E a Guerra Continua: O Que Acontece na Síria?

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As imagens de civis (crianças e adultos) mortos nos conflitos na Síria são em maioria provenientes de duas linhas de batalha que estão mais enfoque atualmente: a luta pela região de Ghuta Oriental e a guerra na fronteira curda. Oque levou o país a novamente virar capa de manchetes internacionais e fazer com que essas imagens terríveis rodassem o mundo nas redes sociais.

Enquanto muito se escreve nas tags #PrayForSiria, a quase totalidade das pessoas, que estranhamente só começam a dar importância ao conflito agora (pois já dura 7 anos), não sabem que podem estar torcendo para o “lado errado”, apoiando a Al Qaeda e o Estado Islâmico, chamados pela mídia internacional do ocidente de “rebeldes moderados”, contra o governo legítimo e apoiado pelo povo de Bashar Al-Assad. Duvida? Te convidamos a ler esse artigo.A guerra contra a Síria é hoje completamente diferente da que há sete anos. Parece que cada vez que chega ao fim um capítulo na guerra contra a Síria, um novo fator vem à tona. Como outros que vieram e já foram ou tiveram alterado o papel que lhe cabia na guerra, o único ator que continua aqui e não muda é, claro, o Exército Árabe Sírio, combatendo sempre pela integridade e a soberania da Síria. Mas dos Aliados contra a Síria não se pode dizer o mesmo. Há muita especulação quanto a eventos recentes, muita guerra e propaganda para gerar medo, mas se se dissecam todos os elementos das potências que combatem hoje na Síria e se os analisamos, vemos claramente e sem dificuldade o que está acontecendo e quem está fazendo o que. Antes de tentar compreender quem está fazendo o que e por que.

Breve histórico de guerra recente
Para entender oque está acontecendo agora, é necessário pelo menos começar a partir daqui:No contexto da onda de protestos da “Primavera Árabe”, organizadas por ONG´s internacionais formadas e dirigidas por profissionais em estratégia em diversos países do mundo para desestabilizar diversos países do Oriente Médio e África Sub-saariana afim de cumprir a meta do Pentágono Norte-americano para desestabilizar 7 países em 5 anos, o que começou da mesma forma Síria rapidamente evoluiu para uma luta armada sem precedentes onde a “mascara” das potências facilmente caiu ao chamar de “rebeldes” e “defensores da democracia” os mesmo que chamava “terroristas da Al Qaeda e Estado Islâmico” no resto do mundo, armando-os, treinando-os e recrutando-os.

 

Exército sírio toma posse de Albu Kamal depois de Raqqa ter sido recuperada após quatro meses de combate REUTERS/ERIK DE CASTRO
 

Em 30 de Novembro de 2017, o governo junto as forças armadas sírias proclamaram vitória dentro país sobre o Daesh (ISIS ou Estado Islâmico, os quais são genericamente chamados “rebeldes pela mídia global do Brasil e de fora). Na época, Albu Kamal, a última cidade ocupada pelo grupo jihadista no país, foi recuperada pelo exército de Bashar al-Assad, marcando o colapso do seu reinado (onde proclamaram como um califado em 2014), que teve a duração de três anos na região. No entanto, o exército e os seus aliados continuam a combater o Daesh em áreas desertas perto de lá.

O comandante da aliança militar pró-síria afirmou que em vez de uma batalha até à morte como a que fizeram nas cidades e vilas do vale de Eufrates, junto à fronteira com a Síria e o Iraque, muitos jihadistas renderam-se ou fugiram, indo em direcção às aldeias do Norte e do Leste e o destino dos seus últimos comandantes continuava desconhecido.
Nessa época, essa vitória foi acompanhada junto a outras grandes batalhas, como a reconquista da cidade de Mossul, recuperada pelas forças iraquianas em Julho, depois de uma batalha de nove meses. Em Outubro, após quatro meses de luta, a cidade de Raqqa caiu perante os avanços das Forças Democráticas da Síria (SDF na sigla inglesa), força apoiada pelos EUA e pelas milícias curdas e árabes.
Mas todas as forças que lutavam contra o Daesh na Síria e no Iraque esperavam uma nova fase de guerrilha, uma táctica que os militantes já se mostraram capazes de operar em ambos os países, pois a perda de território não significa o fim dos ataques dos “lobos solitários” com armas, facas ou camiões dirigidos contra civis, que os apoiantes do Daesh levam a cabo em todo o mundo. Mas a queda do Califado e a dispersão dos jihadistas do Daesh (E.I.) na verdade abriram um período de reciclagem deste pessoal. Considerados, segundo os casos, como combatentes fanáticos ou simples psicopatas escondidos atrás de uma ideologia, eles são cortejados pelos Estados e pelas sociedades multinacionais que indiretamente os tem empregado.
Se, com a queda do Daesh (EI), os dirigentes do mundo inteiro se interrogam quanto à reconstrução do Iraque e da Síria, muitas outras questões mais difíceis se colocam ainda, mesmo que não seja costume evocá-las em público.No fim de qualquer guerra ideológica, põe-se a questão do futuro dos soldados vencidos. Após as quedas sucessivas de Mossul, Rakka, Deir ez-Zor e Al-Bukamal, o Califado já não tem território. O fim do “Estado Islâmico” surge após o abandono pelos Estados Unidos do projeto de “Sunistão”, cortando a “rota da seda” no Iraque e na Síria (plano Robin Wright, censurado pela intervenção do Presidente Trump em Maio de 2017). Definitivamente, os jihadistas foram derrotados pelos exércitos iraquiano e sírio.

Durante três anos, a Coalizão global anti-Daesh alternou bombardeamentos ineficazes com lançamentos de armas aos jihadistas, tal como, longamente, o atestou o Parlamento iraquiano. Ela jogou um papel decisivo apenas quando da batalha de Mossul, no decurso da qual tentou exterminar os restantes jihadistas arrasando completamente a cidade.

Em 2015, o Califado dispunha de 240 000 combatentes :

  • 40 000 jihadistas, membros do Daesh enquanto tal.
  • 80 000 membros da Ordem dos Naqchbandis, antigos soldados do exército iraquiano desmobilizados por Paul Bremer.
  • 120 000 homens das tribos sunitas do Ocidente do Iraque, descendentes de combatentes iemenitas.

Não existe nenhum meio de avaliar quantos morreram em combate, e quantos novos jihadistas foram recrutados durante a guerra. Sejam quais forem as declarações de uns e de outros, ignora-se quantos eles são hoje em dia e apenas podemos referir-nos aos números anteriores a título aproximativo.

Se os 200.000 Iraquianos que se haviam juntado ao Daesh (EI) se voltaram a fundir na população iraquiana sunita, o que se deve fazer com os 40 mil criminosos experimentados que são os jihadistas estrangeiros?

Disso, vemos que:

1. Deixemos de lado os que fogem de forma isolada. Eles representam um problema de polícia, mas nada mais.

2. Outros, em grupos, tentam apropriar-se de novos territórios nos quais possam ser os “caïds”, seja na proximidade do antigo Califado, seja no seu país de origem. Mas, já não parecem participar numa estratégia global. Cerca de 200 de entre eles recuaram para a província de Idlib, controlada pela Al qaeda. Aí, tem que enfrentar diversos grupos de insurgentes. Eles estão presentes no Sinai, onde se batem contra a aliança militar egípcio-israelita ; Alguns deslocaram-se para África. Para a Líbia onde controlam a Tripolitânia; e para a Nigéria onde enfrentam a aliança tchado-nigeriana.

3. O grosso dos jihadistas do Daesh dividiu-se em dois grupos. Os Estados Unidos (via anarquistas curdos) e a Turquia tratam-nos como combatentes profissionais e oferecem-lhes um futuro como mercenários.

a) O primeiro grupo foi recuperado por Brett McGurk e pelo general Joseph Votel, afim de formar a metade de uma força de proteção de fronteira estacionada na Síria. Tendo este projeto sido censurado pelo general Jim Mattis esta Força acabou por não ser constituída. Estes homens estão acampados em Kasham, à saída da base militar dos EUA

O Partido da União Democrática (PYD) começou a incorporá-los nas suas milícias, as Unidades de Proteção do Povo (YPG), como o Embaixador russo, Vasily Nebenzia, denunciou ao Conselho de Segurança. Ora, sendo as YPGs oficialmente armadas e enquadradas por militares dos EUA, de fato esses jihadistas estão sob o comando do Pentágono, mesmo se não o estão a título de uma Força de Proteção de Fronteiras.

b) O segundo grupo foi reciclado por Recep Tayyip Erdoğan, sob a bandeira do Exército Sírio Livre (ESL). Apresentado em 2011, pela imprensa atlantista, como tendo sido criado por desertores do Exército Árabe Sírio, o ESL fora, na realidade, constituído por combatentes líbios da Al qaeda sob supervisão militar francesa. Dispersado duas vezes, ele foi reconstituído e bate-se ao lado do Exército turco em Afrin. (verá mais na sessão A questão curdo-síria e a Turquia)

Linha de Guerra sem fim: de Damasco a  Ghuta oriental
A cidade de Damasco (capital síria) e a sua zona rural a Leste da capital, a Ghuta Oriental, são o teatro de violentos combates opondo a Al Qaeda, apoiada pelo Reino Unido e a França, ao Exército Árabe Sírio. A Republica tenta libertar a população de sete anos de ocupação e de xaria. Mas as potências coloniais fazem ouvidos moucos e sínicos.
A capital é permanentemente bombardeada pela Al Qaeda desde há seis anos. Nesse período, o Ministério da Reconciliação assinou milhares de acordos e amnistiou dezenas de milhar de combatentes. Eles foram reintegrados na sociedade, às vezes até mesmo no exército. Os da Ghuta Ocidental aceitaram, mas nunca os da parte Oriental.
Esta área, bastante grande, era habitada antes da guerra por mais de 400 mil pessoas. Segundo a ONU, seriam hoje cerca de 367 000. De acordo com o governo muito menos e, em qualquer caso, não serão mais de 250 000.
A principal cidade é um subúrbio bastante mal afamado, Duma, conhecido antes da guerra pelos seus bordéis e os seus mafiosos.
De fato, esta zona é controlada pela Al Qaeda, sob a denominação de “Exército do Islã” (Jaish al-Islam), enquadrado por SAS britânicos e oficiais da DGSE francesa sob cobertura da ONG “Médicos sem fronteiras”. Principalmente, os combatentes são dirigidos pela família Allouche, a qual dispõe de importantes bens em Londres.
De Julho de 2012 até sua morte, no final de 2015, Zahran Allouche, anunciara várias vezes por semana que iria tomar Damasco e executar, sem julgamento, todos os infiéis, quer dizer, para ele todos os não-sunitas. Ele impôs a Xaria a todos os habitantes de acordo com os princípios do pregador wahhabita Abd al-Aziz ibn Baz. Ele enfiou em gaiolas todos os que desafiavam a sua autoridade. Ele executou inúmeras pessoas, entre as quais um um agente imobiliário em público, porque este se recusara a dizer que “Assad é um cão”.
Recebendo armas da Arábia Saudita, via Jordânia, Allouche presidiu a um desfile militar com tanques; encenado e filmado pelo MI6 britânico.
Quando o Exército Árabe Sírio colocou canhões na montanha que domina a capital e começou a bombardear o exército de Zahran Allouche, ele colocou prisioneiros nos telhados como escudos humanos.
No início de 2016, o seu primo Mohamed Allouche assumiu o comando. Ele tornou-se célebre atirando homossexuais dos telhados abaixo. Deve notar-se que a Síria protege os homossexuais, o que é uma exceção entre os países muçulmanos contemporâneos e já era em relação aos países ocidentais há trinta anos.
Mohamed Allouche tornou-se o chefe da delegação da oposição às negociações de Genebra. Lá, pediu e conseguiu que os quadros e esculturas que ornavam o seu hotel fossem cobertas com um véu. Durante as discussões, a partir da sala de negociações, ele tweetou aos seus partidários para se prepararem para matar os “soldados do porco”.
Apenas nos últimos meses é que o Exército Árabe Sírio fechou completamente a zona. Até então, era possível para os habitantes fugir. A ONU e o Crescente Vermelho têm livre acesso pelo lado da República, mas não do lado da Al Qaeda. Os jihadistas não deixam sair senão os seus seguidores para serem tratados. Os comboios de suprimentos são revistados pelo Exército antes de entrar na Ghuta. Com efeito, multiplas vezes, comboios da ONU foram utilizados para fazer chegar armas aos jihadistas. Sempre que a ONU recusa a revista, os comboios são bloqueados.Daí que você vemos as lágrimas de crocodilo da ONU e da UNICEF sobre as condições de envio de ajuda médica aquelas pessoas, quando eles são o principal problema.

A Ghuta é a zona hortícula que envolve a capital. Quando produtos alimentares, que não são cultivados localmente, são fornecidos pela ONU, são os jihadistas quem os distribui à população. Os seus preços são consideravelmente mais elevados que na capital, às vezes quatro vezes mais caros. Só os habitantes prestando vassalagem aos jihadistas recebem deles dinheiro que lhes permite comprar esses produtos. Por várias vezes, os habitantes lealistas da Ghuta tiveram de suportar a fome que lhes impunham os jihadistas.
Durante seis anos, os jiadistas atacaram regularmente Damasco a partir da Ghuta. Não pararam de matar gente diariamente perante o silêncio ensurdecedor da comunidade internacional. Pouco a pouco, Daraya, Mouadamiyat al-Sham, Qudsaya e al-Hameh, em Agosto de 2016, depois Jobar, Barzeh, Qaboun e Tichrine, em Fevereiro de 2017, foram retomadas. Os acordos que foram então assinados previam o transporte de combatentes sob escolta para Idlib, no Noroeste do país, com a condição exclusiva de libertação dos habitantes.
A República acaba de decidir libertar a Ghuta Oriental de jihadistas. Bombardeamentos intensivos são feitos por artilharia e pela aviação. Trata-se de aniquilar os jihadistas e de causar o menor número possível de vítimas entre os civis. Durante esta campanha, os comboios humanitários são impossíveis. Por seu lado, a Al Qaeda atira obuses sobre a capital. Em tempo normal, os jihadistas visam principalmente a embaixada do Irã  em Mazzeh, na Praça dos Omíadas (sede da televisão e do Ministério da Defesa), o Centro cultural russo no centro da cidade e a embaixada da Rússia. Desta vez, os obuses caem por todo o lado. Os Damascenos e os milhões de Sírios que recusam a xaria e se refugiaram na capital, sob a proteção da República, tentam de novo sobreviver. Mais de um terço dos habitantes permanece enclausurado em casa por medo de ser morto por obuses a cair sobre a cidade. Um quarto das lojas permanece fechado e as administrações trabalham ao “ralenti”.
O Reino Unido e a França tentam impor um cessar-fogo de trinta dias na Ghuta. Estes dois Estados não fazem segredo do seu apoio à família Allouche e da sua hostilidade à República Árabe Síria, em geral, e ao seu Presidente, Bashar al-Assad, em particular. Ambos se recusaram a participar na Conferência da Paz de Sochi, na qual mais de 90% dos Sírios estavam representados —mas não os Allouche—.
A guerra é um meio para resolver um conflito que, primeiro, simplifica os problemas ao extremo e divide os homens em dois grupos, jamais em três, contrariamente ao que pretendem as diplomacias britânica e francesa. A guerra faz-se matando não só os seus inimigos, tanto quanto se pode, mas também os seus o menos possível. Em todas as guerras é-se forçado a sacrificar os seus, sem isso tudo não passaria de uma simples operação policial.
Se fosse declarado um cessar-fogo, ele não teria nenhuma consequência prática. Com efeito, tanto a Al Qaeda seria dele excluída pela ONU como ela o rejeitaria, ora é precisamente a Al Qaeda, e apenas ela, quem controla a Ghuta Oriental. Nestas circunstâncias, deve-se perguntar porquê o Reino Unido e a França promovem a ideia deste cessar-fogo impraticável? Porquê estes dois Estados se propõem dar à Al Qaeda um alívio em detrimento exclusivo dos civis que ela oprime ?
Mesmo assim, ontem, ambos os Donaldo Trump e Macron afirmaram que caso o cessar-fogo imposto pela ONU não fosse respeitado, Damasco sofreria graves consequências, acusando mais uma vez o governo do país de usar armas químicas contra a população civil.
Quando a Coalizão ocidental bombardeou Mossul, no ano passado, para esmagar os poucos milhares de jihadistas que aí restavam, ela matou muitos mais civis (9 a 11 mil, segundo as fontes). As mídias ocidentais saudaram essa vitória com entusiasmo. As mesmas mídias ocidentais difundem à sociedade imagens de duas meninas no meio dos bombardeios. Nenhum deles se interroga sobre as famílias dessas duas crianças, nem sobre a possível maneira como elas aprenderam inglês. Nenhum deles pensa noutras crianças que morrem em Damasco. Ora, todos imploram que se pare o massacre.
Sabe aqueles massacrados civis que você tanto viu na internet e na TV?
Sabe aquelas criancinhas que você viu na Internet e na TV?

 

A questão Curdo-Síria e a TurquiaOs Curdos têm papel que não pode ser discutido sem registrar o que fizeram entre 2011 e 2015-16. Combatentes curdos, separatistas ou outros, defenderam a integridade da fronteira norte da Síria em 2011 (início dos conflitos), quando o Exército Árabe Sírio não tinha aliados em solo. E mesmo que combatentes curdos e soldados do Exército Árabe Sírio não tenham combatido fisicamente dentro da mesma trincheira, os curdos lutaram valentemente no norte, defendendo o solo sírio contra incursões que os turcos facilitavam e, depois, contra o ISIS.

Porém, quando se estabeleceram os movimentos curdos separatistas, e dado que não foram preventivamente abrigados sob o telhado de Damasco, algum lado teria de ceder. Os Curdos separatistas farão qualquer acordo com não importa quem ou quando, para realizar seu sonho. A história já mostrou que estão preparados para se unir aos norte-americanos e até a Israel. É preciso registrar que há curdos não-separatistas, mesmo que não se conheça a porcentagem deles na população, assim como é impossível saber a porcentagem dos separatistas, e os não-separatistas parecem não ter voz muito ativa na comunidade.

 

Além do mais, parece que não há visão nacional inclusiva, sob cuja proteção os próprios curdos pudessem discutir e expor qualquer pensamento anti ou separatista e arejar as próprias ideias, seus medos e apreensões como minoria, que inspiram o anseio por independência.

O papel da Turquia mudou com as marés ao longo dos últimos sete anos. Desde querer derrubar o governo do presidente Bashar al-Assad da Síria, com Erdogan rezando na Mesquita Omayyad como o conquistador de Damasco, Erdogan opera hoje em modo muito mais contido para controle de danos, na esperança de conseguir, pelo menos, impedir que se constitua um Estado curdo ao sul das próprias fronteiras. O vai e vem da guerra, e o pedido de desculpas a que foi obrigado, na luta para se reconciliar com a Rússia depois de a Turquia ter derrubado um Su-24 russo em novembro de 2015 puseram Erdogan na posição em que está. Mas Erdogan sempre tentará procurar oportunidades e aberturas, e não vacilará em apunhalar qualquer um pelas costas, porque seus sonhos de um sultanato muçulmano com base na Turquia são maiores que qualquer negócio ou acordo que ele assine com seja quem for. Isso posto, Erdogan em nenhum caso aceitará solução que implique o estabelecimento de um Estado curdo. A menos que a maré vire a favor dele, é altamente improvável que venha a mudar de rota e exigir mais.

Segundo a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, pelo menos 36 milicianos pró-governamentais sírios morreram hoje (3/3/18) por um bombardeio de aviões turcos no enclave curdo-sírio de Afrin, no noroeste do país.

O ataque foi contra um acampamento das forças de defesa popular, milícias leais ao governo de Damasco, em Kafr Yana. Na noite de quinta-feira, outro bombardeio turco causou a morte de, pelo menos, 14 combatentes dessas forças sírias na zona de Yama, no norte de Afrin, na Síria, segundo a mesma fonte.

Desde 20 de janeiro, a Turquia e facções rebeldes sírias pró Ancara desenvolvem uma ofensiva em Afrin, controlada pelas Unidades de Proteção Popular (YPG, por sua siglas em curdo), consideradas terroristas pelo governo turco por seus vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

As forças turcas e os grupos armados sírios aliados de Ancara invadiram hoje Rayu, considerada estratégica porque é a passagem que comunica o norte de Afrin com o oeste da província de Aleppo. Segundo o observatório, pelo menos 58 milicianos partidários de Assad morreram nos combates e bombardeios turcos, incluindo os de hoje.

Desde o início da operação militar, a Turquia e seus aliados tomaram 82 populações de Afrin, que supõem 23% das zonas rurais dessa região, segundo o Observatório.
Israel na orquestra

Verdade é que a guerra no norte da Síria é quase completamente separada da guerra que se trava no sul, com Israel.

Não surpreenderia ninguém dizer que os EUA pós-Kissinger deixaram Israel sentir-se segura e privilegiada a ponto de se pôr a coagir a única superpotência mundial para que carimbasse qualquer coisa que Israel fizesse; ainda que fosse contra os interesses da superpotência. Contudo, nem com todo o apoio que EUA deu a Israel a entidade sionista conseguiu fazer qualquer paz duradoura. Superioridade militar e paz são muito diferentes; os EUA tinham meios para garantir a primeira, a Israel; não a segunda. Mas até essa superioridade militar que no início dos tempos significou que Israel era intocável acabou por ser erodida. A ascensão do Hezbollah ao poder, com capacidade para bombardear “Haifa e além de Haifa” em julho de 2006 causou calafrios aos estrategistas militares de Israel. Israel agora não tem ideia de o que esperar se e quando houver outra escalada militar com o Hezbollah e hoje se prepara para o pior. Dados os mais recentes confrontos com defesas aéreas sírias, Israel pôs-se em posição semelhante também em relação à Síria, sem saber tampouco o que esperar desse lado.

Objetivos anglo-yankee-sionistas para o Oriente Médio. O Plano Yinon

O principal objetivo da agressão Imperial dos Estados Unidos, Europa e sionismo israelense contra a Síria é consolidar e realizar o plano Yinon. Isto consiste na balcanização do Oriente Médio, na criação de micro-Estados, enfraquecendo os atuais países árabes e garantindo a sobrevivência do estado de Israel.

O último apoiado pelos textos sagrados do judaísmo e na terra prometida que Deus daria aos judeus, é justificado e diz que metade do Oriente Médio, por direito divino, pertence a Israel, assim invade e coloniza seus países vizinhos, uma amostra clara do fanatismo  religioso misturado com a política.

No início, eles pensaram em criar a grande Israel que ocuparia o território do Nilo até o Eufrates (do Egito ao Iraque). Todos os países que ocupam este território geográfico seriam parte da nação hebraica, mas devido à força e grandeza da resistência, Israel perdeu influência e poder, no momento eles querem apreender pontos estratégicos de seus países vizinhos, tais Como a Península do Sinai no Egito, as colinas de Golã, na Síria, sul do Líbano e parte da Jordânia, todo esse fenômeno está dentro do plano Yinon. Este plano é alcançado tendo em conta a diversidade étnica e religiosa dos diferentes países.

O Mossad e a CIA fomentam o conflito entre sunitas e xiitas na região, a fim de buscar a guerra civil e a divisão dos territórios. A Síria antes da guerra foi um dos países mais seculares e seguros no Oriente Médio com uma grande diversidade de cultura e credos.

No território existem alauítas, sunitas, drusos e cristãos (para o lado étnico são os curdos que tinham reconhecimento e segurança no governo de Bashar al-Assad), e antes da guerra foi um dos países com maior tolerância religiosa. Com a ascensão do estado islâmico e a intrusão das forças extrangeiras, os conflitos raciais e religiosos aumentaram. Após 7 anos de guerra (2011-2018), o país teve a sua  infraestrutura destruída, grande parte de sua população no exílio, meio milhão de mortos e seu patrimônio cultural obliterado, devido ao fundamentalismo jihadista.

Apesar de destruir e reduzir o pó à Síria era um dos principais objetivos de Israel, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. A sua principal tarefa é fazê-la “desaparecer” através da criação de novos Estados. Assim, devido à crise e à desestabilidade do país, isso levaria ao seu colapso e destruição, tendo que recorrer à partição, por um lado, o governo de Bashar al-Assad e a minoria alauitas criariam seu próprio estado, assumindo o controle de Damasco. Os sunitas também teriam seu próprio estado tendo mais território porque eles eram a maioria, e os curdos teriam sua própria região autônoma e continuariam seu sonho de criar o Curdistão e até a minoria drusa teria seu próprio estado.

Por seu lado, Israel iria definitivamente ficar com as colinas de Golã e suas reservas de água. Como não havia um governo central unificado, Israel expandiria seu território mais, e isso ajudaria a tornar-se um poder regional que é um dos pontos-chave dentro do plano Yinon. Com a criação destes novos Estados (alauitas, sunita, curdo e druso) e o desaparecimento da República Árabe da Síria, o próximo objetivo seria estimular os conflitos étnico-religiosos e fronteiriços entre os novos Estados. O novo estado sunita e o seu governo nascente seriam aliados da Arábia Saudita e das monarquias do Golfo Pérsico (Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrain), transformando-o diretamente num inimigo do estado alauítas do Irã, e o Hezbollah enfraquece consideravelmente a Resistência. Os curdos reforçariam ainda mais os seus laços com Israel e os Estados Unidos e a região autónoma do Curdistão iraquiano. Os vizinhos drusos de Israel fortaleceriam seus laços comerciais e diplomáticos com o sionismo, e os Alauítas permanecerão aliados do Irã, do Hezbollah e da causa palestina. O governo de Bashar al-Assad sempre teve entre suas prioridades a defesa e a recuperação dos territórios ocupados palestinos. Mas as fronteiras do estado alauitas permaneceria constante ameaça, devido aos grupos terroristas da Al-Qaeda e do estado islâmico e do posto de Israel. Tudo isso levaria a mais desestabilização e desunião no Oriente Médio, e esquecendo a causa palestina definitivamente beneficiando Israel completamente.

A Síria não vive uma guerra civil. A situação atual no país árabe é o produto de uma experiência militar e geopolítica do Ocidente e Israel, que buscam a fragmentação do Oriente Médio, a fim de garantir a sobrevivência do estado sionista e transformá-lo em um potencial na região. Felizmente, como as coisas estão, e com a ajuda do Irã, Rússia, Hezbollah e milícias xiitas iraquianas, pouco a pouco, o governo de Bashar al-Assad retoma as rédeas do país e consegue unificar o território novamente. Mas não se pode esquecer que o plano Yinon ainda está na agenda de Israel e do Ocidente, e eles não têm a intenção de renunciar. Após o fracasso do estado islâmico, os curdos serão o pretexto seguinte para balcanizar a região. Olhando para o mapa atual da luta contra o estado islâmico. Os maiores beneficiários são os curdos que poderiam reivindicar uma área autônoma no norte da Síria, é claro, com o apoio dos Estados Unidos e do regime israelita.

Por outro lado, não vamos esquecer que a criação do Sudão do Sul é uma das primeiras conquistas do plano Yinon. Este pequeno país existe desde o ano de 2011. Deve-se manter em mente que a Balcanização também se expande para o norte da África. Após o “sucesso” do Sudão, eles querem aplicar a mesma estratégia para a Síria, para o Iraque (criando três Estados um curdo, um sunita e outro xiita) também para a República Islâmica do Irã (criando um estado persa, outro curdo, Baluchistão e o grande Azerbaijão). Enfraquecendo e desaparecendo os aliados da causa Palestina, o verdadeiro objetivo de Israel. Finalmente, a chamada “primavera árabe” escondeu o propósito de acelerar a implementação do plano Yinon. Para a opinião pública foi dito que os povos do Oriente Médio levantaram-se para procurar reformas democráticas e sociais, e para derrubar em uma maneira pacífica diversas ditaduras que tinham estado no poder por diversas décadas. Mas, na realidade, foi pensado para redesenhar todo o mapa do Oriente Médio. Criando um novo Sykes-Picot, mas igual na ineficiência.

 

liberdade para a Síria

 

Notas e Referencias:


Thierry Meyssan: A ilusão da erradicação do Daesh/ISIS/”Estado Islâmico”G1: Bombardeio turco na Síria mata pelo menos 36 milicianos pró Assad

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