Quando se possui armas, os negócios acontecem

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A grande mídia noticiou com fervor, nos últimos dias, o notável encontro histórico entre Kim Jong-un, líder supremo da Coréia do Norte e Donald J. Trump, presidente dos Estados Unidos em Singapura na última terça-feira (12) em Cingapura, cujas relações tem sido distantes e conflituosas desde o início da Guerra Fria nos anos 1950.

Mas o que é para ser notado é que apesar do fato de que os apoiadores da política de Trump usarem sua dura diplomacia como slogan para promovê-lo como “agente da paz mundial”, será mesmo que o vencedor dessa relação, agora caminhando para uma possível diplomacia menos acirrada, ao que perece, será por conta de Trump ou existe algo a mais? Vamos aos fatos.

Não se engane, esse tipo de encontro serve em maior escala para conhecer melhor os adversários políticos, onde ambos os gabinetes estratégicos falam e escutam de frente as posições e propostas. É um jogo de nervos que pode ou não ser proveitoso. Paralelos já existiram antes no contexto da Guerra Fria, como em 1961, entre o presidente estadunidense John F. Kennedy e o então líder da União Soviética Nikita Khrushchev; Richard Nixon e  Mao Tsé-tung na China, 1972 e Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev na Islândia em 1986.

Paz Armada, a melhor saída

Como dizia um grande homem de nosso país, Enéas, Carneiro, “os países não se relacionam por amizade, mas sim por interesse, vamos emergir da infância.”

A Coréia do Norte mostrou ao mundo que o melhor caminho para a independência política  nacional é o caminho da paz armada, independente de qual orientação ideológica seu governo possua. O diplomata, advogado e economista brasileiro Adriano Benayon e o grande físico brasileiro Bautista Vidal já concordavam em opinião com Enéas quando diziam em uníssono que a melhor coisa que os países de economia rica podem fazer pelos países mais pobres economicamente é “deixá-los em paz!”.

A imprensa estatal da Coreia do Norte disse que Kim conseguiu importantes concessões dos Estados Unidos, como o fim dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul e um desmonte gradual das armas nucleares. Os jornais de lá dizem até que os Estados Unidos podem suspender as sanções contra a Coreia do Norte se a relação entre dois países melhorar. Isso não foi negado pela Casa Branca.

Não é atoa que antes disso, historicamente, para delírio dos “liberal-patriotas brasileiros”, Kim iniciou negociações de paz com a própria pendencia interna mais imediata, a Coréia do Sul. Separadas desde a Guerra das Coreias, em 1953, onde o norte tinha apoio soviético e o sul apoio norte-americano e Aliado.

Ao contrário, Trump recebeu diversas críticas tanto dos conservadores, quanto liberais e progressistas de seu país pelo que eles chamam na mídia internacional “termos vagos” do acordo. Um claro apontamento de que o establishment político financeiro não ficou contente com os resultados das primeiras negociações.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, por exemplo, reconheceu que ainda há muito trabalho pela frente para “acabar” com as armas nucleares da Coreia do Norte. E é esse o ponto. O que dá autonomia a um país é a capacidade nuclear para negociar de igual para igual. Ao contrário do pensa o sionismo e a Alta Finança internacional da Segunda-Guerra, bombas atômicas não servem para ser jogadas nas cabeças dos seres humanos inocentes, mas para negociação política e segurança nacional.

Concordamos com Trump, que quando irritado com as críticas na coletiva de imprensa estadunidense, escolheu seu lado: “O grande inimigo do nosso país são as fake news”.

A história da Coréia do Norte não terminou como na Líbia de Kadafi, na Síria de Bashar ou no Iraque de Sadam ou na Venezuela de Cháves, países que não avançaram, indiferente das motivações político-estratégicas para a potencialidade nuclear e acabaram destroçadas ou sucumbindo seja pelos embargos comerciais (com a exceção da Síria que resiste com apoio russo e iraniano, duas potências nucleares) ou agressões militares internacionais de alta proporção. Kim, comprometeu-se por hora a desativar o programa nuclear nacional enquanto os acordos forem respeitados e tudo correr na diplomacia e é assim que as potências e o Deep State, que agora entre em acirradas guerras econômicas e geopolíticas com adversários de peso como a Rússia e a China deverá se comportar com a Coréia do Norte, na diplomacia.

Kim Jong-un que não invadiu nenhum país, não embargou qualquer economia nacional e não interferiu na política externa de quem quer que seja se não na sua própria é que merecia o prêmio da paz.

O Brasil caminha no rumo contrário

Todos os nossos grandes pensadores nacionalistas são unânimes em afirmar o porque o Brasil não virou, mesmo ainda podendo ser, uma grande potência militar, econômica e política (veja que a Coréia do Norte, menor que o estado Ceará, é considerada geopoliticamente uma ‘potência nuclear’) se deve ao fato de um extremo entreguismo de seus governos gerações após gerações. Seja por parte da elite financeira nacional, seja por parte da internacional, nunca tivemos a mentalidade de almejar a soberania de fato através do armamento nuclear, a defesa direta das fronteiras, a soberania do território e dos recursos naturais e da economia.

Muito pelo contrário, na 71ª reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas em 2016, o vice de Dilma-Lula, Michel Temer, discursou sobre a “paz mundial” e a importância da não-proliferação de armamento nuclear, encabeçando um tratado, não assinado pelas potências militares nuclear, como os Estados Unidos, além de “pedir” menos desmatamento, enquanto vende o solo para empresas privadas e estatais estrangeiras,  demonstrando assim, uma clara subserviências as grandes potências que fazem e constroem seus impérios com base nos recursos naturais e financeiros dos países alheios, como o nosso.

Andre Marques
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