Crise Migratória no Norte Brasileiro – Um Contexto Geral

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Nos dois lados do Atlântico, a história na atualidade tem mostrado que os mais recentes processos de imigracionismo nos países ocidentais tem sido instrumento de apoio aos planos econômicos e geopolíticos das entidades neoliberais internacionais (representantes de Estados e empresas). Na Europa, com respaldo político da esquerda progressista e dos liberais mais radicais, molda-se a população ao perfil do imigrante em massa, substituindo a população nativa como força de trabalho para produção, mas tendo como uma das consequências a desarticulação da identidade nacional, a padronização dos mercados e o enfraquecimento de lideranças nacionalistas. Na América, especificamente no Brasil e países vizinhos, a forte imigração venezuelana, boliviana e haitiana mostra com clareza a tentativa dos donos do poder geopolítico na América do Sul em desestabilizar países e manter embargo ao prazer daqueles que estão no cerne da questão, ao passo que “conservadores” e “progressistas” tentam usar como massa de manobra o embate entre populações locais e imigrantes para justificar ações e pretensões políticas alinhadas internamente com essas questões maiores.

Fruto do embargo norte-americano à Venezuela, a imigração arrasta as tenções políticas 
Com as tenções ocorridas em Pacaraima, no estado de Roraima, município fronteiriço com a Venezuela, esta semana, levantou-se a questão que a muito tem sido ignorada pelo (Des)governo das últimas décadas: a imigração ao Brasil através do Norte amazônico-brasileiro. Não é de hoje que essa região tem sido porta de entrada para imigração de populações pobres de alguns países da América latina. Vimos, alguns anos atras como o problema dos haitianos no Acre estava causando revolta da população local, num estado já pobre e com níveis baixíssimos de distribuição de renda.

Brasileiros queimam pertences de venezuelanos e bloqueiam ruas na fronteira entre Pacaraima, no Estado de Roraima, e a Venezuela.
Na verdade, essa situação é algo bem presente para os brasileiros dessas regiões a algumas décadas com maior intensidade e a história sempre mostra que esses processos, quando são pensados com fins políticos que não visam o engrandecimento, melhoria ou organização do solo pátrio, mas sim, como meios “da moda” para que governos ganhem fama de “generosos” ou outras intenções mais nefastas ainda, como mão de obra miserável e votos, sempre culminará nisso… O atual governo brasileiro repete os mesmos erros da União Europeia, cria tensões propositais em nome do propagandismo (mas passa vergonha diante no cenário nacional) progressista e põe em risco a soberania nacional e a integridade de todos (nativos e imigrantes).
O estopim da revolta dos brasileiros
O crime que causou o primeiro protesto foi apenas o estopim de vários problemas decorrentes da imigração em massa através da cidade de pouco mais de 10 mil habitantes.Os moradores de Pacaraima expulsaram centenas de venezuelanos dos assentamentos e atearam fogo aos seus pertences, numa revolta cujo estopim foi o crime covarde contra a família de um comerciante local. Na sexta-feira (17), um comerciante foi assaltado e espancado gravemente em casa por quatro venezuelanos, que também fizeram sua família de refém. O fato revoltou os brasileiros locais. Outro motivo de revolta foi a falta de ambulâncias de pronto-atendimento disponíveis para socorrer o brasileiro, que, mesmo assim teria conseguido dar entrada no hospital. O que foi averiguado é que quatro ambulâncias do Exército brasileiro presentes no local próximo estariam disponíveis apenas para o serviço prestado aos migrantes e imigrantes venezuelanos… negando o direito fundamental básico de todo o cidadão, prevista na Constituição Federal de 1988, a saúde e o bem-estar.

Os brasileiros protestavam contra o crime brutal cometido por 4 venezuelanos à família de um comerciante local
Os moradores fizeram uma barricada de pneus com fogo na BR-174, rodovia que corta a região Norte em direção à Venezuela e que passa pelo município. e No dia seguinte (18), fizeram um protesto na fronteira, de onde, escoltados pelo Exército Brasileiro, 1.200 venezuelanos retiram-se do país e muitos outros não conseguiram entrar, retornando à Venezuela.O assalto, sequestro e agressão do comerciante local – sem sombra de dúvida -, foi apenas um estopim, um “palito para pólvora derramada”. Quando observamos a indignação dos locais, num estado pobre como Roraima, vimos nos olhos desses brasileiros a indignação de quem viu chegar não só mais gente miserável fugida por oposição à Maduro e do embargo norte-americano na Venezuela, mas toda sorte de pessoas, sem o menor controle e inspeção dos órgãos que deveriam ser responsáveis… como se no nosso país, não houvesse um dantesco problema de criminalidade, desigualdade de renda e falta de assistência social.

Não é difícil para um brasileiro comum entender oque se passa na cabeça de um compatriota que nunca viu saúde na sua porta, segurança na sua esquina, ou aulas de qualidade para seus filhos, quando fica revoltado com um Estado que agora presta esse serviço de forma integral para outros que, apesar de etnicamente serem tão sul-americanos quanto nós, não pertencem àquele lugar. Não podemos querer que, num país cuja educação é tão precária, todos entendamos essas questões à margem de pura e simples especulação jurídica sobre o direito à universalidade da dignidade humana… até porque esses não são os reais motivos, quando um Estado que não cuida do próprio povo, de repente trás “turbas de desconhecidos” para cuidar.
Poder Federal x Poder Estadual
O próprio prefeito, Juliano Torquato (PRB), que por sinal está fora de Roraima, disse que a situação não está controlada pois existem diversos relatos de perseguição contra venezuelanos no município e nas redondezas.
O governo de Roraima, através da governadora Suely Campos (PP), em nota, diz que teve que solicitar ajuda da Polícia Militar do estado, reforçar os profissionais da saúde disponíveis para a cidade e alertar que o Exército brasileiro “contenha os ânimos” na cidade afim de não alargar ainda mais o conflito urbano local.
Na mesma nota, o governo do estado reivindica o fechamento da fronteira com a Venezuela e uma maior atuação do governo federal. Entretanto, nesse mês (8), a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou a liminar (decisão provisória) que pedia o fechamento da fronteira entre os países.
Imigração venezuelana é oportunidade de desestabilização na América do Sul
O prefeito do município de Pacaraima estudou, em fevereiro deste ano, decretar estado de calamidade por causa do número de venezuelanos acampados na cidade. Aumentando desde 2015, somente de janeiro a junho deste ano (6 meses), Roraima recebeu mais de 16 mil solicitações de pedidos de refúgio por parte de venezuelanos. Segundo a PF (Polícia Federal), o número já é 20% maior do que o registrado em todo o ano de 2017, quando foram recebidas pouco mais de 13,5 mil solicitações.

Moradores bloqueiam a BR-174 que da acesso entre os dois países

 

A imigração continuou. Assim, desde o começo deste mês de agosto, o governo de Roraima e órgãos do judiciário travam batalhas para fechamento ou controle das fronteiras com o país venezuelano. A estimativa é que entrem 500 venezuelanos por dia pela fronteira do estado.
O Peru e o Equador passaram a exigir passaporte para a entrada de venezuelanos, o que não ocorria antes da crise migratória. A vizinha Colômbia, em outra linha, concedeu mais de 440 mil vistos temporários a imigrantes venezuelanos, após decreto editado por Juan Manuel Santos, antes de ele transmitir o cargo de presidente para o sucessor Iván Duque.
As falhas de discurso “esquerda/direita” no Brasil…
Roraima é o único estado do Norte brasileiro cujo voto nos partidos progressistas não é maioria. Enquanto a “esquerda progressista e associados” ridicularizam, xingam e caluniam os moradores locais de Roraima com denominações dos quais muitos nem se quer sabem do que se trata, apoiam os imigrantes venezuelanos como “minoria injustiçada da vez” sem mesmo lhes ocorrer que muitos deles são pessoas opositoras ao governo Maduro e o próprio governo venezuelano. Por sua vez, as vozes da “direita conservadora e associados” acusam as causas dessa situação a ideologia comunista de Maduro e uma influência “petista-socialista” como causadoras desse processo. Mas esquecem todos eles que são justamente as práticas de uma geopolítica neoliberal que sempre causaram e causam agora um enorme problema social nesta parte pouco assistida que é a América amazônica, da qual o Brasil é grande detentor de território.
Através dos EUA e sua política de embargo ao petróleo venezuelano como não-alinhado aos interesses dos Aliados anglófilos, espalham a crise desse país para os demais territórios em uma prática de alta irresponsabilidade, gerando conflito e desinformação.
Chegamos num ponto onde devem de fato os venezuelanos saírem do território nacional, mas para conter esse grande fluxo e a enorme “porta-giratória” do imigracionismo latino-americano que tem se tornado o Norte amazônico-brasileiro, é necessário que aja cooperação dos países sul-americanos em resolver seus problemas econômicos domésticos de forma interna e integrada, sem prender-se a obedecer potências colonizadoras. A imigração fruto da pobreza e da perseguição política são questões que só serão resolvidas dentro dos países aos quais ela tem origem.
Quando vamos acordar para esses fatos?

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