Eduardo Velasco: Roma vs. Judeia (Parte I – As Bases do Conflito)

Nos ajude a espalhar a palavra:

“Os judeus há tempos estão em rebelião, não apenas contra Roma, mas contra toda a humanidade.” – (Eufrates).

“Os judeus pertencem a uma força sombria e repulsiva. Eu sei o quão numerosa esta camarilha é, como eles permanecem unidos e que poder eles exercem através de suas uniões. Eles são uma nação de mentirosos e enganadores.” – (Cícero).
“Os temores dos judeus parecem ter sido confinados à esfera estreita da vida atual. A intratável obstinação com que mantinham seus ritos peculiares e costumes sociais parecia apontar para eles como uma espécie distinta de homens, que professavam com insolência ou mal disfarçavam seu ódio implacável ao resto da humanidade.” – (Edward Gibbon).
ÍNDICE
PRIMEIRA PARTE
– CONTEXTO GEOPOLÍTICO, ANTROPOLÓGICO E ÉTNICO
– ROMA
– JUDEIA
– ANTISEMITISMO ROMANO: UM CONFLITO ESPIRITUAL
– O LEGADO HELENÍSTICO
– O ANTI-SEMITISMO GREGO
– A CONQUISTA DE POMPEO
– HERODES, O GRANDE
– SOBRE JESUS CRISTO E O NASCIMENTO DO CRISTIANISMO
– CALÍGULA
– CLAUDIO E NERO
Na terceira parte, “o cristianismo e a queda do Império Romano”, vemos processos que marcaram o início do desenvolvimento do cristianismo, que é a síntese estranha entre judeus e greco-decadentes, que do Oriente, devorou ​​os ossos da mentalidade do mundo clássico, minando as instituições romanas e a sua mentalidade para propiciar seu colapso total. No entanto, começaremos nos concentrando nas províncias romanas orientais, especialmente na Judeia, que foram levadas por Roma aos herdeiros de Alexandre, o Grande. Como foram as relações entre gregos e judeus? Qual o papel dos romanos na Ásia Menor e na gestão do problema judaico? Quais são as verdadeiras raízes de Israel e a atual instabilidade no Oriente Médio? Valerá a pena expandir o assunto para se familiarizar com as fundações do que é hoje o maior conflito geopolítico do planeta: o Estado de Israel. Também será bom ver a impossibilidade, a longo prazo, da coexistência entre duas culturas radicalmente diferentes – neste caso, greco-romana e judaica.
Por enquanto, os romanos encontrarão um povo que leva a tradição com a mesma seriedade que eles, mas substituindo o toque olímpico, artístico, atlético e aristocrático por uma faísca de fanatismo e dogmatismo, e mudando o patriotismo romano por um tipo de pacto selado por trás do resto da humanidade. Um povo, acima de tudo, com um senso de identidade ferozmente enraizado – na verdade, muito mais do que qualquer outro povo – e que também se considerava nem mais nem menos que o “povo escolhido” …
CONTEXTO GEOPOLÍTICO, ANTROPOLÓGICO E ÉTNICO
 
O Oriente Próximo ou o Levante – o que hoje são Turquia, Líbano, Síria, Iraque, Israel, Palestina, Jordânia e Egito – tem sido uma importante zona geoestratégica de confrontos entre a Europa das florestas, neve, os rios e as névoas, e o profundo leste do espírito seco, ciumento, estéril e inóspito do deserto. Nesta área tem havido, desde tempos imemoriais, fluxos e refluxos da Europa, Ásia e África, cristalizados na aparição do Neolítico e as primeiras civilizações do mundo.
Deserto da Arábia (que vai do Egito ao Iraque). Citando Nietzsche, diríamos que “se você ficar olhando o deserto por muito tempo, o deserto também vai olhar para você”. Se existe um ambiente de seleção natural radicalmente diferente do das glaciações, é sem dúvida o ambiente desértico, monótono e infinito como os lamentos das canções ora pregadas dos minaretes das mesquitas. Mergulhados nesse tipo de paisagem por um longo tempo, é mais fácil para um homem ter visões, ver miragens e reflexos distorcidos, ouvir vozes, que de acordo com o folclore oriental vêm de espíritos malignos e, eventualmente, perdem o seu caminho, que mergulha no desespero e na loucura, e deixa sua mente fazer uma jornada na escuridão, da qual nunca mais retornará. Desertos são os lugares onde a ausência do poder fecundador do céu (representados pela chuva e relâmpagos, e deuses tipicamente europeus, como Zeus ou Júpiter) levou ao triunfo da Terra e, portanto, a morte da natureza e o nivelamento, a devastação, a equalização dos horizontes e a falta de permanência do mesmo piso que é pisado. É totalmente imprudente pensar que todos esses elementos não deixam uma marca profunda na idiossincrasia e na imaginação coletiva de um povo.
É translucido no assunto que tratamos de um confronto que, em última instância, se reduz a uma insurreição evolutiva do Oriente para não desaparecer em uma competição desigual com as variedades humanas europeias. Em 56 a.C, em um discurso intitulado “De Provinciis Consularibus”, proferido no Senado de Roma, o próprio Cícero descreve os judeus, juntamente com os sírios, como uma “raça nascida para ser escrava”. Sírios e judeus eram comunidades étnicas nas quais a raça armênia era fortemente representada e abrangia as culturas semitas. As ondas semíticas constituíram, durante milênios, uma fonte de dor, mal-estar, violência e tragédia para a Europa, dos cartagineses aos otomanos. O presente artigo tratará particularmente dos judeus, mas sem esquecer outros grupos que, como os árabes, persas e sírios, fizeram causa comum com eles em muitas ocasiões, inclusive durante a ascensão do cristianismo.
Embora hoje tentem endossar a Europa com um multiculturalismo irreal, a realidade diária e histórica é que a coexistência entre diferentes raças tem apenas dois resultados: a terceira-mundanização e/ou a balcanização (conflitos étnicos e rupturas territoriais). O que vamos ver neste artigo, é claro, não tem nada de multi-cultos e nada de “coexistência pacífica”, já que por séculos, a coexistência entre gregos e judeus foi marcada por grandes ondas de violência sangrenta e, portanto, não funcionou.
Longe, portanto, da fantasia politicamente correta de “coexistência de culturas”, investigaremos o início de uma série de limpezas étnicas em todo o Mediterrâneo Oriental, que culminariam no baixo Império Romano com sua erradicação, no norte da África e no Oriente Próximo. No leste, das comunidades grega e romana, e da maior parte do legado clássico, nas mãos do Oriente.
ROMA
É incrível a quantidade de adulterações e lixo derramada sobre a história de Roma e a biografia de seus imperadores, mas não tanto se pensarmos que o Império Romano enfrentou diretamente o que mais tarde seriam duas forças muito poderosas: o judaísmo e o cristianismo. Roma representou durante séculos (como os macedônios a haviam representado antes dela) a encarnação armada e conquistadora da vontade europeia e o veículo do sangue indo-europeu no Oriente Próximo, no berço do mundo semítico, do judaísmo, do neolítico e do matriarcado.
Em sua “Anábase de Alexandre, o Grande”, Arriano nos conta como, sendo Alexandre, o Grande, na Babilônia, ele recebeu embaixadas de incontáveis ​​reinos do mundo conhecido. Uma dessas embaixadas veio de Roma, que na época era uma humilde república encabeçada por um conselho de patrícios idosos chamados de senadores. Alexandre, o Grande, viu os costumes e o comportamento dos embaixadores romanos e, sem hesitação, previu que, se seu povo continuasse fiel a esse estilo de vida sóbrio e correto, Roma se tornaria uma cidade muito poderosa. Antes de morrer, Alexandre, o Grande, deixou em seu testamento que uma imensa frota fosse construída para, algum dia no futuro, enfrentar a ameaça cartaginesa, que começava a tomar forma no horizonte. Roma, como herdeira da missão alexandrina, também herdou a tarefa geopolítica de acabar com os cartagineses, um povo de origem fenícia (atual Síria, Líbano e Israel) que havia se estabelecido no que hoje é a Tunísia. Roma destruiu Cartago no ano 146 a. C, mas foi deixado com fortes sequelas e más recordações daquele confronto do Ocidente vs. Leste, e nunca mais seria a mesma.
O que foi que atingiu Alexandre, o Grande dos embaixadores romanos, e o que o fez distingui-los imediatamente do resto dos embaixadores? Que os romanos eram um povo extremamente tradicional e militarizado, cuja vida dançava ao ritmo de um ritualismo religioso severo e de uma austeridade disciplinada. A religião romana e os costumes romanos estavam presentes em todos os momentos da vida do cidadão. O mundo, aos olhos de um romano, era um lugar mágico e santo, onde os deuses antigos, divindades, os manes, Lares, Penates, gênios e os inúmeros espíritos populares, foi galopante influenciando a vida dos mortais, mesmo em suas oscilações mais diárias (o “Civitas Dei” de San Agustín, apesar de atacar a religião romana, fornece informações valiosas sobre sua complexidade). Quando uma criança nascia, havia uma frase para invocar um númen. Quando a criança chorava no berço, outra era invocada. E o mesmo rezava para quando a criança aprendesse a andar, quando ele corresse, quando fugisse, quando, sendo homem, recebesse seu batismo de armas, para seu casamento, antes de entrar em combate, quando caísse ferido, para triunfar sobre o inimigo retornando para a casa vitorioso, ao adoecer, para gerar seu primeiro filho, antes de comer, antes de beber, para semear os campos… o númen foi responsável pelo crescimento das culturas de ouro, outro NÚMEN (neste caso o númen de Júpiter) arremessava chuva do céu, outro tratava para trazer a grama com o vento, outro em tempos imemoriais, tornou as barbas de uma linha da família masculina inteira cor vermelha… todas as qualidades, todas as coisas e todos os acontecimentos, segundo a mentalidade romana, mostravam o traço da intervenção criadora das forças abençoadas do mundo, os espíritos dos rios, das árvores, das florestas, das montanhas, das casas, dos campos… Os famili veneravam o paterfamilias, o ancestral do clã, enquanto todo homem se orgulhava de ter virtus, uma qualidade divina associada à proeza militar, ao treinamento e ao espírito combativo, e que somente os jovens podiam possuir. Somente a carne de animais sacrificados aos deuses era comida em rituais de liturgia inflexíveis, e em cerimônias religiosas, a simples gagueira de um sacerdote era mais que suficiente para invalidar uma consagração ou tê-la que começar de novo.
O espírito romano: representado aqui com duas tochas, Vesta, equivalente à Héstia helênica, era uma deusa virginal associada à lareira e ao fogo, que simbolizava o centro da casa, em torno da qual a família estava agrupada. Suas sacerdotisas, as vestais, eram moças virgens que, no interior de seu templo circular, observavam para ver que o fogo sagrado nunca se apagava. Havia uma lei segundo a qual, se uma pessoa condenada à morte atravessasse a rua com uma vestal, ele seria absolvido. Quando alguns deles falharam em seus deveres, foram açoitados, e se algum transgrediu o voto de virgindade, foram enterrados vivos. Esse é apenas um exemplo da imensa seriedade religiosa que reinou nas origens de Roma, muito distante da famosa “decadência do império”.
Apesar da influência subsequente que a Grécia teve sobre eles, a seriedade com que os romanos levaram o ritualismo e o folclore foi tão extrema, e seu patriotismo tão incrível, que eles podem pensar seriamente que a fidelidade (o que eles chamavam as pietas, o cumprimento do dever para com os deuses do dia a dia) que professavam os costumes e tradições ancestrais era o segredo de seu imenso sucesso como povo. Eles desenvolveram tecnologia avançada e, por causa da disciplina de seus soldados, a capacidade de seus comandantes e uma maneira superior de “fazer as coisas”, conquistou todo o Mediterrâneo, protegendo o sul da Europa.
Se tivermos que dar mais exemplos de povos em que a fidelidade às tradições foi tomada como extrema gravidade com que foi tomada em Roma, apenas três vezes encontraríamos. Dois deles são a Índia Védica e a China Han.
Ou outro é o povo judeu.
JUDEIA
Os judeus, em muitos aspectos, eram a antítese exata dos romanos, mas tinham algo em comum com eles: rigidez ritual e lealdade aos costumes. No caso judaico, o personagem estava tingido com certo fanatismo, dogmatismo e intransigência. Os romanos consideravam essa religiosidade sinistra: o pano de fundo religioso bíblico, que é a matriz do judaísmo (também do cristianismo e islamismo), vem de uma antiga tradição sírio-fenícia-canaanita-semítica, que entre outras coisas sancionava o sacrifício humano, inclusive o dos primogênitos.
A judiaria, que tinha uma longa história de nomadismo, escravidão, perseguição e expulsão do Egito e das civilizações da Mesopotâmia, foi mantida, apesar de suas grandes oscilações através de desertos e um milhar de cidades estrangeiras, sua idiossincrasia foi essencialmente inalterada. Desde os tempos antigos, os judeus se mostraram povos inassimiláveis ​​e altamente conflitantes, dotados de uma capacidade sem precedentes para escalar as posições sociais de civilizações alienígenas, minando as suas instituições e destruindo suas tradições e costumes de uma posição parasitária e vantajosa, enricando no processo, tomando oque lhes foram úteis, tornam-se cada vez mais sofisticados e, finalmente, sobrevivendo à queda da civilização a que devoraram, elevando uma rica bagagem de experiência e roubando a próxima civilização destinada a sofrer a repetição do ciclo. Em todos os países que os acolheram, os judeus foram acusados ​​de se apropriar da riqueza dos outros sem trabalhar (usura), para exercer o vampirismo sobre a economia, sendo bajuladores da nobreza e abertamente hostis ao povo, endividando os Estados e odiando mortalmente, em segredo, toda a humanidade não judaica.
Aqueles que detinham o poder entre os judeus eram os rabinos, sacerdotes que passaram a vida aprendendo a Torá e exercendo firme controle psicológico sobre seu povo, ameaçando a ira de Yahweh e manipulando os medos e sentimentos dos indivíduos, como a culpa ou pecado. O historiador grego Estrabão acabaria por descrever os sacerdotes judeus como “supersticiosos e com temperamento de tiranos”.
Este é o primeiro templo em Jerusalém, também chamado de templo de Salomão ou Sião, construído na esplanada do Monte Moria, por volta do ano 960 a.C. Foi destruído pelos babilônios em 586 a.C, e reconstruída setenta anos mais tarde por aqueles judeus, liderados por Zorobabel, Esdras e Neemias quando voltaram da deportação do “cativeiro babilônico”. É uma estrutura bastante modesta e, naturalmente, seguindo a tradição semita fundamentalista, faltavam imagens ou representações da figura humana: literalmente, o judaísmo era uma religião sem ídolos. O estilo do templo estava em sintonia com a tradição sírio-fenícia-cananeia, considerada sinistra pela tradição romana, admitindo infanticídio ritual de sacrifício humano, incluindo primogênitos. Os cartagineses, que tinham sido esmagados por Roma durante as guerras púnicas, também tinha sido herdeiros desta tradição fenícia, associada com a presença do haplo grupo J.
Mas para ser um povo “bárbaro” e de “terceiro mundo”, desprezado e considerado destinado à escravidão, os judeus tinham uma taxa de alfabetização muito alta e, devido à sua experiência, lidavam extremamente bem com ambientes urbanos, já que de todo o mundo eram as pessoas que haviam vivido mais tempo em condições civilizadas. Havia também entre eles, sem dúvida, homens extremamente inteligentes e astutos, bons médicos, contadores, cartomantes, mercadores e escribas, e seu monoteísmo radical, quase sofisticado em sua ruptura total com todo o resto, os diferenciava bem de qualquer outra cidade.
ANTISSEMITISMO ROMANO: UM CONFLITO ESPIRITUAL
O que aconteceu após a chegada das tropas romanas na Judeia foi um confronto espiritual sem precedentes na história da humanidade. 4 milhões de judeus iriam agora dividir as fronteiras com os outros 65 milhões de indivíduos do Império Romano.
É impossível escrever um artigo sobre este assunto sem mencionar as citações profundamente anti-judaicas escritas por grandes autores romanos da época. Neles, um verdadeiro conflito é percebido entre dois sistemas de valores exatamente opostos um ao outro. O choque entre a rigidez romana e o dogmatismo do deserto causou em Roma um genuíno movimento de rejeição ao judaísmo. Embora o anti-semitismo remonte às origens da judiaria, os romanos, herdeiros dos gregos e de uma disciplina militar superior, eram sem dúvida, até então, os que mais hostilizavam os judeus.
Cícero (106 – 43 a.C), como discutido abaixo, hostil à convicção judaica, considerando sua mentalidade de trapaça e covardia é incompatível com a mentalidade altruísta dos melhores em Roma.
Horácio (65 – 8 a.C), no Livro I de seu “Sátiras” zomba do descanso sabático “shabato“, enquanto Petrônio (morreu em 66 d.C.), em seu “Satyricon” ridiculariza a circuncisão.
Plínio, o Velho (23-79 d.C.), em sua “História Natural”, fala sobre a “impiedade judaica”, e refere-se a “os judeus, conhecidos por seu desprezo pelos deuses”.
Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) chamou a Judiaria de “a nação mais maligna, cujo é um desperdício de um sétimo de vida [refere-se ao Shabat], indo contra a utilidade dela… Essas pessoas perversas vêm para estender seus costumes no mundo inteiro, derrotados deram leis aos vencedores “.
Quintiliano (30 – 100 d.C.) diz em sua “Institutio oratoria” que os judeus são um escárnio para o resto dos homens, e que sua religião é a personificação da superstição.
Marcial (40 – 105 d.C.), em seu “Epigrams” acredita judeus seguidores de um culto cuja verdadeira natureza é escondida aos olhos do resto do mundo, e os ataques a circuncisão, o “shabat” (“sábado”, ou seja, não fazer nada no sétimo dia da semana, o que lhes dava preguiça), e abstinência de carne de porco.
Tácito (56 – 120 d.C.), o famoso historiador que elogiou os alemães, também falou sobre os judeus, mas em termos muito diferentes. Ele diz que eles descendem de leprosos expulsos do Egito e que sob os assírios, medos e persas eram os povos mais desprezados e humilhados. Entre os termos que qualificam o judaísmo, temos “iníquo, abominável, cruel, supersticioso, alheio a qualquer lei da religião, perverso e imundo” entre muitos outros:

“Os costumes judaicos são tristes, sujos, vis e abomináveis. Se sobreviveram, é graças à sua perversidade. De todos os povos escravizados, os judeus são os mais desprezíveis e repugnantes… 

Para os judeus, tudo o que é sagrado para nós é desprezível, e o que é repugnante para nós é lícito. 

Os judeus revelam um vínculo teimoso entre si, o que contrasta com o seu ódio pelo resto da humanidade… Entre eles, nada é lícito. Aqueles que abraçam sua religião praticam o mesmo, e a primeira coisa que eles aprendem é desprezar os deuses, esquecer o patriotismo e negar seus pais, filhos e irmãos.”

“Os judeus são uma raça que odeia os deuses e a raça humana. Suas leis estão em oposição às dos mortais. Eles desprezam o que é sagrado para nós. Suas leis os encorajam a cometer atos que nos horrorizam.” – (“História”, capítulos 4 e 5).

O LEGADO HELENÍSTICO
“Quando os macedônios tomaram o poder [na Judeia], o rei Antíoco procurou extirpar suas superstições e introduzir hábitos gregos para transformar essa raça inferior.” – (Tácito, “História”)
Para entender os conflitos étnicos virulentos que ocorreram durante a época romana, é necessário voltar alguns anos e nos colocar na época da dominação macedônica, já que os estratos sociais gregos deixados pela conquista de Alexandre, o Grande, tiveram muito a ver com os levantes do judaísmo na longa história de ódio, tensões, represálias e contra-represálias que se sucederam depois.
Quando Alexandre, o Grande estava para conquistar o Egito, ele passou na Judeia e, temendo que arrasa-se Jerusalém, fizeram com os macedônios o que costumava a comunidade judaica fazer sempre que chegava um novo invasor triunfante: trair seus antigos senhores e acolher o invasor os braços abertos. Assim, como haviam traído os babilônios com os persas, eles traíram os persas com os macedônios. Grato, Alexandre concedeu-lhes extensos privilégios, por exemplo, em Alexandria, eles eram legalmente igualados à mesma população grega. Isto é importante, porque o status legal dos judeus de Alexandria (que estavam a constituir quase metade da população da cidade) assumiu após apreensões amargas por parte da comunidade grega, distúrbios graves dos quais vamos ver mais tarde.
Quando Alexandre, o Grande, morreu no ano 323 a.C., deixou um vasto legado. Toda a área que havia dominado, do Egito ao Afeganistão, recebeu uma forte helenização, que produziu o período chamado helenístico, para diferenciá-lo do helênico clássico. Os generais macedônios, os chamados diádocos, lutaram tolamente entre si para estabelecer seus próprios impérios, e neste caso estaremos interessados no império dos Ptolomeus (centrado no Egito) e dos selêucidas (centrados na Síria), porque Israel estaria entre eles. ambos se tornariam parte do primeiro e finalmente, em 198 a.C., foi anexado pelos selêucidas.
Sob o “guarda-chuva” da proteção alexandrina, os judeus se espalharam não apenas na Palestina e no Oriente Próximo, mas em toda Roma, Grécia e norte da África. Nessas áreas, já havia kahal´s judeus bem organizados, ricos e poderosos, todos ligados à Judeia, o núcleo do judaísmo. Na sociedade judaica, alguns setores sociais absorveriam a helenização, que, com a fermentação dos séculos, produziu um ambiente cosmopolita que levaria ao nascimento do cristianismo. Outros setores judaicos, os mais numerosos, apegavam-se à sua xenofobia tradicional e começaram a reagir contra aqueles que, junto com Alexandre, o Grande, haviam recebido como salvadores. Embora o Oriente Médio fosse um viveiro de egípcios, sírios (também chamado caldeus, cuja língua era a língua franca na área, sendo falado regularmente pelos judeus), os árabes e outros tradicionalistas judeus olhavam com grande desagrado a Ásia Menor e a Alexandria que estavam cheias de gregos que naturalmente eram pagãos e, portanto, no pensamento judaico, infiéis, ímpios e idólatras, como haviam sido os egípcios, babilônios e persas que odiavam antes deles.
Eventualmente, o desconforto desses setores da judiaria, ao contrário de assimilar a cultura grega, lançaram-se contra uma série de medidas decretadas por Antíoco IV Epifânio, o rei selêucida. Em dezembro do ano 168 a.C., Antíoco proíbe o judaísmo, literalmente, tentando remover o culto de Yahvé, removendo qualquer manifestação religiosa judaica, colocando a circuncisão proibida e até mesmo forçando os judeus a comer alimentos considerados religiosamente “impuros”. Os gregos impuseram um decreto pelo qual um altar aos deuses gregos deveria ser construído em todas as cidades da região, e oficiais macedônios seriam distribuídos para garantir que em toda família judia os deuses gregos fossem adorados. Aqui, os macedônios demonstraram simplesmente estranheza e não conheciam o povo judeu. De acordo com o Antigo Testamento (Macabeus 2 e 4), os que permaneceram fiéis à lei mosaica, Antíoco fez queimar vivos, e os judeus ortodoxos que escaparam para o deserto foram perseguidos e massacrados. Essas declarações devem ser tomadas com cautela, mas o que está claro é que houve repressão antijudaica em geral.
Quais foram essas medidas? Devemos ter em mente que o mundo pagão era um mundo de tolerância religiosa, no qual as religiões não eram perseguidas assim. No entanto, no judaísmo, os soberanos gregos devem ter visto uma doutrina política que teria de transformar os judeus subversivos contra os estados pagãos pelos quais eram dominados, hostis aos outros povos do planeta e, portanto, uma ameaça. Neste contexto, é possível que as primeiras manifestações de intransigência religiosa tenham vindo do lado judaico (entre outras coisas, porque, como eu disse, os antigos gregos pagãos nunca foram religiosamente intransigentes ou intolerantes), e os macedônios, que consideravam os seus deuses símbolos de seus de seu próprio povo, isso não era divertido.
O fato é que naquele ano de 168 a.C., Antíoco não sacrifica nada mais e nada menos que um porco no altar do templo de Jerusalém, em homenagem a Zeus. Este ato foi considerado uma dupla profanação, por um lado porque era um porco (animal profano dos credos semíticos como o judaísmo e o islamismo) e, por outro lado, porque esse foi o primeiro passo da consagração de todo o templo ao Zeus Olímpico, para converter Jerusalém em uma cidade grega.
Antíoco IV Epifânio, rei selêucida e descendente de Seleuco I Nicátor, talvez o mais brilhante dos generais de Alexandre, o Grande. De acordo com a tradição judaica, esse rei da Macedônia, ao profanar o altar do templo em Jerusalém, borrifando-o com sangue de porco, foi possuído por um demônio, o mesmo que possuirá o Anti-Messias ou o “próximo príncipe” mencionado no Velho Testamento (Daniel 9:26)
 
Esse ato de sacrilégio trouxe uma forte reação dos setores fundamentalistas do bairro judeu. Os rabinos mais zeloso começaram a pregar uma espécie de guerra santa contra a ocupação grega, exortando os judeus a se rebelar, e quando o primeiro judeu decidiu timidamente fazer uma oferta ao Zeus grego, um rabino, Matatias Macabeu, o assassinou. Tumultos étnicos que se seguiram levando ao período conhecido como guerras dos macabeus (anos 167 – 141 a.C.), dos quais há muita conversa no Antigo Testamento (Macabeus). Levada a cabo pelos hassidim (os “judeus devotos”, também chamados de chassídicos) numa guerra de guerrilha contra uma soldados macedônios cercados por todos os lados, os “Macabi” finalmente foram salvos de ser esmagados quando uma rebelião anti-grega eclodiu em Antioquia, e esmagou a influência dos judeus helenizantes. Judas Macabeu, que sucedeu a Matatias, renovou o ciclo de traição e até negociou com os romanos para garantir seu apoio. Na verdade, o Senado romano iria reconhecer formalmente a dinastia dos Asmoneus em 139 a.C., suspeitando as dores de cabeça que daria esta terra remota em um futuro próximo.
Judá sob a dinastia asmoneia. Mais tarde, sob Herodes, a Torre de Strator seria reconstruída como Cesareia. Não é objetivo deste artigo tratar o período asmoneu ou asmoniano, mas basta dizer que as guerras dos macabeus, que coincidiram com o declínio dos selêucidas, deram origem a um período de autonomia e expansão judaico sob o reinado da dinastia asmoniana, que teve numerosas campanhas internas, guerras fratricidas e luta entre facções religiosas, e que duraram até a irrupção romana no ano 63 a.C.
 
Durante este tempo, além dos judeus helenizados, outras duas facções judaicas importantes seriam formadas, também em amarga disputa: de um lado, os fariseus, um setor fundamentalista que contava com o apoio das multidões, e do outro, os saduceus, um grupo de sacerdotes mais “progressistas” e “burgueses”, em melhores relações com os gregos, e que no futuro seriam vítimas da “revolução cultural” que os fariseus levaram a cabo após a queda do judaísmo nas mãos de Roma. Seus escritos foram destruídos pelos romanos, de modo que a visão que temos hoje do panorama é bastante graças aos fariseus, de quem viriam as linhagens de rabinos ortodoxos que completariam o Talmude. A dinastia asmoneia, apesar de numerosos balanços e mudanças, seria essencialmente pró-saduceia.
O ANTI-SEMITISMO GREGO
Aqui, a escola alexandrina tem uma relevância especial, porque, tendo a população judaica mais importante (quase metade do total), também teve a mais importante tradição “anti-semita” (porque os sírios, os babilônios e os árabes eram semitas e os alexandrinos não tinham nada contra eles). Como uma parte importante da história judaica havia ocorrido no Egito, esses escritores egípcios helenizados atacaram-nos duramente. Além disso, os gregos do Oriente Próximo há muito vinham vivendo mal com os judeus, e durante esse tempo uma verdadeira animosidade havia se desenvolvido entre os dois povos.
Hecateu de Abdera (por volta de 320 a.C., não sendo um alexandrino), foi provavelmente o primeiro pagão que escreveu sobre a história judaica, e não o fez em bons termos:

“Devido a uma praga, os egípcios os expulsaram…A maioria fugiu para a desabitada Judeia, e seu líder Moisés estabeleceu um culto diferente de todos os outros. Os judeus adotaram uma vida misantrópica e inóspita.”

Manetón (século III a.C.), sacerdote e historiador egípcio, em sua “História do Egito” (a primeira vez que alguém escreveu a história do Egito em grego), diz que, no tempo do faraó Amenhotep, os judeus deixaram Heliópolis com uma colônia de leprosos sob o comando de um renegado sacerdote de Osíris chamado Osarsif, a quem ele identifica com Moisés, que lhes ensinaria hábitos contrários aos dos egípcios, que ordenou que não se relacionassem com o resto das aldeias e que os fizessem queimar e saquear numerosas aldeias egípcias do vale do Nilo antes de deixar o Egito na direção da Ásia Menor. Os estoicos posteriores Possidônio de Apameia (filósofo e historiador, 135-51 a.C.) e Cheremón (preceptor do imperador Nero, também chamado Ceremón), complementaram o que foi dito por Manetón.
Mnaseas de Pátara (século III a.C.), discípulo de Erastótenes, foi o primeiro a dizer algo que mais tarde seria recorrente no no anti-semitismo grego e também no romano: que os judeus, no templo de Jerusalém, adoravam uma cabeça de burro de ouro (Isso é chamado de “onologia”).

 

Lisímaco de Alexandria (idade desconhecida) disse que Moisés era um tipo de mago negro e um impostor, que suas leis, equivalentes às registradas no Talmude, eram imorais e que os judeus estavam doentes:

 

“Os judeus, doentes de lepra e escorbuto, refugiaram-se nos templos, até que o rei Bojeris afogou os leprosos e mandou os outros cem mil para perecerem no deserto. Um certo Moisés os guiou e os intrometeu de modo que eles não mostrassem boa vontade para com qualquer pessoa e destruíssem todos os templos que encontrassem. Eles chegaram na Judeia e construíram Hierosyla (cidade dos ladrões do templo).”

Agatárquides de Cnido (181 – 146 a.C.), em “Historia da Ásia”, zomba da Lei mosaica e suas práticas, especialmente do descanso sabático.

Possidônio de Apameia (135 – 51 a.C.) diz que os judeus são “um povo ímpio, odiado pelos deuses”.

Possidônio de Apameia chamado “o atleta”
 
Apolônio Molón, de Creta (por volta de 70 a.C.), gramático, retórico, orador e professor de César e Cícero na Academia de Rodes, no século I a.C., dedicou uma obra inteira à judiaria, chamando-os de ateus disfarçados de monoteístas (talvez porque ele não pudesse conceber uma religião sem ídolos) e misantropos.

“Eles são os piores entre os bárbaros, eles não têm nenhum talento criativo, eles não fizeram nada pelo bem da humanidade, eles não acreditam em nenhum deus… Moisés era um impostor.”

Diódoro Sículo (cerca de 50 a.C.) historiador grego da Sicília, diz em “Biblioteca Histórica”:

“Os judeus tratavam outras pessoas como inimigos e inferiores. A “usura” é a sua prática de emprestar dinheiro com taxas de juros excessivas. Isso causou durante séculos a miséria e a pobreza dos gentios, e tem sido uma forte  de condenação para os judeus. 

Os conselheiros do rei Antíoco já lhe diziam para exterminar completamente a nação judaica, porque os judeus como as únicas pessoas no mundo resistiram a se misturar com outras nações. Eles julgaram todas as outras nações como seus inimigos e transmitiram essa inimizade como uma herança para as futuras gerações. Seus livros sagrados contêm regras e inscrições aberrantes hostis a toda a humanidade.”

Estrabão (64 a.C. – 25 d.C.), um geógrafo grego, em sua “Geografia”, admira a figura de Moisés, mas acha que os sacerdotes posteriores distorceram sua história e impuseram um estilo de vida antinatural aos judeus. Nesta citação, fica claro que os judeus, já na época, constituíam uma poderosa máfia internacional:

“Os judeus penetraram em todos os países, por isso é difícil encontrar em qualquer parte do mundo onde sua tribo não tenha entrado e onde eles não estejam poderosamente estabelecidos.”

Damócrito, século I a.C.: “A cada sete anos eles pegam um não-judeu e o matam no templo…” Talvez aqui tenha começado a espalhar a mais séria acusação contra os judeus, isto é, que eles sacrificaram não-judeus a “Yahweh”. Esta acusação, chamada “libelo de sangue”, foi recorrente durante a Idade Média, tanto na Europa e na Ásia, e também mais tarde na Alemanha nazi.
Apión (século I d.C.), escritor egípcio e principal promotor do pogrom de Alexandria do ano 38 d.C., que culminou em um massacre de 50.000 judeus nas mãos dos militares romanos. Ele disse que os judeus eram obrigados por um pacto mútuo a nunca ajudar nenhum estrangeiro, especialmente se ele fosse grego. 

“Os princípios do judaísmo obrigam a odiar o resto da humanidade. Uma vez por ano eles pegam um não-judeu, o matam e provam suas entranhas, juraram durante a refeição que odiarão a nação de onde veio a vítima. Na Sancta Sanctorum do sagrado templo de Jerusalém há uma cabeça de ouro que os judeus idolatram. O Shabat se originou porque uma doença pélvica que os judeus contraíram quando fugiram do Egito obrigou-os a descansar no sétimo dia.”

Plutarco (50 – 120) foi iniciado nos mistérios de Apolo em Queroneia e serviu como sacerdote no santuário de Delfos. É uma das fontes favoritas de informação sobre o estilo de vida de Esparta. Ele diz em suas “Conversas à tarde” que os judeus não matam nem comem o porco ou o burro, porque os adoram religiosamente, e que, no Shabat, eles se embriagam.
Filóstrato, sofista do século II:

“Os judeus são um povo que se levantou contra a própria humanidade […] eles tornaram sua vida separada e irreconciliável, e não podem compartilhar com o resto da humanidade os prazeres da mesa, nem juntar suas libações, orações ou sacrifícios […] são separados de nós por um abismo maior do que aquele que nos separa das Índias mais distantes.”

Filo de Biblos (64 – 141), fenício helenizado que escreveu sobre a história fenícia, a religião fenícia e os judeus, fala de sacrifícios humanos dos primogênitos (lembre-se da passagem de Abraão e seu filho Isaque).
Celso era um filósofo grego do segundo século, especialmente conhecido por seu “Verdadeiro discurso contra os cristãos”, no qual ele atacou o cristianismo e também o judaísmo, que inicialmente estava associado a ele. São Orígenes de Alexandria (185-254) um “pai da igreja” que tinha cortado os testículos inspirados por um versículo do Evangelho de Mateus, acabaria escrevendo um “Contra Celso”. Celso escreve:

“Os judeus são fugitivos do Egito que nunca fizeram nada de valor e nunca foram estimados ou tinham boa reputação”.

A CONQUISTA DE POMPEO
Esta seção tratará da primeira intervenção direta da autoridade romana em solo judaico.
Em Israel, com a morte de Alexandre Janeu (rei da dinastia asmoneia, descendentes dos Macabeus), em 76 a.C., sua esposa Salomé Alexandra reinou como seu sucessora. Ao contrário de seu marido, que, como bom pro-saduceu, tinha duramente reprimidos os fariseus, Salomé era bem entendia com a facção farisaica. Quando ela morreu, seus dois filhos, Hircano II (associados com os fariseus e apoiado pelo xeique árabe Aretas de Petra) e Aristóbulo II (apoiado pelos saduceus) guerrearam pelo poder. Em 63 a.C., ambos os asmoneus pediram apoio ao líder romano Pompeu, cujas vitoriosas legiões já estavam em Damasco, depois de ter deposto o último rei macedônio da Síria (Antígono XIII selêucida asiático) e agora pretendia conquistar a Fenícia e Judeia, talvez para incorporar a nova província romana da Síria. Pompeu, que recebeu dinheiro de ambas as facções, finalmente decidiu em favor de Hircano II – talvez porque os fariseus representassem a maioria popular da Judeia. Aristóbulo II, recusando-se a aceitar a decisão do general, entrincheirou-se em Jerusalém com seus homens.
Os romanos, portanto, sitiaram a capital. Aristóbulo II e seus seguidores resistiram por três meses, enquanto os sacerdotes saduceus, no templo, oravam e ofereciam sacrifícios a Javé. Aproveitando-se do fato de que no Shabat os judeus não lutavam, os romanos solaparam os muros de Jerusalém, após o que eles rapidamente penetraram na cidade, capturando Aristóbulo e matando 12.000 judeus. [1]
 
O próprio Pompeu entrou no templo em Jerusalém, curioso para ver o deus dos judeus. Acostumado a ver numerosos templos de muitos povos diferentes, e educado na mentalidade europeia segundo a qual um deus deveria ser representado em forma humana para receber o culto dos mortais, ele piscou em perplexidade quando não viu estátua, nenhum alívio, nenhum ídolo, nenhuma imagem… apenas um candelabro, potes, uma mesa de ouro, dois mil talentos de “dinheiro sagrado”, especiarias e montanhas de pergaminhos da Torá. [2] Eles não tinham deus? Os judeus eram ateus? Eles não adoraram nada? Adoram o dinheiro? O ouro? Um livro simples, como se a alma, os sentimentos e a vontade de um povo dependessem de um rolo de papel inerte? A confusão do general, segundo Flavio Josefo, deve ter sido capitalizada. O romano havia encontrado um deus abstrato.
Para a mentalidade judaica, Pompeu cometeu um sacrilégio, pois ele penetrou no recinto mais sagrado do templo, que só o sumo sacerdote podia ver. Além disso, os legionários fizeram um sacrifício para suas bandeiras, “contaminando a área” novamente.
Após a queda de Jerusalém, todo o território conquistado pela dinastia asmoneia ou Macabeia foi anexado pelo Império Romano. Hircano II permaneceu como rei-cliente de Roma com o título mais baixo de “etnarca” (algo como “chefe nacional ou étnico”), dominando tudo que Roma não foi anexara, isto é, os territórios de Galileia e Judeia, que em futuro tributariam à Roma mas manteriam sua independência. Ele também foi feito sumo sacerdote, mas na prática, o poder da Judeia foi para o Antipater de Idumeia, como uma recompensa por ter ajudado os romanos.
Pompeu anexou a Roma as áreas mais helenizadas do território judeu, enquanto Hircano permaneceu como um rei-cliente de Roma até sua morte.
 
Do ponto de vista étnico e cultural, a conquista romana prefigurou mudanças novas e profundas naquela área de conflito que é o Oriente Próximo. Em primeiro lugar, para os estratos étnicos judaicos, sírios, árabes e gregos, uma aristocracia romana ocupando um caráter militar seria acrescentada. Para os gregos, este foi um motivo de alegria: o declínio do Império Selêucida os tinha deixado de lado, e eles tiveram Roma literalmente no bolso, desde que os romanos sentiam uma admiração profunda e sincera para a com a cultura helenística, para não mencionar que muitos de seus imperadores tinham uma educação grega que os predispunham a serem especialmente tolerantes com as colônias macedônias. Além disso, em Alexandria, esperava-se que, tendo em vista a instabilidade da judiaria, os romanos arrebataram dos judeus os direitos que Alexandre, o Grande tinha-lhes dado, deixando de serem cidadãos em pé de igualdade com os gregos, e a influência que exerciam através do comércio e da acumulação de dinheiro seria desenraizada. Por estas razões, não é de estranhar que a Decápole (conjunto de helenizados nas fronteiras do deserto também retinham cidades com considerável autonomia, e entre os quais Filadélfia foi a capital real da Jordânia, Amã), rodeados por tribos da Síria, judeus e os árabes, considerados bárbaros, que recebiam os romanos de braços abertos e começavam a contar os anos desde a conquista de Pompeu.
Em 62 – 61 a.C., o procônsul Lúcio Valério Flaco (filho do cônsul de mesmo nome e irmão do cônsul Caio Valério Flaco) confiscou o tributo do “dinheiro sagrado” que os judeus enviavam ao templo de Jerusalém. Quando isso aconteceu, os judeus de Roma inflamaram a população contra Flaccus. O célebre patriota romano Cícero defendeu Flaco contra o acusador D. Laelio (um tribuno da plebe que mais tarde apoiaria Pompeu contra Júlio César) e se referiu aos judeus de Roma em algumas sentenças de 59 a.C., que se refletiram em seu discurso “Pro Flaccus “, XVIII:

“Chegamos agora à questão do ouro dos judeus e dessa acusação muito odiosa. É por causa dessa acusação concreta que você procurou este lugar, Laelius, e essa multidão de judeus que nos cercam. Você sabe o número deles, a união deles e o poder deles em nossas assembleias. Eu falarei baixo para ser ouvido apenas pelos juízes. Como não há indivíduos entre aqueles que agem contra mim e contra os melhores cidadãos que você protege, eu não quero fornecer aqui novas armas para o seu mal. Havia sabedoria em acabar com uma superstição bárbara e firmeza em varrer, para o bem da República, essa multidão de judeus que perturbam nossas assembleias.”

                             Cícero. Considerou a usura como a mais desprezível das ocupações.
Dessas frases podemos deduzir que já no primeiro século a.C., os judeus tinham grande poder político em Roma, e que eles tinham uma importante capacidade de mobilização social contra seus oponentes políticos, que baixaram suas vozes por medo: a pressão do lobby.
A situação do Império Romano no ano 50 a.C. César conquistou os gauleses, Pompeu conquistou a Síria e a Fenícia. A Judeia, no canto sudeste do Império, é um território que presta homenagem a Roma e está sob a órbita romana, apesar de manter sua autonomia.
 
Por volta de 55 a.C., a República, que é muito grande e militarizada, está pedindo uma nova forma de governo, pois é governada de fato pelo chamado Triunvirato – uma aliança de três grandes comandantes militares: Marco Licínio Crasso (aquele que esmagou a revolta de Spartacus no ano 74 a.C.), Cneo Pompeo Magno (o conquistador da Síria) e Caio Julio César (conquistador da Gália). Em 54 a.C., Crasso, então governador romano da província da Síria, enquanto passava o inverno na Judeia, decretou à população um “imposto de guerra” para financiar seu exército e também saqueou o templo de Jerusalém, roubando seus tesouros (com valor de cerca de dez mil talentos) causando uma grande agitação na judiaria. Crasso e a vasta maioria de seu exército seriam massacrados pelos partos na infeliz batalha de Carras em 53 a.C. [3]
Marco Licínio Crasso
 
Lúcio Casio Longino, um dos comandantes de Crasso que tinham escapado do massacre de Carras com 500 cavaleiros, voltou para a Síria para preparar-se para o contra-ataque e restaurar o prestígio romano afundado na província. Depois de expulsar os partos, Casio teve que enfrentar uma rebelião dos judeus, que havia surgido assim que souberam que o odiado Crasso havia sido morto. Aliou-se com Antipater e Hircano II e, depois de tomar Tariquéia e executar Pitolao (um dos líderes da rebelião, que havia se entendido com Aristóbulo), Casio, tendo capturado 30.000 judeus, em 52 a.C., vendeu-os como escravos em Roma. Pode-se dizer que este é o verdadeiro início da subversão dentro da própria Roma, como esses 30.000 judeus, mais tarde libertados por Marco Antonio, seus descendentes, espalhados por todo o Império, não deixariam de agora em diante, para promover a agitação contra da odiada autoridade romana, ter um papel importante na construção das catacumbas e sinagogas subterrâneas, que mais tarde foram o primeiro campo de pregação do cristianismo. Casio mais tarde seria nomeado governador da Síria.
Em 49 a.C., quando Crasso morreu e o Triunvirato foi rompido, a guerra civil irrompeu entre Pompeu e César, onde um dos quais, inevitavelmente, se tornaria o ditador autocrático de todo o império. Hircano II e Antipater decidiram tomar partido de César, mas este colocou Antipater como regente. Júlio César logo assumiria o controle da situação, e Pompeu foi assassinado no Egito por conspiradores.
Rivais, mas não inimigos: os generais Pompeu, o Grande (à esquerda) e Júlio César (à direita). A honra que mediava ante de ambos era clara quando o mesmo César, lamentando a maneira suja e traiçoeira na qual Pompeu foi assassinado no Egito, executou seus assassinos, erguendo depois um templo para honrar seu respeitado adversário.
Em 48 a.C., enquanto as frotas romanas e ptolomaicas estavam envolvidas em uma batalha naval, foi realizado um evento para estreitar ainda mais as relações entre judeus, gregos e egípcios: a queima da biblioteca de Alexandria. Simplificando, de todos os grupos étnicos da cidade, nenhum outro poderia ter nada contra a biblioteca. Os gregos haviam fundado, os egípcios haviam contribuído muito para isso, e os romanos sinceramente admiravam esse legado helenístico. Os judeus, no entanto, viram na biblioteca um acúmulo de sabedoria “profana” e “pagã”, de modo que se houvesse um grupo suspeito da primeira queima da biblioteca, logicamente era a judiaria ou os setores mais ortodoxos e fundamentalistas dela. Pelo menos é o que os habitantes de Alexandria deveriam ter pensado.
No mesmo ano de 43 a.C, os partos, um povo iraniano que lutava contra Roma naquela época, invadiram a área, conquistando a Judeia. Eles instalaram Antígono II, o último asmoneu, como rei da Judeia, como uma marionete dos partos, enquanto Hircano II teve  suas orelhas cortadas (para ser um sumo sacerdote, a pessoa não poderia ter imperfeições físicas) e o enviou para a Babilônia acorrentado. Assim, os judeus novamente caíram sob o domínio de um povo iraniano. Mas a situação foi breve. Marco Antônio, cujo exército era apoiado pela rainha do Egito, Cleópatra (descendente do macedônio Ptolomeu I Sóter, general de Alexandre, o Grande), reconquistou Jerusalém em 37 a.C., estabelecendo como fantoche de Roma o rei Herodes, antes de lançar uma campanha contra o rei do Império Parta. Antígono II foi executado (crucificado segundo Dião Cássio, decapitado de acordo com Plutarco) por ordem de Marco Antonio.
Em 31 a.C., o ano de um forte terremoto em Israel que mata 30.000 pessoas, Cleópatra e Marco Antonio cometem suicídio antes de sua queda do poder. Um ano depois, Herodes, que jurou fidelidade a Otávio Augusto (também conhecido como César Augusto), é reconhecido por ele como rei (fantoche de Roma, é claro) de Israel.
A história de Cleópatra Tea Filopátor (69 – 30 a.C.), última rainha da dinastia de Ptolomeu e Marco Antonio (83 – 30 a.C.) nunca parou de alimentar a imaginação de gerações inteiras. Coincidentemente, em um complô contra Otávio Augusto, que os derrotou, ambos cometeram suicídio.
 
Flavio Josefo menciona durante o reinado de Augusto uma queixa judicial em que 8.000 judeus apoiaram uma das partes. Esses judeus deveriam ser todos homens adultos e, como uma família nuclear costumava ser de 4 ou 5 pessoas, podemos concluir que, na época de Augusto, havia cerca de pelo menos 35.000 judeus em Roma.
HERODES O GRANDE
Como vimos, César Otávio Augusto, sucessor de Júlio César à frente do Império Romano, nomeou Herodes, filho de Antipater, rei da Judeia, e financiou seu exército com dinheiro romano. Herodes era um líder capaz, brutal, competente e inescrupuloso (ele estava praticamente carregado com toda a sua família), além de excelente guerreiro, caçador e arqueiro. Ele expulsou os partos da Judeia, protegeu Jerusalém da pilhagem, perseguiu os bandidos e salteadores e mandou executar os judeus que haviam apoiado o regime de marionetes partas, consolidando-se em 37 a.C., como rei da Judeia.
Embora ele seja retratado pela história como um rei cruel e egoísta, a realidade é que, por mais difícil que seja, como um soberano era o melhor que esta terra já teve. Mesmo no ano 25 a.C., ele sacrificou uma riqueza pessoal significativa para importar grandes quantidades de grãos do Egito, com o objetivo de combater a fome que estava espalhando a miséria por seu país. Apesar disso e de tudo o que ele fez por Israel, Herodes é visto com antipatia pelos judeus, por ser um governante pró-romano, pró-gregos e, acima de tudo, porque questionou-se seu judaísmo por parte de sua descendência paterna Antipater (que apoiou Casio), que por sua vez descendem de edomitas forçados a se converter ao judaísmo quando João Hircano um rei asmoneu, conquistou Edom em torno de 135 a.C. Do lado materno, descendia dos árabes, quando a transmissão da condição judaica era matrilinear. Portanto, embora Herodes se identificasse como um judeu e foi considerado judaico pela maioria das autoridades, as massas, especialmente os ortodoxos judeus desconfiavam sistematicamente do rei, especialmente tendo em vista o estilo de vida opulento e luxuoso que prevalecia no seu tribunal, e guardaram para ele um desprezo talvez comparável ao dos espanhóis do século XVI sentido pelos marranos ou judeus convertidos ao cristianismo. Pela sua educação e suas inclinações greco-romanas, as chances são de que este rei sentia-se pouco judeu, mas ele certamente queria agradar a judiaria e ser um governante efetivo para o projeto de lei que deu à luz. Mais racional do que seus compatriotas fundamentalistas, ele entendia que enfurecer Roma não era um bom negócio.
Herodes deu a Israel um esplendor que nunca conhecera, nem mesmo sob Davi ou Salomão. Embelezou Jerusalém com a arquitetura e escultura helenísticas, realizou um programa ambicioso de obras públicas e em 19 a.C., demoliu e reconstruiu o mesmo templo em Jerusalém, considerando-o pequeno e medíocre. Isso irritou os judeus, que odiavam Herodes por ser um protegido dos romanos, a quem odiavam ainda mais cordialmente. Sem dúvida, os setores mais ortodoxos da judiaria não estavam contentes com o templo, e devem ter visto sua conversão em um prédio de aparência mais romana (especialmente quando o rei ordenou a entrada decorada com uma águia imperial dourada). [4]
Este mapa do reinado de Herodes dá uma ideia sobre a magnitude de suas obras. A construção de Cesareia, Séfora (perto de Nazaré) e as fortalezas de Masada (em frente ao Mar Morto) e Herodione (perto de Belém), bem como a reconstrução de Samaria com o nome de Sebaste, em um claro gesto de manifestação para o Imperador (Sebastos é “Augusto” em grego). Ele também construiu pontes, aquedutos e outras novidades de origem romana. Para financiar tudo isso, ele aumentou os impostos, o que o tornou hostil aos olhos do povo judeu, relutante em avaliar como seu país estava melhorando.
 
Herodes foi continuamente envolvido em conspirações por sua família, muitas das quais (incluindo sua própria esposa e dois de seus filhos) foram executados a seu pedido. A medida em que ia envelhecendo, a doença foi apoderando-se do soberano, que sofria de úlceras e convulsões. Ele morreu em 4 a.C., com a idade de 69 anos. Eventualmente, foi dito que ele “subiu ao trono como uma raposa, governou como um tigre e morreu como um cachorro”.
O primeiro templo em Jerusalém era um edifício muito pobre, como vimos no começo. O segunda, semelhante ao primeiro, foi construída sob a proteção do imperador persa Ciro, o Grande, em 515 a.C. [5] No ano 19 a.C., Herodes propôs renová-lo e ampliá-lo, para o qual ele demoliu o templo, erguendo, sob proteção romana, um novo muito maior, embora continuasse a ser chamado de “segundo templo” (“templo de Herodes”, para qualificar). Embora os judeus odiassem Herodes, a verdade é que ele deu ao templo um tamanho e esplendor que nem Salomão nem Zorobabel poderiam imaginar.
Naquele mesmo ano de 4 a.C, dois fariseus judeus chamados Zadoque (ou Sadoq) e Judas, da Galileia (também chamado João de Gamala) pediram que não pagassem tributo a Roma. Houve uma revolta farisaica e os rabinos ordenaram a destruição da imagem “idólatra” da águia imperial que Herodes colocada na entrada do templo em Jerusalém. Herodes Arquelau (filho de Herodes) e Varo (caudilho romano) reprimiram duramente a revolta e fiveram quase 3.000 judeus crucificados. Acredita-se que essa primeira revolta seja a origem do movimento zelote, sobre o qual falaremos imediatamente. Arquelau, apesar de ter sido proclamado rei pelo seu exército, não assume o título até que, em Roma, depois de ter feito seus respeitos a César Augusto, é feito rei da Judeia, Samaria e Idumeia, apesar dos judeus romanos, que temiam-no pela crueldade com que reprimira a insurreição farisaica.
Arquelau é mencionado no Evangelho de Mateus, pois Yosef, Miriam e Yahsuah (conhecidos como José, Maria e Jesus) escaparam para o Egito para evitar o massacre dos inocentes (supostamente, Herodes Arquelau ordenou naquele ano a execução de todos os primogênitos). de Belém, pois havia sido profetizado que um homem nascido em Belém se declararia um Messias dos judeus), e eles tinham medo de voltar à Judeia quando souberam que Arquelau havia sucedido ao pai.
O Império Romano no ano do nascimento de Jesus Cristo. Herodes Arquelau é o governante da Judeia, que na verdade é um fantoche de Roma. Cinco anos depois, a Judeia se tornaria uma província romana. A cidade de Roma tem 1,3 milhão de habitantes, dos quais mais da metade são escravos.
 
No ano 6, depois das queixas dos judeus, Augusto dispensa Arquelau, enviando-o à Gália. Samaria, Judeia e Idumeia são formalmente anexadas como uma província do Império Romano, com o nome de Judeia. Os judeus são governados por “procuradores” romanos, uma espécie de governadores que tiveram que manter a paz, romanizar a área e exercer a política fiscal de Roma, coletando impostos. Eles também se arrogavam o direito de nomear o sumo sacerdote de sua escolha.
Os judeus odiavam os reis fantoches, apesar do fato de que impuseram a ordem, desenvolveram a área e, em resumo, civilizaram o país. Paradoxalmente, desde o início, os judeus também são altamente hostis aos romanos, cuja intervenção praticamente havia suplicado. Agora, além do tributo do templo, eles também tinham que prestar homenagem a César – e, por tradição, o dinheiro não era algo que os judeus felizmente esbanjassem. Nesse mesmo ano, o cônsul Quirino chega à Síria para fazer um recenseamento em nome de Roma, com o objetivo de estabelecer impostos. Desde que a Judeia foi anexada à Síria, Quirino incluiu os judeus no censo. Como resultado disso e da nova irrupção da cultura europeia na área, o movimento terrorista fundamentalista dos zelotes floresceu. Flávio Josefo considera os zelotes como a quarta seita judaica, bem como (pelo menos para o maior extremismo religioso) os essênios, os saduceus e os fariseus. Os zelotes eram os mais fundamentalistas de todos, recusavam-se a pagar impostos ao Império Romano e, para eles, todas as outras facções judaicas eram heréticas; Qualquer judeu que colaborasse minimamente com as autoridades romanas era culpado de traição e deveria ser executado. A luta armada, militarização do povo judeu e a expulsão dos romanos, eram o único caminho para alcançar a redenção de Sião. O apóstolo Simão, um dos discípulos de Jesus Cristo, pertencia a essa facção de acordo com a Bíblia (Novo Testamento, Evangelho de Lucas, 6:15).
Entre os zelotes distinguiam-se os sicarii ou sicários, uma facção ainda mais fanatizada, sectária e radicalizada, assim chamada pela sica, um punhal que podia ser facilmente escondido e usado para matar seus inimigos. Zelotes e assassinos formariam o núcleo duro da Grande Revolta Judaica, que veremos em outro artigo. Eles também foram o elemento mais ativo do judaísmo da época, pois, naquela época, é provável que a maioria da judiaria, embora detestasse cordialmente gregos e romanos, simplesmente gostasse de viver e se enriquecer em paz, concordando com quem fosse necessário para isso.
Como não poderia ser de outra forma, assassinos e fanáticos também lutavam com frequência. E havia um total de 24 facções judaicas que geralmente lutavam umas contra as outras, em um quadro muito representativo do que os rabinos chamavam de sinat chinam (isto é, “ódio sem sentido”, de judeu contra judeu – talvez porque eles achem que odiar os não-judeus faz sentido) – e que por acaso o que mostra melhor essa questão de forma caricaturada está no filme “A vida de Brian”.
No ano 19, estando a judeia em processo de escalada para adquirir influência na mesma Roma, Tibério expulsa aos judeus da cidade, instigados pelo Senado. Preocupado com a popularidade do judaísmo entre os escravos libertos, ele proíbe os ritos judaicos na capital do Império, considerando a judiaria como “um perigo para Roma” e “indigno de permanecer dentro das muralhas da Urbs” (de acordo com Suetônio). Naquele ano, por ocasião de uma fome na província do Egito, Tibério nega às reservas de grãos dos judeus alexandrinos, já que não os considera seus cidadãos.
Tibério Cláudio Nero César (42 a.C. – 37 d.C.) pôs em marcha medidas anti-judaicas durante o seu reinado, durante o qual Jesus Cristo foi executado.
SOBRE JESUS CRISTO E O NASCIMENTO DO CRISTIANISMO
“Eu vou te colocar como uma luz dos gentios para que você seja minha salvação” – (Bíblia, Novo Testamento, Evangelho de Lucas, 2: 3).
“Você adora o que você não conhece, adoramos o que sabemos, porque a salvação vem dos judeus.” – (Bíblia, Novo Testamento, Evangelho de São João, 4:22).
“Por sua causa, Belém sairá para alimentar meu povo de Israel.” – (Bíblia, Novo Testamento, Evangelho de Mateus, 2: 6).
“Chrestus, o fundador do nome, havia sofrido a pena de morte no reinado de Tibério, nas mãos de um de nossos procuradores, Pôncio Pilatos, e a superstição perniciosa parou momentaneamente, mas emergiu de novo, não apenas na Judeia, a raiz da doença, mas na própria Roma.” – (Tácito, Anais, Livro 15, 44, sobre a perseguição anti-judaico-cristã decretada pelo imperador Nero).
Vimos na seção anterior a fuga de uns tais Yosef e Miriam com seu filho Yahsuah para escapar do massacre ordenado por Herodes Arquelau. Quem eram essas pessoas? Yosef (“José”, alias), o pai, era um judeu da Casa de David, mas desde que supostamente Yosef não  estava envolvido na gravidez da Virgem, nos voltamos para a linhagem de Miriam (aliás, “Maria”). De acordo com o Evangelho de Lucas [6] (1: 5,36), esta mulher era da família de Davi e da tribo de Judá, e o anjo que apareceu a ele previu a nascer um filho a quem Jeová ” Ele dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará na casa de Jacó.” Jesus finalmente nasceu em Belém. No Evangelho de Mateus [7] (1:1) é associado com Abraão e Davi, e que no mesmo evangelho (21: 9), descreve como as multidões de judeus em Jerusalém vinham a Jesus gritando “Hosana ao Filho de Davi!”, sem mencionar, claro, os “magos do Oriente” que visitaram o Messias seguindo uma estrela e perguntando “Onde está o rei dos judeus que nasceu?” (Mateus 2: 1-2).
Jesus, que nunca teve a intenção de fundar uma nova religião, mas para preservar o judaísmo ortodoxo puro, deixou claro que “eu não vim revogar a Lei (de Moisés, a Torah), mas para cumprir” e, enfurecido ao ver que o templo de Jerusalém estava sendo profanado pelos comerciantes, ele os lançou aos golpes. Este agitador judaico, qual Aiatolá, não hesitou em enfrentar, com a autoridade que lhe deu ser chamado rabi – as outras facções judaicas de seu tempo, especialmente os fariseus (“Ai de vós, escribas e fariseus”), dizendo que “Aquele que não está comigo está contra mim” (Evangelho de Lucas, 14:23). Jesus estava cercado por um círculo de discípulos entre os quais pode-se destacar o já mencionado Simão, o Zelote, Bartolomeu Natanael (que mesmo diz no Evangelho de João 1:47 Jesus Cristo, “Eis um verdadeiro israelita”), o disse Mateus (ver nota 7), Judas Iscariotes (que traiu os fariseus por dinheiro), embora outros não são tão muitos evidentes, deve-se lembrar que até a viagem de São Paulo (também judeu) depois da morte de Jesus, para ser cristão era essencial ser um judeu circuncidado, ortodoxo e observador. Que a doutrina de Jesus foi dirigida aos judeus, ele aparece no Evangelho de Mateus, 9, quando disse aos 12 apóstolos: “Não vá pelo caminho dos gentios, mas apenas id para as ovelhas perdidas de Israel”. A frase implica voltar a pegar no colo judeus ortodoxos que se desviaram da Lei de Moisés e é que “se você acredita Moisés me iria acreditar em mim” (Evangelho de João, 5:46).
No ano 26, Tibério, que expulsou os judeus de Roma há sete anos e estava em plena atividade anti-semita no seu reinado, apontou como procurador da Judeia Pôncio Pilatos (da Hispânia, nascido em Tarragona ou Astorga, e o único de caráter decente do Novo Testamento, de acordo com Nietzsche). Depois do incidente com as bandeiras de Pompeo, os judeus obtiveram de imperadores anteriores que não entrassem em Jerusalém com as bandeiras expostas, mas Pilatos entra desfilando na cidade, mostrando altos os padrões com a imagem do imperador. Isso, além dos escudos de ouro colocados na residência do governador, e o uso do dinheiro do templo para construir um aqueduto para Jerusalém (que transportava água a uma distância de 40 km), provocaram uma reação judaica raivosa. Para suprimir a insurreição, Pilatos infiltrou soldados entre a multidão e, quando visitou a cidade, deu um sinal para os legionários infiltrados tirarem as espadas e começarem uma carnificina.
No ano 33, depois de várias escaramuças dos Ortodoxos seguidores de Jesus Cristo com facções rivais – particularmente com os fariseus, que na época possuíam poder religioso e viram com desconforto como uma nova facção vigorosa surgiu -, Pôncio Pilatos ordenou a punição de Jesus Cristo, a pedido dos fariseus. Jesus é flagelado, e os legionários romanos, que devem ter um senso de humor um pouco macabro e que sabiam que Yahsuah se proclamava Messias e filho de Yahweh, colocaram uma coroa de espinhos e um galho na mão direita e gritaram com ele sarcasticamente “Ave, rei dos judeus!” (Mateus 27: 26-31 e Marcos 15: 15-20). Quando o crucificaram, colocaram a inscrição I.N.R.I na cabeça da cruz. (IESVS NAZARENVS REX IVDAEORVM: Jesus Nazareno Rei dos Judeus).
Cena da crucificação de Cristo no filme “The Passion of The Christ” (A Paixão de Cristo), dirigido por Mel Gibson e estreado em 2004. Considerado um dos melhores já feitos do gênero, o autor buscou a total autenticidade da época. Não somente filmado na mesma terra dos ocorridos, mas os próprios autores são nativos da região assim como o idioma do filme é todo falado em haramáico. 
 
Yahsuah de Nazaré, conhecido pela posteridade como Jesus Cristo, foi um dos muitos agitadores judeus que estavam na Judeia durante a turbulenta ocupação romana. Executado por volta do ano 33 durante o reinado de Tibério, sua figura seria tomada por Saulo de Tarso (também conhecido como São Paulo), ironicamente, um fariseu judeu, maravilhado com o poder de subversão que continha a seita fundada por Jesus.
 
Jesus era, então, um dos muitos pregadores judeus que, antes dele e depois dele, autoproclamavam-se o Messias, só que, no caso dele, o fariseu judeu Saulo de Tarso (atual Turquia) logo o chamaria, em vez de “Meshjah”, “Kristus“, que vem a ser o equivalente grego do “Messias”. Depois de mudar o nome para Paulo, ele pregou a figura de “Cristo”, indissoluvelmente ligada à rebelião contra Roma, em todo o Império, decidindo que o cristianismo deveria se espalhar por seu estreito círculo judaico e introduzindo em Roma a doutrina da agitação e subversão contra a autoridade do imperador.
CALÍGULA
Em 38, Calígula, o sucessor de Tibério, enviado para a cidade problemática de Alexandria com seu amigo Herodes Agripa I, para assistir Avilio Aulus Flaccus, prefeito do Egito, que não gozava da confiança precisamente do imperador e de acordo com o Filósofo judeu Filo de Alexandria (“Contra Flacco”) – foi um autêntico vilão. A chegada de Agripa a Alexandria foi recebida com grandes protestos pela comunidade grega, pois achavam que ele estava vindo para proclamar-se rei dos judeus. Ele foi insultado por uma multidão, e Flaco não fez nada para punir os infratores, apesar do fato de que a vítima era um emissário do imperador. Isso encorajou os gregos a exigir que as estátuas de Calígula fossem colocadas nas sinagogas, como uma provocação aos judeus. Para apaziguar os espíritos dos gregos e dos egípcios e agradar ao imperador – um dos emissários que acabara de ser insultado -, Flaco, pôs estátuas de Calígula nas sinagogas da região, que não eram poucas.
Caio Júlio César Augusto Germânico (12 – 41), imperador romano insultado como poucos.
Este simples ato parecia ser o sinal de uma insurreição: os gregos e egípcios atacaram as sinagogas e incendiaram-nas. Judeus foram expulsos de suas casas, que foram saqueadas e, posteriormente foram segregados em um gueto que eles não podiam escapar, uma vez que eram apedrejados, empalados ou queimados vivos, enquanto outros acabaram na arena para servir comida para as feras, naqueles macabros espetáculos de circo tão comuns no mundo romano. De acordo com Philo, Flaco não fez nada para evitar esses tumultos e assassinatos, e até mesmo os apoiou, assim como o egípcio Apión, que vimos criticando a judiaria na seção dedicada ao antissemitismo helenístico. Para celebrar o aniversário do imperador (31 de agosto, um Shabat), membros do conselho judaico foram presos e açoitados no teatro; outros foram crucificados. Quando a comunidade judaica reagiu, os soldados romanos retaliaram saqueando e incendiando milhares de casas judias, profanando as sinagogas e matando 50.000 judeus. Quando eles foram ordenados a cessar o assassinato, a população grega local, inflamada por Apión (não surpreendentemente, Flavius ​​Josephus tem uma obra chamada “Contra Apión”) continuou os distúrbios. Desesperados, os judeus enviaram Philo de Alexandria para raciocinar com as autoridades romanas. O filósofo judeu escreveu um texto intitulado “Contra Flacco” e, juntamente com o relatório certamente negativo que Agripa deu a Calígula, o governador foi executado.
Depois desses eventos, as coisas se acalmaram e os judeus não sofreram violência enquanto permaneceram dentro dos limites de seu gueto. No entanto, embora o sucessor  de Flaco permitiu que a judiaria de Alexandria pudesse dar a sua versão dos acontecimentos, no ano de 40 houve novamente motins entre os judeus (que se irritaram com a construção de um altar) e os gregos, que acusaram Judeus de se recusarem a adorar o imperador. Os líderes judeus religiosos ordenaram a destruir o altar e, em retaliação, Calígula tomou uma decisão que evidentemente mostrava o quão pouco sabia dos judeus: ordenou para colocar uma estátua de si mesmo no templo de Jerusalém. E, de acordo com Philo, Calígula “considerava a maioria dos judeus suspeitos, como se fossem as únicas pessoas que queriam se opor a ele” (“Da embaixada a Caio e Flaco”). Publio Petronio, governador da Síria, que fez saber que os judeus bem temiam a possibilidade de uma guerra civil, tentou tudo o que podia para atrasar a colocação da estátua até Calígula e  Agripa convencerem-se de que era uma má decisão.
Em 41, Calígula, que já prometera ser um imperador antijudaico, foi assassinado em Roma, o que desencadeou a violência de seus guarda-costas germânicos, que não conseguiram impedir sua morte e que, devido a seu peculiar senso de fidelidade, eles tentaram vingá-lo matando inúmeros conspiradores, senadores e até pessoas inocentes que tiveram a infelicidade de estar no lugar errado na hora errada. Claudio, o tio de Calígula, poderia se tornar o dono da situação e, depois de ser nomeado imperador pela Guarda Pretoriana, ordenou a execução dos assassinos de seu sobrinho, muitos dos quais eram magistrados políticos que queriam restabelecer a República.
CLAUDIO E NERO
No ano 49, Cláudio, que estava farto do conflito do lobby judaico-alexandrino, proibiu “introduzir ou convidar os judeus de Alexandria à Síria ou Egito, forçando-me a ter a maior suspeita, mas certamente me vingarei deles. fomentando uma praga universal em todo o mundo “.
Tibério Cláudio César Augusto Germânico (10 a.C. – 54 d.C.)
Da mesma forma, Cláudio expulsou todos os judeus de Roma no ano 50 (aparentemente, segundo Suetônio, “eles agiram sem cessar por instigação de Chrestus”) e, como Pontifex Maximus, tentou impedir a expansão dos cultos orientais, incluindo o cristianismo e o judaísmo pelo Império.
Ano 50. A Judeia já faz parte do Império Romano, mas sua romanização nunca se materializará, pelo contrário, antes que a Judaização da própria Roma seja alcançada.
 
De Nero, vamos falar no artigo sobre o cristianismo. Sua esposa, uma prostituta ociosa chamada Popea Sabina, era abertamente solidária com judeus e cristãos, e conspirou por trás das costas do imperador para favorecê-los. Assim, por exemplo, através de Poppea Sabina, o próprio Flavio Josefo foi libertado, que tinha sido enviado a Roma para negociar melhores condições para o seu povo. O ministro romano Burro foi assassinado no ano 62 por ordens de Poppea Sabina, ou talvez por judeus, depois que ele lhes negou a cidadania romana na Grécia. O imperador, cansado de ter a conspiração perto dele, teve sua esposa executada. A versão “oficial” é que ele a chutou no ventre enquanto ela estava grávida, o problema é que quem divulgou essa versão teve uma forte inimizade com o imperador, por isso deve ser tomada com cautela. Isto foi seguido por uma repressão romana sanguinária contra judeus e cristãos, na qual os “revolucionários” judeus como São Paulo ou São Pedro caíram. Essa execução de personagens-chave no movimento estratégico judaico vai apodrecer as fundações romanas que, juntamente com alguns outros fatores, seria o gatilho para uma revolta maciça dos judeus, da qual trataremos no próximo artigo.
Nero Cláudio César Augusto Germânico (37 – 68)
 
Aguarde a parte II…
NOTAS:
 
[1] – Os números de mortos dadas ao longo do texto vêm dos escritos de Flávio Josefo “Guerra dos judeus” e “Antiguidades judaicas”, bem como de Dião Cássio em “História de Roma”. Provavelmente, eles estão inflados para aumentar a importância dos eventos, algo comum na história.
 
[2] – De acordo com os autores alexandrinos (que eram furiosos anti-semitas e acreditavam que os judeus realizavam sacrifícios humanos), Pompeu libertou no templo um prisioneiro grego que estava prestes a ser sacrificado a Jeová.
 
[3] – Crasso, que cometeu um erro grosseiro (daí a expressão) durante a batalha, foi responsável pelo massacre de 20.000 soldados nas mãos dos partas. Outros 10.000 soldados romanos foram feitos prisioneiros e enviados para trabalhos forçados no que hoje é o Afeganistão. Muitos acabaram lutando, sob controle parta, contra os hunos, perdendo seu rastro em diante. As análises genéticas parecem indicar que esse destacamento, a famosa “legião perdida de Crasso”, terminou na atual província chinesa de Liqian, onde eles são responsáveis por uma maior frequência de características étnicas europeias na população nativa.
 
[4] Paradoxalmente, os judeus mais tarde lamentariam a destruição deste mesmo templo nas mãos dos romanos.
 
[5] Zorobabel, Esdras e Neemias tinha-no reconstruído em 516 a.C., após o retorno do Exílio babilônico (os babilônios destruíram o templo em 586 a.C., e deportado a elite judaica para a Babilônia, em um processo chamado de “exílio babilônico”). Persas, gratos a judiaria por terem traído seus senhores babilônios tinham fornecido aos judeus matérias-primas, arquitetos e qualificados trabalhadores da construção civil, pois os judeus não tinham os meios para erigir um templo daquelas condições. Quando o imperador Dario sucedeu Ciro no trono, as obras continuaram em suas ordens, dissipando o medo dos judeus de que talvez com a mudança da coroa houvesse uma mudança de atitude em relação a eles. Em 516 a.C., a reconstrução do Segundo Templo foi concluída e, em 515 a.C., houve uma consagração. Os persas haviam tratado os judeus com verdadeira generosidade. No entanto, os judeus logo apunhalaram-lhes trás, como aconteceu em torno de 450 a.C., com o episódio de Ester e Haman, que a judiaria sublevou-se em massacrar seus inimigos políticos persas, que é comemorado até hoje na festa do Purim. Quando, no século IV a.C., irrompeu Alexandre, o Grande, na Pérsia, os judeus fizeram com os persas oque fizeram com os babilônios: Você os trai em favor do novo invasor, que, por sua vez, logo o trai. Pode-se dizer, talvez, que os romanos foram os primeiros a quebrar esse círculo vicioso.
 
[6] São Lucas Evangelista era um indivíduo de Antioquia, na atual Turquia.
  
[7] São Mateus, o evangelista, também era chamado Levi, e era judeu do lago da Galileia.
 
[8] Eis a causa provável da difamação histórica sem precedentes deste imperador. Os textos da história romana acabariam caindo nas mãos dos cristãos, que eram em sua maioria de origem judaica e visceralmente detestavam os imperadores. Como, segundo Orwell, “quem controla o passado controla o presente”, os cristãos adulteraram a historiografia romana, transformando os imperadores que se opunham a eles e a seus ancestrais judeus a monstros perturbados. Desta forma, não temos um único imperador romano que tenha participado de duras represálias judaicas e que não tenha sido difamado por acusações de homossexualidade, crueldade ou perversão. O historiador Roldán Hervás desmantelou muitas dessas falsas acusações contra a figura histórica de Calígula.
 
 
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