu por volta do ano de 1930. Muitas células partidárias foram criadas em países próximos e distantes da Alemanha. As 3 primeiras células partidárias extraterritoriais oficialmente reconhecidas ficavam na América do Sul foram a do Brasil, Argentina e Paraguai.

De início, a meta era realizar a mobilização dos cidadãos alemães no exterior. Assim, havia um especial interesse no continente sul-americano, para onde havia foram muitos imigrantes europeus, especialmente italianos e alemães. Porém, conforme essas agremiações políticas fossem se consolidando, funcionariam como pontos internacionais de articulação diplomática alemães e do partido, abrangendo os simpatizantes pelo mundo todo.
E, no entanto, os revisionistas podem apontar para algumas evidências assustadoras para reforçar o exagerado caso de uma “fuga” do Fürher para a América do Sul. A única prova física do suicídio de Hitler é um crânio fragmentado – com um buraco de bala – recuperado pelas tropas do Exército Vermelho no bunker de Berlim, atribuído ao líder alemão. Em 2009, a análise de DNA mostrou que o crânio pertencia a uma mulher com menos de 40 anos. E há um ano, autoridades argentinas encontraram uma grande quantidade de parafernália nacional-socialista, incluindo um bustos de Hitler, em Buenos Aires. Basti afirma que o líder alemão viajou pela capital argentina a caminho de outro lugar.
Além disso, a história pode estar se repetindo de maneiras estranhas, diz Codas. Ele observa que, como Förster fez há mais de um século, os europeus ficaram perturbados com o auto influxo de imigração da África e da Ásia. “Duas semanas atrás, recebi um jovem casal alemão com um bebê, tentando encontrar um lugar para morar aqui”, diz ele. Quando ele perguntou por que eles estavam considerando o Paraguai, eles lhe disseram: “Há um médico da Áustria que está tentando criar uma cidade paradisíaca”.


Fonte: DailyArchives

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