Documento Vazado do Exército Ianque Revela: FMI e Banco Mundial São Armas de “Guerras Não-Convencionais”

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Um manual militar sobre “guerra não convencional” foi vazado no início de fevereiro deste ano pelo WikiLeaks. No material o Exército dos EUA afirma que as grandes instituições financeiras globais – como o Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – são entes usados ​​como “armas financeiras não convencionais em tempos de conflito e até incluindo guerra geral em grande escala”, bem como em alavancar “as políticas e a cooperação dos governos estaduais”.

O documento, oficialmente intitulado “Field Manual (FM) 3-05.130, Special Operations of the Army and Non-Conventional Warfare” (Manual de Campo (FM) 3-05.130, Operações Especiais do Exército e Guerra Não Convencional) e originalmente elaborado em setembro de 2008, foi recentemente (início de fevereiro deste ano) destacado pelo WikiLeaks à luz dos recentes acontecimentos na Venezuela, Síria, Líbia, Iraque, bem como em outros países, tendo sido descrito como o “manual de mudança de regime” dos militares.

As postagens recentes do último mês no WikiLeaks sobre o assunto chamaram a atenção para uma única seção do documento de 248 páginas, intitulado “US National Power Financial Instrument and Non-Conventional War” (Instrumento Financeiro do Poder Nacional dos EUA e Guerra Não-Convencional). Esta seção em particular observa que o governo dos EUA aplica “recursos financeiros unilaterais e indiretos através de influência persuasiva para instituições financeiras internacionais e domésticas em relação à disponibilidade e termos de empréstimos, doações ou outras formas de assistência financeira à agentes estrangeiros estatais e não-estatais”, e especificamente cita o Banco Mundial, o FMI e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), bem como o Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements – BIS), como “espaços diplomático-financeiros dos EUA para alcançar tais metas”.

O manual também apregoa a “manipulação estatal das taxas e juros” junto com outras “medidas legais e burocráticas” para “abrir, modificar ou fechar fluxos financeiros” e ainda afirma que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUA (Office of Foreign Assets Control  – OFAC) – que supervisiona as sanções dos EUA contra outras nações – “tem uma longa história de condução de guerra econômica valiosa para qualquer campanha de Guerra Não-Convencional (Unconventional Warfare – USO) para as Forças de Operações Especiais do Exército [dos EUA]”.

Nesta mesma seção do manual prossegue-se observando que essas armas financeiras podem ser usadas pelos militares dos EUA para criar “incentivos financeiros ou ‘desincentivo’ para persuadir adversários, aliados e substitutos a modificar seus comportamentos nos níveis estratégicos, operacionais e táticos” e que tais campanhas de guerra não convencionais são altamente coordenadas com o Departamento de Estado e a Comunidade de Inteligência na âmbito de “quais elementos do terreno humano na Área de Operações de Guerra Não Convencional são mais suscetíveis ao engajamento financeiro.”

O papel dessas instituições financeiras internacionais “independentes” como extensões do poder imperial dos EUA é desenvolvida em outras partes do manual onde várias dessas instituições são descritas em detalhes em um apêndice intitulado “The Financial Instrument of National Power” (O Instrumento Financeiro do Poder Nacional). O Banco Mundial e o FMI são listados como Instrumentos Financeiros e Instrumentos Diplomáticos do Poder Nacional dos EUA, bem como partes integrantes do que o manual chama de “sistema atual de governança global”.

Além disso, o manual afirma que os militares dos EUA “entendem que a manipulação do poder econômico adequadamente integrada pode e deve ser um componente da Guerra Não-Convencional”, significando que essas armas são uma característica regular das campanhas das guerras não convencionais dos Estados Unidos.

Outro ponto de extrema importância é que essas armas financeiras são em grande parte governadas pelo Conselho de Segurança Nacional (National Security Council – NSC), que atualmente é dirigido por John Bolton. O documento observa que o NSC “é o principal responsável pela integração dos instrumentos econômicos e militares do poder nacional no exterior”.

“Independente” mas controlado

Embora o Manual de Guerra Não-Convencional seja notável por declarar tão abertamente que instituições financeiras consideradas “independentes” como o Banco Mundial e o FMI são essencialmente extensões do poder do governo dos EUA, analistas já vinham observando há décadas que essas instituições têm consistentemente alavancado as metas geopolíticas norte-americanas no mundo.

De fato, o mito da “independência” do Banco Mundial e do FMI é rapidamente corroído pela simples observação da estrutura e do financiamento de cada instituição. No caso do Banco Mundial, a instituição está localizada em Washington e o presidente da organização sempre foi um cidadão dos EUA escolhido diretamente pelo presidente dos Estados Unidos. Em toda a história do Banco Mundial, o Conselho de Governadores da instituição nunca rejeitou a escolha de Washington.

No dia 5 de fevereiro deste ano, foi relatado que o presidente Donald Trump nomeou o ex-economista do Bear Stearns, David Malpass, para liderar o Banco Mundial. Malpass notoriamente fracassou em prever a destruição de seu ex-empregador durante a crise financeira de 2008 e provavelmente limitará os empréstimos do Banco Mundial à China e aos países aliados desta.

Além de escolher seu presidente, os EUA também são o maior acionista do Banco Mundial, tornando-o o único país membro a ter direitos de veto. De fato, como observa o Manual de Guerra Não-Convencional vazado, “Como as principais decisões exigem uma maioria qualificada de 85%, os Estados Unidos podem bloquear quaisquer mudanças importantes” à política do Banco Mundial ou aos seus serviços prestados. Além disso, o secretário do Tesouro dos EUA, o ex-banqueiro do Goldman Sachs e “rei da hipoteca”, Steve Mnuchin, exerce cargo como governador do Banco Mundial.

Embora o FMI seja diferente do Banco Mundial em vários aspectos, como sua missão declarada e foco, ele também é amplamente dominado pela influência e financiamento do governo dos EUA. Por exemplo, o FMI também está sediado em Washington e os EUA são o maior acionista da empresa – o maior de longe, detendo 17,46% da instituição – e também paga a maior cota para a manutenção da instituição, pagando US$ 164 bilhões em compromissos financeiros com o FMI anualmente. Embora os EUA não escolham o principal executivo do FMI, ele usa sua posição privilegiada como o maior financiador da instituição para controlar a política do FMI ao ameaçar reter seu financiamento do FMI se a instituição não cumprir as exigências de Washington.

Como consequência da influência desequilibrada dos EUA sobre o comportamento dessas instituições, essas organizações usaram seus empréstimos e doações para “aprisionar” nações endividadas e impuseram programas de “ajuste estrutural” a esses governos sobrecarregados de dívidas que resultam em privatizações em massa de ativos estatais, desregulamentação e austeridade que beneficiam rotineiramente as corporações estrangeiras sobre as economias locais. Frequentemente, essas mesmas instituições – ao pressionarem os países para desregulamentar seu setor financeiro e por meio de negociações corruptas com os agentes estatais – trazem os problemas econômicos que eles então tentam “consertar”.

Na Venezuela, por exemplo, os dois lados estão submetidos aos ditames do monstro usurário composto pelos EUA e seus bancos. O governo de Maduro em 2017 vendeu a preço de banana títulos da petrolífera – Petróleos da Venezuela (PDVSA) – com valores nominais de 2,8 bilhões de dólares por 865 milhões de dólares à já citada casa bancária Goldman Sachs.

Não custa lembrar que o grosso do petróleo venezuelano é exportado em dólar para os Estados Unidos, correspondendo a pelo menos 44% do que é exportado, quase o dobro do que a Venezuela vende de petróleo para a China.

Outro ponto é o fato de Maduro ter desde sempre uma atitude provocadora suspeita com os americanos. Sempre criou crises diplomáticas desnecessárias que mais pareciam tentar chamar os EUA para a América do Sul, além de provocar uma enorme crise humanitária na Venezuela. Se Maduro quisesse romper de fato com o aparato ianque que fugisse do padrão do dólar ou não vendesse suas riquezas aos americanos. Se for pra cair, que caia incomodando e não criando polêmica vazia.

O mesmo vale para o outro marionete americano, o “auto-intitulado presidente interino” Juan Guaidó – que diz apoiar a Internacional Socialista – e que já está solicitando fundos do FMI e, portanto, criando dívidas controladas pelo FMI para financiar seu possível governo.

Isso é altamente significativo porque mostra que o topo entre os objetivos de Guaidó, além de privatizar de vez as reservas de petróleo maciças da Venezuela, é novamente algemar o país à máquina de dívida controlada pelos EUA.

No entanto, a Venezuela está longe de ser o único país da América Latina a ser alvo dessas armas econômicas disfarçadas de instituições financeiras “independentes”. Por exemplo, o Equador – cujo atual presidente tentou trazer o país de volta às boas graças de Washington – chegou a conduzir uma “auditoria” de seu asilo ao jornalista e editor do WikiLeaks, Julian Assange, a fim de obter um resgate de US$ 10 bilhões junto ao FMI. O Equador concedeu asilo a Assange em 2012 e os EUA buscam fervorosamente sua extradição por acusações ainda seladas desde então.

Além disso, em 2018, os EUA ameaçaram o Equador com “ uma punição por meio de medidas comerciais” se o país apoiasse na ONU o aleitamento materno contra as fórmulas infantis, em uma ação que surpreendeu a comunidade internacional, mas expôs a disposição do governo dos EUA de usar “armas econômicas” contra as nações ibero-americanas.

Além do Equador, outros alvos recentes de “guerra” massiva do FMI e do Banco Mundial incluem a Argentina, que recebeu o maior empréstimo de resgate do FMI na história no ano passado. Esse pacote de empréstimos foi, sem surpresa, fortemente empurrado pelos EUA, de acordo com um comunicado do secretário do Tesouro, Mnuchin, lançado no ano passado.

O grande Salazar já alertara Juscelino Kubitschek sobre o perigo do FMI

Em uma biografia de Juscelino Kubitschek, há um trecho mostrando que o grande estadista português Antônio de Oliveira Salazar já alertava o até então presidente brasileiro sobre os riscos a soberania nacional de se negociar com o FMI.

Como nos libertarmos do FMI

Depois de eleito, mas antes de tomar posse, o presidente Juscelino Kubitschek visitou Portugal, encontrando-se com Oliveira Salazar, que então dirigia o país. Tempos depois, JK recordava que a única recomendação que ouviu do presidente português foi a de não se socorrer nunca do Fundo Monetário Internacional. “O FMI” – disse-lhe Salazar -” cobra juros financeiros razoáveis, mas acrescenta juros políticos extorsivos. Os países que a ele se socorrem, na verdade, abrem mão da sua soberania”.

Fonte: Panorama Livre I Mint Press

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3 thoughts on “Documento Vazado do Exército Ianque Revela: FMI e Banco Mundial São Armas de “Guerras Não-Convencionais””

  1. Bom dia! Acompanho o Sentinela com certa regularidade! Gostaria de acessar matérias sobre o domínio dos Rotschild sobre a Amazônia Brasileira e o papel espúrio da conivência (consciente?) do PSDB histórico e atual neste “imbróglio”. Assim também, gostaria de ler matéria específica sobre a devastação de Soros e suas ONG’s em nossa Amazônia”

    1. Olá, caro Antonio.

      Iremos passar o pedido a redação do site para seja feita. Muito obrigado, sua participação é muito importante para nós.

      Gratos,

      Redação.

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