Alois Brunner e a Síria de Hafez al-Assad

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Hafez al-Assad, pai de Bashar, recebeu o ex-militar SS, Alois Brunner no pós-guerra, que morreu há quatro anos, em Damasco. Brunner, um nacional-socialista que rumou para a Síria nos anos 50, foi contratado por Hafez al-Assad para reorganizar o eficiente serviços secretos do regime com base nas SS. Ele fez isso com perfeição.
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Alois Brunner em 1940.
Alois Brunner (1912 – 2014), natural de Nádkút, Vas, Império Austro-Húngaro (atual Rohrbrunn, Burgenland, Áustria) se juntou ao Partido Nacional Socialista Alemão em 1931 e em 1932, ingressou na Sturmabteilung (SA). Após ingressar na SS em 1938, ele foi designado para o staff do Escritório Central para a Emigração Judaica na Áustria e tornou-se seu diretor em 1939, chegando, segundo dizem,  a trabalhar junto de Adolf Eichmann no chamado “Plano Nisko”, uma tentativa fracassada de estabelecer uma reserva judaica em Nisko, na Polônia, mais tarde naquele mesmo ano.
Brunner ocupou o posto de SSHauptsturmführer (capitão) quando ficou responsável por organizar deportações de presos políticos e de população judaica que deveria ser reassentada além de transferida para campos de concentração com melhores instalações, desde a França de Vichy até a Eslováquia, permanecendo na função até o fim da guerra.
Em uma entrevista à revista alemã Bunte, em 1985, Brunner disse como teria escapado da captura pelos Aliados imediatamente após a Segunda Guerra Mundial. A sua identidade teria sido aparentemente misturada com a de outro membro da SS com o mesmo sobrenome, Anton Brunner, que foi executado por crimes de guerra.

Afirmando ter “recebido documentos oficiais com um nome falso das autoridades americanas”, Brunner alegou que havia encontrado trabalho como motorista para no US Army (Exército dos Estados Unidos) posterior à guerra. Mas também se alega que Brunner encontrou uma relação de trabalho após a Segunda Guerra Mundial com uma “Organização Gehlen”.
Hafez al-Assad
Ele fugiu da Alemanha Ocidental apenas em 1954, com um passaporte falso da Cruz Vermelha, primeiro para Roma, depois para o Egito, onde trabalhou como traficante de armas e depois para a Síria, onde recebeu o pseudônimo de “Dr. Georg Fischer”. Na Síria, ele foi contratado como consultor do governo, cuja função nunca foi especificada. A Síria há muito recusava a entrada de investigadores franceses, bem como de famigerados “caçadores de velhinhos nazistas”, como Serge Klarsfeld, que passou quase 15 anos levando o caso à justiça na França e Simon Wiesenthal, cujo instituto também não teve sucesso em rastrear o paradeiro de Brunner. No entanto, a Alemanha Oriental soviética, liderada por Erich Honecker, procurou “negociar” através de seu lobby dúbio supostamente “anti-liberal” com a Síria no final dos anos 1980 para que Brunner fosse extraditado e preso em Berlim. O governo da Síria sob Hafez el-Assad estava perto de ceder e extraditar Brunner para a Alemanha Oriental, mas a queda do Muro de Berlim em novembro de 1989 cortou os contatos entre os dois regimes e interrompeu o plano de extradição… os soviéticos haviam caído.
Em 1961 e 1980, cartas-bomba foram enviadas para Brunner enquanto ele residia na Síria. Como resultado desses atentados, perdeu um olho e, em 1980, perdeu os dedos da mão esquerda quando o pacote explodiu em suas mãos. Os remetentes eram desconhecidos.
Um artigo publicado em 2018 na revista Newsweek pelo jornalista Ronen Bergman revelou que a bomba de 1961 foi enviada pela Unidade de Inteligência Militar 188, um ramo das Forças de Defesa de Israel e foi o primeiro alvo de um novo método de carta-bomba que foi desenvolvido para cientistas ex-nacional socialistas que trabalhavam para Gamal Abdel Nasser no desenvolvimento de mísseis contra Israel. O artigo, extraído do livro de Bergman Rise and Kill First, diz que Brunner foi localizado pelo espião israelense Eli Cohen. Segundo informações divulgadas pela agência de inteligência israelense,  o Mossad estava por trás da bomba de 1980.
Em dezembro de 1999, surgiram relatos não confirmados de que Brunner havia morrido em 1996 e foi enterrado em um cemitério de Damasco. No entanto, ele teria sido visto no Hotel Meridian em Damasco por jornalistas alemães naquele mesmo ano, onde ele estaria vivendo sob proteção policial.Em 2 de março de 2001, ele foi considerado culpado por um tribunal francês por “crimes contra a humanidade” mas de acordo com Serge Klarsfeld, o julgamento foi em grande parte “simbólico”.

Em 2003, o britânico The Guardian descreveu-o como “o fugitivo nazista de maior patente do mundo, que acredita-se ainda estar vivo”. Brunner foi o último a viver em 2001 na Síria, cujo governo havia rejeitado os esforços internacionais para localizá-lo ou prendê-lo, mas foi dado como morto em 2012.

Capitão SS Alois Brunner, visto num hotel em Damasco em 2003.

 

Em 2004, para um episódio intitulado “Hunting Nazis” (caçando ‘nazis’), a série de televisão Unsolved History usou um software de reconhecimento facial para comparar a foto oficial de SS de Alois Brunner com uma foto recente de “Georg Fischer” e chegou a 8,1 pontos de 10, apesar de mais de 50 anos de envelhecimento, equivalente à 95% de certeza. A polícia brasileira teria investigado se um suspeito vivendo no país com um nome falso era na verdade Alois Brunner. O vice-comandante Asher Ben-Artzi, chefe da Interpol e Seção de Ligação Estrangeira de Israel, aprovou um pedido brasileiro de impressões digitais de Brunner ao caçador de nazistas Efraim Zuroff, chefe do Centro Simon Wiesenthal em Jerusalém, mas nada encontrou.

Em julho de 2007, o Ministério da Justiça austríaco declarou que pagaria 50 mil euros por informações que levassem à sua prisão e extradição para a Áustria.

Em março de 2009, o Centro Simon Wiesenthal reconheceu a possibilidade de que Brunner ainda estivesse vivo. E em 2011, alguns relatos da mídia começaram a parecer. O alemão Der Spiegel informou que o serviço de inteligência alemão Bundesnachrichtendienst havia destruído seu arquivo na década de 1990, e que observações em arquivos restantes contêm declarações conflitantes sobre se Brunner havia trabalhado para o BND em algum momento.

Em 30 de novembro de 2014, o Centro Simon Wiesenthal informou ter recebido informações confiáveis ​​de que Brunner havia morrido na Síria em 2010, em parte devido à atual Guerra Civil Síria, a data exata e o local da morte são desconhecidos. Ele teria 97 ou 98 anos de idade.

De acordo com o diretor do Centro Wiesenthal, Efraim Zuroff, a informação veio de um ex-agente do serviço secreto alemão “confiável” que serviu no Oriente Médio. A informação também foi relatada na imprensa. A nova evidência revelou que Brunner foi enterrado em um local desconhecido em Damasco por volta de 2010 e que, ainda segundo Zuroff, devido à guerra civil na Síria, a localização exata do túmulo de Brunner é impossível saber.

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