95 anos do Putsch da Cervejaria

Forças nacional-socialistas em Marienplatz durante o Putsch de Munique, em 1923
A palavra “putsch” é originalmente alemã e é uma expressão que denomina literalmente “golpe”, e mais especificamente “golpe de Estado”.  Ela ficou essencialmente conhecida após o entanto patriótico nacional-socialista na Alemanha destroçada, dividida e a beira da guerra civil no período após a Primeira Guerra Mundial.
Antecedentes
A sequencia de hostilidades entre o governo federal alemã da recém criada República de Weimar e os nacionalistas se deu principalmente como reação direta ao Tratado de Versalhes, assinado em Junho de 1919, que ditou as condições de derrota impostas à Alemanha. O Tratado foi assinado por Gustav Bauer, Chanceler alemão (o Chefe de Governo; Friedrich Ebert era o Presidente, Chefe de Estado), parte da coalizão de partidos sociais-democratas que formava o governo da República de Weimar. Os termos do Tratado de Versalhes eram considerados radicais, dentre eles: a Alemanha assumia total responsabilidade pela guerra, sofreria perdas territoriais, pagaria indenizações aos países aliados e teria suas forças armadas severamente delimitadas. O fato de o governo social-democrata ter aceitado tais imposições só demonstrou a “punhalada pelas costas” que todo o Império levou.
A grande punhalada Sionista, da esquerda-liberal e das Altas Finanças Internacionais foi o principal fator de derrota para Alemanha na primeira Guerra Mundial, pois causou a desestabilização interna do Império.
O general Erich Ludendorff foi uma figura essencial para a compreensão desses ideais. Para os que compartilhavam dessa ideia, o exército alemão não foi derrotado na Primeira Guerra Mundial; o fato de que, quando a guerra acabou, as tropas alemãs estavam em território francês, além de ter derrotado a Rússia, seria exemplo disso. A Alemanha foi traída, especialmente pelos políticos que derrubaram a monarquia e pelos comunistas e sindicais que, ao ordenar e articular greves, prejudicaram o esforço de guerra alemão. O fato de que tais políticos aceitaram os termos de Versalhes seria a “prova conclusiva” dessa traição.
Além do descontentamento da sociedade com o governo social-democrata, o fato do Tratado de Versalhes impor a diminuição das forças armadas alemãs também gerou revolta e preocupação. Na véspera da assinatura, a Reichswehr, o exército regular de Weimar, contava com cerca de 350 mil homens; soma-se os cerca de 250 mil homens nas forças irregulares, os Freikorps. Versalhes determinava que as forças alemãs tivessem um máximo de cem mil homens. Ou seja, além de ser mais um golpe no orgulho nacional alemão e interferência em uma das principais camadas da sociedade, muitos se viram diante da possibilidade de desemprego e inatividade.
Na obra de S. E. Castan, podemos mensurar com dados detalhados oque foi a bancarrota imposta por Versalhes ao povo germânico como um todo. A economia moderna conheceu o significado prático de hiperinflação.
Nacionalistas, conservadores e comunistas (ver: Exército Vermelho do Ruhr e a tentativa de tomar a Baviera pelos comunistas alemães) tentaram dar golpes de Estado na Alemanha do pós-guerra. Citarei aqui, os dois principais da ala nacionalista, que teve como precedente, a tentativa de tomada por parte de nacionalistas e conservadores. 
O Putsch de Kapp-Lüttwitz
Em 29 de Fevereiro de 1920, o Ministro da Defesa, Gustav Noske, do Partido Social-democrata, ordenou a dissolução de dois Freikorps, a Marinebrigade Loewenfeld e a Marinebrigade Ehrhardt. A Marinebrigade Ehrhardt era uma dos principais Freikorps, tendo participado dos principais eventos dos anos anteriores. Seus membros eram opositores do governo de Ebert e o grupo era visto como uma potencial ameaça ao regime republicano. Seu comandante, Korvettenkapitän Hermann Ehrhardt, recusou a ordem de dissolução. 
O general Walther von Lüttwitz, comandante do maior grupo da Reichswehr, a quem diversos Freikorps estavam subordinados, também desafiou o governo de Weimar e declarou que não abriria mão da unidade.
Lüttwitz foi o real comandante do Putsch, referido muitas vezes como Putsch Kapp-Lüttwitz. Kapp se refere a Wolfgang Kapp, político nacionalista e um dos principais denunciantes da “punhalada pelas costas”. Foi fundador do Deutsche Vaterlandspartei (Partido da Pátria), ainda em 1917, que buscava aumentar a presença do nacionalismo e militarismo no governo. Em 1919 foi eleito para o Reichstag (Parlamento) como monarquista, pelo Deutschnationale Volkspartei, (Partido Popular Nacional Alemão, DNVP) embora seu apoio ao retorno dos Hohenzollern fosse mais simbólico do que concreto. Kapp era o mentor intelectual das forças políticas que viriam a apoiar o Putsch, comandado, na prática, pelo general von Lüttwitz.
Com a crise derivada da insubordinação, Lüttwitz foi ao encontro do Presidente Ebert com as exigências dos movimentos nacionalistas e conservadores. Dentre os itens, a dissolução do governo, novas eleições para o Reichstag, a dispensa do comandante do exército e a instauração de Lüttwitz no posto e a revogação das ordens para dissolução dos Freikorps. O governo rejeitou e Noske afirmou que queria a renúncia de Lüttwitz no dia seguinte. O general não apenas rejeitou a ordem como contatou Ehrhardt e o consultou quando conseguiria mobilizar seus homens e ocupar Berlim. A resposta foi 13 de março.
Tropas da Marinebrigade Ehrhardt em Berlim
Lüttwitz também contatou Kapp e Ludendorff, pedindo apoio e afirmando que, assim que o governo fosse deposto, eles deveriam estar prontos para assumirem os cargos e conduzir o processo rumo a um Estado autoritário, embora o formato desse autoritarismo ainda fosse incerto e o movimento não estivesse articulado. Na noite de 12 de março, Ehrhardt ordenou que seus homens entrassem na capital e tomassem os prédios do governo, independente da resistência. Na madrugada do dia Treze, uma reunião do gabinete do governo determinou que as tropas do exército alemão deveriam resistir ao golpe. Os comandantes do Exército se recusaram e afirmaram que as tropas não iriam atirar “contra os camaradas com os quais lutaram contra um inimigo comum”. O gabinete de Ebert e Noske não tinha muitas possibilidades.
Os principais líderes do governo social-democrata fugiram de Berlim no amanhecer, primeiro para Dresden e depois restabelecendo o governo em Stuttgart, convocando uma “greve geral” de resistência contra o golpe. As Freikorps foram recebidas por Lüttwitz, Ludendorff e Kapp. No próprio dia 13, Kapp se declarou Chanceler e que iria formar um governo provisório. Lüttwitz se proclamou comandante das Forças Armadas. A maioria dos comandantes do exército, da polícia e o comando da marinha reconheceram imediatamente a autoridade do governo provisório, aparentando que o golpe seria um sucesso. Boa parte do aparato burocrata, conservador e formado nos tempos da monarquia, aparentemente se alinharia ao lado dos golpistas.
A greve geral convocada pelo governo de Weimar, entretanto, atingiu enormes proporções. As classes trabalhadoras, os sindicatos e vários partidos apoiaram a greve que, calcula-se, mobilizou doze milhões de trabalhadores. O fornecimento de gás, água e energia foi praticamente interrompido. O governo interino não tinha como operar; uma anedota diz que ninguém ficou sabendo da convocação para novas eleições, já que os jornais estavam em greve, assim como os escreventes do governo. Quatro dias depois, no dia 17 de Março, o Putsch foi encerrado por negociações… sempre a greve, nos dois casos. Um para sufocar o esforço de guerra bélico alemão na Primeira Grande Guerra e outro para sufocar o governo nacionalista. 
O bloco de centro dos quatro partidos sociais-democratas de Weimar concedeu mudanças no governo e anistia para os líderes. Lüttwitz e Kapp renunciaram; Lüttwitz foi aposentado com pensão integral e Kapp se exilou na Suécia. O novo comandante do exército seria Hans von Seeckt, que chefiou a insubordinação do dia 12 de março, afirmando que as tropas alemãs não iriam disparar contra seus camaradas Freikrops. Ehrhardt foi anistiado e foi para Munique. Em 1920, durante os julgamentos de crimes ocorridos durante o Putsch, o judiciário conservador puniria apenas um réu nos 705 processos.
Putschistas em Berlim. O cartaz diz: “Alto! Se passar daqui, será alvejado”
Como analisar esses fatos? Aparentemente, a solução negociada após o fracasso do Putsch era a ideal. Pelo contrário. A direita conservadora e nacionalista notou que precisaria se articular mais e melhor, já que a precipitação das ações levou ao seu rápido colapso. O centro, dos sociais-democratas, sairia fragilizado e com uma impressão de fraqueza. Isso seria demonstrado nas eleições vindouras, em que o centro não conseguiria recuperar seus números. 
O Putsch de Munique
Ou da cervejaria
No dia 8 de novembro de 1923, há exatos 95 anos, patriotas alemães, liderados por Adolf Hitler, marcha em Munique para salvar Alemanha contra um possível revolução marxista, expulsar os partidos corruptos os social-democratas, liderados por judeus sionistas e formar uma nova Alemanha. Este movimento ficou conhecido como o “Putsch de Munique”, ou “da Cervejaria”. Esses patriotas se juntam às centenas de camaradas que deram suas vidas pelo ideário.
Alfred Rosenberg, filósofo nacional-socialista e Adolf Hitler, líder do NSDAP, durante o 8 de novembro de 1923
Hitler, juntamente com um contingente da S.A, chegou à cervejaria de Bürgerbräukeller, onde o governador da Baviera, Gustav von Kahr, fazia um discurso na frente de 3.000 pessoas. Cerca de 600 homens da SA bloquearam as saídas. Hitler, cercado por seus associados Hermann Goering, Alfred Rosenberg e Rudolf Hess, entrou pela porta da frente às 8h30, deu um tiro no teto e pulou em uma cadeira gritando: “A revolução nacional foi instalada!”
Imediatamente, um governo provisório foi declarado pelos revolucionários O quartel do Reichswehr e o quartel da polícia foram ocupados por partidários nacional-socialistas, enquanto Hitler e alguns outros levaram o comissário bávaro Gustav von Kahr e seus dois homens mais importantes, von Lossow e von Seisser, como reféns.
Na madrugada para o dia 9 de novembro, as forças da S.A., lideradas por Ernst Röhm – entre as quais o jovem Heinrich Himmler – seguiram as ordens ocupando o Ministério da Defesa da Baviera e entrando em confronto com as forças do governo, sofrendo duas baixas. Enquanto isso, os três homens do governo detidos no Bürgerbräukeller foram libertos com a palavra de compromisso com a “revolução” de Ludendorff. Os três homens, imediatamente após serem libertados, deram ordens à polícia para acabar com a revolta e permaneceram firmes em seus postos. Diante dessa situação, Adolf Hitler decide marchar em direção a Munique com o marechal Ludendorff à frente, em direção ao Ministério da Defesa para juntar-se as forças de Ernst Röhm. Ele calculou que a polícia não atiraria contra esses veteranos da Primeira Guerra Mundial e os acompanharia no Putsch.
Um total de 2.500 homens marcharam diretamente para a Odeonplatz (Praça Odeon), onde está a homenagem aos heróis da Grande Guerra conhecida como Feldherrnhalle e local de passagem para o Ministério. Ao longo do caminho, mais pessoas se juntaram para apoiar Hitler e o Putsch. No entanto, quando chegaram à Odeonplatz, encontraram uma força policial o bloqueando. De repente, um tiro soou e um tiroteio começou. Adolf Hitler e Hermann Göering ficaram feridos. Este último foi capaz de escapar enquanto Hitler foi preso mais tarde.
Adolf Hitler prestando homenagem aos mártires do Putsch
Na dedicatória inicial da obra Minha Luta (Mein Kampf), Adolf dedica o livro aos heróis tombados em combate pela ressurreição nacional de seu país.  Ele lembra:
Felix Allfarth – comerciante
Andreas Bauriedl – chapeleiro
Theodor Casella – bancário
Wilhelm Ehrlich – bancário
Martin Faust – bancário
Anton Hechenberger – serralheiro
Oskar Körner – comerciante
Karl Kuhn – criado
Karl Laforce – estudante de engenharia
Kurt Neubauer – criado
Klaus von Pape – comerciante
Theodor von der Pfordten – secretario do Tribunal Regional Superior
Johann Rickmers – capitão de Cavalaria da reserva militar  
Max Erwin von Scheubner-Richter – doutor em Engenharia
Lorenz Ritter von Stransky – Engenheiro
Wilhelm Wolf – comerciante

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