As considerações de Jung sobre Hitler

Carl Gustav Jung teve, por certo, dentro de sua área de atuação, uma interpretação dos tipos psicológicos humanos deveras mais interessante e aceitável que a sexualidade em Freud ou a inferioridade em Adler. Em questão dos sonhos, por exemplo, ou mesmo de nossas ações, conscientes ou inconscientes, o suíço passou a compreendê-las enquanto conseqüências de uma força arquetípica, ancestral, pois o homem não tem senão de milhões de anos.
A postura de Jung com relação ao fenômeno nacional-socialista de sua época, deve ser dividida em duas: a primeira, fruto da onda de entusiasmo, do inconsciente coletivo, dos progressos palpáveis e visíveis da nova Alemanha; e uma segunda, de um Jung já pressionado, tanto pela posição-chave ocupada em sua área, como por germânico, sendo vítima da propaganda de guerra, que passa a identificar Hitler como alguém dono de uma força demoníaca.
Em 21 de Junho de 1937, Jung, já a ocupar a Presidência da Sociedade Médica Internacional para Psicopatia, responde a uma entrevista na chamada Radio Berlin. Jung participou de uma conferência na cidade de mesmo nome, e posteriormente retomou parte de seu conteúdo para os ouvintes. Em dado momento, observa que o nacionalismo alemão emergente não poderia ser mais que fruto da juventude alemã:

“Existe, de fato, uma enorme diferença entre a atitude psíquica dos alemães e a dos europeus ocidentais. O nacionalismo que os europeus ocidentais conhecem parece-lhes uma espécie de chauvinismo, e eles não podem entender como é que, na Alemanha, se tornou uma força construtora da nação, pois o nacionalismo, para eles, ainda significa sua própria marca de chauvinismo. Essa peculiaridade dos alemães só pode ser explicada pela juventude da nação alemã”.

Quando perguntado sobre “como se explica a segurança da juventude alemã na busca da sua meta visionária”, Jung afirmou que:

“A segurança da juventude alemã na busca de suas metas parece-me ser algo muito natural. Em tempos de tremendo movimento e mudança, só se pode esperar que a juventude se apodere do leme, pois só ela possui a audácia, o impulso e o senso de aventura para fixar um novo rumo. No fim das contas, é o futuro dos jovens que está em jogo. É a felicidade e a capacidade de experimentação neles”.

Note-se que ao falar dessa juventude, estando em Berlim, em 1933, coração do Nacional Socialismo, Jung só poderia estar se referindo a uma juventude que incorporava a visão de mundo em concordância com a forma de governo daquela Alemanha.
“Em tempos de tremendo movimento e mudança, só se pode esperar que a juventude se apodere do leme, pois só ela possui a audácia, o impulso e o senso de aventura para fixar um novo rumo” – Carl Gustav Jung
Jung também afirmou que no contexto da época, em que “reina a confusão geral” na Europa, “surge instintivamente em nós a necessidade de uma Weltanschauung comum”. “Weltanschauung”, do alemão, vem a ser a melhor tradução que os nacional-socialistas encontraram para o propósito de seu movimento: não um partido, tampouco um simples movimento de massas, mas uma cosmovisão. E o papel da Psicologia, segundo o seu entender, seria justamente o de auxiliar o despertar dessas forças anímicas.
Ao ser questionado sobre o papel da Psicologia em prol da vida e da comunidade como um todo, e não em promover o individualismo, Jung, ao falar da consciência de si, da necessidade do autoconhecimento, chega mesmo a citar Hitler:

“O autodesenvolvimento do indivíduo é especialmente necessário em nosso tempo. Quando o indivíduo não possui consciência em si mesmo, o movimento coletivo também carece de um sentido claro de desígnio. Somente o autodesenvolvimento do indivíduo, que eu considero ser o objetivo supremo de todo o esforço psicológico, pode produzir porta-vozes e líderes conscientemente responsáveis dos movimentos coletivos. Como Hitler disse recentemente, o líder deve ser capaz de estar só e deve ter a coragem de seguir seu próprio caminho. Mas se ele não conhece a si mesmo, como poderá liderar os outros?”.

Por sua posição-chave, Jung teria sido, no mínimo, alvo de críticas severas, Ad Hominem et Ad Nauseam, caso tivesse levado a público uma declaração dessas em nossos dias. Muito provavelmente, teria sido vítima de intolerância semelhante ao caso de Eva Herman, demitida de um programa de televisão por tecer um comentário positivo à estrutura familiar alemã do III Reich, ou do renomado diretor de cinema Lars von Trier, que de quase um deus em sua área passou a vilão, pelo simples fato de ter declarado que tenta entender Hitler, bem como por admirar os dotes de Speer enquanto arquiteto.
Considerando um espírito que emergia da nova Alemanha, procurou compreender o princípio do Führertum da seguinte maneira:

“As épocas de movimento de massa são sempre tempos de liderança. Todo e qualquer movimento culmina organicamente num líder, o qual consubstancia em todo o seu ser o significado e o propósito do movimento popular. Ele é uma encarnação da psique da nação e seu porta-voz. É a ponta de lança da falange de todo o povo em movimento (…). É perfeitamente natural que um líder se coloque à frente de uma elite. A nobreza acredita, pela lei da natureza, no sangue e no espírito do clã. A Europa ocidental não entende a emergência psíquica especial da jovem nação alemã, porque não se encontra na mesma situação, tanto histórica quanto psicologicamente”.

Com isso, o entrevistador agradeceu a Jung, e afirmou que, pelo fato de se estar vivendo, na época, “uma fase de reconstrução em que tudo depende de se consolidar internamente o que foi conseguido exteriormente” e vice-versa, se fazia necessária a atuação de figuras como a de Jung, o qual “realmente conhece algo sobre a psique, a psique alemã, e cuja psicologia não é apenas palavreado intelectual mas um conhecimento vivo dos seres humanos”.
Em 14 de Outubro de 1936, Jung proferiu a conferência “Psicologia e problemas nacionais”, na Clínica Tavistock, em Londres, na qual afirmou que Hitler se assemelhava à figura de um pajé:

“Ele [Hitler] é um médium. A política alemã não é feita; é revelada através dos poderes mediúnicos de Hitler, porta-voz dos deuses de antigamente. Ele diz as palavras que apenas expressam o ressentimento de todos”.

No entender do doutor, Hitler governava como que por revelação, pois era a “Sibila, o oráculo de Delfos”.
Em uma entrevista para o texano H. R. Knickwebocker, em 1939, Jung descreve Mussolini como uma espécie de cacique, por conta de sua força física; Stálin, muito mais duro que Mussolini ou Hitler, para Jung, dava continuidade a um processo de destruição da Rússia iniciado por Lênin. Hitler, no entanto, seria uma figura genuinamente mística, sobre a qual “nunca se viu coisa parecida neste mundo desde o tempo de Maomé”.
Jung também relacionou Hitler com Wotan:

“Atente para a ressurreição generalizada no Terceiro Reich do culto de Wotan. Quem era Wotan? O deus dos ventos. Considere o nome Sturmabteilung – tropas da tempestade. Tempestade… O vento”.

(Esquerda) “Oden som vandringsman” (Odin, o Viajante) de Georg von Rosen, 1886 e (Direita) “Wotan”, de Konstantin Vasilyev
Não apenas se notava na Alemanha a reaproximação do povo com os cultos de origem pagã, inspirados na mitologia nórdica, como a remodelação de um cristianismo heroico. Sobre a multiplicidade religiosa do III Reich, David Myatt afirma que:

“Nos anos de pré-guerra, a Alemanha nacional-socialista ajudou a organizar um congresso mundial pan-islâmico em Berlim. A própria Berlim foi lar para florescentes comunidades muçulmanas e budistas, de muitas raças, e a Mesquita de Berlim sustentou orações até durante os anos de guerra, guardada por árabes, indianos, turcos, afegãos, entre outros (…). Foi lar para exilados de muitas raças, incluindo respeitados indivíduos tal como Subhas Chandra Bose, líder do Exército Nacional Indiano, e Mohammed Amin Al-Husseini, o Grande Mufti de Jerusalém”.

Jung identificou em Hitler uma espécie de “megafone que amplia os murmúrios inaudíveis da alma alemã”, tendo sido o primeiro homem a traduzir os sentimentos e os pensamentos dos alemães. Seu poder era de ordem inconsciente, mágica, sendo um líder consagrado, que não agia de acordo com a própria vontade.

“Assim, sendo o inconsciente receptáculo da alma de 78 milhões de alemães, Hitler é poderoso e, com sua percepção inconsciente do verdadeiro equilíbrio das forças políticas no interior e no mundo, tem conseguido até agora ser infalível”.

Mesmo quando perguntado sobre um possível casamento de Hitler, Jung foi claro: acreditava que Hitler não poderia se casar, pois, se assim o fizesse, deixaria de ser o líder de toda uma nação, pois “a verdadeira paixão de Hitler é a Alemanha”.
Três anos após o término da Segunda Guerra, Jung, em seu artigo “Sobre a situação atual da Psicoterapia”, causou escândalos ao afirmar que o “inconsciente ariano tem um potencial mais elevado que o do judaico”. Os judeus, à seu ver, seriam “uma raça de 3 mil anos”, e que, ….

“Como relativamente nômade, nunca produziu, e presumivelmente nunca produzirá uma cultura própria, uma vez que todos os seus instintos e talentos requerem um novo anfitrião mais ou menos civilizado para o seu desenvolvimento”.

Com isso, Jung identificava o caráter internacionalista do judaísmo. Conhecida, neste sentido, é a colocação do escritor judeu Bernard Lazare, o qual afirmou que justamente por esse caráter internacionalista é que, por fim, o judeu viria a ser alvo de hostilidades no seio dos povos onde reside:

“Se a hostilidade e aversão contra o judeu tivessem acontecido num único país e numa determinada época, seria fácil determinar as razões desta raiva. Mas ao contrário, essa raça é desde muito o alvo do ódio de todos os povos, no seio dos quais ela viveu. Como os inimigos dos judeus pertenceram às mais diversas raças, as quais habitavam regiões distantes entre si, tinham diferentes leis, dominadas por valores antagônicos, nem tinham os mesmos costumes, nem os mesmos hábitos e possuídos de espíritos distintos, então a origem comum do antissemitismo deve recair mesmo sobre Israel, e não naqueles que o combateram.”

Para se esquivar das acusações de antissemitismo, Jung se defendeu, argumentando que suas afirmações eram simplesmente “uma avaliação de certas diferenças psicológicas fundamentais”.
Jung também identificou Javé, o deus dos judeus, como alguém que “concorda em torturar” e que se permite “ser persuadido pelo diabo”. E observa que na literatura rabínica, não exista qualquer reflexão crítica para com sua conduta. Assim observou o doutor, em uma entrevista para Mircea Eliade, em 1952.
O escritor chileno Miguel Serrano, estudioso das questões esotéricas do Nacional Socialismo, narrou em seu livro “O círculo hermético” (disponível em português) os seus encontros com Carl Gustav Jung e Hermann Hesse
Cinco anos depois, em um diálogo com Richard Evans, Professor de Psicologia da Universidade de Houston, ressaltou que Hitler não foi simplesmente um pai em escala nacional, e sim “um herói no mito alemão”, “um salvador, aquele que estava destinado a trazer a redenção”.
Mesmo um escritor contrário ao Nacional Socialismo e pro-israelita, como o argentino Jorge Luis Borges, assim o admitiu:

“Hitler acreditou lutar por um país, mas lutou por todos, mesmo por aqueles que agrediu. O Nacional Socialismo é intrinsecamente um feito moral, um desapego do velho homem, que está viciado, para vestir-se de novo”.

Tal colocação em muito se assemelha com a do Papa Pio XII, l’ultimo Papa:

“Somente a Alemanha e o Vaticano podem salvar a civilização. A primeira, militarmente, e a segunda espiritualmente. A Alemanha tem lutado por seus amigos e inimigos, e tão somente a ela é que se reserva o destino do Ocidente”.

Mesmo com todas essas considerações favoráveis ao III Reich, Jung foi afetado pela propaganda de guerra. Acreditou cegamente que o que se acredita ser a “democracia americana” apareceria ao final da guerra para livrar a terra de um pesadelo, quando da catástrofe não apenas saiu belicamente vitoriosa, como tomou parte da partilha da nova Alemanha, e se fez uma nação poderosa. Jung também passou a acreditar que se fazia justificável uma guerra de mais de cem países contra três. Foi vítima, portanto, do que ele próprio definiu como “infecção coletiva”, que, neste caso, traduz-se por imprensa internacional e o poder da usura:

“Vivo aqui em minha casa, feliz com minha família. Mas supomos que ela adquire a ilusão de que eu sou um demônio em pessoa. Poderei ser feliz agora com ela, nesse caso? Poderei estar seguro? Todos nós estamos sujeitos a contaminações coletivas. As infecções coletivas são maiores que o homem. E o homem é vítima delas”.

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Artigo publicado originalmente em 13 de junho de 2012.


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