Caveira Negra: O Que Promete a Política Externa de Bolsonaro?

O blogueiro Helio Gurovitz escreveu em sua coluna: “As relações internacionais trarão para a mesa de Bolsonaro um cardápio mais sofisticado e desafiador que o café-da-manhã que ele ofereceu ao assessor de Trump John Bolton”. E está correto.

Convidado por Michel Temer a acompanhá-lo na reunião do grupo das 20 maiores economias do planeta, o G-20, em Buenos Aires,  Bolsonaro preferiu não ir. Em vez disso, recebeu em casa o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton.
O assessoro convidou para visitar seu presidente, Trump. Em resposta, Bolsonaro diz que deverá fazer sua primeira viagem a países deste continente, entre eles Paraguai, Argentina e Chile (talvez).  Uma mudança, já que logo depois de eleito, disse que seus primeiros destinos fora do Brasil seriam Estados Unidos, Chile e Israel, visto como prioridade nas da política externa brasileira de acordo com as inclinações pessoais e de assessoria do novo presidente. Algo que não é incomum dos anteriores, diga-se de passagem, sendo que a única diferença é o apoio fanático que sua gestão vê no cartel anglo-sionista.
Mercosul
Uma dúvida muito grande está na relação que o novo governo terá com o bloco econômico do Mercosul. A integração regional tem sido prioritária de todos os governos desde o final da gestão militar (1964 – 1985). Desde que Brasil e Argentina abriram mão dos seus projetos nucleares, agradando as potências do Norte, voltar-se para o Mercosul tem sido estratégico, apesar de pouco desenvolvido e muito negligenciado pelos nossos governos vassalos de interesses exteriores, além de ser um dos principais destinos das exportações nacionais.
Quando Macri na Argentina e Temer no Brasil assumiram as cadeiras de chefia do Executivo, houve uma andada nas negociações do bloco sul-americano para as questões comerciais, dados os liberais que são, uma vez que muito se apontava para que as relações dentro do Mercosul estavam tornando-se mais político-ideológicas do que econômicas, mas que venhamos e convenhamos, um bloco unido deve discutir tudo.
Discordâncias aparte, a intenção era de estreitar os laços com a União Europeia. Entretanto, declarou ontem o presidente da França, Emmanuel Macron, em Buenos Aires para a reunião do G-20, que o acordo com a UE não sairá se Bolsonaro porventura decidir retirar o Brasil do Acordo de Paris sobre o clima Bolsonaro já afirmou ter desistido de abandonar o Acordo de Paris. Mesmo assim, anunciou a desistência brasileira de abrigar a próxima reunião da ONU sobre o clima, a COP-25. O novo chanceler, Ernesto Araújo, vê as mudanças climáticas como um dogma imposto pelo “globalismo” e pelo “marxismo cultural”.
E enquanto se esperam acordos entre as duas potências China e EUA, como será que a gestão Bolsonaro irá se posicionar na disputa entre China e Estados Unidos, dois dos maiores destinos de nossas exportações?
Essas são as questões da política externa brasileira, para a Ásia, região que mais cresce no planeta, o acesso condicionado ao mercado europeu e a vassalagem norte-americana. Ao passo que
Olavismo de governo?
Bernardo Mello Franco, colunista de O Globo, apontou o seguinte em sua coluna:

“O lobby evangélico bateu na trave (ao apoiar Guilherme Schelb). À noite, Bolsonaro anunciou a nomeação de Ricardo Vélez Rodríguez. Apresentou-o como ‘filósofo autor de mais de 30 obras, atualmente professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército’. Esqueceu de apontar o pai da indicação: o ideólogo e polemista Olavo de Carvalho.

Ao que parece, o guru da Direita Kosher, ultra-sionista e fervoroso defensor de um judaico-cristianismo neoliberalismo e entreguismo, além de falso intelectual, ex-comunista Olavo de Carvalho teria indicado Ernesto Araújo nas Relações Exteriores e “apadrinhado o ministro da Educação. Ao que terminou dizendo, “O olavismo passou de piada a doutrina oficial de governo. Parece ser a hora de adaptar um lema de outros tempos: ‘Chega de intermediários, Olavo para presidente!’.
Israel
Embora nada confirmado ainda, o novo governo mantém a intenção de mudar a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém e de se aproximar do governo Trump cada vez mais. Um vislumbre disso nos foi dado agora…
O filho de Bolsonaro, deputado federal Eduardo Bolsonaro, em visita política aos Estados Unidos, em Washington D.C., onde teve contato com Jared Kushner (grande apoiador da causa sionista), conselheiro sênior da Casa Branca e genro do presidente estadunidense e posou para fotos trajando um boné da campanha de Trump em 2020, confirmou em Washington que a embaixada brasileira em Israel será transferida de Tel Aviv para Jerusalém.
A questão é que a decisão que flagrantemente contraria as resoluções da ONU segundo as quais o status final da cidade deve ser decidido em negociações com os palestinos, só mostra quem está no controle da ordem mundial do dólar. – “A questão não é perguntar se vai, a questão é perguntar quando será” -, afirmou Eduardo.
A declaração do presidente sobre a mudança fez com que o Egito cancelasse viagem de delegação brasileira para o país. Ao passo que disse não ver “crise nenhuma” nisso, pois que “quem não foi para o Egito foi o chanceler Aloysio Nunes. Todo o corpo empresarial que estava previsto foi, inclusive a pedido das autoridades egípcias”, disse.
Ao ser questionado sobre as cobranças do agronegócio, que teme perder espaço na exportação para países árabes, o deputado afirmou que “todo mundo conhece Jair Bolsonaro” e “ele falou bastante isso na campanha” – sobre a mudança da embaixada.  “Se isso pode interferir alguma coisa no comércio, temos que ter alguma maneira de tentar suprir caso venha a ocorrer esse tipo de retaliação. E eu acredito que a política no Oriente Médio já mudou bastante também. A maioria ali é sunita. E eles veem com grande perigo o Irã. Quem sabe apoiando políticas para frear o Irã, que quer dominar aquela região, a gente não consiga um apoio desses países árabes”, afirmou Eduardo.
Os países árabes estão entre os maiores clientes do agronegócio brasileiro. Até setembro deste ano, o Brasil exportou US$ 13,4 bilhões para o bloco, com um superávit de US$ 2,98 bilhões.
Além de Kushner, Eduardo almoçou com empresários da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. No encontro, fechado à imprensa, fez várias menções ao futuro ministro da economia, Paulo Guedes, e disse que as áreas de prioridade serão Reforma da Previdência e Segurança.
O detalhe que chamou a atenção da imprensa, que foi o boné “Trump 2020”, segundo Eduardo, escrito “Make America Great Again” (‘Vamos fazer a América Grande de Novo’) bordão de Trump na campanha, lhe foi dado “pelos apoiadores que estavam lá” para pousar para foto.
Fontes de notícia: O Globo / O Globo / G1 / Estadão
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