Corrupção Política e Narcoestado Sob Uma Ótica Nacional

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Muitas frentes de opinião na atualidade denunciam que o Brasil virou “narco-estado”, oque valeria dizer que o narcotráfico e o crime organizado são forças dominantes e decisivas na política nacional e no seu impacto sobre a sociedade atual, tal como acontece em países vizinhos como a Colômbia. Oque não está errado. Porém, vale refletir que em países subdesenvolvidos considerados de terceiro mundo como é hoje o nosso, quanto mais se adentra nos “porquês” disso, mais se vê que essas forças criminosas são apenas uma  das vertentes e consequências de décadas de políticas fracassadas e corruptas, onde de cima para baixo, cria-se com os descasos políticos-sociais, as condições precisas para que este estado de anarquia e corrupção sejam prolíferos.
Homicídios: um “estado de guerra” permanente?
O aumento vertiginoso e anualmente recordista de mortes violentas no país, principalmente nas grandes capitais está intimamente ligado ao narcotráfico e ao aumento da sua influência na política e sociedade. Mas primeiro, devemos checar os números e logo depois fazer os comparativos.
Em 2005, segundo o Atlas da Violência 2017 (1), ocorreram 48.136 homicídios, em 2015, dez anos depois, esse número foi superado para 59.080. Isso significa 28,9 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. Em 2016 o Brasil chegou à nefasta marca de 61.619 mil homicídios no ano. O maior número de homicídios da história, de acordo com dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Isso equivale  às mortes provocadas pela explosão da bomba nuclear que dizimou a cidade de Nagasaki, no Japão, em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.
Aí você pode pensar que somos um país com mais de 200 milhões de habitantes e isso é proporcional. Então vamos comparar: Para se ter uma noção, já em 2016, se somarmos o número total de assassinatos na Europa inteira, Estados Unidos e China; o Brasil ainda leva uma vantagem de quase 13 mil mortos. Os números são ainda mais alarmantes quando se leva em consideração a dimensão populacional. A China, por si só, tem uma população quase cinco vezes maior e índices de crimes violentos quase seis vezes menor.
Até em comparação com países subdesenvolvidos como a Indonésia, com 253 milhões de habitantes (de território bem menor e mais populoso que o Brasil), nosso país leva uma vantagem de mais de 60 mil vítimas no ano.
Se somarmos os números de vítimas do México, África do Sul, Colômbia e Paquistão, ainda levamos uma vantagem de quase 8 mil mortos.

Dentre os países em desenvolvimento apenas a Índia tem números próximos aos brasileiros, com 41,6 mil mortes violentas, ou seja, ainda menos, com uma população 6 vezes maior e num território menor.Aqui se morre e se mata mais que qualquer guerra na Síria por dia, perpetuamente. A que isso se deve?

Estado policial e colapso das forças de segurança
Apesar disso, os governos gastaram 2,6% a menos com políticas de segurança pública em 2016: R$ 81 milhões. A maior redução foi observada nos gastos do governo federal: 10,3%. Também houve redução de 30,8% nos gastos com o Fundo Nacional de Segurança Pública, queda de 63,4% nos gastos com o Fundo Nacional Antidrogas mas houve um aumento de 80,6% nos recursos do Fundo Penitenciário Nacional.
As forças de segurança, logicamente matam muito mais. Cerca de 25,8% em relação a 2015: 4.224 pessoas foram mortas em decorrência de intervenções de policiais civis e militares. Assim como também o número de policiais mortos também aumentou 17,5% em relação a 2015: 437 policiais civis e militares foram vítimas de homicídio em 2016.
Em 2016, houve aumento de 292% no número de profissionais da Força Nacional mobilizados em ações pelo país. Os gastos também saltaram de R$ 184 milhões para R$ 319 milhões, em 2016.
Uma questão de raça ou um questão econômica?
É muito comum o dado de que quase a totalidade das vítimas é homem (99,3%), jovem (81,8%), tem entre 12 e 29 anos e é negra (76,2%) mas a maioria das vítimas policiais também é negra: 56%, contra 43% de brancos; além disso, em 32,7% de 40 a 49 anos.
A maior parte dos homicídios no Brasil ocorre em áreas periféricas, com taxa de renda média, baixa escolaridade e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) semelhante ao de países da África Subsaariana, enquanto em média, os bairros mais seguros das periferias nobres das grandes cidades, o Índice de Desenvolvimento Humano se aproxima de países do norte da Europa.
Mais de 318 mil jovens foram assassinados no Brasil entre 2005 e 2015. Apenas em 2015, foram 31.264 homicídios de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, uma redução de 3,3% na taxa em relação a 2014. No que diz respeito às Unidades da Federação, é possível notar uma grande disparidade: enquanto em São Paulo houve uma redução de 49,4%, nesses onze anos, no Rio Grande do Norte o aumento da taxa de homicídios de jovens foi de 292,3%.
Os homens jovens continuam sendo as principais vítimas: mais de 92% dos homicídios acometem essa parcela da população. Em Alagoas e Sergipe a taxa de homicídios de homens jovens atingiu, respectivamente, 233 e 230,4 mortes por 100 mil homens jovens em 2015.
Muitos sociólogos comparam esses dados, como por exemplo, o fato de que nesses mesmos dados de 2015 foram contabilizados apenas cerca de 15 mil mortes violentas de não-negros/pardos, ao passado escravocrata do país. Mas além dessa comparação ser descriminatória, causar uma falsa ilusão de “apartheid racial” no Brasil (coisa que não se há, visto que a imensa maioria do país é mestiça e não-racista) e minimizar a tragédia das vítimas simplesmente pela cor de sua pele (um tremendo racismo), temos que ter em mente que a visão da “sociedade escravocrata brasileira” hoje é muito distorcida, visto que a posse de escravos no país sempre foi reservada a um ínfima minoria aristocrata ou empresarial que de modo algum se relacionava com a realidade do brasileiro médio em qualquer período histórico, que assimilou o negro, o branco e o índio. Brancos esses que, em sua maioria, historicamente, também eram parte pobre, porém ativa do povo.
Hoje em dia, a esmagadora maioria dos brancos no Brasil, nada tem haver com os aristocratas e empresas que monopolizavam em larga escala a mão de obra negra-subsaariana escrava no Brasil do século XIX, visto que é ela diretamente descendente da continua e massiva imigração europeia e asiática ocorrida da metade do século XIX para a primeira do XX, substituindo em grande maioria a mão de antiga mão de obra escrava por trabalho assalariado ou arrendado (visto a abolição legal da escravatura no país).
Portanto, a camada pobre no país, descendente dos antigos escravos e dos imigrantes colonos pobres, e dos outros (nativos) que o país já possuía, formam hoje a imensa maioria da classe média baixa, pobre e miserável do país.  Caso não, quando foi que você viu um assaltante não fazer nada a alguém por ela ser branca?
O nascimento e crescimento do Narco-estado
Um dado interessante é que apenas 2% dos municípios brasileiros (111) respondiam, em 2015, por metade dos casos de homicídio no país, e 10% dos municípios (557) concentraram 76,5% do total de mortes.
Bruno Paes Manso estuda há quase duas décadas as dinâmicas da criminalidade no Brasil. Jornalista e hoje pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, Bruno passou a se interessar profundamente pelo assunto quando começou a perceber a redução abrupta dos assassinatos em São Paulo. Até os anos 2000, São Paulo era a campeã brasileira em assassinatos.
Em 1999, o estado paulista registrava mais de 15 mil homicídios, quase o dobro do Rio de Janeiro. Tinha 44 mortes por 100 mil habitantes, ocupando a quinta posição entre os estados do país. A partir daquele ano iniciou uma redução abrupta dos homicídios, até se tornar o estado do país com o menor índice de mortes por 100 mil habitantes do Brasil em 2015, com 12 mortes por grupo de 100 mil. Em números absolutos os homicídios despencaram para cerca de 5 mil mortes.
A resposta encontrada por Bruno e por outros pesquisadores da violência estava naquela que seria a maior organização criminosa do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Nascido após o massacre de 111 presos na Penitenciária do Carandiru pela Polícia Militar de São Paulo, o PCC surgiu com ideais de  autodefesa. A ideia era unir o mundo do crime contra o chamado sistema e impedir que situações como o Carandiru voltassem a ocorrer.
“Houve uma pacificação nas cadeias, já não era permitido oprimir o mais fraco, havia uma espécie de sistema judicial que controlava a vida no sistema prisional”, conta Bruno. Logo, o PCC passou a também atrair bandidos que estavam nas ruas. Uma irmandade do crime nascia em São Paulo e logo ela se tornou hegemônica nas ruas da cidade e de todo o estado.

“O código de conduta das prisões foi para as periferias. Já não se podia ajustar as contas com um inimigo sem o aval do PCC, já não se podia roubar determinadas áreas sem o aval do “Partido”. 

O resultado foi uma redução profunda nos crimes de vingança que marcaram toda a década de 80 e 90 em São Paulo. Agora, para matar era preciso de autorização.
Foi a partir de meados da primeira metade da primeira década do ano 2000 que o PCC iniciou um processo de nacionalização que inciaria uma guerra nas periferias abandonadas pelo Estado e intregues aos grupos de traficantes organizados.
O grupo passou a focar seus esforços no comércio e distribuição de cocaína. Para expandir o mercado, passou a se aliar a facções locais, que por sua vez tentavam repetir localmente o sucesso do grupo em São Paulo. As facções cariocas, em especial o Comando Vermelho, que já haviam iniciado um processo de nacionalização, se sentiram ameaçadas. Logo uma disputa de poder começou a se dar em áreas de grande crescimento do consumo de drogas, como no Norte e no Nordeste do país.
“Esse é um período de expansão econômica e do consumo, é o momento em que o Brasil passa a se tornar o segundo maior consumidor de cocaína e derivados do mundo”, conta Bruno, que atribui à estratégia do governo em concentrar em prisões federais os líderes regionais do crime em um incentivo à nacionalização. “As redes de contato se ampliaram.”
Em 1999 o Sudeste brasileiro produzia 26 mil mortes violentas, enquanto o Nordeste tinha pouco mais de 8 mil homicídios registrados. Cerca de dez anos depois, a região conhecida por suas praias paradisíacas e pelo grande sertão já contava mais mortes que a parte mais industrializada do país. Em 2016, foram quase 25 mil assassinatos. Boa parte deles, dentro da dinâmica um dia experimentada por São Paulo.
Os estados que apresentaram crescimento superior a 100% nas taxas de homicídio no período analisado estão localizados nas regiões Norte e Nordeste. O destaque é o Rio Grande do Norte, com um crescimento de 232%. Em 2005, a taxa de homicídios no estado era de 13,5 para cada 100 mil habitantes. Em 2015, esse número passou para 44,9. Em seguida estão Sergipe (134,7%), Piauí (54,0%) e Maranhão (130,5).
Um dos maiores exemplos atuais desse quadro acontece no estado do Ceará, onde nesse ano (2018) já foram registrados 482 homicídios só em Janeiro (200 somente nos primeiros 11 dias desse ano). O número é 38,1% maior que em janeiro de 2017, quando ocorreram 349 mortes violentas, atrás apenas outubro de 2017, quando ocorreram 516 crimes letais. O maior número de mortes foi em Fortaleza, onde ocorreram 164 homicídios em janeiro. Nos indicadores gerais de violência, a capital cearense ocupa o vergonhoso 12° lugar entre as piores cidades do mundo para se viver. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, é o menor índice na capital cearense nos últimos nove meses. O número de assassinatos na faixa etária de 16 e 17 anos supera a de países em guerra.
Desse quadro, apenas Pernambuco e Espírito Santo reduziram a taxa de homicídios para 20% e 21,5%, respectivamente.
Intervenção militar no Rio de Janeiro
Houve um aumento no número de Unidades da Federação que diminuíram a taxa de homicídios depois de 2010. Especificamente nesse período, as maiores quedas ocorreram no Espírito Santo (27,6%), Paraná (23,4%) e Alagoas (21,8%). No sentido contrário, houve crescimento intenso das taxas entre 2010 e 2015 nos estados de Sergipe (77,7%), Rio Grande do Norte (75,5%), Piauí (54,0%) e Maranhão (52,8%). Ao passo que a pesquisa do Atlas 2017 também apontou uma difusão dos homicídios para municípios do interior do país.
O Rio de Janeiro diminuiu respectivamente de 48,2%, para 36,4% e chegou a 30,6%. Uma média que, apesar de violentíssima, não se compara aos estados apontados nas pesquisas em crescimento da violência e do Narco-estado. Então podemos crer que a intervenção militar não tem fins de controle a violência, mas sim de propaganda política, pois caso fosse esse o critério, quase todos as principais cidades do país deveriam estar sobre intervenção militar, por suas taxas extremamente mais elevadas. Entretanto não é oque acontece.
Política corrupta e Crime organizado. Exemplos recentes
Há décadas estudando a ação de organizações criminosas, o desembargador aposentado Wálter Maierovitch (2) diz que o fortalecimento da maior facção brasileira, o Primeiro Comando da Capital (PCC), e o acirramento de conflitos entre gangues nos Estados podem influenciar nas eleições deste ano, mas de uma forma muito mais direta.
Em entrevista à BBC Brasil desse ano, ele diz que há relatos de que o PCC patrocina eventos de igrejas na periferia de São Paulo. Afirma ainda que facções criminosas têm interesse em se infiltrar no poder político para costurar acordos que reduzam a repressão policial em certas áreas. Segundo ele, um acordo desse tipo já vigora na periferia de São Paulo.
A questão de que facções influenciem o resultado da eleição deste ano já foi mostrada até por um dos maiores acusados popularmente de corrupção no país, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes e pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Sérgio Etchegoyen. Ambos têm dito que o fim da possibilidade de que empresas façam doações eleitorais abram espaço para que o crime organizado financie candidatos por fora. 
A declaração de Gilmar Mendes foi feita em 2014, quando justificava o seu pedido de vista no julgamento no STF de ação direta de inconstitucionalidade que discute o financiamento de campanha política por meio de empresa privada. No primeiro parágrafo, foi até retirada frase que menciona condenados do mensalão.
Mendes disse que partidos que têm base controlam movimentos sociais e podem receber dinheiro de caixa dois. “Mas eles precisam de que? Precisam de CPF. Nós vimos recentemente, nesse episódio das doações (a condenados no mensalão), que foram feitas. Em um minuto, dois minutos, dez minutos, conseguem R$ 600 mil em doações. Alguém acredita que isso de fato se dá de maneira transparente? É por que há um movimento de cidadania? Ou uma outra forma de desvio? Essa mesma prática vai se traduzir para esse tipo de movimento”, disse.
De que o Primeiro Comando da Capital (PCC) está agora colocando um pé na política, as autoridades competentes e especialistas não têm dúvidas. Nas eleições deste ano a facção investirá recursos e material humano para apoiar candidatos simpáticos ao sistema prisional.
O principal indício da busca de espaço político está em um pequeno trecho da denúncia formalizada contra a cúpula da facção, no ano passado, pelo Ministério Público de São Paulo. As decisões foram tomadas pelos líderes (3), presos em Presidente Venceslau, e estão documentadas em quase 900 páginas do inquérito, onde sobram evidências de que o PCC – conforme escrevem os promotores com base em transcrições de conversas telefônicas – busca “aproximação com políticos e autoridades”.
O candidato seria um homem ou uma mulher vinculado à “sintonia dos gravatas”, que é como eles chamam os advogados que trabalham para a facção. Os presos avaliam que o importante é não dividir forças e recomendam o envio de um “salve”, ordenando que todos os detentos provisórios com direito a voto se unam em torno do candidato recomendado. A mesma ordem também vale para as favelas onde o PCC tem influência. Uma espécie de “nova fase”. A facção já havia dominado os presídios, expandido sua influência para as regiões pobres da periferia e providenciado fachada legal para os lucros do crime.
Em 2014, depois de duas décadas de existência, a política daria um lustre à facção.
No caso de São Paulo, embora seja visível que PT e PSDB estejam ensaiando uma disputa em que PCC deve ser o mote, a exploração do tema pode ser ruim para os dois – em especial aos tucanos, em cujo governo a facção floresceu e se consolidou.
Representante da Polícia Militar, o deputado Major Olímpio (PDT) diz que é difícil mensurar números, mas não tem dúvidas de que na Grande São Paulo e em municípios do litoral há prefeitos e vereadores eleitos com o apoio do PCC. Segundo ele, se as instituições são reconhecidamente impotentes para barrar o avanço da organização no crime, mais difícil ainda é estabelecer um filtro para não contaminar a política:

Essa organização cresce graças à conduta omissiva do governo e do judiciário. O preocupante é a infiltração do PCC nas instituições. Os criminosos entram em concursos públicos até na polícia e financiam candidatos em todos os níveis, havendo preocupação com infiltração inclusive nas Forças Armadas, mas o governo não quer assumir que perdeu o controle dos presídios e da violência”.

No ano de 2014, em SP, uma operação da Polícia Civil prendeu 39 integrantes do PCC e descobriu o envolvimento de 30 policiais – a maioria militares – com a organização.
A dificuldade da Justiça em fechar as portas da política para criminosos está na Constituição, que não permite a impugnação de candidaturas sem que a sentença seja definitiva. Pela tradicional lentidão da Justiça, a conclusão, com a inelegibilidade, ocorre normalmente quando o eleito já cumpriu o mandato.
Nesse mesmo ano de 2014, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassou o mandato do suplente de deputado federal pelo PSC Claudinei Alves dos Santos. Conhecido por Ney Santos, ele foi indiciado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, adulteração de combustível, sonegação fiscal e acusado pelo delegado Raul Godoy Neto, atualmente lotado no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), de ligações com o PCC.
Ney Santos em protesto “Fora Dilma” e em foto do Geraldo Alckmin (PSDB)
Apesar disso, Santos, vereador em São Paulo, é um político livre. Antes ele chegou a ser detido poucos dias antes do pleito de 2010, mas negou, foi liberado, disputou e conquistou uma suplência na Câmara. Dois anos depois, elegeu-se o vereador de Embu das Artes, o mais bem votado em São Paulo, com apoio do tucano Alckimin.
Em 1999, aos 19 anos, Ney Santos foi condenado por receptação e formação de quadrilha.
Em 2003, foi preso pelo roubo de malotes de uma transportadora de Marília, no interior paulista, em cuja ação atuou armado com uma metralhadora 9 milímetros. Ficou três anos preso e, entre 2006 e 2010, construiu uma fortuna estimada pelas autoridades em R$ 100 milhões. O motivo da cassação da suplência foi a compra de votos por combustível na eleição de 2010 e não as supostas relações com a facção ou com o assalto no interior paulista. A decisão tornou Santos inelegível por oito anos, mas não mexeu no seu mandato de vereador de Embu, onde também responde por compra de votos.
Graças a manutenção de um habeas corpus concedido pelo STF, um homem que o MP tem certeza ser integrante do PCC poderá voltar a assumir a prefeitura de Embu das Artes, cidade de 240 mil habitantes da grande São Paulo. A trajetória de Claudinei Alves do Santos, o Ney Santos (ou Ney Gordo no submundo do crime), é um case de fracasso das instituições brasileiras.
Do Ceará a São Paulo, exemplos de narco-Estado
O sinal mais evidente da importância do Ceará nas operações do grupo era que o controle da quadrilha no Estado estava nas mãos de Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão caçula de Marcos Willians Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC. Alejandro Herbas foi preso em março pela Polícia Federal. Considerado o “CEO” da organização, Herbas é o principal nome depois de Marcola. Além de cuidar de perto dos negócios na Região Nordeste, ele dava as cartas em todas as ações do PCC nos demais Estados. Segundo os investigadores cearenses, ele coordenava uma intrincada rede de empresas de fachada usadas para lavar a fortuna originada do tráfico de drogas, assaltos a bancos e das mensalidades cobradas dos presos, chegando a viver uma vida extremamente rica e obter um patrimônio milionário.
Os policiais envolvidos no monitoramento da organização descobriram que a quadrilha, sob as ordens de Herbas, trabalha para eleger 10 prefeitos e 50 vereadores no Ceará. Com a proibição do financiamento por empresas privadas, o PCC se projeta como uma importante força para irrigar as campanhas. Os alvos do PCC são as disputas pela prefeitura de Mombaça, Caucaia e Itatira. A polícia não identificou quem é o candidato do PCC. Atualmente, as pesquisas apontam a liderança do deputado estadual Naumir Amorim (PMB) (foto ao lado), do qual parlamentar apresenta uma folha corrida de 148 processos, entre os quais dois por homicídio. O clima político em Caucaia está tão conflagrado que nos últimos meses os opositores a candidatura de Amorim têm sofrido uma série de ameaças. O coordenador de campanha do PSDB, Marcos Correa, foi alvo de três tentativas de sequestro em 60 dias.
A ausência de tudo que é vital a um país gera todo esse quadro
A ausência de um governo nacional, que procure abarcar o país, em suas diferenças, regionais e culturais, que procure os principais problemas econômicos, políticos, estruturais e educacionais deixa espaço para todo tipo de “anarquia”, isso é, quando as esferas de poder começam a fragmentar-se, não em suas diferenças nacionais, mas pela luta de controle político e econômico, onde o prêmio é ser o “vassalo-mor” do sistema internacional financeiro.
A “Direita”, neoliberal e auto-proclamada defensora do “conservadorismo” usa a retórica de “menos Estado”, mas qual Estado que existe no Brasil? Esse mesmo Estado só é máximo no que diz respeito aos interesses do mesmo para com o próprio poder internacional, sendo sempre obediente para com os juros da dívida interna-externa, drenando todos os recursos, tudo que se é produzido, deixando qualquer esfera de poder político em estado de subserviência, onde nem mesmo se tivéssemos uma boa classe política, seria possível, com os recursos que nos ficam, realizar um contorno da situação calamitosa de corrupção e narcotráfico a qual o poder brasileiro está submetido, onde facções burocráticas, organizações de narcotráfico e de influencia corporativa facilmente se apoderam dos pontos chave de controla da nação, enquanto o povo, sem representatividade, acuado, desarmado, desinformado e iludido não tem outra alternativa se não acuar-se.
Sem comentários para a política corrupta nacional
A “Esquerda”, progressista e e auto-proclamada defensora do social, seguindo como sempre fez, a agenda neoliberal em sua escalada mais militante de destruição da sociedade, aponta para as mesmas forças corrompidas e desgastadas do Estado corroído pela máfia financeira internacional e complementa sua agenda na linguagem do povo defendendo tudo de mais nocivo a uma sociedade saudável, bradando de forma confusa contra qualquer injustiça que lhes convenha, sem apontar nomes nem impôr soluções definitivas.
A única alternativa viável ao Brasil não é o Estado máximo nem mínimo, mas o necessário! Um Estado forte, moral e nacionalista com viés social que traga a sociedade, o popular, as forças de controle do Estado, substituindo as corporações e facções de políticos corruptos que se alimentam do narcotráfico e do capital financeiro internacional. Criando as associações de autoridade necessárias para o manejo de forma, o Estado poderá ter alguma chance de agir, revertendo esse quadro.
Notas:
(1) – O estudo analisa os números e as taxas de homicídio no país entre 2005 e 2015 e detalha os dados por regiões, Unidades da Federação e municípios com mais de 100 mil habitantes.
 
(2) – Cidadão brasileiro e italiano, Maierovitch foi candidato a deputado na eleição para o Parlamento italiano, em março desse ano. Ex-professor de Direito Penal da Universidade Mackenzie (SP), Em 1993, fundou o Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais. O órgão foi batizado em homenagem ao principal juiz da Operação Mãos Limpas, que combateu a rede de corrupção entre grupos mafiosos e políticos italianos nos anos 1990, que foi morto em 1992 a mando da Cosa nostra, a máfia siciliana, ao viajar por uma estrada forrada com dinamite.


(3) – Dentre os quais, em diálogo de agosto de 2010, um deles era um judeu, também conhecido por Cego (Daniel Vinicius Canonico).


Veja Também

Referencias:
 
 

PCC financia igrejas e pode influenciar eleição, diz ex-desembargador

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