Caveira Negra: Banqueiros na política brasileira atual – nem tudo é “novo” como parece

A influência dos banqueiros na política financiando partidos no Brasil, especialmente àqueles que têm maior chances de vencer uma eleição, não é novidade. Se no mundo isso existe desde a ascensão da atividade bancária na Idade Média, no Brasil ela deixou seus rastros mais significativos já no Império e na República Velha – sendo que na República Nova isso não é diferente…

A participação direta dessa classe na vida partidária de hoje mostra que o setor financeiro pretende consolidar ainda mais a sua hegemonia no país. Ter o dono do banco virtual Original, o “queridinho de Wall Street” para a economia brasileira, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil (BCB) de 2003 a 2011, durante o governo Lula-e Dilma (2002 – 2016) e à frente do Ministério da Fazenda do governo Temer (2016 – atual) entre 2016 e esse ano, quando saiu para concorrer a presidência pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro, cuja diferença com o PMDB é nula) e o sócio executivo do Itaú, o israelense naturalizado brasileiro, Illan Goldfajn, que hoje está na direção do Banco Central, não parece ser o suficiente para as ambições e pretensões dos banqueiros. 
Dado os fatos recentes dos últimos anos que abalaram a credibilidade dos partidos políticos mais entreguistas – dentre a quase totalidade dos partidos políticos brasileiros -, como a Operação Lava-Jato, mensalão, mensalão tucano, etc., os partidos fundados ou movimentos pelos agentes do “banqueirismo” internacional no Brasil mudaram nessa décadas para outras estratégias e caras novas, mas com a mesma boa e velha política exploratória e de submissão do Estado nacional. Talvez, temendo ficar sem uma representação partidária capaz de disputar com chances reais a eleição presidencial em 2018 e principalmente efetuar as exigências impostas a muito pelo Poder Financeiro Mundial.
Itaú Unibanco e seu “Partido Novo”
O partido NOVO, que disputa as primeiras eleições presidenciais, lançando seu sócio fundador, de novo só tem o nome, pois possui velhas propostas neoliberais, como: o mercado e não o Estado “como provedor do bem-estar social”; a redução dos gastos públicos em políticas sociais; e o discurso de que é a “livre iniciativa” (o grande capital) é que pode garantir a “igualdade de oportunidades” e a “inclusão social” e o “Estado mínimo”, o partido deixa claro que tem lado: o do mercado, do grande capital, dos interesses do sistema financeiro e dos especuladores, dos que defendem a redução de gastos públicos na área social e os ataques aos direitos dos trabalhadores e querem privatizar tudo, chamando de “avanço” o retrocesso que já é praticado no Brasil há décadas.
Não é por acaso que os maiores financiadores da “nova” sigla, segundo matéria publicada no Valor Econômico, são do grupo Itaú Unibanco. Sem lideranças e alternativas suficientes para vencer as eleições de 2018, parece que o Itaú assim como todo o sistema financeiro resolveram criar suas próprias legendas diretas para garantir hegemonia política em número e influência. E, para driblar a atual legislação que proíbe financiamento de pessoa jurídica aos partidos, os caciques do banco Itaú bancam, em peso, os custos da “nova” agremiação.
Quando fundado, em 12 de fevereiro de 2011, as despesas ligadas à criação do partido, de cerca de R$ 5 milhões. Quantia a qual seu fundador, João Dionísio Amoêdo  arcou em R$ 4,5 milhões, vindo o resto de importantes doações, como as de Pedro Moreira Salles (R$100 ou 150 mil) e Cecília Sicupira, mulher do empresário Carlos Alberto Sicupira (R$250 mil). Entre outros principais estão nomes como: Jayme Garfinkel (R$250), Eduardo Mazzilli (R$100 mil), Fernão Bracher (R$50 mil), Israel Vainboim (R$25 mil) e Fábio Barbosa (R$15 mil). Sem contar o apoio, segundo à revista Época, do ex-ministro do Banco Central do Brasil Armínio Fraga, do Banco Gávea Investimentos.
Mas quem são eles e qual sua exata relação com o Itaú Unibanco?
Iniciando na carreira bancária como trainee do Citibank nos anos 80, desde então, João Amoêdo se tornou diretor executivo no Banco BBA-Creditansalt S.A. Em 1999, assumiu a gestão da financeira do banco, a Fináustria. A valorizou, como parte do acordo para gerir a financeira, João adquiriu 23% das ações da empresa e em 2002, foi vendida por 4 vezes o seu valor patrimonial para o Banco Itaú. Em 2004, Amoêdo foi convidado para assumir a vice-presidência do Unibanco.
Em 2005, foi eleito membro do conselho de administração do Unibanco, e, em 2009, foi eleito membro do conselho de administração do Itaú-BBA, cargo que ocupou até 2015. 
Atualmente é membro do Conselho de Administração da João Fortes, função que ocupa desde 2011, Sócio do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças (IEPE/CdG) e até dezembro de 2017, foi colunista do jornal Folha de S.Paulo. 
Nesse meio tempo ele foi um dos fundadores do partido Novo (2011) e em 2015 virou seu presidente, deixando-a em 2017 a cargo de Ricardo Coelho Taboaço para concorrer a presidência esse ano.
Embora Amoêdo afirme que não é nem nunca foi funcionário do Itaú e negue que o partido político seja propriedade indireta de um banco privado, ao qual logicamente defende interesses econômicos próprios, é bom ressaltar que durante toda sua carreira o Itaú esteve presente. O Itaú foi comprou o Banco BBA-Creditansalt S.A, a Fináustria e, desde 2008, Itaú e Unibanco tiveram sua fusão. Nunca houve aproximação entre ambos quando do ingresso de Amoêdo para a política?
Quando saiu da presidência para concorrer, Amoêdo deixou o partido à cargo de dois dos fundadores do Novo, Ricardo Coelho Taboaço, membro do TNA Gestão Empresarial e sócio-diretor do Grupo Icatu e vice-presidente do Citibank e atualmente, Moisés dos Santos Jardim, diretor financeiro do Unibanco desde 2005/2006 e atualmente, diretor de financiamento de veículos e hipotecas desse banco.
Pedro Moreira Salles, nascido em Washington, é herdeiro de uma das maiores fortunas do Brasil, foi listado pela revista Forbes, em 2016, entre os 70 maiores bilionários do país. O banqueiro é o atual Presidente do Conselho de Administração do Itaú Unibanco.
Cecília de Paula Machado Sicupira é esposa de do carioca Carlos Alberto Sicupira (Beto).  O quarto homem mais rico do Brasil e o 124º do mundo, segundo a Forbes em agosto de 2014, atuando em vários setores, principalmente nos setores de bebidas e varejo (como exemplo, a companhia belga-brasileira Anheuser-Busch Inbev, a maior cervejaria do mundo) junto de seus sócios Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles.
Jayme Brasil Garfinkel, fundador, presidente e conselheiro administrativo da Porto Seguro Seguros, a maior empresa de seguros no Brasil, que segundo a Revista Forbes, em 2017, a trigésima pessoa mais rica do Brasil. 
Eduardo Mazilli de Vassimon é Vice-presidente do conselho de administração do Banco Itaú Unibanco e BBA. 
Fernão Carlos Botelho Bracher, banqueiro brasileiro presidente do Banco BBA e Vice-presidente do conselho de administração do Banco Itaú, foi o décimo presidente do Banco Central do Brasil, durante o governo Sarney. 
Israel Vainboim é ex-presidente do Unibanco e conselheiro financeiro. 
Fábio Colletti Barbosa é ex-presidente do Grupo Santander Brasil, da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e do Grupo Abril S/A. Atualmente é conselheiro Itaú Unibanco, Natura e OSESP, por exemplo. Ele foi cotado para as eleições à prefeitura de São Paulo em 2016. 
Atualmente, existe uma “Fundação Novo”, que é uma think tank ligada ao Partido Novo que tem com objetivos oficiais divulgados de: 
➤Elaborar propostas para programas de governo; 
➤Desenvolver estudos de políticas públicas; 
➤Conduzir atividades de educação política; 
➤Realizar convênios e parcerias com outras instituições no Brasil e no exterior. 
Ela é presidida presidida por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, um dos formuladores do Plano Real, filiado ao PSDB por 28 anos, de 1989 a 2017, e atualmente é estrategista-chefe da Rio Bravo Investimentos e presidente do Instituto Millenium.
Itaú, Unibanco, BBA e CityBank… as mesmas empresas, os mesmos donos, a mesma mesa de negociação e o mesmo DINHEIRO. Logo, os mesmos objetivos. Será que esses objetivos incluem melhorar a sua vida, brasileiro?
Afinal, os bancos são apenas instituições sociais privadas. Poxa, se os banqueiros, grandes administradores assumissem o país, não teria essa história de país quebrado…

…porque “banqueiro”, como diz o líder dos conservadores-liberais patrióticos, é apenas uma profissão qualquer…

…e o padrão de vida alto são fatores importantes para eles pois são geradores de consumo e dinheiro, fazendo a economia girar, como diz “mão invisível do mercado”…

Essa é a verdadeira cara do “novo” partido que é composto de antigas ideias anti-povo e anti-nação e tem como “sangue na veia” dinheiro dos velhos figurões.
—————————
Fontes de pesquisa:
SINDICATO DOS BANCÁRIOS E FINANCIÁRIOS DE SÃO PAULO, OSASCO E REGIÃO. “Itaú cria seu partido e quer disputar a presidência”. Disponível em: <http://spbancarios.com.br/10/2016/itau-cria-seu-partido-e-quer-disputar presidencia>. Consultado em 01 de setembro de 2018.
VALOR ECONÔMICO. “Maiores financiadores têm origem no Itaú Unibanco”. Disponível em: <https://www.valor.com.br/politica/4727663/maiores-financiadores-tem-origem-no-itau-unibanco>. Consultado em 01 de setembro de 2018.
EXAME. “Dilma honra palavra de Lula e dá vaga a Meirelles”. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/dilma-honra-palavra-de-lula-e-da-vaga-a meirelles>. Consultado em 01 de setembro de 2018.
UOL NOTÍCIAS ECONOMIA. “Presidente do Banco Central filia-se ao PMDB”. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/politica/2009/09/30/ult5773u2624.jhtm>. Consultado em 01 de setembro de 2018.
O GLOBO. “Ilan Goldfajn: excelência acadêmica e tranquilidade no comando do BC”. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/economia/ilan-goldfajn-excelencia-academica-tranquilidade-no-comando-do-bc-19297739> . Consultado em 01 de setembro de 2018.
ISTOÉ DINHEIRO – UOL TERRA. “Troca de guarda no Banco Central”. Disponível em: <https://www.istoedinheiro.com.br/noticias/economia/20160513/troca-guarda-banco-central/372961>. Consultado em 01 de setembro de 2018.

BBC NEWS BRASIL. “Candidato do Novo, João Amoêdo defende privatização de todos os serviços públicos do país”. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43931263>. Consultado em 01 de setembro de 2018.

VEJA. “Partido Novo anuncia troca na presidência”.Disponível em: <https://veja.abril.com.br/blog/radar/partido-novo-anuncia-troca-na-presidencia/>. Consultado em 01 de setembro de 2018.

ÉPOCA. “João Dionísio Amoedo: ‘A gente quer acabar com os privilégios'”Disponível em: <https://epoca.globo.com/tempo/eleicoes/noticia/2014/09/bjoao-dionisio-amoedob-gente-quer-acabar-com-os-privilegios.html>. Consultado em 01 de setembro de 2018.
GAZETA DO POVO. “GUSTAVO FRANCO SERÁ PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO NOVO”. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/gustavo-franco-sera-presidente-da-fundacao-novo>. Consultado em 01 de setembro de 2018.
ESTADÃO. “Gustavo Franco deixa o PSDB e se filia ao Partido Novo”. Disponível em: <https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,gustavo-franco-deixa-o-psdb-e-se-filia-ao-partido-novo,70002019141>. Consultado em 01 de setembro de 2018.
EXAME. “Fundo de George Soros sai de Santander e compra Itaú-Unibanco”. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/mercados/fundo-de-george-soros-sai-de-santander-e-compra-itau-unibanco>. Consultado em 01 de setembro de 2018.
————————————————————-
Veja Também:


O www.osentinela.org é um projeto de mídia informativa de viés nacionalista e tradicionalista brasileiro mantido pela própria equipe, escrevendo, editando e atualizando de forma pontual, além dos nossos leitores e seguidores de nossas mídias sociais.

O conteúdo sempre será livre e de forma gratuita, mas se você quiser incentivar esse projeto, poderá fazer com qualquer valor. Assim, estará sendo VOCÊ o financiador daqueles que acreditam na causa nacional.


Outras formas de doação? Entre em contato: osentinelabrasil@gmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *