Eduardo Arroyo: O Que é Revisionismo?

Se um dia necessitasse uma serra para cortar aquele galho de árvore que o impede de contemplar a extraordinária vista que se descortina da janela de seu quarto, não titubearia em pedi-la ao seu vizinho da frente. Não cabe a menor dúvida que este seria suficientemente amável para emprestá-la. Porém considere, por um momento, que seu vizinho de baixo, por algum motivo inexplicável, tem a mania de dizer que você é uma pessoa má, que não merece de modo algum os favores dos demais membros da comunidade. Seu vizinho de frente, recém chegado e que mal o conhece, cai vítima dos insistentes murmúrios e julga inapropriado emprestar-lhe qualquer coisa. Em consequência você não poderá cortar o galho que tanto o molesta como, além disso, deverá sofrer, por sua conduta supostamente incorreta, as iras de todos os vizinhos. Para remediar o mal feito, você deverá convencê-los que os fatos não são como eles acreditam. Ou seja, deverá levá-los a uma revisão de conceitos: levá-los a um revisionismo.

O fundamental nesta situação trivial é que alguém (seu vizinho de baixo), difundindo algo que não é verdade, foi capaz de alcançar o fim a que se propôs: predispor toda comunidade contra você e condicionar assim o comportamento dos demais aos seus próprios objetivos. A conclusão mais imediata que se depreende destas breves linhas é que informação é poder e pode provocar hábitos de comportamento segundo os desígnios de quem o controla.

A essência desse processo reside no fato de que as pessoas percebem e retêm sensações, de acordo com o material apresentado, o qual, juntamente com as qualidades inatas do indivíduo, condicionam o seu comportamento. Consequentemente as pessoas agem e emitem juízos em função daquilo que conhecem; do que conhecem essencialmente através dos meios de comunicação. Sem dúvida nenhuma, o binômio dinheiro-informação se encontra completamente integrado na nossa sociedade. Quem tem dinheiro pode “emitir” mais informação do que os que não o possuem. Na única parte em que parecem diferir os componentes de tão funesta tendência é que o dinheiro faz mais poderosos aqueles que o conseguem monopolizar, uma vez que a informação confere poder àquele que mais a distribui e que consegue melhor resposta na relação emissor-receptor. Neste contexto, temos todos em mente o velho lugar comum – nem por isso menos válido – do indivíduo destruído através de uma campanha adversa dos meios de comunicação. Consequentemente os homens das modernas sociedades do sistema, sejam orientais ou ocidentais, se encontram imersos dentro da dinâmica do homem-massa – paradigma do espírito do rebanho – precisamente porque em nossas sociedades já faz muito tempo que a informação é um autêntico monopólio. Evidentemente que isto não se refere somente a jornais, revistas, rádio, televisão, etc, se não também à capacidade de difundir modas e costumes em escala mundial, fazendo, consequentemente, com que, em nações de culturas díspares, imperem os mesmo padrões no que concerne a ritmo de vida, gostos musicais e artísticos em geral, fato que impede o desenvolvimento natural das diferentes culturas.

Apesar de ser dona de um conteúdo pouco longe de uma construtividade cultural sadia, a música e o vídeo clip da banda alemã Hammstein, “Amerika”, faz uma acertada crítica social sobre essa padronização ilusória no mundo, sobrepondo-se as diferente culturas existentes, reféns desse aspecto do pós-moderno, que cinicamente chama isso de “multiculturalismo” e “igualdade”…dois nomes de falsos deuses modernos.

O poder abrangente da informação alcança parâmetros que nem o mais inveterado colonialistas do Século XIX se atreveria a prognosticar. E esta abrangência é o que, hoje em dia, está solapando a individualidade de pensamento. O atual homem-massa, cuja autêntica idolatria pela impressa e pela onda televisiva o leva a não ver suas necessidades mais imediatas, tornou-se refratário a ouvir aquilo a que não está acostumado a ouvir. Inclusive “dissidências” aparentes, como os movimentos de rebeldia juvenis, alguns “pensadores” contestatários e outros, agem em consonância com o espírito do sistema, pois este mesmo sistema é, antes de mais nada, um espírito que se apresenta como uma maneira de ser, e estes contestadores não fazem nada mais do que contribuir com a fatídica obra de dinamitar coletivamente tudo aquilo que em seu tempo foi a Cultura Ocidental.

Amoldar artificialmente a informação a fins pré-estabelecidos implica necessariamente na falsificação da Verdade Histórica: sabemos que os fatos aconteceram e são só de uma maneira. Este é o motivo do porque o movimento revisionista pretende romper o monopólio informativo do sistema, para depois resgatar a História, tal como ela realmente foi. […]

Hoje, mais do que nunca, deve-se apelar aos últimos vestígios de personalidade e espírito crítico que o sistema esqueceu de aniquilar em sua obra devastadora. Nosso propósito é o de revelar – conscientes da despropriação de meios – a existência de um movimento que nega a versão estabelecida da História Contemporânea, ao mesmo tempo em que denuncia a manipulação e a tergiversação da mesma, com fins políticos e, principalmente, ideológicos. […] Este é o momento de esquecer preconceitos, pensar por si mesmo e descobrir que somente você, prezado leitor, decide continuar ou não lendo estas páginas.

ARROYO, Eduardo. O que é Revisionismo?. p. 3-4. 1 ed.Ediciones Rioplatences. Buenos Aires, Argentina. Editora Revisão.

 

Edição de texto, adaptação e citações: www.osentinela.org

 

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