Os 12 Anos do Legado de Enéas Carneiro – Biografia de um Nacionalista

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Enéas Ferreira Carneiro nasceu em 5 de novembro de 1938, na cidade de Rio Branco, estado do Acre, no Norte do Brasil. Filho de Eustáquio José Carneiro, barbeiro, e Mina Ferreiro Carneiro, dona de casa, seu pai morreu quando Enéas tinha apenas 9 anos de idade sendo obrigado a trabalhar desde essa idade para sustentar a si e à sua mãe. Nessa época, a condição sócio-econômica de sua família era de miséria, tal como o lugar onde nasceu e cresceu, uma periferia pobre e abandonada pelo poder público sua da cidade natal.

Enéas com 6 meses de idade. Reprodução: Arquivo pessoal

Ainda menino, se mudou para Belém do Pará, atrás de condições financeiras e oportunidades melhores que não teria em sua terra natal, indo morar em um barraco tendo como alimentação um punhado de farinha e café.

Na capital do estado do Pará, desempenhou diversas profissões das mais variadas atrás do sustento de cada dia. Sempre dedicado e disciplinado, nunca deixou de lado o cuidado com a família, além do carinho, respeito e apoio de seus. Passando fome, foi primeiro lugar no exame de admissão do curso ginasial da Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Série em Belém do Pará. Mas apensar disso, ao concluir o nível científico escolar, não podia frequentar o curso médico, carreia que já aspirava pois trabalha o dia inteiro e não poderia o deixar, visto suas dificuldades financeiras e sociais. Enéas então pensou em uma solução; dirigir-se por meio de carta, ao Comandante da  EsSEx, Escola de Saúde do Exército no Rio de Janeiro (na época capital do país) perguntando-lhe como deveria fazer para ingressar naquela escola. Com essa atitude, Enéas ganhou a atenção do comandante que lhe respondeu lhe instruindo a como inscrever-se para os exames de admissão, tornando-se o primeiro lugar no concurso sendo o único candidato do Pará a ser aprovado naquela ocasião.

Para alcançar seus objetivos, durante sua vida pré-acadêmica, militar e medica, Enéas chegou a trabalhar na construção civil como apontador de obras, foi tradutor de inglês, trabalhou em açougue e foi auxiliar de escritório.

Estudos e Serviço Militar

Aprovado, chegou na Escola de Saúde do Exército em 1958, com 20 anos de idade. No ano seguinte, graduou-se terceiro-sargento auxiliar de anestesia, sendo novamente o primeiro lugar de sua turma. Interessante notar que primeiramente Enéas tornou-se sargento pois teria rápida formação e receberia soldo para suporte de sua família no Norte. Somente um ano após graduado, em 1960, ingressa na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, ligada a Federal do Rio, sendo até hoje uma das mais antigas e tradicionais faculdades de Medicina do país, onde se formaria médico em 1965.

Enéas quando era estudante da Universidade do Estado da Guanabara. REPRODUÇÃO: arquivo pessoal.

Em fevereiro de 1962, prestou exame para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da Guanabara (atualmente parte da UERJ), nos cursos de licenciatura em matemática e física, sendo também aprovado em primeiro lugar. Ainda em 62, começou a trabalhar como professor destas disciplinas, preparando alunos para o exames de vestibular.

Após formando médico, com 8 anos de serviço ativo no Hospital Central do Exército, Enéas, já tendo recebido em seu currículo a medalha Marechal Hermes, honraria militar destinada aos destacados nos estudos e na instrução intelectual entre oficiais e praças nas Escolas do Exército ou nos concursos para as funções do Magistério Militar, pediu baixa da carreira militar.

Em 1968, sendo diplomado-se licenciado em Matemática e Física logo fundou o curso pré-universitário Gradiente, do qual dirigiu e também lecionou matemática, física, química, biologia e português.

Quanto a medicina, Enéas especializou-se em 1969 na área de cardiologia pela 6ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, sendo, a partir de então, integrado como assistente nesse serviço.

Dr. Enéas Carneiro no Exército Brasileiro. Na primeira foto, Enéas está ao centro, com os óculos característicos. “Ele é doce, não tem nada da braveza da tevê”, diz Adriana Lorandi, ex-mulher, em matéria de Juliana Lopes para a Istoé Gente, em 21/10/02. I Imagens: Arquivos pessoais.

Entre 1973 e 1975 fez mestrado em cardiologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro),  ministrando nesse período aulas de fisiologia e semiologia cardiovascular nessa universidade. Ainda em 1975 apresentou a primeira versão de seu famoso curso “O Eletrocardiograma”, ainda no Rio de Janeiro, sendo ministrado em São Paulo em 1983, Quito, no Equador, em 1985 e novamente no Rio em 1986, dessa vez como curso nacional, dado no Hotel Copacabana Palace.

Sobre o Exército, Enéas pronunciou em alguns do inúmeros programas de TV e rádio que participou como convidado: “O Exército não existe para se voltar contra o povo, mas sim para sua defesa e do território da Nação a que pertence.”; “Quem são os últimos baluartes da defesa dos interesses nacionais, nos países periféricos? São as Forças Armadas e os Órgãos de Inteligência.”; “O Exército é preparado para defender a Pátria, para a segurança nacional, segurança maior, no sentido amplo do termo, em geopolítica. Os militares, e eu o fui, eles são treinados para amar a Pátria.”

Em 1976, lança sua tese de mestrado, “Alentecimento da Condução AV”, recebendo título de mestre em cardiologia pela UFRJ. No mesmo ano escrevendo o livro “O Eletrocardiograma“, referência no gênero. Para se ter uma ideia, publicado em 1977 e reeditado dez anos depois como “O Eletrocardiograma: 10 anos depois”, essa obra é conhecida no meio médico como a “bíblia de Enéas”.

Família durante essa época

Na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Enéas chegou a conhecer sua primeira esposa, Jamile Augusta Ferreira, quando estava lendo um livro de ciências exatas, sendo abordado por ela, interessada pela leitura, posteriormente tornando-se sua namorada. O casal teve uma filha, quando terminaram os estudos na escola de medicina, chamada Janete. Cinco anos mais tarde teve outra filha chamada Gabriela com Selene Maria, relacionamento que, como o anterior, não foi duradouro.

Em 1982, Enéas casou-se com a promotora da auditoria militar, Adriana Lorandi, com quem teve sua terceira filha, Lígia.

Carreira Política – O início em 1989

Em 1989-1990, Enéas consegue fundar o PRONA (Partido de Reedificação da Ordem Nacional), lançando-se imediatamente candidato à presidência nas primeiras eleições diretas do Brasil, após o período do Governo Militar (1964 – 1985).

Enéas Carneiro em 2004. I Imagem: Antônio Cruz/ABr – Agência Brasil

Para tanto, como consequência da dedicação de Enéas, sua esposa, Adriana, que foi a primeira a lhe incentivar a adentrar a carreira política, visto sua indignação com o estado da política atual, acabou por se separar pois para criar o PRONA, Enéas precisou se desfazer de muitos bens. “Ela não aguentou. Torrei todo meu patrimônio, uns imóveis e joias porque queria construir o PRONA”, ele disse posteriormente em várias ocasiões. Posteriormente, Enéas juntou outros recursos financeiros advindos de seus colegas médicos que formaram o núcleo pioneiro do partido, atraindo posteriormente, grandes figuras do nacionalismo brasileiro do final do século XX.

O seu tempo na propaganda eleitoral gratuita era de quinze segundos, mas, aliado a uma fala rápida e a um discurso inflamado e nacionalista (terminado sempre por seu bordão: “Meu nome é Enéas”), fez com que o então desconhecido político angariasse mais de 360 mil votos, colocando-o em 12º colocado entre 21 candidatos. Dado interessante era que outra marca autêntica de seu pronunciamento era a trilha sonora da propaganda que sempre vinha acompanhada pela 5ª Sinfonia de Ludwig van Beethoven.

Segunda candidatura presidencial -1994

Lançando novamente sua candidatura nas eleições de 1994 com o tempo 1 minuto e 17 segundos no horário gratuito. Mesmo sendo o PRONA um partido ainda sem expressão, o resultado surpreendeu os especialistas em política. Enéas foi o terceiro mais votado, com mais de 4,6 milhões de votos (7%), estando à frente de políticos consagrados, como o então governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola (PTB/PDT) e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (MDB), ficando atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as duas forças dicotômicas do que Enéas pontualmente atribuiu como a falsa briga entre “esquerda e direita”, deixando claro posicionamento do nacionalismo autêntico de Terceira Posição.

Enéas e a Cartilha “O Brasil em Perigo”, de 1996.

Enéas, o PRONA e os nacionalistas estavam começando a “fazer um barulho” bastante ensurdecedor contra os eternos inimigos da pátria, alertando sobre as verdadeiras causas da miséria, corrupção, falência e do descaso no Brasil.

As ideias do Dr. Enéas e dos dirigentes do PRONA foram publicadas em “Um Grande Projeto Nacional (1994)” – Livro lançado pelo PRONA para a campanha presidencial de 1994.

Terceira candidatura presidencial – 1998

Em 1996, como parte de sua pré-campanha, o PRONA lançou a cartilha “O Brasil em Perigo”, para leitura mais rápida e prática, de forma acessível para todos os brasileiros aos quais era distribuída, com temos que falavam dos verdadeiros males da nação.

Convenção. Enéas Carneiro chega ao templo da legião da Boa Vontade para a convenção do PRONA. Imagem: Gustavo Mirando (21/6/98) Agência O Globo.

Em 1998, o PRONA teria apenas 35 segundos no horário eleitoral gratuito — na soma total, um tempo menor do que em 1989 —, ficando nas eleições presidenciais daquele ano, foi o quarto colocado, com um total de 1.447.090 votos.

Mais uma vez, as ideias do Dr. Enéas e dos dirigentes do PRONA foram publicadas em “Um Grande Projeto Nacional (1998)” – Livro lançado pelo PRONA para a campanha presidencial de 1998.

Prefeitura de São Paulo e Deputado Federal – Motivações

No ano de 2000, Enéas candidatou-se à prefeitura de São Paulo, obtendo 3% dos votos, conseguindo reunir um quociente de votos necessários para a eleição de sua candidata a vereadora pelo PRONA, a médica e advogada Havanir Nimtz.

Enéas havia registrado em cartório a decisão de que não lhe interessava de forma alguma cargos políticos abaixo de Presidente da República, uma vez que era de sua compreensão que nada se podia de fazer de efetivo pelo corpo nacional, alguém que lhe estivesse abaixo, e que não era “político de profissão”, pois como dizia, sua profissão era “medico e professor”, e assim não o necessitava, mas a como a lei eleitoral havia mudado, o PRONA precisa de um deputado federal caso quisesse concorrer a Presidência. Sendo assim, o próprio Enéas candidatou-se como tal pelo estado de São Paulo.

Collor x Enéas no Debate da Band pela Prefeitura de SP. Imagem: Youtube.

Obtendo a maior votação da história do país para aquele cargo, cerca de 1,57 milhão de votos, Enéas batia um recorde que permaneceria não superado até 2018, quando o  candidato da Direita Liberal, Eduardo Bolsonaro (PSL) obteve 1,8 milhão de votos, valendo-se da fama de seu pai, Jair Bolsonaro, que foi eleito presidente.

O PRONA então obteve votos suficientes para que através do sistema proporcional pudesse eleger mais cinco deputados federais, dos quais foram designados alguns dos fundadores do partido para atuar em Brasília. Enéas também participou ativamente das eleições para prefeitos e vereadores em 2004, ajudando a eleger vereadores em várias capitais, como Rio e São Paulo, e prefeitos em pequenas cidades.

Infelizmente, nem todos aqueles que se elegeram através do PRONA tinham a personalidade incorruptível e a ideologia do Dr Enéas, alguns destes teriam mudado de colégio eleitoral de forma ilegal apenas para serem eleitos pelo princípio da proporcionalidade, confiando nos votos conferidos ao partido através de Enéas, usando o PRONA de escada e aproveitando-se de seu crescimento.

Doença, força e continuidade

No início de 2006, Enéas passou por sérios problemas de saúde, uma pneumonia e uma leucemia mieloide aguda, fazendo com que ele optasse por retirar sua emblemática barba, antes que a quimioterapia o fizesse. Ainda em função de seus problemas de saúde, em junho desse ano,  anunciou que desistiria de sua candidatura à Presidência da República e que concorreria novamente à Câmara de Deputados em Brasília. Na nova campanha, mudou seu bordão para “Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas”. Foi reeleito com a quarta maior votação no estado de São Paulo, atingindo 386.905 votos, cerca de 1,90% dos votos válidos naquele estado.

Nova legenda. Sem a barba característica, Enéas Carneiro e os deputados Luciano de Castro e Sérgio Tamer concedem entrevista no lançamento do Partido da República (PR), fusão do PRONA com o Partido Liberal (PL) I Imagem: Roberto Stuckert (26/10/06) – Agência O Globo

Mesmo assim, com o desgaste do escoamento de pessoas do PRONA após o uso da sigla para eleição, os resultados ruins nas eleições de 2006 fizeram com que o partido não superasse a cláusula de barreira partidária. Para evitar o desaparecimento, após o primeiro turno da campanha de 2006, juntou-se ao Partido Trabalhista do Brasil (PTB) e do Partido Liberal (PL), fundaram o Partido da República (PR).

Luta e Morte

após ter desistido do tratamento quimioterápico e abandonado o hospital onde era tratado, o Hospital Samaritano, por acreditar que seu tratamento não mais surtiria efeito e, não querendo morrer em um leito de hospital, Enéas Carneiro faleceu em sua casa, em 6 de maio de 2007, aos 68 anos, por conta da leucemia mieloide aguda. Seu corpo foi velado na manhã do dia 7 de maio no Memorial do Carmo (que fica no Cemitério São Francisco Xavier), e cremado, na tarde do mesmo dia, no crematório da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. O último pedido de Enéas foi que sua família jogasse suas cinzas na Baía de Guanabara.

Sua suplente na Câmara foi Luciana Castro de Almeida (PR, originalmente candidata pelo PRONA), que conseguira apenas 3.980 votos na eleição de 2006.

Atualmente, um projeto de lei visa incluí-lo como herói da pátria e colocar seu nome no “Livro de Aço” do Panteão da Pátria, junto de outros heróis.

Legado

Para o nacionalismo, o PRONA e seu líder, Dr. Enéas Carneiro, podem mesmo ser considerados herdeiros da AIB – Ação Integral Brasileira, ou o getulismo e o castilhismo da primeira metade do século XX quando se trata da presença massiva do patriotismo, nacionalismo e da Terceira Posição nacionalista a brasileira e outros movimentos de massa que visavam tais valores surgidos no Brasil.

Enéas foi um político com um projeto político baseado num estudo de fundamentos atemporais, que são aqueles fundamentos que edificam qualquer cultura, civilização, Estado, etc., em qualquer época. Tendo esses fundamentos, dentro de sua época, ele configura, molda, dá os contornos para as necessidades de então. Isso quer dizer que não é um projeto político baseado em moda, improviso ou alguma “onda” oportunista. Ele adentra um nível de consciência política superior, que é a política que combina a ciência do conhecimento desses fundamentos com ciência aplicada adaptada a realidade do povo e do Estado.

Complementando, dentro da linha nacionalista e de fundamentos atemporais, o tipo de política do Dr. Enéas é nutrida pelos fundamentos do passado e tendo em consideração as necessidades do futuro. Essa é uma linha característica das civilizações tradicionais, a qual une numa linha passado, presente e futuro, permitindo sem perder os fundamentos essenciais do homem as adaptações a cada época. É uma política real. Não é uma política do improviso, a qual nós vemos hoje, onde se atira para todo lado num choque de situações e postulados contraditórios, totalmente antagônicos. Enéas via o que se complementava e o que não fazia parte da dinâmica política, depurando o que era imprestável.

Hoje vemos postulados políticos que um dia são aceitos ou levados a sério como algo de credibilidade, para depois de uma década tornarem-se descartáveis, ou seja, não possuindo fundo real, não passando de uma “onda”, mas os estragos de tais postulados falaciosos bem como seus autores ficam impunes. O projeto político de Enéas não tinha essa superficialidade que hoje vemos nas propostas políticas, ao contrário, pois além de baseado nos conceitos nacionalistas, era fincado em bases mais profundas nos conceitos clássicos, abrangendo todo seu projeto político. Clássico é o que serve de modelo para a construção cultura e civilizatória. Enéas literalmente chegou a se referir ao clássico certa vez.

Na verdade, a mentalidade de Enéas era clássica. É certo que ele não entrou em detalhes ou aprofundamento em todas áreas que seu projeto político, delineado em suas duas edições de Um Grande Projeto Nacional, poderia alcançar quando implementado, mas tanto em seu livro quanto em suas palestras e entrevistas se pode inferir sua mentalidade clássica.  Ele não via como antagonistas as ciências, artes e espiritualidade no homem, e essa visão procede das grandes tradições humanas, sejam a greco-romana, hindu ou chinesa, por exemplo. Enéas colocava, por meios científicos, que não seria possível haver uma evolução por acidentes através de tentativa e erro do acaso, resultando na criação do universo e do homem. Numa palestra, em abordagem científica, ele deixou explícita sua visão de que são necessárias uma força e uma inteligência para a criação do universo e do homem, uma vez que uma dinâmica perfeita subjaz tudo. Ele admitia que matéria e espírito são complementares e não contrapostos, o que equivale dize que espiritualidade e ciência são complementares e não contrapostos.

Apesar de sua imagem ter ganhado contornos de extravagância, principalmente devido a energia com que se expressava, bem como pela convicção com a qual se afirmava, Enéas estava muito longe do fanatismo, isto é, da cegueira. Como colocado acima, para Enéas espiritualidade não é necessariamente fanatismo, e embora a tradição cristã não conseguiu por questões de fanatismo conjugar ciência e espiritualidade como fizeram outras tradições, ele sabia que no cristianismo repousava muito dos freios morais da população brasileira, sendo esta a religião até então basilar na história do Brasil, então Enéas conjugava em seu projeto político o respeito e preservação do cristianismo junto com a liberdade religiosa, porém sem os relativismos dos postulados modernos e contemporâneos que extrapolam e distorcem os conceitos de liberdade, fazendo desta a arma de corrosão contra as instituições.

 

Também, como dito antes, ele entendia “direita e esquerda” sem o fanatismo que hoje atinge o limiar do paroxismo, do extremismo do bem x mal. Enéas em seu livro deixa claro de maneira simples que a “direita” se refere aos direitos individuais e empreendedorismo básico da qual nenhuma cultura política ou civilização pode prescindir, e que a “esquerda” compreende, por sua vez, as garantias sociais das quais nenhuma cultura, civilização ou Estado pode prescindir. Os excessos da direita e da esquerda, resultando no liberalismo e no sovietismo-marxista, são entendidos como Enéas como a ruptura do equilíbrio do Estado, uma vez que são distorções e extremismos procedentes de fanatismo ou de falácias doutrinárias. Enéas insistia que as garantias de liberdade da direita e segurança social da esquerda coexistem de modo completar e não de modo antagônico, sendo impossível um Estado sobrepor uma em detrimento de outra, como ocorre nos extremismos liberais e marxistas, e não entrar em colapso.

Essas são as características que põem Enéas como um inigualável político, provavelmente desde Getúlio Vargas.

Dar ênfase em sua trajetória e pensamento fala por si só. No mais, deve-se lembrar pra hoje algo que Enéas vivia repetindo, a necessidade de estudar para não ser enganado. Buscar conhecimento e desafiar aquilo que está estabelecido é algo que sempre irá lhe reforçar.

Artigo compilado com as participações e opiniões de André Marques, Piterson Hageland e Mykel G. Alexander, do site O Sentinela.

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Andre Marques

Brasileiro, estudante de Direito e atuante na área de marketing é fundador e editor do site O Sentinela (abril de 2013).
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