Vertreibung: A tragédia da expulsão alemã do leste europeu

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“A menos que a consciência da humanidade volte a ser sensível novamente, esta expulsão permanecerá como a vergonha imortal de todos aqueles que a causam ou se resignaram a ela. Os alemães foram expulsos, mas não é fácil com uma falta de consideração exagerada, mas com o mais alto nível imaginável de brutalidade” – Victor Gollancz, 1946, sobre a expulsão dos alemães [1].

A expressão em alemão, “vertreibung”, significa literalmente, “expulsão” como referência ao expurgo violento e em massa de grupos e pessoas de sua pátria ancestral. Esses grupos são regularmente membros de certos povos, religiões, visões políticas ou outros pontos de vista discriminados. Afetada principalmente por membros de certos povos, isso também é chamado de “limpeza étnica”, que pode resultar em genocídio.

A expulsão da Alemanha Oriental e dos Sudetos Alemães, resultante da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), é a maior tragédia nacional na Alemanha. Ao mesmo tempo, é sem precedentes na história da humanidade em termos de extensão e número de vítimas.

Isso inclui forças de desligamento motivadas por causas da perseguição e discriminação, sendo ou não organizadas para a deportação dentro de um território, bem como através das fronteiras estaduais e transnacionais. As disposições – quando de um governo em praticar tal ato -, servem para impedir forçosamente o retorno ao seu Estado, realocando a massa indesejada de uma área para outra com o propósito de se estabelecer em outro lugar.

Os refugiados, por sua vez, deixando suas casas para escapar de uma ameaça de perigo existencial, diferentemente das pessoas deslocadas, não são imediatamente forçadas a deixar suas casas. Se a fuga acontece por ordem das autoridades do próprio país, fala-se de expulsão. Se os refugiados ou deportados são impedidos de regressar à sua terra natal, a sua situação já não difere da situação das pessoas deslocadas. Portanto, eles também são referidos como pessoas deslocadas neste caso.

Na Alemanha, a “expulsão” e fuga da população alemã dos territórios orientais, ou seja, desde a Alemanha Oriental através da Polônia e da antiga União Soviética , mas também do Sudetos pela República Checa e da então vigente Iugoslávia a partir de 1945. Neste contexto, o conceito de deslocamento também está intimamente entrelaçado com o conceito de pátria.

Die Vertreibung” (A expulsão), do renomado pintor de animais, professor Manfred Schatz. É considerada uma de suas pinturas mais impressionantes e emocionantes, a qual lida com o crime incompreensível das milhões de expulsões de alemães durante e após a Segunda Guerra Mundial, ao qual também sofreu sua família, original da Pomerânia.

A “expulsão” não é um termo legalmente ou historicamente claro e definido, mas antes um termo da linguagem política. Com o desenvolvimento do direito penal internacional, o conceito foi atribuído também como “deslocamento”.

As expulsões são frequentemente justificadas do ponto de vista do país distribuidor e de outros países não afetados ou apoiantes da política praticada, como uma reação a qualquer erro que possa ter ocorrido anteriormente. Por exemplo, elas são possíveis pela situação de “poder de fato” após uma guerra perdida. No entanto, deve-se notar que mesmo as irregularidades ocorridas no país exportador as justificam, por sua vez, elas são passíveis de injustiça, pois as políticas de expulsão são muitas vezes legalizadas nos países responsáveis, dos quais a autoridade legal, moral e internacional – que como regra não existe -, deve ser distinguida.

Expulsão do Volksdeutscher depois da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918)

Após a Primeira Guerra Mundial, houve medidas de severidade variável com as quais as minorias foram encorajadas a se reinstalar, especialmente pelos alemães das áreas de assentamento misto que haviam se tornado polonesas sob o Tratado de Versalhes (1918 – 1919). Esta operação também chamada de “despejo frio” durou de 1918 até 1939, afetando cerca de 1,5 milhões de alemão da Alta Silésia, Prússia ocidental e do o Corredor Polonês, a antiga província de Posen e outras partes da Polônia.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945)

Até cerca de 1939, não apenas os comunistas poloneses exigiam consideráveis ​​territórios alemães na Polônia tivessem sua população ancestral germânica avacuada, mas também o governo burguês-polonês exilado em Londres.

Extrato da Bildzeitung

Já no verão de 1941, o governo polonês e tchecoslovaco, que articulava-se desde seu exílio em Londres sobre a evacuação alemã dos sudetos, exigia correções na fronteira após a vitória sobre a Alemanha nacional-socialista. Isto deveria explicitamente incluir a remoção da população alemã dos territórios conquistados, bem como do resto do território nacional.

No Instituto Polonês “Estudos West” publicados na “pequena Biblioteca dos territórios ocidentais” (biblioteczka ziem Zachodnich) a guerra já era mostrado em 1942 como uma “[…] guerra pela grandeza política da Polônia. O objetivo da guerra polonesa é obter uma faixa na costa do Mar Báltico de Klajpeda (Memel) até Szczecin e uma fronteira no rio Oder.”, A nova “fronteira ocidental” polonesa deveria ser aplicada, se necessário, sem um mandato internacional. Em um memorando elaborado em 1943, os fatos do pós-guerra foram exigidos antes de uma conferência de paz a fim de excluir a possibilidade de realizar referendos. Naquela época, a expulsão completa da população alemã, contrária ao direito internacional, era considerada uma condição indispensável para o êxito do estabelecimento de uma nova “fronteira ocidental” polonesa.

De grande importância foi finalmente um trabalho conjunto “Na margem esquerda do Oder”. Representa uma tentativa de provar que a nova fronteira ocidental polonesa também deveria incluir a margem esquerda do rio Oder e, portanto, cidades como Görlitz e Frankfurt. [2]

Em 13 de dezembro de 1944, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill declarou seu consentimento a expulsão dos alemães étnicos na Câmara dos Comuns em Londres:

“Claro, uma troca de população no leste e no norte seria o resultado. O reassentamento de milhões de pessoas teriam que ser realizadas de Leste para Oeste ou Norte, bem como a expulsão dos alemães – porque o que foi proposto: completa expulsão dos alemães – a partir dos territórios que ganha a Polônia a oeste e norte. Porque a expulsão é, até onde podemos ignorar, o meio mais satisfatório e duradouro.” [3]

Na Conferência de Yalta, em fevereiro de 1945, a União Soviética havia definido pela separação do que já em 1939-1941 estava ocupada pelos soviéticos no leste da Polônia para ela própria, que tinha sido por sua vez um resultado da Guerra polaco-soviética (1920-1921).

A expulsão dos alemães no leste dos rios Oder e Neisse foi aprovada na chamada Conferência de Potsdam, com os territórios orientais alemães sendo temporariamente colocados sob administração polonesa ou soviética até a conclusão de um tratado de paz com o Reich alemão. (coisa que nunca houve).

Áreas de assentamento Volksdeutscher por volta de 1910
Áreas de assentamento Volksdeutscher após a expulsão em 1945

Os territórios de expulsão foram:

Partes do III Reich alemão submetidas temporariamente à Polônia pelos Aliados, como o sul e oeste da Prússia Oriental, Danzig, Pomerânia, Neumark Brandenburg e Silésia;

Parte norte da Prússia Oriental, anexada por Stalin à república russa temos Memeland, que há muito tempo é controversa entre a Alemanha e a Lituânia; Áreas que foram negadas ao Reich alemão desde 1919, mas em que muitos alemães ainda viviam (por exemplo, Prússia Ocidental e leste da Alta Silésia); Outros assentamentos alemães nos Estados Bálticos (já contratualmente concordado com a União Soviética em 1939/40);

Os Sudetos, bem como o sul da Boêmia e o sul da Morávia, ou seja, os arredores setentrionais, meridionais e ocidentais da Checoslováquia; Praga e as partes de língua alemã na Boêmia Central e Morávia;

Áreas da antiga União Soviética, além de uma livre circulação em grande escala, especialmente a “República do Volga” povoada por alemães étnicos

Alemães na Hungria durante a expulsão, 1946.

Várias regiões do sudeste da Europa, particularmente na Hungria, Romênia (Transilvânia, Banat), Croácia (Eslavônica), Sérvia (Vojvodina) e Eslovênia (Marburg, Drava), Ljubljana, Celje, Gottschee, Iugoslávia).

Na Hungria, um trem de alemães sendo deslocados tem escrito “Deus esteja contigo, nossa pátria”.

Em Szczecin, a expulsão foi continuada em 1946, uma cidade etnicamente alemã, oque também estava e está em violação do direito internacional em posse polonesa.

Expulsão do Leste e Sudeste da Europa

A expulsão de alemães do leste e do sudeste da Europa é a maior “limpeza étnica” da história recente da Europa.

Planos originais de fronteira de Stalin com a maior parte da Silésia alemã remanescente ao longo do Glatzer Neisse (As linhas azuis foram desenhadas à mão por Stalin)

Num total de 14 milhões de refugiados e pessoas deslocadas; [4] Cerca de dois milhões de mortos (no total, 12 milhões de vítimas da guerra e pós-guerra civis alemãs), mais de 500.000 civis alemães deportados para campos de trabalho soviéticos em 1945 das províncias orientais da Alemanha, até 160.000 civis alemães que já estiveram em 1944 muitas das áreas de minoria alemã na Hungria, Iugoslávia e Romênia como “reparações vivas” para os próximos anos que foram raptados trabalho forçado nas regiões industriais da URSS, e cerca de 200.000 civis alemães que foram enviados para campos de trabalho e de internamento na Polônia, na Iugoslávia ou na Checoslováquia.

Nesta lista, não são contabilizados os 280.000 alemães da Rússia (os chamados colonos-administrativos) que vieram durante a guerra da União Soviética para a Alemanha e foram depois de 1945 para URSS. Esses alemães da Rússia que não são contados aqui foram deportados entre 1941-1945 de seus assentamentos em outras partes da URSS e passaram a ser realocados em campos de trabalho soviéticos [5] [6].

Alemães que deixaram a Silésia para a Alemanha ocupada pelos Aliados em 1945. Cortesia dos Arquivos Federais Alemães (Deutsches Bundesarchiv).

A população civil nas províncias orientais do Terceiro Reich alemão sentiu toda a gravidade do fim da guerra. Lá, o número de civis havia aumentado muito desde 1943, porque muitas mulheres (em grande mães) e crianças tinham sido evacuadas por causa dos ataques a bomba em cidades alemãs no leste (hipoteticamente mais ‘seguro’) do império.

Eles experimentaram o fim da guerra sendo os primeiros a sentir as medidas de retaliação e punição do Exército Vermelho, com prisões em todo o país de supostos criminosos de guerra, tiroteios arbitrários de supostos “mergulhadores” e “terroristas”, recrutamento forçado e deportação de homens e mulheres – incluindo meninas de 12 e 70 anos – e violência brutal contra as mulheres alemãs como o chamado “espólio de guerra”.

Na Hungria, os principais defensores da expulsão foram os agentes da esquerda-liberal Gyöngyösi János, ministro dos Negócios Estrangeiros, nomeado pelos soviéticos no governo pró-bolchevique, o judeu Imre Nagy, que mais tarde tornou-se altamente exaltado quase aos santos “mártires” de 1956, Nagy Ferenc, o também judeu Antall József, pai do primeiro-ministro após a 1990.

Expulsão dos alemães dos Sudetos

Um sinal (muitas vezes secreto) que serviu para marcar publicamente milhões de pessoas inocentes foi uma braçadeira branca ilustrada com um “N” de cor preto. Isso foi introduzido em 1945 pelos governantes checos imediatamente após a sua tomada do poder numa vasta rotulagem daqueles que viviam nos “Sudetenland” (sudetos alemães). Os alemães dos Sudetos obrigados a usar essas braçadeiras foram declarados inimigos públicos. O “N” significava “Nemec” (alemão), e em algumas áreas dos antigos membros do NSDAP e suas subdivisões teve que usar até dois N (NN = Nemec nazista).

Um sinal (muitas vezes secreto) que serviu para marcar publicamente milhões de pessoas inocentes. Foi esta braçadeira branca mostrada com um N preto. Essas braçadeiras foram introduzidas em 1945 pelos governantes tchecos imediatamente após a tomada do poder para identificação dos alemães que viviam nos Sudetos. Esses alemães foram obrigados a usar essas braçadeiras foram declarados inimigos públicos. O N na braçadeira significava “Nemec” (alemão), e em algumas áreas, os membros do antigo NSDAP que tinham até que usar dois N (NN = Nemec Nazi) para melhor identificá-los para fins de massacre.

Provavelmente, os crimes violentos mais extensos contra civis alemães foram cometidos contra os alemães dos Sudetos. A política e programática preparada pelo chamado governo tcheco no exílio desde que o assédio da população civil atingiu uma brutalidade foi inesperada depois da guerra.

As expulsões brutais aconteceram após a revolta de Praga em 1945, que resultou nos primeiros ataques contra civis alemães. Nos próximos meses, esses incidentes se acumularam. Um papel inglório foi desempenhado pelos chamados “Guardas Revolucionários”, que se destacaram em sua crueldade. Esses bandidos, conhecidos até mesmo pelos tchecos como “ladrões”, “escavadores de ouro” e “partidários de cinco minutos”, haviam surgido de antigos combatentes da resistência. Entre os poucos partisans que estavam ativos durante a ocupação alemã estavam agora aventureiros e mercenários, que haviam descoberto seus sentimentos patrióticos somente depois da rendição alemã.

Como um jornal checo escreveu:

“Hoje todo mundo é partisan. Um porque os viu, outro porque ouviu algo deles, o terceiro porque supostamente os apoiou, o quarto porque recebeu uma espingarda e o quinto  porque trabalhou a guerra inteira contra os alemães, etc.”

Eram predominantemente membros da Guarda Revolucionária, que agora exerciam o poder público nas regiões, algumas deles cruéis. Casos de pilhagem, tortura e tiroteios em massa são documentados. Os civis alemães podiam ser escolhidos indiscriminadamente da multidão que fugia e fuzilados ou queimados vivos, retaliando os ex-representantes do “regime nazista”, crivando-s de bala, os emparendando ou queimando-os vivos. Todos os alemães eram apenas “Němci” (alemães) [7]. Todos os cidadãos alemães na Boêmia e na Morávia também tinham de usar uma braçadeira com um “N” para “Němec” (alemão). Com atos de violência direcionados, como a “marcha da morte de Brno” ou o massacre em Aussig, eles eram forçados a “voluntariamente” deixar suas casas. O presidente Edvard Beneš, ordenou:

“Jogue-os fora de suas casas. Nenhum agricultor conseguirá manter nem um metro quadrado de terra!”
Para isso, ele também criou a base legal: os decretos de expropriação que ainda estão em debate hoje. Os tumultos brutais, em parte como oficialmente iniciados em Aussig, tiveram o resultado desejado. A terrível condição em que chegaram às zonas ocidentais de ocupação acabou por levar os Aliados a exigirem o fim das “expulsões selvagens” no outono, mas os excessos persistiram até a primavera de 1946. Foram então feitas deportações em massa “regulamentadas” em vagões de carga. Mas mesmo essas transferências de população não estavam de modo algum sujeitas a “condições humanitárias”. As expulsões dos alemães dos Sudetos estavam ligadas à violência e ao assassinato. Os locais dos maiores massacres no verão selvagem de expulsão de 1945 incluem:

Brno (“marcha da morte de Brno”), 30 – 31 de maio de 1945: Expulsão de 20.000 a 35.000 alemães. Provavelmente cerca de 5.000 mortos, incluindo 459 no campo de extermínio checo de Pohrlitz, cerca de 250 mortos na marcha para a fronteira austríaca e outros 1.062 mortos a caminho de Viena. A maioria foi morta como resultado de maus tratos e doenças.

Campo de concentração de Postelberg, entre 31 de maio e 15 de junho de 1945: 763 pessoas assassinadas, incluindo 5 mulheres e 1 criança

Duppau, junho de 1945: 24 assassinados

Totzau, 5 de junho de 1945: 32 assassinados

Podersam, 7 de junho de 1945: 68 assassinados

Komotau, 9 de junho de 1945: 12 pessoas foram martirizadas até a morte. A marcha da morte matou outras 70 pessoas. No campo da morte de Sklárna, outras 40 pessoas foram assassinadas. Além disso, 10 pessoas foram retiradas do campo por soldados e executadas em outro lugar. Totalizando cerca de 140 pessoas mortas.

Prerau (massacre de Prerau), noite de 18 – 19 de junho de 1945: 265 assassinatos, incluindo 71 homens, 120 mulheres e 74 crianças. O mais velho assassinado tinha 80 anos, sendo o mais novo um bebê de oito meses. Apenas 7 pessoas escaparam.

Jagerndorf

Weigelsdorf

Aussig (Massacre de Aussig), 31 de julho de 1945: Cerca de 80 a 100 pessoas assassinadas.
Taus: Cerca de 200 assassinados

Landskroner Blutgericht, 17 a 21 de maio de 1945: Corte criminal contra os habitantes alemães da cidade, com 24 assassinatos no primeiro dia e no final cerca de 100 mortes.

Todos os pogroms e crimes cometidos no verão de 1945 foram posteriormente isentos. No geral, pode-se supor que cerca de 2,8 milhões de alemães sudaneses (quase 100%) foram expulsos de suas casas.

Controverso é o número de vítimas que tiveram que dar suas vidas no curso das expulsões e excessos. Heinz Nawratil dá as baixas alemãs na Checoslováquia, em cerca de 272.000. Vale a pena mencionar também o fato de que cerca de mil aldeias nas áreas dos Sudetos alemães desapareceram completamente. A antiga cidade de Duppau, por exemplo, agora faz parte de uma área de treinamento militar.

Durante a Segunda Guerra Mundial, começou a migração forçada, considerada a maior da história moderna. Milhões de pessoas perderam suas casas, resultando em enormes fluxos de refugiados. A maioria dos refugiados se mudou para a Alemanha Ocidental e teve que se integrar à sociedade, que também foi afetada pela guerra.

Nos acampamento com alemãs nos Sudetos em 1945, eles dormiam durante a sua fuga em celeiros de ovelhas, estábulos, escolas, carros, etc. Na viagem, uma mulher refugiada explicou que dormiu muito boa e quentinha noite. Acontece que ela havia passou a noite em uma pilha de esterco. Os caminhantes foram alimentados principalmente com a comida fornecida por cozinhas de hospitais.

Desde o início da guerra, os políticos tchecos exilados trabalharam essas  expulsões e “substituições populacionais”  em detalhes, desde Londres, sob a aprovação das Potências Aliadas por traz, culminando em 1945 com a forma bárbara com que o praticaram a partir da capitulação da Wehrmacht alemã. Este crime contra a humanidade não expirou até agora. O infame Decreto Benes (1945-1947) serviu de base jurídica para expulsão e expropriação.

Expulsão preparada por décadas

Em um artigo recente, com o subtítulo “Einblicke in die langgezogenen, deportierenden Sudetendeutschen” (Insights sobre a muito tempo antes preparada, deportação dos alemães dos Sudetos), Karl Peter Schwarz  discussa sobre o segundo volume de “Odsun –  a expulsão dos alemães dos Sudetos”, de Roland J. Hoffmann, Kurt Heissig e Manfred Kittel, que indica claramente que a expulsão dos alemães da Boêmia e Morávia foi planejado antes da Segunda Guerra Mundial, [9] e não foi um “ato de vingança” por supostos “crimes alemães”.

Muitos procuraram seus familiares, pais, maridos, esposas e filhos durante décadas, muitas vezes procuram até hoje, no século XXI. Nada era pior do que a incerteza, nem mesmo a dor eterna. [10]

Em busca do total de mortes

Heinz Nawratil lida com o assunto em seu livro “The Black Book of Expulsion 1945-1948” (O Livro Negro da Expulsão 1945-1948). Ele chega a um total de 2,8 a 3 milhões de vítimas do deslocamento e da deportação da população civil alemã. Isto corresponde aproximadamente à antiga população da República da Irlanda. Ainda de acordo com os cálculos de Nawratil, esse número inclui pelo menos 1.419.000 alemães orientais e pelo menos 272.000 alemães dos sudetos.

Mapa com gráfico original do então governo dos EUA para a concepção e planejamento da expulsão de alemães da Alemanha Oriental com informações sobre a população

Diversas outras publicações sérias confirmam isso. Por exemplo, Rhode, em “Nações no Caminho” (Kiel, 1955), ou Ploetz, “Espaço e População na História do Mundo” (Vol. 2, Würzburg, 1955), ou o DTV Atlas da História Mundial (Vol. 2, Munique, 1979).

Um número ainda maior é mencionado pelo primeiro chanceler federal da Alemanha, Konrad Adenauer. Dos 13,5 a 17 milhões de deslocados alemães depois de 1945, de acordo com Adenauer, apenas cerca de 7,3 milhões chegaram ao que sobrou da Alemanha ocupada. Ele escreveu:

“Um capítulo particularmente sério e importante, também do ponto de vista europeu, é o problema biológico alemão. Neste contexto, devo falar primeiro do problema das pessoas deslocadas. Das que foram expulsas das regiões orientais da Alemanha, Polônia, Checoslováquia, Hungria, etc., como verificados pelos resultados americanos, de um total de 13,3 milhões alemão, apenas 7,3 milhões chegaram na zona leste e principalmente nas três zonas ocidentais. 6 milhões de alemães desapareceram. Eles morreram. Dos 7,3 milhões que sobreviveram, a maioria é de mulheres, crianças e idosos. Uma grande proporção dos homens e mulheres fisicamente capazes foi sequestrada e forçada a trabalhar nos campos forçados da Rússia Soviética. Das 13 a 14 milhões dessas pessoas expulsas de suas terras, as quais habitavam seus antepassados por algumas centenas de anos, trouxeram com elas a miséria sem fim.” [11]

Avaliação jurídica internacional

Em qualquer caso, as expulsões são contrárias ao direito internacional. Violam a Convenção de Haia sobre a guerra terrestre de 1907, vai contra a proibição de expulsões coletivas, o direito dos povos à autodeterminação e contra os direitos de propriedade. Todos os despejos historicamente comprovados foram associados com derramamento de sangue e deserções. Mas mesmo uma expulsão sem expropriação violaria os direitos de propriedade de pessoas deslocadas, porque este direito inclui o direito de uso. Mas uma pessoa deslocada não pode mais usar seu imóvel.

Fuga desesperada da pátria alemã na Prússia Oriental. Foto: Bundesarchiv Bild

O direito a um lar é um direito humano. Esta independente de acordos intergovernamentais, através dos quais não pode ser abolido. O direito à pátria é o mais importante dos direitos humanos coletivos e a base para a manutenção da paz. O conceito de lar é compreendido mundialmente em termos espaciais, étnicos e culturais. Isso fará com que a pátria, os grupos étnicos seculares e suas tradições culturais, conquistas e realizações, sejam objetos de proteção. O folclore e a cultura são fundamentos essenciais para a dignidade do homem. Nisso também, logicamente está incluído o direito a auto-determinação dos povos.

Tanto quanto os despejos afetam um grupo suficientemente bem definido, sendo realizados com a intenção de destruir um grupo, como um todo ou em parte, isso também atende à definição de genocídio conforme definido pela ONU, na convenção de 1948.

Fuga desesperada da pátria alemã na Prússia Oriental. Foto: Bundesarchiv Bild

Mais tarde, o presidente federal alemão, Richard von Weizsäcker, chamou a expulsão de 15 milhões de alemães da Alemanha Oriental e seus milhões de assassinatos de ” cinismo não superado”, e de uma “migração forçada”.

Na véspera da Conferência dos Ministros dos Negócios Estrangeiros de Moscou, em 10 de março de 1947, o então presidente do partido alemão, Heinrich Hellwege, disse sobre a expulsão do povo alemão da Alemanha Oriental em violação do direito internacional:

“Permanece dentro do contexto das demandas territoriais mencionar um ponto que decide sobre a nossa existência como nação! Quero dizer, o regulamento da fronteira oriental alemã. A situação legal é clara! A fronteira oriental alemã não foi determinada pelo Acordo de Potsdam. A transferência do território para a Polônia não significa transferência de soberania territorial, mas apenas uma transferência temporária da administração! Nem a sombra de uma lei histórica representa a reivindicação polonesa. A Polônia também é incapaz de colonizar e usar essas áreas, pois foram povoadas e usadas pela Alemanha. A Polônia pode viver sem essas áreas, mas a Alemanha não pode! ” [12]

No resto da Alemanha, a expulsão das populações étnicas dos territórios ocupados nas décadas de 1940, 1950 e 1960 exigiu um grande esforço de integração. Devido às mudanças populacionais em grande escala, algumas regiões do país, como em  Mecklenburg dobraram sua população, que antigamente eram regiões homogêneas com fortes tradições, por exemplo, na Alta Baviera e no coração de Lüneburg, agora tinham grandes grupos de pessoas com um estilo de vida e caráter confessional estrangeiro diferentes.

Como resultado da destruição da guerra e do tremendo afluxo de refugiados, foram feitas áreas residenciais carentes em muito do que era considerado digno,  corrompendo aqueles alemães e roubando seu caráter original.

Tentativa desesperada de atravessar o gelo da Frischen Haffs para alcançar os navios. Inúmeros alemães morreram. Foto: Bundesarchiv Bild

Tentativa desesperada de atravessar o gelo da Frischen Haffs para alcançar os navios. Inúmeros alemães morreram.

Um contraste dessa favelização está na Polônia, que desde o assalto à área na Alemanha atualmente tem aproximadamente a mesma área da Alemanha antiga, mas com apenas metade da população média por quilômetro quadrado. Esta é apenas uma indicação do absurdo da apropriação de terras.

Nas áreas deixadas pelos alemães também foram reassentados 1,2 milhão de poloneses que se estabeleceram lá apenas como resultado da guerra e após a expulsão de habitantes alemães estabelecidos, a maioria dos quais eram novos colonos na região de Oder-Neisse. Formando assim a a chamada Polônia Oriental (Vilnius lituana desde 1945, o terço ocidental da atual Bielorrússia (Rutênia Branca) e a Ocidental. Nisso, também estão inculídos dentro dos pólos das áreas tradicionais polonesas (“Polônia Central”), além de cerca de 400.000 ucranianos, um número um pouco menor de bielorrussos.

A razão para isso é que, mesmo a oeste da atual fronteira do leste polonês, uma significativa minoria bielorrussa e ucraniana sempre viveu e vive, especialmente nas regiões de Bialystok (bielorrussos) e Przemysl (ucranianos). Esses grupos foram considerados pelo governo polonês – pós 1945 – como potencialmente não confiáveis ​​ou possíveis partidários de novas demandas soviéticas sobre a Polônia.

Portanto, uma parte deles foi expulsa para o leste (isto é, do agora território polonês no leste do rio Bug), mas outra parte para o oeste, especialmente para a Baixa Silésia e Pomerânia. Este reassentamento polonês interno durou desde o final de abril até o final de julho de 1947, os políticos responsáveis ​​e militares chamaram-no de “Aktion Weichsel”.

Porto de Pillau, janeiro de 1945 . Refugiados esperando na costa no frio congelante. Foto: Bundesarchiv Bild

Em 1950, isso totalizou 11.935.000 de pessoas, incluindo 3.911.000 na RDA (República Democrática Alemã) e 8.024.000 na RFA (República Federal da Alemanha). Deslocados que chegaram depois de 1950 e refugiados do SBZ / GDR não estão incluídos nesses números.

O Sarre ainda era uma região autônoma administrada pela França em 1950 e, portanto, não é listado. Baden-Württemberg não foi fundada em 1950; esta área era constituída pelos antigos estados de Württemberg-Baden (ABZ), Südwürttemberg-Hohenzollern (FBZ) e Südbaden (FBZ).

Os baixos números nos territórios ocupados pela França resultam do fato de que nenhuma pessoa deslocada foi inicialmente recebida lá; Isso mudou apenas com a fundação da República Federal Alemã em 1949.

Ações de regresso após 1945

Além da reparação pela expulsão do território roubado e da compensação pelos crimes cometidos, ainda há custos pela perda de uso para os estados distribuidores. Desde que o povo alemão foi privado de seu próprio uso do espaço por décadas, danos sérios foram incorridos. Isso diz respeito meio ambiente, agricultura, habitação e recursos saqueados.

Alemães sudetos lembram seus mortos e a pátria roubada

Exemplos de tais pagamentos incluem: Para compensar tribos indígenas nas Dakotas do Norte e do Sul, bem como Montana e Oklahoma por receita perdida de recursos minerais em territórios indígenas roubados, o governo dos EUA concordou com os índios em 2009 após uma batalha legal de 13 anos. 3,4 bilhões de dólares para pagar. [13]

Além dos custos financeiros, exigências das vítimas e suas famílias cobraram a possibilidade dos países distribuidores, gratuitamente, durante o período de alguns anos, fornecerem ao povo alemão trabalho para reconstruir a Alemanha Oriental e os Sudetos.

Dia da recordação para as pessoas deslocadas 2013

Depois de anos de atraso, a Bavária, decidiu em 2013 estabelecer uma data oficial de lembrança dos deslocados a cada segundo domingo de setembro. Em agosto de 2013, no entanto, o governo do estado de Hesse chegou à conclusão de que: “Um dia memorial e especial para os deslocados, refugiados e deportados está atrasado há aproximadamente 68 anos, desde o fim da guerra.”

A partir de 2014, o dia está previsto para ser instituto pelo estado da Baviera. Como se fala em “deportados”, pode-se pensar que o destino dos expulsos alemães seria tomado como uma oportunidade de criar apenas uma outra causa para a “Shoa” (holocausto judaico), ou seja, no sentido do culto da culpa. Além disso, provavelmente chega tarde à ideia necessária, porque a maioria dos deslocados já faleceu e o regime da RFA, que naturalmente não tem interesse em restaurar a ordem constitucional na Alemanha.

Para refletir, separamos aqui a opinião de algumas personalidades:

“A expulsão de milhões de alemães é o maior crime da história” – Papa Pio XII.

“Os checos sofreram mil vezes menos e os poloneses cem vezes menos do que infligiram aos alemães nas últimas duas gerações.” – David L. Hoggan, historiador da norte-americano.

“A Checoslováquia perdeu territórios […] que sabiamente não deveriam ter sido incorporados ao estado tcheco em Versalhes, e que nunca – exceto na base de uma federação – poderia permanecer lá permanentemente.” – Nevile Henderson, embaixador britânico.

“A opinião prevalece em público que o Acordo de Munique é uma das muitas ofensas ao Terceiro Reich – uma inversão absurda dos fatos.” – Hellmut Diwald

“Ao mesmo tempo em que os julgamentos de Nuremberg foram executados, milhões de alemães foram expulsos de sua terra natal, por decisão ou pelo menos com a aprovação dos mesmos poderes de promotores e juízes em Nuremberg por crimes de guerra nazistas, incluindo deportações em massa.” – Alfred de Zayas

“A expulsão em massa é um dos maiores crimes dos quais participamos diretamente. […] Ao longo da história não há lugar tão horrível como um crime registrado nos relatórios sobre os eventos na Europa Oriental e Central. Já de 15 a 20 milhões foram arrancados de suas terras ancestrais, jogados vivos na agonia de um inferno ou levados como gado pela devastação da Europa Oriental. Mulheres e crianças, os velhos e os indefesos, os inocentes e culpados foram submetidos a atrocidades que nunca foram superadas por ninguém.” – Senador William Langer, em abril de 1950, em frente ao senado dos EUA.

Notas:

[1] – GLOTZ, Peter. Die Vertreibung – Böhmen als Lehrstück. Ed. Ullstein Taschenbuchvlg, Alemanha: 2004.

[2] – West Rundschau Zygmunt Wojciechowski e outros. O lewy brzeg srodkowej e dolnej Odry [Sobre a margem esquerda do médio e baixo Oder]. Przeglad Zachodni 1 (1945), 2/3: 61-87.

[3] – SCHCKEL, Alfred. “Reiner Tisch wird gemacht werden”.  PAZ – Preußische Allgemeine Zeitschrift. 11 de dezembro do 2004.

[4] – HAVERKAMP, Chistof. “Schwerer start in der kalten heimat – 14 Millionen Vertriebene und Flüchtlinge nach 1945”. Osnabrücker Zeitung, 8 de maio de 2015. Disponível aqui.

[5] – REICHLING, Gerhard. Die deutschen Vertriebenen in Zahlen, Teil I: Umsiedler, Verschleppte, Vertriebene, Aussiedler 1940–1985, Bonn 1986, S. 25, 30, 33.

[6] – HAMERL, Steffen.  Die Vertreibung der Deutschen aus den Ostgebieten 1945–48 – Verbrechen oder Kollektvischuld? – Växjö universitet, Instituitionen för humaniora, Tyska.  Abril de 2018. Disponível aqui.

[7] – Dr. ROSE, Olaf; Dr. KOSIEK, Rolf. “Der Große Wendig – Richtigstellungen zur Zeitgeschichte”. 2ª ed. Grabert-Tübingen Verlag. Tübingem: 2006. Disponível aqui.

[8] – Obituários do ano de 1953 em: https://www.ahnen-spuren.de

[9] – 23 März 1949: Rede vor der Interparlamentarischen Union in Bern do Kanzler Konrad Adenauer, “Erinnerungen”, “1945–1953”, s. 186. Ed. DVA – Deutsche Verlags – Anstalt Stuttgart: 1980. (23 de março de 1949: Discurso na União Interparlamentar em Berna.  Chanceler Konrad Adenauer, “Memórias”, “1945-1953”. p. 186). Disponível aqui.

[10] – Trechos do discurso de Hellweges com passagens para a expulsão de 10 de março de 1947 em “Verbrecher an Deutschen – Tabuthema der Political Correctness“. Presente em Das “Völkerrechtsverbrechen” der Vertreibung von Deutschen aus ihrer Heimat (O “crime de direito internacional” da expulsão de alemães de sua pátria) – RHIANNON, Epona. O “crime de direito internacional” da expulsão de alemães de sua pátria. Der BRD-Schwíndel – Wie die “BDR” ihr “Personal” vershaukelt! 18 de junho de 2015. Disponível aqui.

[11] – HEIL, Chistiane von. “Die stolzen Oglala sind Säufer geworden” (Os orgulhosos Oglala se tornaram bêbados). FAZ – Frankfurter Allgemeier Menschen. 25 de março de 2012. Disponível aqui.

[12] – Documentário “Helstorm”, do radialista Kyle Hunt, criador do Renegade Broadcasting, lançado em 2015 baseado no livro homônimo de edição independente do norte-americano Thomas Goodrich. Assista aqui.

[13] – Idem.

Bibliografia:

GOODRICH, Thomas. “Storm of Hell – The Annihilation of Germany, 1944-1947”. Edição independente. Publicado em 2015. ISBN 978-1517540241.

GOODRICH, Thomas. “Hate of Rape – Sex and Violence in War and Peace”. Edição independente. Publicado em 2015, ISBN 978-1505403398.

KRIWAT, Karstein. “Der andere Holocaust – Die Verteibung der Deutschen 1944 – 1949”.
SEIDLER, Franz W. “Deutsche Opfer: Kriegs- und Nachkriegsverbrechen alliierter Täter”. Pour le Merite, 1ª edição: 2012.

NAWRATIL, Heinz. “Vertreibung, Zwangsarbeit, Kriegsgefangenschaft, Hunger, Stalins deutsche KZs”, ed. Ares-Verlag, Graz: 2008.

NAWRATIL, Heinz. “Schwarzbuch der Vertreibung 1945–1948”. 14º ed. Universitas Verlag: 2007.

MÜNCH, Ingo von. “Frau, komm! – Die Massenvergewaltigungen deutscher Frauen und Mädchen 1944/45”. 1ª ed. Leopold-Stocker-Verlag: 2009.

NORDBRUCH, Claus. “Der deutsche Aderlaß. Wiedergutmachung an Deutschland und Entschädigung für Deutsche”. Publicado pelo Instituto de História Alemã do Pós-guerra vol. 28, ed. Grabert-Verlag, Tübingen: 2012.

ZAYAS, Alfred-Maurice de. “Die Nemesis von Potsdam: Die Anglo-Amerikaner und die Vertreibung der Deutschen”. Ed. Verlag Herbig: 2005.

STORCH, Hans-Peter. “Der tschechische Völkermord an den Sudetendeutschen”. Druffel & Vowinckel Verlag: 2007.

GLOTZ, Peter. “Die Vertreibung – Böhmen als eine Lektion”. Ullstein Verlag: 2003

Fontes:

Roland Gehrke: Der polnische Westgedanke nach Ende des 1ª  Weltkrieges (PDF)

Robert Brier: Der polnische Westgedanke nach dem 2ª Weltkrieg 1944–1950 (PDF)

Joachim Nolywaika: Die Sieger im Schatten ihrer Schuld, Archiv der Zeit Rosenheim (PDF)

Andre Marques
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