Terceira posição: Síntese histórica e ideológica

Nos ajude a espalhar a palavra:

Recentemente tem havido algumas discussões no que diz respeito ao que constitui ao terceiro posicionamento politico. Eu decidi tomar ele próprio como tema, e iniciar uma discussão sobre a história da Terceira Posição, suas variantes, e algumas dessas como princípios ideológicos.

Eu não quero aqui que este tema se degrade em um debate sobre se ou não conceitos tais como o nacional-anarquismo compatíveis com o nacionalismo “terceirista“, pois esta discussão é principalmente sobre a história e a ideologia dos movimentos de Terceira Posição, por isso peço a todos que centrem esta dissertação em torno do tema exclusivamente.

Definição

O conceito de Terceira Posição simples é algo muito básico em si. É uma vértice que se dissipa entre o capitalismo e o socialismo, algo como uma “terceira opinião”. Mas particularmente, de forma diferente de muitos autores, a Terceira Posição não é somente algo que junta o melhor das doutrinas sociais ao lado positivo da mentalidade do capitalismo, mas o que vai além de ambos buscando um equilíbrio da sociedade onde se demonstra que o liberalismo capital (acumulo monetário por si mesmo) e o pensamento social (doutrinas sociais voltadas ao bem-estar social e um alcance de mais igualdade e justiça) sozinhas são insuficientes ao desenvolvimento humano como sociedade. Principalmente, também não se deve ver como uma política de Centro, uma vez que a Terceira Posição possuirá obrigatoriamente um posicionamento duro e firme diante da crítica aos dois sistemas e suas mazelas.

Os historiadores e teóricos políticos normalmente usam o termo para descrever várias correntes ideológicas nacionalistas que se originaram no início do século XX e que continuam a ser promovidas por vários partidos e movimentos políticos de todo o mundo até os dias atuais.

A crítica ao comunismo (ou segunda posição)

Uma crítica comum da Terceira Posição – e de todos os níveis variáveis – contra o comunismo é que seu cosmopolitismo utópico é inerente à natureza global. Teóricos de terceira posição, sendo nacionalistas, sentem que o internacionalismo entra em fundamental desacordo com o etnocentrismo inato da humanidade, que é um aspecto significativo da natureza humana. “Terceiristas” também sentem que é indesejável para a humanidade abraçar o internacionalismo, pois acaba por destruir a unidade nacional, a diversidade cultural e étnico-racial. [1]

O paraíso anárquico que Marx previu após o resultado final do comunismo (após a fase de transição socialista) [2] é visto pelos adeptos da Terceira Posição como sendo basicamente inatingível, por isso também contraria a aspectos da natureza humana, particularmente após a idade industrial.

A crítica ao capitalismo (ou primeira posição)

Podendo ser entendido, modo geral, o sistema liberal (com todas as suas fases) e por conseguinte o neoliberal, o capitalismo-liberal é visto pelos adeptos da Terceira Posição como explorador, injusto, anti-social e contrário as noções de solidariedade nacional e étnica. O teórico nacional-revolucionário Gregor Strasser (1892 – 1934) descreveu a crítica do capitalismo de terceira posição da seguinte maneira:

“Nós somos socialistas. Nós somos inimigos mortais do sistema econômico capitalista de hoje com a sua exploração dos economicamente fracos, seu sistema de salário injusto, sua maneira imoral de julgar o valor dos seres humanos em termos de sua riqueza, seu dinheiro em vez de sua responsabilidade e seu desempenho, e estamos determinados a destruir este sistema aconteça o que acontecer!”

Variantes

Uma vez que a Terceira Posição é um termo amplo, um número de diferentes ideologias abrangem a sua classificação; a única coisa que todos eles concordam, é a sua posição comum contra o capitalismo-liberal e o socialismo-comunismo.

Nacionalismo Social

Nacional-Socialismo/Social-Nacionalismo

Maurice Barrès (1862- 1923). Natural de Charmes, França, estudou em Nancy e em 1883, cursou direito em Paris logo em seguida dedicando-se ao jornalismo. Imagem: Youtube

Também referente a Social-Nacionalismo, Socialismo-Nacional, etc… Como o termo “Terceira Posição”, o nacional-socialismo é um termo amplo que abrange uma ampla gama de diferentes interpretações e manifestações. Ao contrário da crença popular, o NSDAP (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) de Adolf Hitler não foi a primeira ou única vertente do socialismo nacional que existiu.

O termo originou-se quase simultaneamente na França, Checoslováquia e Áustria no final de 1800, embora conceitos socialistas e nacionalistas existissem bem antes do termo em si.

O romancista francês Dreyfus, e o político Auguste-Maurice Barrès (1862- 1923), foram os primeiro a evocar a frase “nacionalismo socialista” em sua campanha eleitoral 1898. Como a maioria de suas campanhas, Barrès correu em uma plataforma de “nacionalismo, protecionismo, e socialismo”.

Escritor e político francófono, pode ser considerado “pai” do nacionalismo moderno francês. Ele passou algum tempo na Itália, e em 1888 com o lançamento da obra “Le Cult du moi” (O culto de mim, 1888 – 1891) tornou-se uma figura central na literatura francesa estando ligado ao movimento simbolista.

Na política, foi eleito em 1889 pela primeira vez para a Câmara dos Deputados como “boulangist” (partidário do general Georges Boulanger) desempenhando papel importante na política francesa pelo resto de sua vida. Deu apoio á Ligue de la Patrie française (Liga Patriótica Francesa) de Paul Déroulède nas suas aspirações revanchistas contra Alemanha pela Guerra contra a Prússia e tomou partido de Zola durante o caso do judeu Dreyfus.

Ele desenvolveu um nacionalismo ligado ás raízes e às tradições locais das antigas províncias francesas (Les déracinés, 1897), popularizando o termo nacionalismo para descrever seus pontos de vista, uma vez que o “caso Dreyfus” deu início a uma mudança ideológica quanto a questão do patriotismo na França e a visão do anti-judaísmo internacionalista (como dito antes, sendo ferrenho anti-Dreyfus), fundindo uma visão do nacionalismo, protecionismo e socialismo.

Um aspecto interessante de seus escritos e pensamento é o reconhecimento da importância da fraternidade entre os povos. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) ele escreveu na imprensa parisiense artigos patrióticos para manter a moral das tropas francesas (como defensor da Union Sacrée) mas, terminada a guerra, frisava a importância da reconciliação com a Alemanha.

No fim de sua vida voltou à fé Católica (ele havia dedicado-se desde jovem ao estudo da mentalidade espiritual pré-cristã dos antepassados germânicos) participando de campanhas de reconstrução das Igrejas destruídas pela Guerra na Europa ajudando a estabelecer o dia 24 de junho como dia nacional de lembrança de Stª Joana d’Arc.

Além de ser um dos primeiros notáveis políticos socialistas nacionais, Barrès também foi um dos primeiros teóricos políticos franceses a desenvolver um conceito de nacionalismo étnico. Considerando-se um republicano, Barrès teve forte influência sobre vários monarquistas franceses como Charles Maurras fundador da Action Française e várias outras figuras do nacionalismo na França e posteriormente, várias manifestações do nacional-socialismo e do fascismo na Europa – em particular o primeiro movimento de massa socialista nacional, com 300.000 membros do Sindicato Socialista Amarelo, de Pierre Biétry (1872 – 1918).

Biétry [foto ao lado] natural de  Fêche-l’Église, em Belfort, França, passou sua juventude nas colônias africanas de seu país, em especial a Argélia. Anos depois de retornar como socialista e sindicalista, tornou-se membro do Parti ouvrier français (POF – Partido dos Trabalhadores Franceses) e fundou um elogiado jornal chamado Le Socialiste. Tornou-se ativo em manifestações grevista entre 1898 e 1901 chegando a liderar uma marcha de trabalhadores em Paris em 1899.

Sua ruptura com o socialismo aconteceu pela sua discordância com a ideia de “Greve Geral” e sua desilusão com o fracasso da atividade socialista na França como um todo. Pregando uma ideia de ajuda cooperativa entre as classes, abandonou o POF em 1900 passando a defender uma atividade sindical não política com uma relação corporativista entre os sindicatos e os empregadores.

De suas ideias e com ajuda de outros correligionários, fundou e tornou-se o principal líder do sindicato Fédération nationale des Jaunes de France [Federação Nacional da França Amarela] de 1902 a 1912, e como braço político do sindicato, fundou em 1903, o Partido Nacional Socialista que inicialmente teve pouca expressão, mas ganhando muito espaço entre 1910-11 após uma série de atos violentos da Confédération Générale du Travail ter levado muitos trabalhadores mais conservadores a abandonarem suas fileiras.

Biétry também tornou-se membro do Finistère de 1906 a 1910. Sua abordagem original para época atraiu a atenção da imprensa francesa, que o retratava como um tipo “exótico”. Outras influências adotadas na visão de Biétry e suas frentes políticas foi o anti-judaísmo internacional e o anticapitalismo corporativista de  Édouard Drumont e o recebimento de apoio de figuras tradicionalmente conservadoras, como Victor Henri Rochefort e Paul Déroulède, que foram atraídos para o patriotismo de Biétry, assim como de Drumont.

Assim, Biétry concorreu nas eleições de 1906 sendo eleito para o Parlamento mas por fim, seu período de influência teve vida curta, com Charles Maurras e seus seguidores se tornando o principal foco nacionalista na França. os Jaunes ainda realizaram realizaram um último congresso em 1909, mas mesmo com apoio, Biétry recusou-se a concorrer novamente as eleições em 1910. Ele viria a falecer 8 anos depois em Saigon, Vietnã sobre domínio francês.

Em 1898, o Partido Social Nacional Tcheco [3] foi fundado. O partido apoiou uma fusão de nacionalismo e socialismo. O programa de 25 pontos elaborado por Adolf Hitler, Anton Drexler, e Gottfried Feder, adotado pelo NSDAP, foi muito influenciado pela plataforma do Partido Nacional Socialista Tcheco.

A Liga Nacional dos Trabalhadores Alemães da Áustria mudou seu nome para “Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores” em 1918, em torno de um nacionalismo pan-germânico com uma plataforma socialista, que lembra as políticas abraçadas pelo NSDAP de Hitler. Em 1930, o partido estava dividido em duas facções, uma favorecendo uma estrutura democrática, e o outro favorecendo a campanha de Adolf Hitler – o partido, em última análise, fundiu-se ao NSDAP após a anexação da Áustria ao Terceiro Reich (Anschluss).

Hitlerismo

Elaboração dos 25 pontos do NSDAP. A frente, Adolf Hitler, ladeado por Gregor Strasser, Gottfried Feder (fundo) ao lado de Alfred Rosenberg e outros.

Poucos negariam que o hitlerismo, isto é, a expressão única de socialismo nacional estabelecido por Adolf Hitler (1889 – 1945) e o NSDAP é a variedade mais proeminente do nacional-socialismo na história. Antes de explicar as características distintivas do nacional-socialismo hitleriano, iremos descrever brevemente as origens do partido e associação de Hitler com ele.

Anton Drexler (1884 – 1942), trabalhador ferroviário socialista nacional, fundou o Partido dos Trabalhadores Alemães em 1919 sobre o princípio da criação de um novo partido socialista que também fosse nacionalista por natureza. Depois de alguma hesitação e sobre revisão e aprovação da brochura de Drexler, Hitler aderiu ao Partido dos Trabalhadores Alemães em setembro de 1919, tornando-se o 55º membro do partido e o sétimo membro do comitê executivo do partido.

Gottfried Feder, Hermann Göring e Anton Drexler foram alguns do principais nomes políticos de influencia ideológica do nacional-socialismo alemã pan-germanista e logo pan-europeísta do futuro NSDAP. Posteriormente, Hitler sugeriu a mudança do nome do partido para Partido Social-Revolucionário, mas em fevereiro de 1920, o partido mudou seu nome oficialmente para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Em 1921, Adolf Hitler tornou-se o líder indiscutível do partido, e por volta de 1923 Drexler se demitiu do NSDAP.

O hitlerismo distingue-se por um certo número de características:

FÜHRERPRINZIP: Basicamente, a vontade política da nação está incorporado no “Führer” (líder, condutor), abolindo a maioria das formas de democracia. Esta teoria também foi embasada no campo jurídico através do trabalho do jurista e filósofo alemão Carl Schmitt (1888 – 1985).

PANGERMANISMO: A noção de que todas as pessoas de ascendência germânica devem ser unificadas através de um único Reich (Império) alemão.

LEBENSRAUM: Estabelecia que a Alemanha não tinha o espaço vital imprescindível para a população excedente do Reich, e concebeu uma teoria expansionista em que os povos germânicos deveriam assumir as terras que histórica e etnicamente lhes pertenciam e por eles foram trabalhadas [nesse contexto também deve ser notado a reversão do total desmembramento executado pelo Tratado de Versalhes que reduz e comprime a Alemanha em um espaço insuficiente e em posição de domínio, retirando milhões de germânicos que a milhares de anos estavam instalados em terras europeias]

EUGENIA: De acordo com a questão racialistas [preservação do etnia, não confundir com ‘racismo’], o Terceiro Reich implementa leis eugenistas para o reforço do desenvolvimento racial. O NSDAP também aprovou uma legislação proibindo a miscigenação [Leis de Nuremberg]. Isso poderia ser visto também em programas de aumento e incentivo subsidiário a formação de famílias e cidadãos assim como a fomento populacional e melhoria da qualidade de vida dos órfãos e mães solteiras [projeto Lebensborn]. Assim como na questão estrangeira, os não germânicos não perderiam direito, mas os cidadãos teriam restrições legais ao casamento com não-caucasianos afim da preservação dos quadros étnicos germânicos e não dissipação das identidades nacionais.

DIRIGISMO: Preservava a propriedade privada, sob a estrita condição de que o Estado determinaria as regulamentações externas para se adequarem aos interesses coletivos da nação. Tais regulamentos incluindo controle de preços, controles de salários, segurança no trabalho, controles de investimento, restrições a dividendos, quotas de produção e estado direcionado comércio. O banco central da Alemanha foi nacionalizado, assim como as empresas que não cumprissem as leis federais. A maior empresa estatal operada na Europa também foi estabelecida sob o Terceiro Reich, a Reichswerke, por Hermann Göring.

O milagre econômica alemão se deu através dos projetos onde, ao contrário dos socialistas vermelhos, não foi abolida o direito a posse privada, mas somente que qualquer bem imóvel ou entidade particular por exemplo, deveria ter função social e se adequar as leis, não podendo constituir estatuto próprio aparte do Estado. Não era permitido que uma entidade gerasse lucro através da usura [dinheiro pelo dinheiro] sem benefícios sociais como a geração de emprego e renda. O projeto econômico nacional-socialista valorizou o pequeno e médio empreendedor fazendo com que multinacionais se adequassem as leis nacionais e grandes corporações nacionais fossem criadas sob respaldo do Estado, gerando o desenvolvimento e a indústria da qual a Alemanha se beneficia até hoje [Na sessão “ver também”, estará alguns artigos de aprofundamento no assunto].

Outros maiores também incluem Joseph Goebbels, Rudolf Hess e Alfred Rosenberg como maiores fomentadores da amplitude e dimensão pan-europeísta e defensores da auto-determinação dos povos que tomou o NSDAP posteriormente.

BEM-ESTAR SOCIAL: Além das características socialistas óbvias encontradas dentro dirigismo do Terceiro Reich, o regime também implementou várias medidas de bem-estar social. Um programa de cuidados de saúde socializado foi iniciado, ampliando a cobertura a todos os cidadãos alemães; projetos de obras públicas foram criadas para combater o desemprego; segurança social foi ampliada; casas de baixo custo foram construídas para o proletariado alemão contando com 1,458,128 unidades construídas entre 1933-1937; generosos empréstimos, benefícios fiscais e serviços de bem-estar foram dadas a famílias alemãs; férias pago a todos os trabalhadores alemães, bem como eventos culturais gratuitos para assistir, etc.

Strasserismo

Otto e o partido União Social

Otto Johann Maximilian Strasser (1897 – 1974), político alemão membro do NSDAP que juntamente com seu irmão Gregor Strasser, foram os líderes do strasserismo, uma vertente paralela. Posteriormente, Otto teve que sair da Alemanha pois as diretrizes nacionais não permitiam dissidências. Ele só pôde retornar com o fim da guerra, fundando o União Social, logo reprimido pela “desnazificação“.

Gregor Strasser (1892 – 1934] se juntou ao NSDAP em 1921, e seu irmão mais novo, Otto, juntou-se em 1925. Ambos os irmãos, juntamente com camaradas do partido, como Joseph Goebbels, conceberam uma corrente ideológica dentro do NSDAP que se diferenciava das políticas mais moderadas de Hitler, e as teorias monetaristas de Gottfried Feder.

O social-nacionalismo dos irmãos Strasser contém as seguintes características da colaboração Europeia: Em contraste com o imperialismo pan-germânico e com o nordismo endossado por Hitler, o strasserismo defende e promove o pan-europeísmo. Este pan-europeísmo implicaria uma cooperação econômica entre todos os parceiros europeus, de modo a evitar os aspectos contraproducentes de competição econômica entre os estados europeus.

Otto Strasser acreditava que todos os europeus eram de ascendência racial semelhante e, portanto, rejeitava fundamentalmente qualquer teoria de superioridade entre nacionalidades ou sub-raças europeias. No entanto, Strasser também acreditava na preservação das culturas originais e etnias.

FEDERALISMO: Otto Strasser defendeu a descentralização da Alemanha, que transformaria o país em várias regiões culturais distintas que seriam comunidades autônomas de auto-governo, porém todas as regiões praticariam o mesmo modelo econômico socialista nacional.

SOCIALIZAÇÃO: Strasser (e muitos outros membros do NSDAP) defendia a coletivização imediata dos meios de produção. Conselhos operários iriam coordenar seus locais de trabalho, com a supervisão do Estado para garantir que essas empresas estavam agindo de acordo com os interesses nacionalistas. A burguesia seria abolida e assimilada ao novo modo de produção socialista. O capital financeiro também viria a ser nacionalizado pelo Estado.

REFORMA AGRÁRIA: A facção de Strasser do NSDAP defendia a desapropriação do latifúndio na Alemanha, com a terra a ser redistribuída para as famílias camponesas. Todas as terras seriam de propriedade do Estado, mas agricultores familiares possuiriam título hereditário dos terrenos. As fazendas permaneceriam na posse de cada família até que a família já não tenha nenhum descendente disposto a cultivar a terra.

Depois da queda do Terceiro Reich, vários partidos socialistas nacionais surgiram na Alemanha, e em todo o mundo, o Partido Socialista do Reich de Ernst Remer (1912 – 1997) e o partido União Social de Otto Strasser foram os mais notáveis.

Otto Ernst Remer ficou conhecido por seu papel nos eventos que se seguiram ao atentado da Operação Valquíria (1944) onde, leal a Hitler, prendeu os conspiradores que desejavam retirar o Führer do poder. IMAGEM: Wikimédia Commnos

Ex-oficial da Wehrmacht e político do Partido Socialista do Reich, Rmmer era de orientação nacional-socialista. Esse partido, financiado em parte pelo governo soviético para desestabilizar o governo ocidental, logo atraiu um apoio significativo entre a população da Alemanha Ocidental, mas foi proibida sob as leis de “desnazificação” estabelecidas pelo novo governo alemão.

Otto Strasser, que foi finalmente autorizado a regressar à Alemanha em meados de 1950, foi preso devido a declarações consideradas anti-semitas que fez em público, enquanto promovia seu novo partido político. O Partido União Social em última análise, atraiu poucos seguidores.

Nacional Sindicalismo

José Antonio Primo de Rivera no 2º Congreso falangista, Madrid, 8 de junho de 1935. KEYSTONE-FRANCE GAMMA-KEYSTONE via GETTY IMAGES

O sindicalismo revolucionário tornou-se uma corrente muito popular na Europa no início do século XX, especialmente na França, Itália e Espanha. No entanto, até o início da Primeira Guerra Mundial, uma divisão histórica surgiu dentro dos movimentos sindicalistas e socialistas entre indivíduos e organizações que apoiaram a participação na guerra contra aqueles que defendiam a neutralidade.

Na sequência da cisão dentro do movimento sindicalista, a facção pró-guerra começou a se tornar mais franca sobre seus pontos de vista nacionalistas. Enquanto o movimento sindicalista revolucionário não admitia nada além do internacionalismo proletário, estes sindicalistas nacionalistas rejeitavam o internacionalismo marxista e afirmavam a legitimidade do Estado-nação.

Os sindicalistas revolucionários teorizaram um modo de produção socialista onde os trabalhadores seriam os proprietários dos meios de produção e conselhos de trabalhadores, estes também iriam gerir as suas empresas no âmbito de uma sociedade sem a participação do Estado.

O Movimento Nacional-Sindicalista também se demonstrou favorável a propriedade do trabalhador e a gestão de meios de produção, mas no âmbito de um Estado-nação, com o governo como co-proprietário, e as empresas co-gestionadas pelos conselhos operários.

O Cercle Proudhon de Georges Valois [foto ao lado – 4], fundado em 1911, foi uma das primeiras organizações envolvidas no cultivo de teoria Nacional Sindicalista.

O movimento fascista de Mussolini foi inicialmente associado com o Movimento Nacional Sindicalista, embora ao longo do tempo o Partido Fascista tenha vindo a adotar a sua própria forma de ideologia; o corporativismo.

Antes da Guerra Civil Espanhola (1936 – 1939), Ramiro Ledesma Ramos [foto ao lado] estabeleceu o seu próprio Partido Nacional Sindicalista, a JONS, na Espanha. O partido obteve progressos significativos entre os círculos socialistas e anarquistas na Espanha, mesmo com o seu programa político sendo revisto pelo comitê central CNT-FAI. Eventualmente, Ramos fundiu seu partido com a Falange de José Antonio Primo de Rivera. No entanto, Ramos se desiludiu com as teorias corporativistas mais leves de José Antonio, e, eventualmente, demitiu-se do FE-JONS.

Mussolini, na Itália, a partir do nacional-sindicalismo  viria a fundar um dos maiores movimentos de massa do mundo na orientação da Terceira Posição, o fascismo, hoje deturpado pela esquerda-liberal como simples “doutrina do mal”. Primo de Rivera e Ramiro Ledesma foram as mais altas vertentes da terceira posição espanhola (e latinas como um todo), cuja morte prematura não apagara suas ideias.

Ambos, Ramos e José Antonio, foram assassinados por forças republicanas durante a Guerra Civil Espanhola, permitindo a oportunidade ao general reacionário, Francisco Franco, de cooptar o movimento. Posteriormente Francisco Franco acabara por trair os princípios sindicalistas do partido e permitindo a filiação de setores mais tradicionalistas (monarquistas e teocratas) oque alteraria os princípios do partido.

Nacional-Bolchevismo

Nacional-bolchevismo é muitas vezes incompreendido devido ao seu nome provocativo e paradoxal. No entanto, a ideologia representa uma vertente significativa da terceira posição, em que rejeita tanto o capitalismo como o marxismo.

Basicamente, existem duas vertentes do nacional-bolchevismo, ambas surgidas no início do século XX: a do professor russo, Nikolay Ustryalov; e a do ativista político e professor alemão, Ernst Niekisch.

Jurista pela Universidade de Moscou, Nikolay Vasilyevich Ustryalov (foto ao lado, 1890 – 1937), de  São Petersburgo, foi um dos principais pioneiros do bolchevismo nacional russo.

Em “Problemy Velikoy Rusi” (Os Problemas da Rússia) e “Utro rossii” (Manhã da Rússia), dois periódicos pré-bolcheviques nos quais ele pedia unidade entre os eslavos e se regozijava com a derrubada do governo czarista. Ele não se considerava um comunista, rejeitando a ideologia como uma importação estrangeira, mas começou a usar o termo “Nacional-Bolchevique” depois de descobri-lo nos escritos do dissidente alemão Ernst Niekisch.

No exílio fundou a revista “Okno” (Janela) junto de outros dissidentes e, em 1921 publicou seu seminal de artigos “Smena vekh” (Mudança de Marcos), na qual expôs suas teorias nacionalistas e sociais que deu origem a um revista semanal homônima.

Alegando ser inspirado por figuras como o general Aleksei Brusilov e Vladimir Purishkevich , ambos pessoas que alegavam servir aos bolcheviques pelos interesse da Rússia, Ustryalov pediu perdão ao Estado, já que eram apenas os bolcheviques que poderia garantir a segurança da Rússia. E com a introdução da nova política econômica da URSS, Ustryalov viu um processo de “normalização” a começar na União Soviética, argumentou que cada vez mais a URSS era “como um rabanete” porque era vermelha por fora mas branca por dentro. Por isso, foi expulso por ordem de Lenin, vivendo no exílio em Harbin, na Manchúria. Mas retornou em 1935, quando sob o comando de Stalin, o nacional-bolchevismo não era considerado subversivo.

Mas como no passado havia sido um dos “brancos”, foi censurado e rejeitado em Moscou não lhe sendo concedido emprego o cidadania, acabando sendo enviado para um gulag.

Finalmente em 1937, durante a Grande Purgação, foi preso sob a acusação de espionagem e agitação anti-soviética. Em 14 de setembro daquele ano, foi condenado à pena de morte e executado no mesmo dia.

Ernst Niekisch (foto ao lado, 1889 – 1967), escritor e político alemão, foi uma das principais figuras do nacional-bolchevismo. Influenciando pela ala de Strasser do NSDAP, Niekisch voltou-se publicamente contra Adolf Hitler e organizou-se como uma violenta oposição nacional revolucionária contra o nacional-socialismo.

Em 1937, ele foi preso e condenado dois anos depois pelo Tribunal Popular por alta traição e sentenciado à prisão perpétua.

Ernst Niekisch era originalmente um membro do Partido Social-Democrata alemão, mas como Otto Strasser, foi expulso por “promoção de ultra-nacionalismo e anti-semitismo”. Como todos os de terceira posição, Niekisch rejeitou o cosmopolitismo do socialismo marxista e afirmou a validade e a necessidade do Estado-nação. Seguindo sua expulsão do SPD, Niekisch assumiu o controle do Partido Socialista da Saxônia e estabeleceu um jornal político, Widerstand, que promoveu sua dissidência nacionalista do socialismo. Ele sentia que as políticas promovidas por Hitler eram muito moderadas, e olhou ao stalinismo como um modelo para a sua campanha Nacional-Bolchevique em oposição ao hitlerismo.

Em 1932, Niekisch publicou um livro crítico do hitlerismo, intitulado “Hitler: Ein Deutsches Verhängnis”. O NSDAP estava ciente do lançamento do livro de Niekisch e ordenou sua apreensão assim que chegou ao poder em 1933. Eventualmente, Niekisch manteve as atividades de sua organização política “por baixo dos panos”, mas foi capturado e enviado para um campo de concentração em 1937.

Durante seu tempo preso, Niekisch ficou cego. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, como resultado de seu tratamento pelo NSDAP terminou sua carreira política como um marxista ortodoxo, rejeitando o nacionalismo que ele defendia com tanta convicção onze anos antes. Juntou-se ao SED, criticado por ele próprio cada vez mais após o levante de 17 de junho de 1953 na Alemanha Oriental, até que desligou-se em 1955 e mudou-se para parte Ocidental em 1963.

Fascismo

Mussolini discursas na marcha sobre Roma 28 de outubro de 1922. I Wikipedia.

Como mencionado acima, o Nacional Sindicalismo representou um tipo de proto-fascismo na Europa. No entanto, como Partido Fascista de Mussolini cresceu e atraiu uma sociedade mais diversificada de políticos e filósofos como Giovanni Gentile, que aderiram ao movimento e forjaram uma nova ideologia para o partido abraçar, esta ideologia viria a ser conhecida pelo corporativismo.

Comumente ao contrário do que é considerado “corporativismo”, o desenvolvido pelo movimento fascista italiano não significa a fusão de Estado e do poder corporativo privado. A estrutura do corporativismo é essencialmente uma forma de sindicalismo. A Câmara Corporativa é uma junção vertical, com três corpos principais sendo representados: o trabalho, o Estado, e os empresários/gestão -com figuras periféricas, como especialistas em economia e da indústria também incluídos no processo de negociação. Assim, enquanto os meios de produção estão tecnicamente ainda em mãos privadas, o modo de produção capitalista é abolido, com este modelo de cooperativa o substituiu.

Proprietários de trabalho e de negócios coletivamente determinam os salários, a estrutura de gestão, investimentos, etc. Com o Estado atuando como um árbitro entre as duas facções.

Oswald Mosley (1896 – 1980), 6º Baronete um dos principais líderes fascista da Inglaterra e também um ativista contra a participação britânica no início da Segunda Guerra Mundial, tendo sido fundador da União Britânica de Fascistas, entre outros partidos. Foi preso em 1940, após a UBF ser banida.

O modelo corporativista nunca veio para representar o modo de produção para a maioria das empresas na Itália fascista; Em vez disso, a Itália praticava uma forma mais branda de dirigismo do que a que foi praticada pelo Terceiro Reich. Foram promulgadas as políticas de assistência social, que incluiu obras públicas para os desempregados, a política de socialização da saúde, habitação a preços acessíveis e atividades de lazer, organizado pela Opera Nazionale Dopolavoro. Sem o conhecimento de muitos, tradicionais cooperativas de trabalhadores sindicalistas também foram reconhecidas oficialmente pelo Estado e autorizados a permanecer em existência na Itália fascista, florescendo em toda a história do regime com as empresas sindicalistas em expansão de 7.131 em 1927 para 14.576 em 1937.

Mussolini não liquidou a família real, a burguesia, ou a posição da Igreja Católica na Itália, mas, eventualmente cabe reconhecer o erro de não fazê-lo quando a família real o traiu e se juntou às forças aliadas na Segunda Guerra Mundial.

Após o NSDAP ter resgatado Mussolini do cativeiro, eles lhe permitiram estabelecer uma nova república em Salo, Itália, conhecida como a “República Social Italiana”. Mussolini, um ex-nacional-sindicalista que era, decidiu abandonar o corporativismo em nome de uma forma tradicional de socialismo nacionalista. Tendo chamado seu amigo de longa data e ex-membro do Partido Socialista italiano, Nicolai Bombacci [foto ao lado], para redigir a legislação para a nova república socialista nacional no Congresso de Verona em 1943. Mussolini conseguiu nacionalizar as principais empresas no Norte da Itália e além disso estabeleceu leis para a nacionalização de todas as empresas com mais de 100 funcionários.

Nicolai Bombacci foi assassinado por guerrilheiros comunistas junto com Mussolini em 1945. Suas últimas palavras foram: “Longa vida à Mussolini! Longa vida ao socialismo!”.

Nicolai Bombacci, Giovanni Gentile e Oswald Mosley, do fascismo político ao revolucionário, são leituras indispensáveis…

Político britânico, Oswald Mosley, originalmente houvera adotado o modelo econômico corporativista promovendo-o dentre as fileiras da União Britânica de Fascistas, mas eventualmente passou a reconhecer as falhas da teoria, adotando assim uma forma de “sindicalismo nacional strasserista” no fim de sua carreira política.

Distributivismo 

Hilaire Belloc e GK Chesterton

Embora muitas vezes seja menos nacionalista, socialista, e racialista que outras variantes da terceira posição, o distributivismo no entanto, é fundamentalmente anti-capitalista e anti-comunista e fora adotado por certos círculos nacionalistas terceiristas da história contemporânea. Portanto, a maioria concorda que distributivismo tem um lugar dentro da terceira posição.

A teoria baseia-se os ensinamentos católicos do Papa Leão XIII, que foram expostos em cima por GK Chesterton e Hilaire Belloc no início do século XX.

Distributivistas advogam pela descentralização do capital via reforma agrária, e um retorno para o modo artesanal de produção. Distributivistas se opõem a todas as formas de usura e favorecerem o que é referido como o “just price theory”, que rejeita o sistema de capitalismo de oferta e demanda em uma base moral.
Algumas visões sobre o distributivismo o descrevem como sendo impraticável na era pós-industrial, argumentando que a menos que uma reestruturação primitivista da sociedade foram realizadas, distributivismo não poderia ser esperado para funcionar bem na idade moderna.

Nacional-Anarquismo

Na década de 1920 , ao expressar seus pontos de vista de uma sociedade socialista alemã nacionalista descentralizada, Helmut Franke utilizou o termo “anarquismo nacional” para descrever sua teoria. O termo não foi expressado novamente até a década de 1980, quando certos anarquistas europeus começaram a teorizar um anarquismo que também fosse nacionalista em caráter. Esses anarquistas olharam para os sentimentos nacionalistas e racialistas manifestados por Mikhail Bakunin e Pierre-Joseph Proudhon para a inspiração no desenvolvimento de sua ideologia.

Troy Southgate, ex-membro da International Third Position, é um dos principais teóricos nacional-anarquistas contemporâneos. Nacional-anarquistas pregam a abolição total dos Estados-nações, que seriam substituídos substituído por comunidades tribais voluntárias, com base na identidade cultural e étnica. Economicamente, nacional-anarquistas favorecerem tudo de relacionado ao mutualismo para o agregamento primitivista.

Outros Usos

O termo “terceira posição” obviamente, não é exclusivamente utilizado para descrever os vários movimentos nacionalistas anti-capitalistas e anti-comunistas do início do século XX. O termo também tem sido utilizado em uma variedade de formas que não têm nada a ver com as ideologias políticas acima mencionadas.

No marxismo

O filósofo marxista de origem judaica, Max Adler, usou o termo “terceira posição” para denotar uma teoria sociológica que ele estabeleceu sobre uma terceira posição na teoria de Marx do materialismo dialético, que rejeita tanto a visão marxista ortodoxa estreita que todos os eventos históricos podem ser entendidos e explicados unicamente por considerar o modo de produção de uma sociedade, e a visão de que a história deve ser vista através das lentes das ações individuais de pessoas em uma dada sociedade -Adler também defendeu uma “terceira posição”, na qual o “materialismo dialético compromete o universo inteiro”, englobando “todos os setores constituintes da realidade que entram na experiência humana: da natureza, da sociedade e do pensamento”

No capitalismo

Capitalistas também invocaram o termo “terceira via” para descrever várias correntes ideológicas dentro da teoria de mercado.

A “terceira posição” (às vezes chamada de “terceira via”) do capitalismo refere-se a um conceito originalmente teorizado por social-democratas europeus. O ex-presidente americano Bill Clinton abraçara essa ideologia através do apoio a certas políticas de bem-estar que em vez de ter o estado fornecendo os serviços, o Estado iria contratar empresas privadas para faze-las. Tony Blair também abraçou algumas dessas políticas centristas, incorporando-as em uma plataforma do “Novo Trabalhismo”.

Certos partidos políticos capitalistas surgiram usando o termo “terceira posição”, bem como, tais como “American Third Position Party” -que é um partido nacionalista favorecendo uma “terceira posição” entre democratas liberais e republicanos conservadores na sociedade americana.

Terceira Posição na América Latina

Juan Domingo Perón (1895 – 1974) militar e político argentino, foi presidente da Argentina por três mandatos: de 1946 a 1952, de 1952 a 1955 e de 1973 a 1974.

O regime de Juan Perón na Argentina é frequentemente citado como uma expressão da Terceira Posição.

Perón estabeleceu um corporativismo vertical como o modo de produção dominante, iniciou programas de bem-estar social, e criou indústrias nacionalizadas para competir com o setor privado para manter os preços baixos. Isto se seguiu até o ano de 1955 quando o modelo peronista começou a ser abandonado, em favor de reformas neoliberais desastrosas.

Terceira Posição no Brasil

No Brasil, houveram bons exemplos do nacionalismo de terceira posição ideológica, embora muitos deles não chegassem a definir-se exatamente como tal, as suas visões política, econômica, social e cultural de um nacionalismo independentista além da esquerda e direita foram clarividentes. INTEGRALISMO

Surgida em círculos portugueses e franceses tradicionalistas da virada do século passado, surgiu no Brasil na década de 1930, a Ação Integralista Brasileira (AIB) encabeçadas por diversas personalidades da época como Gustavo Barroso, Plínio Salgado e Miguel Reale, tendo seu auge na época do governo getulista.

De inspiração tradicionalista, nacionalista/regionalista, na  doutrina social da Igreja, defende na linha do pensamento tradicionalista, que cada nação necessita de um sistema político adequado à sua própria história, cultura, religião e pensamento. Dá prioridade à preservação da cultura local, da tradição, dos costumes e ao desenvolvimento das zonas rurais, como forma de vencer o cosmopolitismo e o multiculturalismo. Contrários ao modernismo filosófico e prático, defendiam uma forma de governo baseada na ligação do Estado com a família, defendendo princípios éticos, religiosos e morais para os homens, lutando, assim, contra a extinção do Estado defendida por socialistas e direitistas.

Segundo sua própria doutrina, o Integralismo foi a Doutrina do Homem Integral, da Sociedade Integral, do Estado Integral. É a Doutrina dos valores integrais, sejam do homem, da sociedade ou do Estado.

Afirma inicialmente o Homem Integral. O homem não é só composto de matéria, mas, de matéria e espírito: A Pessoa Humana, com sua tríplice aspiração material, cultural e espiritual. Daí decorre o conceito da sociedade em que militam homens considerados com todas as aspirações, isto é, a Sociedade Integral.

A Nação é uma sociedade humana de pessoas livres e grupos naturais autônomos. É a Nação que cria o Estado. Sendo o Estado criatura da Nação, não pode absorvê-la ou dominá-la. A Nação pode modificar o Estado, mediante reformas constitucionais, mas o Estado não pode modificar a Nação, violentando a sua índole, a sua tradição, o seu modo de ser, as suas aspirações. Toda política estatizante aberra da natureza humana e fere os direitos fundamentais em que se alicerça a Nação.

O Estado Integral é a Nação organizada juridicamente, economicamente, culturalmente, moralmente  e espiritualmente.

Enéas Carneiro e o PRONA

Enéas Ferreira Carneiro (1938 – 2007), era um político brasileiro fundador do Partido da Reconstrução da Ordem Nacional ( PRONA), localizado ideologicamente no nacionalismo e no conservadorismo anti-comunista e anti-direitista. Entre suas causas políticas estavam o rompimento total da economia nacional com o neoliberalismo e da sua influencia na política doméstica.

Armando Zanine Teixeira Júnior e o Partido Nacional-Socialista Brasileiro

Fundador do Partido Nacional-Socialista brasileiro no final dos anos 1980 e início dos 1990, defendia um governo nacionalistas e socialistas nacionais de determinação popular aos moldes nacional-socialistas europeus com visão a realidade e aspectos culturais, sociais e tradicionais brasileiros.

O ano de sua fundação é incerto mas o mais provável é que seja em 1989, ele foi fundado pelo antigo oficial da marinha mercante carioca Armando Zanine Teixeira Júnior. Atua sobretudo no Rio de Janeiro, possuindo ramificações em São Paulo, no Espírito Santo, na Bahia e no Distrito Federal.

Hoje

A terceira posição em suas várias formas continua a existir em todo o mundo, com sinais de crescimento na França, Hungria, Grécia e Síria. Além de que seus ensinamentos continuam presentes em muitas dissidências e ramificações que até procuram superar a Terceira Posição abrindo uma Quarta.

Tradução original de Gabriel Pimentel

Edição de texto: André Marques

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Andre Marques
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2 thoughts on “Terceira posição: Síntese histórica e ideológica”

  1. Nacional-Bolchevismo, Strasserismo, Nacional-Anarquismo,quarta teoria duguinista, são todos movimentos traidores e difusores de mentiras, influenciados por sionistas como Marx, servem pra dividir os camaradas nacionalistas portanto devem ser combatidos com ferro e fogo.

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