Enxergando Melhor a Relação Brasil e “China x EUA”

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Recentemente esteve em evidência na mídia nacional e internacional a reaproximação comercial dos EUA com a China, e o apontamento de que o comercio brasileiro sairia perdendo em sua balança comercial, devido ao fato de que com a reaproximação e os novos ajustes, a China voltaria sua compra de soja e outros produtos agrícolas menos para a América do Sul e mais para a América do Norte em relação ao que estava sendo vendido anteriormente, quando do empasse entre os dois países hegemônicos, houve uma procura maior do mercado chinês pelos produtos brasileiros.

Isso certamente representará uma queda nas exportações nacionais e atinge diretamente os produtores brasileiros. Mas a crítica desse problema atual não está simplesmente no governo “Jair Bolsonaro”. Temos que ser claros e justos quanto a alguns fatores, pois deve-se levar em conta que, apesar de nada ter feito em específico para conter tal queda comercial, isso não é o todo do problema. Devemos voltar um pouco no passado e rever as relações geopolíticas entre China e Brasil e perceber que gestão após gestão, somos enquadrados por falta de estadistas competentes (e por isso de soberania) que insistem em nos deixar como “anões” geopolíticos e comerciais quando o assunto é a defesa do nosso mercado.

A China e os EUA não são inimigos

Verdade que é falado de uma “guerra econômica“, mas que mais se configura em uma competição, uma disputa do que uma “guerra” propriamente dita na liderança mundial.

Por exemplo, hoje é bem claro que Rússia e China não são competidores, pois um é o maior parceiro comercial e geopolítico do outro (Já passou aquela fase da Guerra Sino-soviética) Inclusive, os EUA ajudou muito nos últimos anos a China a chegar onde chegou, sendo cotada como a maior potência mundial, até segundo o próprio FMI. E por sua vez, a China também é auxiliar os EUA na predominância da balança comercial mundial.

Isso se dá pelo fato de que os EUA são um dos maiores parceiros comerciais da China e vice-versa. Um “demolir” o outro seria como voltar-se contra seus próprios mercados interno e externo.

A China, numa trégua da chamada “guerra comercial”, voltou a comprar soja dos EUA ao mesmo passo em que a política da atual gestão do Executivo brasileiro mantém uma postura anti-China e a favor de uma aproximação maior com os EUA, ou seja, deixar a China de lado comercialmente, coisa que acabou beneficiando os anglo-americanos, uma vez que agora os mesmos reatam as relações com os chineses. Isso pegou muito mal para o governo brasileiro, pois a mando e insistência continua dos representantes dos EUA na América do Sul desde o ano passado, suas ordens insistiam que tal medida fosse radicalmente posta em prática por nosso governo.

A China e outras empresas do agronegócio já se mostrava conflitante com as exportações brasileiras a muito tempo

Em 2013, a China, na gestão Dilma (PT), impôs sanções contra os atrasos nos embarques de commodities brasileiros, um problema ocorrido por conta da falta de infraestrutura no transporte dos produtos agrícolas, principalmente a soja. Vários problemas crônicos brasileiro entram em cena nesse aspecto, como a falta de uma malha ferroviária de qualidade e de amplitude e o abandono da malha rodoviária, apontando nosso subdesenvolvimento econômico que parece eterna marca do regime republicano brasileiro.

O governo chinês chegou a propôr entre 2013-2015, uma malha transoceânica entre a Ásia e a América do Sul para melhor escoamento de produtos de importação. Isso foi discutido no BRICS como uma medida arrojada bem a frente do comércio com os norte-americanos.

O primeiro-ministro chinês na época esteve no Brasil em 2015 para fechar um acordo sobre essa mega malha ferroviária que ligaria o Atlântico ao Pacífico através do Peru. Até 2014, o comércio entre América Latina e a China havia superado a casa dos 267 bilhões. Inclusive os chineses queriam até mesmo ajudar a criar uma estatal brasileira que pudesse administrar a construção dessa ferrovia. Se essa malha ferroviária pudesse ajudar também a produção nacional brasileira dentro do país envés de somente o escoamento de grãos para a Ásia, poderia ser um passo largo para o desenvolvimento brasileiro? Creio que sim.

Esse projeto ficou apenas nas mesas de negociação. Na gestão Temer, esse projeto foi “engavetado” e presidente após o outro, China e outros parceiros comerciais continuam a reclamar e protestar do problema de infraestrutura brasileiro, vide por exemplo a União Europeia, que por muitas vezes, impôs sanções a exportação de frango brasileiro e a China igualmente faz o mesmo na atualidade.

Os EUA, por seu lado, na gestão de Donald J. Trump tomou uma iniciativa correta ao colocar em prática medidas protecionistas para concentrar o capital interno no país, aumentando a potencialidade das exportações norte-americanas a muito criticadas no governo anterior de Barack Obama.

Dólar como moeda internacional de troca  e novas configurações no Sistema Financeiro

Todos os fatores indicam que daqui um tempo, o dólar deixe de ser a moeda absolta do sistema monetário internacional. China, Rússia e Índia já tomaram muitas medidas nesse aspecto. Os próprios chineses, como maior potência mundial necessitam sim de uma reformulação do sistema financeiro com relação a moeda de troca mundial. Mas certamente, não existe indícios de que seja a moeda chinesa (yuan) ao qual os mesmos queiram impôr como referência, mas sim, um “sesto de moeda padrão mundial” como talvez a moeda do FMI.

Para que isso aconteça, é necessário, da parte dos estadunidenses reformular suas visões de mercado. Isso não significa deixar de ser hegemônico, mas implica no problema do déficit crônico da Dívida Pública do país anglo-americano. O FED imprime moeda sem lastro na economia real, isso já é de fácil entendimento, oque não gera por exemplo, a sua inflação em alta.

Uma auditoria sobre o FED (‘Federal Reserve Bank‘, o ‘Banco Central’ dos Estados Unidos) já demonstrou que essa instituição privada já injetou uma quantia de dinheiro em dólar na economia superior ao próprio PIB (Produto Interno Bruto) estadunidense para salvamento público dos bancos e multinacionais privados e seus investimentos no pós 2008 (gestão Obama).

Assim, todo o protecionismo de Trump está inclinado numa forma de salvaguardar a saúde financeira estadunidense para que o país hegemônico possa estar devidamente inserido num novo sistema monetário onde o dólar não é mais a única moeda de comparação do mercado financeiro internacional.

Mesmo assim, não entendam mal, o dólar é e ainda será uma moeda forte porém, não será a única moeda de troca no “sesto”. A China, por sua vez, como um dos principais parceiros econômicos dos EUA, com muitos títulos da sua dívida e ações na reserva, precisa, para o bem seu próprio mercado, que seu parceiro esteja bem economicamente. Daí as novas negociações e reformulações que só poderão, segundo Trump e seus secretário, “perfeita”.

A hegemonia mundial e os países que a representam precisam um dos outros para se manter como tal. Eles não vão se atacar mutualmente, mesmo que possuam, ambos, arsenais nucleares e outros produtos de destruição em massa, tal como disse Enéas Caneiro sobre o assunto, não são para matar se não para dissuasão. Elementos chave no jogo geopolítico de convencimento de países que são obrigados a se manter subdesenvolvidos, mas que possuem potencial de crescimento insipiente, como o Brasil, cuja alta casta política e burocrática teleguiada está posta na mesa de negociações para servir aos interesses dos dirigentes de tais países, os quais, são guiados pelos agentes internacionais da sinarquia financeira, que medem seu poder pela capacidade de especulação do lucro sobre dívidas e taxação de nível mundial.

Nós, assim, somos os inimigos deles…

É imprescindível para a economia dos países hegemônicos “jogar” conosco o jogo de influência, ora comprando menos ou mais ou taxando pouco ou muito o comércio bilateral e multilateral entre esses países, garantindo, sob suas condições o preço, quem e oque será negociado. É do chamado “Terceiro Mundo” subdesenvolvido que vem os produtos básicos que atendem a demanda nacional desses países, que por sua necessidade, necessitam dessa oscilação e submissão.

Assim, a China voltar a comprar mais dos EUA em vez do Brasil é parte da estratégia de longo prazo. Uma que sempre foi feita, não só pelos asiáticos mais também pelos hegemônicos do Ocidente.

Dessa forma, continuamos na submissão seja dos EUA, seja da China e o presidente certamente está informado disso. Se o agronegócio tomará prejuízo com isso? Bem, depende de qual nível econômico do agronegócio estamos falando. Certamente o prejuízo pode ser, como sempre, unilateral, por parte do produtor nacional, pois os maiores produtores rurais do Brasil possuem sede nos EUA, vide Bunge, Cargil, ADM, etc., salvaguardados por tanto dentro do espaço do grande capital estadunidense e jogando qualquer aumento de preço para os braços do consumidor local. Prova disso é que, segundo a Forbes, indicadores mostram que até 2050 o agronegócio brasileiro crescerá até 3 ou 4 vezes mais, consolidando-se de vez em condição do “celeiro do mundo”, mas nas mãos das potências de fora, mesmo existindo impérios do setor nacionais.

O agronegócio paga as contas brasileiras mas não está nem nunca esteve ligado ou comprometido, modo massivo, ao desenvolvimento nacional, a formação de uma pátria verdadeira. Pois está diretamente conectado aos interesses globais de suas sedes e nos acordos que fazem como seus respectivos governos.

Ou seja, dado sua hegemonia, o agronegócio em si não quebrará.

Focos e exemplos sul-americanos desse poder hegemônico na atualidade

Outro exemplo de disputa de hegemonia sem guerra, oque é, repetindo, desnecessário para todos eles, também está na América. Mas especificamente na questão venezuelana, outro “celeiro do petróleo” mundial, tal como o Brasil, a China e Rússia (e os seus) apoiam o governo de Maduro enquanto os Estados Unidos (e os seus) apoia uma aposição criada com Guaidó. Mesmo em caso de uma, guerra, vejamos, ela não aconteceria em solo pátrio de tais países mas em território alheio, como o nosso. Mais uma vez, o governo vassalo dos Bolsonaro (respaldado por Macri na Argentina, mas bem de longe, pois esse já terminou de trucidar a economia argentina a mando do FMI e por isso cumpriu seu papel) se prontifica como ponta de lança em pressão declaradamente forçosa na política interna venezuelana, sem se importar em como isso afetaria nossa visão internacional e nas implicações políticas e econômicas que isso possa acarretar. Veja, não é um interesse nacional. Não é de interesse benéfico destruir nossos vizinhos sem diálogo e real visão do que realmente se passa, mas sim de interesse de fora e somente de fora.

Conclusão

Em resumo final, o grande problema da predominância dos Aliados hegemônicos e suas políticas sobre os países subdesenvolvidos está justamente na insistência do lobby anti-desenvolvimento nacional, que gera nossa falta de estrutura e por sua vez, nossa curvatura para tal suserania. Assistindo como queiram as coisas acontecerem.

É preciso urgentemente defender a nacionalização do agronegócio brasileiro.

Nacionalização nem sempre é “estatização”, apesar de sim, o Estado ser responsável também pelo desenvolvimento nacional e não só pelo tripé “segurança, saúde e educação”, pois somente assim ele pode de fato garantir esses direitos básicos. Trata-se aqui do incentivo geral ao médio e pequeno produtor, submeter o monopólio estrangeiro do “agribusiness” ao desenvolvimento nacional, tal como ocorre nos países de economia mais sólida, estimulando a criação de empresas de capital nacional com um papel social de promover o desenvolvimento não só do setor mas contribuindo na criação de emprego, renda e tecnologia necessária para autonomia da produção e consumo nacional.

O Brasil é um produtor nato. A agricultura é um dos nossos pilares, nossas terras são abundantemente férteis e vastas. Não é atoa que mesmo mantido como subdesenvolvido e basicamente exportador, ainda assim somos uma potência nesse sentido.

Texto baseado nas observações de Cibele Laura.

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