Dialetos da Língua Portuguesa no Português Brasileiro

Dialeto é a linguagem peculiar de alguma região, a variação regional de determinada língua. Os diferentes dialetos dentro de uma mesma língua formam-se a partir dos  processos e eventos históricos e regionais que definem o sincretismo (1) entre os diferentes povos que a cultura passa a abranger.
É importante não se confundir dialeto com idioma, pois veja que, dada a definição acima, um idioma indica uma outra língua, enquanto dialeto as variantes dentro de uma mesma língua ou idioma.
No caso da língua portuguesa, o processo de Expansão Marítima levado a cabo pelos europeus de Portugal desde o século XV expandiu as “fronteiras linguísticas e culturais” do seu idioma a diversos povos espalhados pela América, África e Ásia (além da própria Europa, seu lugar de origem). Essa expansão, carregado pelo já citado sincretismo cultural e linguístico, dado a profundidade de tempo e territorialidade deu forma em diversas regiões a peculiaridade dos modos linguísticos dos povos e que formou.
Todas as línguas naturais mudam e apresentam variação interna de acordo com a localização geográfica ou o estatuto social dos seus falantes. As fronteiras dialectais que os dialectólogos explicitam, chamadas “isoglossas”, são a interpretação cartográfica dos dados linguísticos recolhidos por observação ou por inquérito linguístico. A diversidade dialectal do português europeu tem sido caracterizada pelos seus principais estudiosos (José Leite de Vasconcellos, Manuel de Paiva Boléo e Luís Filipe Lindley Cintra) a partir, sobretudo, de características fonéticas diferenciadoras, ou seja, com base no estabelecimento de “isófonas”.
〇Língua materna; 〇Língua oficial e administrativa; 〇Língua cultural ou secundária; 〇Minorias; falantes do português; 〇Crioulos de base portuguesa.
Tais diferenças, entretanto, geralmente não prejudicam a inteligibilidade entre os locutores de diferentes dialetos. No português europeu padrão, também chamado de estremenho ou simplesmente português de Portugal há três dialectos mais prestigiados: o do Porto, o de Coimbra, Lisboa e o galego. Mas ainda há muitas outras formas diferentes como:
1. Açoriano (ouvir)- Açores
2. Alentejano (ouvir)- Alentejo
3. Algarvio (ouvir)- Algarve (há um pequeno dialecto na parte ocidental)
4. Alto-minhoto (ouvir)- Norte de Braga (interior)
9 e 6. Baixo-beirão; alto-alentejano (ouvir) – Centro de Portugal
5. Beirão (ouvir) – centro de Portugal (interior)
7. Estremenho (ouvir) – Regiões de Coimbra e Lisboa (pode ser subdividido em lisboeta e coimbrão)
8. Madeirense – Câmara de Lobos (ouvir), Porto Santo (ouvir), Porto da Cruz (ouvir), Caniçal (ouvir)
9. Dialeto do Baixo Minhoto-Duriense (ouvir) – Regiões de Braga e Porto
10 . Transmontano (ouvir) – Trás-os-Montes
O português europeu é falado pelos quase 11 milhões de habitantes de Portugal e pelos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo, juntamente com os seus descendentes. A emigração maciça, que se verificou ao longo de todo o século XX, levou a que o português europeu fosse falado noutras partes do mundo, sobretudo na Europa: Suíça, Alemanha, França, Luxemburgo, Reino Unido, na América do Norte: Estados Unidos e Canadá, mas também na África do Sul, Venezuela, Argentina, Austrália e no Brasil, onde se encontram também grandes comunidades portuguesas.
 Os dialetos gerais do português brasileiro
Como observado acima, o português brasileiro é uma variante do português convencional falado em Portugal, embora mesmo esse se distingua. E dentre essa nossa variantes, existem diversos tipos dialetais espalhados pelo nosso vasto território federado.
O português brasileiro então classifica a variedade da língua portuguesa falada pelos mais de 200 milhões de brasileiros que vivem dentro e fora do Brasil. A população brasileira, quando comparada com as dos demais países lusófonos, implica que o português brasileiro seja a variante do português mais falada, lida e escrita do mundo, 14 vezes mais que a variante do país de origem, Portugal.
Devido aos desdobramentos históricos e ao vasto território do nosso país, o português brasileiro possui também diversas diferenças dialetais, inclusive no léxico (2), porém, surpreendentemente mantém uma norma unificada proporcionando a manutenção de uma mesma língua em todo o país.
Há algumas controvérsias com relação à organização das zonas dialetais brasileiras, até porque há bastantes variantes em determinadas áreas, impedindo, portanto, de se estabelecer uma “zona” dialetal coerente. Contudo, podemos tentar fazer uma divisão entre as variações mais evidentes.
O que ocorre, também, é uma insuficiência das informações completas sobre as diferenças no léxico, na fonética, etc, para que se possa fazer uma divisão precisa entre as variantes regionais do falar brasileiro. Mas podemos ousar dividir os dialetos do português brasileiro em dois grupos gerais: o do NORTE e o do SUL, e dentro destes grupos definir suas principais variedades.
Os principais Dialetos do português brasileiro: 1 – Caipira; 2 – Costa norte; 3 – Baiano; 4 – Fluminense; 5 – Gaúcho; 6 – Mineiro; 7 – Nordestino; 8- Nortista; 9 – Paulistano; 10 – Sertanejo; 11 – Sulista; 12 – Florianopolitano; 13 – Carioca; 14 – Brasiliense; 15 – Serra amazônica; 16 – Recifense.
De norte a sul, então, iremos observar o geral sobre as grandes famílias dialetais do português brasileiro.
DIALETO NORTISTA (“amazofonia“):
Falado pelos habitantes da região norte do país, ou seja, pela região amazônica, abrangendo os estados do Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e parte do Pará.
– Dialeto da serra amazônica (dialeto do arco do desflorestamento): É erroneamente considerado com o parte da “amazofonia” (dialeto nortista). Conhecido na sua região geográfica como “sotaque dos migrantes”, não é um dialeto coeso, justamente por sua peculiaridade de formação.
Esse dialeto existe no sudeste do Pará, sudoeste do Maranhão, norte do Mato Grosso, em Rondônia e no atual Tocantins desde meados da década de 1970, quando houve uma imigração desordenada de nordestinos, goianos, sudestinos e sulistas para a região, atraídos pelas ofertas de terras baratas e acessíveis em abundância.
DIALETO NORDESTINO:
Falado nos estados do Nordeste, porém com claras subdivisões e variações entre estados, regiões ou até mesmo cidades. Contém, contudo, características bem semelhantes e por isso se mantém em um mesmo grupo. Outros dialetos, pertencentes a áreas menores, podem ser distinguidos, por possuírem características próprias no seu falar:
 
 – Dialeto baiano (“baianês“): falado na região geográfica que abrange o estado da Bahia, além de Sergipe, norte de Minas Gerais, leste de Goiás e Tocantins. Uma observação importante é que o chamado “dialeto baiano”, embora se encontrando na região nordeste, tem influência sobre outras áreas vizinhas como Minas Gerais, Goiás e Tocantins, sendo, portanto, considerado por alguns como parte dos dialetos sulistas. Este termo talvez não seja o mais adequado, já que difere muito dos dialetos do sul do país, fato que leva alguns estudiosos a criarem o termo centro-sulista para designar este dialeto.
 
– Dialeto interiorano: regiões agreste e sertão do nordeste. caracterizado por apresentar forte som em /di/ e /ti/.
 
– Dialeto cearense (ou Dialeto da costa norte): falado no estado do Ceará. Possui variações internas, mas se caracteriza basicamente pelo uso do pronome “tu” com maior frequência em vez de “você”, além de características em comum com os demais dialetos nordestinos. Possui também muitas particularidades em seu léxico.
Notoriamente descrito como o principal dialeto do estado do Ceará,  partes do Piauí e do Maranhão: regiões Centro-Norte e Norte piauienses (incluindo a capital Teresina, assim como nas regiões Norte do Maranhão (incluindo a capital São Luís) e na maior parte das regiões Centro e Leste maranhenses (exceto Alto Mearim e Grajaú, Chapadas do Alto Itapecuru, Chapadas das Mangabeiras e Gerais de Balsas).
Sua área geográfica abrange a maior parte do território cearense, incluindo as regiões Metropolitana de Fortaleza, Norte, Noroeste, Jaguaribana (excetuando-se a região da Serra do Pereiro, que assim como o Cariri fala o dialeto nordestino) e Sertões cearenses.
 
– Dialeto Recifense: região metropolitana do Recife. Possui as características das duas anteriores, porém a palatalização das fricativas ocorre antes de todas as consoantes.
DIALETOS DO SUDESTE E CENTRO-OESTE
 
– Dialeto Mineiro (montanhês): região central de Minas Gerais. Facilmente distinguível dos demais dialetos brasileiros, principalmente pelas características fonéticas bem particulares.
– Dialeto sertanejo: falado nas regiões do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e parte de Minas Gerais.
– Dialeto Mateiro: zona da mata. Parecido com o dialeto interiorano, porém a maneira de falar é “mais rápida”.
– Dialeto Carioca: região metropolitana do Rio de Janeiro. O falar traz muitas características do português lusitano, como o “s” chiado e o uso das vogais mais abertas mesmo em contextos que favorecem o fechamento da mesma.
– Dialeto Fluminense: falado nos estados brasileiros do Rio de Janeiro e Espírito Santo e nas regiões limítrofes com os estados vizinhos.
– Dialeto paulistano: falado na cidade de São Paulo e também na megalópole de São Paulo.  Conhecido por englobar termos e palavras oriundas dos diversos idiomas falados por seus imigrantes, sendo tais termos inseridos gradualmente no português brasileiro e transferidos para outros dialetos deste idioma.
– Dialeto brasiliense (candango): Cidade de Brasília e região metropolitana. É um dialeto mais neutro, uma mistura dos demais, decorrente da grande migração ocorrida para esta cidade durante a sua construção.É considerado por muitos como um “sotaque branco”.
– Dialeto caipira: O dialeto caipira é um dialeto da língua portuguesa falado no interior do estado de São Paulo, leste e sul do Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais, sul de Goiás e norte do Paraná e zonas rurais do sul do Rio de Janeiro, no Brasil. Sua delimitação e caracterização datam de 1920, com a obra de Amadeu Amaral, O Dialeto Caipira.
DIALETO SULISTA:
Falado na região sul do país, abrangendo principalmente os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Alguns estudiosos incluem também alguns estados do sudeste e centro oeste.
 
– Dialeto Florianopolitano (“manézinho“): Florianópolis, SC. O falar é uma junção do português açoriano com o português madeirense, sofrendo influência do falar indígena.
 
– Dialeto gaúcho: falado no Rio Grande do Sul e em parte do Paraná e de Santa Catarina. É caracterizado por particularidades em seu léxico, influências do italiano, espanhol e alemão. Quanto aos aspectos fonéticos possui também diversas características particulares, podendo ser facilmente distinguidos entre os demais dialetos brasileiros.
Notas e referencias:
(1) – Em termos sociológicos ou antropológicos, pode ser a fusão de elementos culturais diversos, ou de culturas distintas ou de diferentes sistemas sociais.
(2) – Em termos linguísticos, o léxico denomina o conjunto dos vocábulos de uma língua, dispostos em ordem alfabética e com as respectivas significações.
 
 
 
 
 
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