Para quem governa o governo sem rumo?

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O então Ministro da pasta da Saúde, o médico e empresário judeu-brasileiro Nelson Teich, deixou o Ministério da Saúde nesta sexta-feira (15) antes de completar um mês no cargo. Ele é o segundo ministro a cometer essa ação em meio a pandemia de coronavírus que corre por todo o Brasil, até ontem (16) o 6º país no ranking de casos da doença, com a cifra de 200 mil infectados pelo menos oficialmente.

Apesar de a nota oficial afirmar que Teich pediu demissão, uma parte da mídia especula que ele teria sido demitido, segundo “afirmações de assessores”.

Teich declarou em seu twitter que:

Na coletiva de imprensa, Teich informou a saída por escolha. Ele exaltou a saúde publica brasileira, mas não explicou, no entanto, por que tomou a decisão e nada falou sobre qualquer problema em relação ao governo e a gestão presidencial. Teich agora entrará como o mais novo “camarada” para um seleto grupo de pessoas consideradas “traidores da pátria” e “comunistas soviéticos” pelos seguidores fanáticos do olavo-bolsonarismo, que conta com os ex-ministros Luiz Mandetta e Sérgio Moro. Mesmo todos eles sendo advindos de círculos internos de influência que apoiam o governo e suas medidas desde a candidatura de Bolsonaro, a maçonaria e o judaico-sionismo. Mas não esperemos nada que se transforme num conflito generalizado. Eles são todos amigos…

Impressões óbvias

A impressão que passa é que, à mando de Bolsonaro, o governo procurou alguém de caráter pacificador e submisso após a saída de Mandetta. Mas Teich parecia na verdade perdido em meio às nervosas demandas vindas do Planalto através de Bolsonaro. Certamente parece – e tal coisa tornou-se clarividente para Teich – que é insustentável conciliar as medidas de segurança de saúde necessárias ao nível nacional em conter o avanço da pandemia de Covid-19 e aquilo que sustenta o atual presidente, como se nada de diferente estivesses acontecendo e que tudo não passasse de uma “ficção midiática” para enfraquecer posicionamentos como os que ele insiste em manter.

Mas quais são seus posicionamentos e qual é o motivo da recusa de Bolsonaro em atender demandas necessárias ao combate da pandemia?

Hidroxicloroquina e irresponsabilidade

Por trás das estéricas alucinações de seus cegos apoiadores está a pressão deliberada de Bolsonaro e seu séquito da linha de frente para sanar tudo miraculosamente “enfiando goela abaixo” o uso de hidroxicloroquina em tratamentos para os infectados por Covid-19 no Brasil, acompanhado de visível indiferença – e até raiva – em ouvir falar sobre qualquer outras medidas restritivas de isolamento para com uma pandemia global… mesmo de seus apoiadores mais fantasiosos.

Aliás, medida também defendida pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Será então o mesmo que dizer que Maduro e Bolsonaro estão do mesmo lado, unidos pela hidroxicloroquina? Não eram ele e seu filho Eduardo, os porta-vozes do “combate à esquerda” e os principais instigadores de hostilidades diplomáticas para com o governo venezuelano anti-imperialista?

Não parece estar sendo levado em conta a impressão de que as falas do presidente indicam uma pressão enorme da alta classe empresarial, seja em nível nacional e transnacional. O lobismo industrial farmacêutico também parece fazer sombra sobre as opiniões do presidente imposto com a construção marginal da narrativa do uso da hidroxicloroquina. Lembremos que o próprio presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump foi um dos apoiadores dessa ideia, mas parece consistentemente ter voltado atrás.

O uso da hidroxicloroquina tem sido discutido pelo fato de que em alguns casos a substância parece ter causado efeitos benéficos, mas em outros, não. E isso é preocupante, pois não existe qualquer garantia de resultados, só sendo utilizado em último caso, podendo consequentemente oferecer risco real de causar efeitos colaterais devastadores. Isso não são possibilidades políticas, mas sim, médicas. É preciso quebrar de uma vez por todas a ambiguidade e separar cada ponto desta questão. São vidas humanas e não rebanhos de gado que estão em jogo.

Teich, ao que parece, não quis concordar com a Medida Provisória n° 966, de 2020 constada dias atrás no Diário da União em 13 de maio, onde diz que os médicos não serão responsabilizados em casos de malefícios no tratamento do covid, especificadamente utilizando indiscriminadamente a hidroxicloroquina. Percebendo a irresponsabilidade, Teich não quis ter seu nome envolvido com tal coisa como quem diz “não terei esse sangue nas mãos”, ou “lavo minhas mãos”.

O desalinhamento ficou claro em coletiva de imprensa recente onde o agora ex-ministro foi bastante criticado pelos apoiadores de Jair Bolsonaro após sua reação de surpresa ao ser informado em tempo real do decreto que classificou academias de musculação e salões de beleza como atividades essenciais, em meio uma coletiva na qual Nelson Teich explicava a necessidade de coordenar diferentes níveis de isolamento social de acordo com as especificações das regiões (Teich é defensor do isolamento horizontal).

 

Teich sabe que com sua saída, não poderá ser acusado de ter agido com má fé, estando a crítica condicionada em apontar que ele apenas não quis fazer parte do “circo”, não entrando na “queda de braço” com Jair, uma disputa que, evidentemente, só será vencida pela força, não pela razão.

Essa situação torna completamente insustentável até para as pessoas que são inseridas pelos setores que apoiam a gestão Bolsonaro dentro do governo para trabalhar diretamente como seus agentes executivos. Devemos lembrar que Teich não é novo na gestão Bolsonaro e não “aterrissou de paraquedas”. Ele atuou como consultor informal na campanha presidencial de Bolsonaro em 2018, sendo cotado para assumir o Ministério da Saúde, que inicialmente foi assumido por Mandetta.

Não obstante, a mídia brasileira noticiou que Bolsonaro quer o general Eduardo Pazuello, atual “número dois” da pasta de saúde no caso da saída de Nelson Teich. Qual será a postura deste diante da situação?

O general-de-divisão de três estrelas do Exército, Eduardo Pazuello, é o mais novo militar a chegar ao primeiro escalão do governo, que, até então, vinha atuando como secretário-executivo do Ministério da Saúde entre as saídas dos médicos Mandetta e Teich.

Agora Bolsonaro o quer como Ministro.

Eduardo Pazuello é natural do Rio de Janeiro. Em 2018 coordenou a Operação Acolhida, que cuidou de refugiados da Venezuela em Roraima e previamente serviu como Secretário da Fazenda no Governo do Estado de Roraima no período da intervenção federal até 2019. Em janeiro deixou a coordenação da 12ª Região Militar em Manaus (AM) como Secretário-Executivo do Ministério da Saúde. Em 2005, quando tenente-coronel no Depósito de Munição em Brasília, obrigou o soldado Carlos Vitor de Souza Chagas a puxar uma carroça no lugar do cavalo com um colega sendo transportado no banco, com todos os demais militares que serviam na unidade assistindo ao ato. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Assim como o atual presidente, Pazuello graduou-se na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e, como Oficial de Intendência, é especialista em tarefas logístico-administrativas. Mas a diferença dele para com Bolsonaro e os demais ministros militares – quase a metade das pastas desse governo -, é que Pazuello é o único que está na ativa militar, não na reserva como os demais. Outra diferença, agora com relação aos dois últimos ex-ministros da Saúde, é que Pazuello não é médico nem possui qualquer afinidade com a área. Ele disse que seu conhecimento sobre o assunto é de “leigo”, mas aproveitou para expressar que o país tivesse mais “cuidado” com os “dados utilizados” no combate à pandemia.

“O meu grau de conhecimento específico, técnico, de médico, é leigo. A gente observa que dados precisam ser melhorados, a gente precisa ter números mais fidedignos, com menos risco de manipulação, para que se definam as estratégias em cima de dados reais. Se você não tiver certeza absoluta dos dados, tudo o que você planejar não tem resultado”, disse.

Jornalistas especulam que Pazuello, mesmo sendo o segundo na hierarquia para com o agora ex-ministro, na prática era visto como detentor real do poder em detrimento ao ex-ministro Nelson Teich. Estaria aí o “homem forte” de Bolsonaro?

Enquanto as curvas baixam, no Brasil aumenta

Em um surto pandêmico, existe a previsão e calculo de um pico no índice de infecção. Após esse índice chegar ao cume máximo, a curva dos gráficos começa, naturalmente, a baixar. E, aí sim, é a hora de abrir o comércio e derrubar as restrições. É isso que acontece em países onde essa curva gráfica começa a declinar após meses de altas em números de contágio como Espanha, Portugal, Suécia, etc.

Não é preciso ter o mesmo nível de padrão de vida ou de economia per capita de países do primeiro mundo para que um governo entenda estas medidas, pois os próprios gráficos e análises mostram isso. É uma questão de tempo, mas quanto mais engajamento conjunto, mais rápido se obtêm o sucesso. Não parece ser o caso brasileiro onde a discórdia nasce do próprio centro político do país. Verdadeiro absurdo! A discussão política toma lugar enquanto pessoas caiem mortas pela “gripezinha“.

Pense nisso: quanto mais rápido agirmos e trabalharmos em conjunto sem esperar pela salvação do governo, mas sim, junto de nossas comunidades, mais rápido desaparecerão as justificativas para lockdown, isolamento policial e superfaturamento em infraestruturas para combate à pandemia.

Em vez de esperar pelo governo – cujos agentes principais não ligam para você – até para limpá-lo na saída do banho e, ter inveja de países como a Suécia e Letônia, desculpando seu presidente por sermos um país de grande território e blá, blá, blá, façamos nossa parte, como alguns fizeram lá fora, agindo cada qual com sua comunidade local, pois isso é algo que falta de imediato ao brasileiro, e como faz falta…

Podem sim os globalistas, a elite global, a sinarquia financeira estar se beneficiando do caos generalizado, pode também ter sido o vírus fabricado ou ser natural. Nada disso quer dizer que o vírus e a doença também não sejam reais e que inocentes não morram. Temos dois problemas, o do ponta-pé do remodelamento global dos donos do poder e a realidade de uma doença mortal. Adicione no Brasil um governo que não liga se você morrer e teremos os caixões da FEMA com uso adequado se não agirmos.

E então, vai confiar a saúde dos seus filhos para o Bolsonaro ou vai usar sua cidadania para alguma coisa que não seja discutir no grupo Whatsapp da família?

Conclusão

Para aqueles poucos que ainda não se entregaram para a bipolaridade insana da guerra de narrativas entre governo e mídia nacional pelo controle do que se deve ou não ser informado aos brasileiros,  fica a dúvida para ser analisada sobre o significado dessa crise política em vias de pandemia e qual o rumo que a gestão que leva o nome do atual presidente quer seguir… se é que existe algum…

Nosso país está num buraco sem fundo. Capitães da economia especulativa, como Guedes, encaixados no governo federal através da gestão Bolsonaro, aproveitam-se da crise para impôr ideias de entrega e transferência de patrimônio em forma de “privatizações” de setores estratégicos do país como recentemente falou sobre a privatização da p**** do Banco do Brasil, afirmando que isso estimulará a “competitividade”, quando só nos torna cada vez mais reféns do capital global estrangeiro, aja vista os grandes pacotes de privatização e “abertura” dos anos 1990 com Collor e FHC que nada mudaram o país a não ser encher mais os cofres dos oligopólios por detrás dos consórcios compradores.

Paulo Guedes, ministro da Economia, teria cobrado “vender rápido a porra do Banco do Brasil”, segundo colunista do jornal O Globo. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Nenhum país cresceu no mundo vendendo a preço de banana sua riqueza natural, suas empresas estratégicas, sua inteligência. Sem energia em nossas mãos, sem Base Militar tecnológica, sem bancos nacionais, sem recursos naturais (vide os casos de Brumadinho com a mineradora Vale e Mariana com a mineradora Samarco), como disse Enéas Ferreira Caneiro ainda em vida, “daqui dez anos vamos privatizar mais oque?”.

Os banqueiros e grandes financeiras aproveitam-se também para lavar todo o dinheiro de títulos podres com emissões de debentures para que o Tesouro Nacional os pague sem fiscalização ou restrições quaisquer através da PEC 10/2020, rapidamente colocada em urgência para votação no Senado. Estamos falando de no mínimo trilhões para “salvar” os bancos da pandemia enquanto você ainda terá taxas de juros maiores do planeta e ainda temos que aturar Guedes nos chamando de “otários” como forma de nos fazer de verdadeiros otários ou mais otários ainda.

A desvalorização da moeda nacional em relação ao dólar em 2020 é de – 44%. Estamos atrás de moedas como a da China, Peru, Angola, Argentina, Equador, Turquia, México e outros em termos de desvalorização. O próprio Trump, figura ícone dos sonhos políticos mais molhados de Bolsonaro, acusou o Brasil de desvalorizar a própria moeda! Afirmando que tomará medidas de tarifação em relação ao aço exportado daqui para lá como contra-medida…

Qual a ideia? Afundar tudo que ainda resta e recomprar tudo à “preço de goiaba” na feira nos pagando salários de fome? lembre-se que foi “graças a oposição” que ainda pôde haver um auxílio emergencial de R$ 600,00, pois não foi vontade do Governo federal.

Afinal de contas, será que a culpa é somente do que agora os bolsonaristas chamam de “imprensa golpista” e “imperialismo comunista chinês”? Já vimos esse filme com o petismo.

O atual governo cumpre seu verdadeiro papel atendendo a interesses oligárquicos regionais pois assim, atende a agenda “deles”.

Andre Marques
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