O uso de bots por Bolsonaro e outros políticos para manobrar a opinião pública

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Em julho de 2018, próximo das eleições presidenciais, um estudo divulgado pelo instituto InternetLab divulgou que 33% dos perfis que seguiam o então pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL), que viria a vencer as eleições presidenciais, eram na verdade perfis falsos controlados por computadores. Oque isso revela muito do uso de táticas de manipulação da percepção dos cidadãos sobre o processo eleitoral no ambiente das mídias sociais?

Esses robôs (bots) são programados para compartilhar, interagir e fazer volume nos perfis de forma automatizada, influenciando a “opinião pública”, esse já fraco conceito que quase nunca é espontâneo. Mas Jair Bolsonaro não era, naquela época, o candidato com maior número de bots nas redes sociais. Segundo o estudo, o candidato com maior percentagem de seguidores robôs era o senador Alvaro Dias (Podemos), com monumentais 60% dos quase 410 mil perfis que o seguiam não sendo pessoas reais.

Fonte da Imagem: Justificando.

O segundo colocado foi Geraldo Alckmin (PSDB), com 45,8% de perfis falsos entre seus seguidores.

Em seguida vemos: Marina Silva (Rede), com 36%; Jair Bolsonaro (PSL), com 34%; Ciro Gomes (PDT), com 32%; Rodrigo Maia (DEM), com 30%; Manuela D’Ávila (PCdoB) e Lula (PT) ambos com 22%; João Amoedo (Novo) com 21%. O menor percentagem de seguidores falsos era de Guilherme Boulos (PSOL), com 14%.

Concluindo, em média, 37,4% dos perfis que seguiam os candidatos à presidência no Twitter eram robôs.

Apesar de que, devido a popularidade, seja normal que existam muitos perfis falsos nas redes sociais de pessoas públicas como políticos candidatos à Presidência da República, é óbvio que números absurdos de bots como seguidores indicam fortemente a compra desses “serviços” com o objetivo de inflar artificialmente a reputação do respectivo candidato nas redes sociais, apesar de ser uma prática proibida pela lei eleitoral, restringindo os candidatos e suas assessorias a usar exclusivamente as ferramentas para impulsionar publicações oferecidas pelas próprias redes sociais.

Mas quando vemos o fato de que o Brasil é um dos países com o maior uso de bots em redes sociais e que hospedamos a 8º maior população de bots do mundo, essa realidade não chega impressionar. Uma rápida passada pelas redes sociais e vemos as correntes de fake news e as mais absurdas afirmações e opiniões sendo contagiosamente difundidas, mas, tente fazer isso sem impulsionamento estratégico…. o resultado não será tão grande.

A pesquisa foi realizada entre os dia 4 e 28 de junho de 2018 por meio de uma ferramenta desenvolvida pela Universidade de Indiana (EUA) chamada Botometer, que considera fatores como padrões de postagens e horários em que as contas estão ativas, a ferramenta analisa o comportamento dos perfis na rede e mede o percentual de seguidores de cada candidato que são potencialmente bots.

De acordo com o Instituto, a pesquisa oferece resultados confiáveis em cerca de 90% das análises.

O fenômeno Bolsonaro nas Redes Sociais

Segundo pesquisa feita a pedido da Veja em abril de 2018, 70% dos perfis mais ativos no Twitter sobre política atuavam em favor do então deputado. Isso seria uma contradição com a pesquisa citada na sessão anterior se não houvesse sido identificado, também nessa pesquisa, fortes indícios de que havia “interferência externa” nessa inflação, que teria sido causada por perfis falsos e robôs.

N época da divulgação dessas notícias, surgiu então como resposta da militância apaixonada, o bordão “Eu sou o robô de Bolsonaro”, com participação de sub-celebridades da mídia e sobrando a alcunha de “comunista” para a revista VEJA.

O pós-eleições

Já passadas as eleições, em dezembro do ano passado, a atuação de bots caiu drasticamente, mais ainda havia uma grande quantidade desses perfis agindo com mensagens favoráveis e contrárias ao presidente eleito, assim como seu adversário, Fernando Haddad (PT).

O estudo desses perfis, chamadas pela pesquisa de “perfis de interferência”, foi feito pela empresa AP/Exata, sendo analisados mais de 10 milhões de postagens e 624.827 perfis no Twitter desde o mês de maio de 2018.

Segundo o apontamento, coletado em 145 cidades do Brasil, os perfis ativistas de Bolsonaro caíram 73% até uma semana antes do segundo turno e primeira semana de dezembro. No caso de termos ligados ao PT e a esquerda, o fluxo caiu 94%.

Apesar de ser esperado que, passadas as eleições, iria haver menos atividades militantes, agências e pessoas contratadas para disseminar “correntes políticas”, o que chamou atenção de Sergio Denicoli, diretor de Big Data da AP/Exata, foi o número gigantesco de bots, militantes e perfis falsos ainda citando exclusivamente Bolsonaro. A diferença era de 2.078 perfis citando Bolsonaro contra 382 fazendo o mesmo em relação a Haddad e o PT. As postagens dos ditos perfis caiu de 64.378 para 9735 no caso de Bolsonaro e de 52.297 para 732 no caso de Haddad.

“O fato de ainda estarem em atividade mostra que provavelmente será usados durante o governo na tentativa de moldar as narrativas e conseguir apoio para determinados temas”, ele disse.

Quando explodiu o caso em que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) encontrou movimentações estranhas na conta de um ex-assessor (Fabrício Queiroz) do deputado estadual do Rio e senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do agora presidente, o perfil “Rodrigo 1988″ comenta em seu twitter Tentativa n 76352 de tentar derrubar alguém próximo do Bolsonaro. Dessa vez um assessor do filho”.

Vejamos, a pesquisa apontou que esse perfil foi criado em outubro de 2018, próximo das eleições e basicamente compartilhava conteúdo pró-Bolsonaro. Num intervalo de menos de 3 meses, fez 3.114 tuítes e deu 9.15 curtidas – 43 tuítes ao dia e 136 curtidas, marca incrível mesmo para um viciado em internet, ou seja, “o homem é uma maquina”.

Na ocasião, a Folha de São Paulo tentou entrar em contato com “Rodrigo”, mas acabou sendo bloqueada (risos). Usando o Pegabot, aplicativo da IT&E (Instituto de Tecnologia e Equidade), o perfil tem 75% de chance de ser um robô. E usando o mesmo sistema, detectou vários perfis, todos apoiadores de Bolsonaro, com índice de probabilidade acima de 70% de serem bots.

Procurando a assessoria de Bolsonaro, a Folha não obteve resposta e procurando a assessoria do PT, os mesmos negaram o uso de bots nas redes sociais.

2019… E a “tropa” continua

No último ano, o Twitter fez uma ‘limpa’ de 70 milhões de contas falsas ou suspeitas de serem bots.

O Fake Followers Audit, capaz de rastrear quantos seguidores nas redes sociais são perfis falsos, inativos ou robôs. Para calcular, escolhem, aleatoriamente, uma amostra de dois mil seguidores da página a ser analisada. A partir disso, medem a porcentagem de usuários ativos com base na movimentação dessas contas.

Algo que se deve concordar, e que foi dito pelo responsável, Thiago Rondon, co-diretor do IT&E, é de que não deve ser calculada a influência de determinado usuário apenas com base nos seu seguidores. Isso porque, a maioria dos perfis contam com até 30% de fantasmas.

Assim, fazendo uma breve análise do Twitter do presidente Jair Bolsonaro, que conta com mais de quatro milhões de seguidores. Os resultados mostram que 60.9% são contas inativas, equivalente a 2.516,985 milhões.

Análise de seguidores falsos na conta de Bolsonaro Imagem: Reprodução.

No início de abril deste ano, o UOL Tecnologia confirmou os números apresentados, assim como outras amostras: dos dois mil seguidores analisados, 59% não falam português, 61% são perfis criados nos últimos 90 dias e 18% mal contam com fotos nos perfis.

Mesmo com grande parte dos seus seguidores sendo fantasmas, as contas ativas mostram-se bem fiéis: a métrica que calcula o alcance total e a influência do usuário aponta que o presidente marcou 98 de 100 em engajamento. Esse tipo de comportamento não é normal, mas infelizmente é possível. Se formos analisar a conta de Donald Trump, vemos que ele conta com um alto engajamento, mas uma grande quantidade de seguidores robôs.

Estatísticas da conta de Bolsonaro. Alguns índices da amostragem do estudo chamam a atenção, como o número de seguidores do presidente com um pequeno número próprio de seguidores (84%), os que seguem um número muito baixo de contas (87%) e os usuários cuja localização não bate com nenhum outro local conhecido (69%) Imagem: Reprodução.

Quando analisada a quantidade de retweets da postagem abaixo, nos deparamos com os seguintes números: dos 5 mil compartilhamentos, apenas 835 (17%) eram de perfis com menos de 10 seguidores – um indicador de que podem ser falsos

Outro indicador de perfil falso, também pode-se examinar cada nome de usuário com base nos caracteres e quantidade de números deste, por exemplo: “Fernand03128596”.

Segundo Enor Paiano, diretor do Torabit, empresa especializada em monitoramento digital conclui que a quantidade de ‘bots’ retuitando é baixo, pois partindo desses aspectos, existe um percentual de autores com usernames grandes, mas aqueles que têm muitos números é bem baixo.

Análise foi feita com base no número de seguidores do presidente Imagem: Reprodução.

Mas e o PT?!

A análise mesma análise, feita com a figura da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), indica que 47,1% de seus seguidores são ‘bots’ e, Fernando Haddad (PT), candidato em 2018, chega a 48.4%. E saindo do âmbito do PT, 40% das menções a Ciro Gomes nas redes sociais eram feitas por robôs segundo o mesmo método de apuração.

O especialista Paiano, faz uma observação interessante; esses números são de perfis que estão postando. Isso não impede de que possa estar sendo construído um exército de ‘bots’ que ainda não começou a postar e estão ganhando base de usuários para serem usados em breve.

Conclusão

Em vez de fiscalizar gastos parlamentares e acompanharem a vida dos políticos em quem votaram, muitas pessoas parecem lucrar com a parte ruim da tecnologia, afundando muito mais a juventude na alienação massificada. Chegará o ponto em que não saberemos mais se somos robôs ou seres de livre arbítrio?

Faz a “arminha”…

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Andre Marques

Brasileiro, estudante de Direito e atuante na área de marketing é fundador e editor do site O Sentinela (abril de 2013).
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3 thoughts on “O uso de bots por Bolsonaro e outros políticos para manobrar a opinião pública”

  1. Tenho todas as postagem do blog, mas ultimamente tenho visto a “Mídia crítica independente” de O Sentinela andando muito dependente de notícias do atual governo!
    Postar algo de fontes como a Folha de São Paulo, com citações do tipo: “fortes indícios de que havia “interferência externa” nessa inflação” e “que teria sido causada por perfis falsos e robôs”.
    Indícios e teria sido……
    Convenhamos….. é demais!
    Informar é dever, mas apurar os fatos e mostrar a verdade também.
    Não se faz necessário esperarmos 50 anos para revisarmos a história.

    1. Olá, caro Expedito.

      Agradecemos muito o seu prestígio de nossos artigos. Entretanto, esclarecendo algumas questões levantadas, somos obrigados a informar. Não somos dependentes de notícias endereçadas a figura do atual Presidente da República. Nossos assuntos continuam diversos e se estendendo por diversas áreas. Mas quando se trata do mesmo, é normal que pela preferencia comum e da mentalidade com a qual se tem trabalhado nos últimos anos, aja muito clamor até mesmo por parte daqueles que nos apoiam. Entretanto, como bem falou, “Informar é dever”.

      Quanto ao artigo em especial, as fontes partem não somente de matéria da Folha de São Paulo, mas das fontes de pesquisas apresentadas. Na linguagem em específica, como se trata de pesquisa, é necessário o uso da linguagem “fortes indícios” ou “poderia ser”, uma vez que não há inquérito judicial pericial comprobatório para apontar o assunto sob risco de infringir o código penal e civil brasileiro. Entretanto, os dados da pesquisa apontam fortemente que tal prática é usada não só pela campanha Bolsonaro, mas de outros políticos (portanto, por mais que cite um político de preferência de alguém, não o cita somente). Mas a perspectiva dos pesquisadores é válida e assim como muito fácil é a burla das urnas eletrônicas, duvidamos que tal comprovações sejam levadas a cabo, pois não interessa ao sistema.

      Grato, pela participação.

      Redação.

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