O Mínimo que você deve saber sobre a Realidade do Conflito Irã x EUA

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“Os EUA não têm nada que procurar no Ira. Os EUA tentam paralisar a modernização do República do Irã através de sanções ilegais e continuam a saquear nosso país, à medida que voltam com tal prática, mas isso nunca irá acontecer e nosso país aplainará o caminho do progresso através da vigília de seu povo.” – Mohammad Eslami, ministro dos transportes da República Islâmica do Irã.

Apesar de estar sob cerco quase constante, o governo dos aiatolás sobreviveu mais tempo do que a ditadura norte-americana que precedeu a República Islâmica do irã na Atualidade. E este último não surgiu do nada. Washington também ajudou na revolução em Teerã.

Como o fim da Segunda Guerra Mundial, a primeira ocupação dos Estados Unidos foi com criação da  rivalidade com a União Soviética, Após isso, com a Rússia. Tal como previsto por Adolf Hitler em seu testamento político e outros nacional-socialistas. O “racha binário” do mundo que inaugura o processo de Nova Ordem Mundial.

Em 1953, os Estados Unidos apoiaram um golpe contra o primeiro-ministro, Mohammad Mossadegh (1882 – 1967). O Deep State anglo-americano então ajudou o Xá Reza Pahlevi (1919 – 1980) a consolidar o poder, incluindo a criação de uma polícia secreta, conhecida como SAVAK. Ele modernizou à força e a sociedade islâmica tradicional conservadora do Irã, enquanto seu governo unia os iranianos seculares e religiosos.

O xá foi afastado em 1979. Após sua saída, o governo Reagan (1981-1989) apoiou o Iraque de Saddam Hussein, quando ele invadiu o Irã, desencadeando uma guerra de oito anos que matou pelo menos meio milhão de pessoas. Washington refez o envio de petroleiros do Kuwait para proteger as receitas posteriormente emprestadas a Bagdá e forneceu inteligência ao Iraque para operações militares contra as forças iranianas. Isso culminou que em 1988, aconteceu que a Marinha dos EUA derrubou um avião civil iraniano no espaço aéreo internacional. Mais disso falaremos posteriormente…

No dia 22 de setembro de 1980, o Iraque invadiu e passou a controlar uma província do Irã. Foi o início de uma guerra que terminaria oito anos depois com o saldo de mais de 1 milhão de mortos. FOTO: Alliance/DPA

Em 2003, após os “atentados” às Torres Gêmeas, o governo de George W. Bush manipulou informações para assustar o público e induzi-lo a apoiar uma guerra agressiva contra o Iraque. As nuvens em forma de cogumelo que a Conselheira de Segurança Nacional Condoleezza Rice (2005 – 2009) advertiu não existiam, mas a invasão há muito desejada pelos neoconservadores e outros “falcões” prosseguiu. Os iraquianos liberados rejeitaram os planos dos EUA para criar um Estado fantoche estadunidense no Eufrates e as consequências se transformaram em uma catástrofe humanitária e geopolítica que continua a perturbar o Oriente Médio.

No mesmo ano, sanções econômicas foram impostas primeiro ao Irã e regularmente expandidas a partir de então. Daí Washington forja uma estreita parceria militar com o rival do Irã, a Arábia Saudita. Imediatamente após a vitória de 2003 sobre Saddam Hussein, o governo Bush rejeitou a oferta do Irã de negociar; os neoconservadores sugeriram casualmente que os “homens de verdade” também conquistariam Teerã. Até mesmo o governo Obama ameaçou tomar uma ação militar contra o Irã.

A Guerra do Iraque, também referida como Ocupação do Iraque ou Segunda Guerra do Golfo, ou Terceira Guerra do Golfo ou ainda como Operação Liberdade do Iraque, foi um conflito que começou no dia 20 de Março de 2003 com a invasão do Iraque, por uma coalizão militar multinacional liderada pelos Estados Unidos. FOTO: AFP

Milhares de estadunidenses mortos, dezenas de milhares de feridos ou mutilados, centenas de milhares de iraquianos mortos e milhões de iraquianos deslocados. Houve o conflito sectário, a destruição da histórica comunidade cristã, a criação da Al-Qaeda no Iraque…

O resultado foi o Plano de Ação Integral Multilateral. Previa um regime de inspeção intrusivo destinado a desestimular qualquer futuro programa de armas nucleares iranianas – que a inteligência dos EUA indicava estar inativa desde 2003!

Embora o governo Obama tenha aprovado o acordo, o JCPOA ofereceu o potencial de mudar tanto a política iraniana quanto o relacionamento bilateral. No entanto, o então candidato à presidência Donald Trump tinha um intenso desejo de derrubar todas as políticas de Obama. Sua forte inclusão do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que ignorou o conselho de seus chefes de segurança ao denunciar o acordo, e a realeza saudita, que Robert Gates uma vez advertiu que combateria o Irã até o último norte-americano, provavelmente também desempenhou um papel importante.

Em 2014, na sala de imprensa da Casa Branca, o presidente estadunidense, Barack Obama, comentou Obama anuncia que EUA vão enviar até 300 assessores militares ao Iraque. Foto: Kevin Lamarque / Reuters

Agora, a administração Trump parece estar seguindo o mesmo caminho usado antes. A Casa Branca está fixada no Irã, desmantelando o acordo nuclear com esse país e declarando guerra econômica a ele.

O relacionamento hostil com o Irã também permitiu que a Arábia Saudita, que rotineiramente influencie nos interesses da política externa norte-americana, ganhando perigoso domínio sobre ela. Para seu crédito, o presidente Barack Obama tentou reequilibrar a política de Washington no Oriente Médio.

Da esquerda para a Direita os parceiros fortes de Trump na política externa: Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, quer a destruição de um Irã forte e independente a todo custo por interesse do Israel; Mohammad bin Salman, príncipe saudita quer a destruição do concorrente petroleiro Irã, a todo custo e Jared Kushner, genro judeu de Trump que, junto a Pompeo e John Bolton, formam a cabeça ativa dos neocons da gestão Trump. Compareceu na reunião de Bilderberg desse ano (assim como Pompeo) e todos nós sabemos pelo que os neocons sempre trabalharam. IMAGEM: Montagem de Edição do Site / Reprodução.

O Atentado contra o Irã em 1988 e suas consequências 

Todo ano, na data de 3 de julho, o Irã homenageia os 290 passageiros do voo 655 Airbus, que foi abatido em 1988 sobre o Golfo Pérsico pelo cruzador norte-americano USS Vincennes. O ministro Mohammad Eslami disse que o abate proposital de um avião iraniano de passageiros pelos Estados Unidos provou o caráter terrorista do governo de Washington.

Em 3 de julho de 1988, 290 passageiros do voo 655 Airbus que saía de Teerã com destinado aos Emirados Árabes Unidos foram assassinados flagrantemente pela Marinha Estadunidense estacionada no Golfo Pérsico, território iraniano, torpedeando e abatendo fatalmente o voo civil. MONTAGEM: EDIÇÃO O SENTINELA

“Com certeza este incidente mostra que o governo dos EUA é de fato expansionista e terrorista”, disse Eslami na última terça-feira (2/6), na cerimônia de homenagem às vítimas que viajavam de Bandar Abbas, Irã, para Dubai, Emirados Árabes Unidos deste ano.

Todos passageiros perderam suas vidas e seus cadáveres boiavam nas águas do Golfo Pérsico. A aeronave foi abatida pelos norte-americanos sobre o espaço aéreo iraniano e neste local os parentes jogam flores todos os anos no mar.

Crianças jogam flores no local da tragédia em cerimônia organizada anualmente pelo governo do Irã (Atta Kenare – 2/6/2012/France Presse)

Após o incidente, Teerã entrou como uma nota de protesto nos grêmios internacionais, entre eles a ONU.

Embora as provas existentes sobre o ataque mostrem que foi intencional, os fóruns internacionais ignoraram os fatos. O Conselho de Segurança da ONU se reuniu por dois dias e o pronunciamento do primeiro-ministro iraniano informou ao mundo sobre a mentira dos representantes dos Estados Unidos.

Para limitar os efeitos negativos de suas ações criminosos, os EUA afirmaram que o avião de passageiros iraniano era um avião militar que queria atacar o cruzador americano.

Como se a tripulação do USS Vincennes não estivesse em condições de distinguir a diferença de velocidade e tamanho entre um avião de passageiro e um caça de combate. Além disso, o avião fazia diariamente aquela rota.

O presidente norte-americano na época, Ronald Reagan (1911 – 2004), elogiou o ataque do USS Vincennes. Alguns membros da tripulação, aqueles que abateram o avião, receberam posteriormente algumas condecorações, e os EUA nunca se desculparam oficialmente até hoje pela morte de 290 pessoas.

Comparando o alarde e terror midiático estadunidense de hoje – novos inimigos, velhas estratégias

Ao contrário, percebam o drama que Washington fez pelo abatimento do drone de espionagem não-tripulado, que adentrou em espaço aéreo iraniano. Trump até teria dado a ordem para atacar o Irã, mas recuou no último minuto.

Destroços de drone dos EUA derrubado pelo Irã, segundo a Guarda Revolucionária Iraniana em 21/06/2019. FOTO: Agência Tasnim I REUTERS

O ministro Eslami está coberto de razão, pois o que um navio de guerra norte-americano está fazendo no Golfo Pérsico? Os EUA não compram petróleo algum desta região, como Trump confirmou a poucos dias.

Não há qualquer interesse de segurança de Washington no Oriente Médio. Trata-se apenas de imperialismo e domínio mundial. Além disso, o aparato militar americano serve como tropa mercenária de assalto para a Arábia Saudita e Israel.

E para entendermos a posição do Irã, basta trocar os papéis. Como iria reagir os Estados Unidos e o próprio ocidente, se um navio de guerra iraniano aparecesse no Golfo do México e abatesse um avião americano com 290 pessoas a bordo?

Uma chuva de bombas nucleares cairiam sobre o Irã, mas há mais de 40 anos os iranianos devem aceitar tudo e ficar calados.

Na gestão Obama, criou-se uma crise internacional sobre o programa nuclear iraniano, acusado de servir de uma intenção belicosa. Ora, vejam, as potências Aliadas, contando com Israel e seus cúmplices, produzem e mantém vastos arsenais nucleares não declarados por todo o mundo mas nenhum outro país poderá entrar nesse “clube”. Os sionistas, seja em Washington ou na ONU, aproveitaram-se da situação para pressionar Obama a atacar o Irã sem demora em favor de “salvar” Israel (?) exigindo uma possível guerra nuclear para isso. Trump, por sua vez, pagou o que devia aos sionistas dando-lhes “justificativa” para um novo motivo de fazer guerra contra o Irã em nome de Sião, transferindo a embaixada estadunidense para Jerusalém, Patrimônio da Humanidade reconhecendo a cidade como “capital oficial de Israel”, passando por cima do mundo árabe e cristão inteiro. A mesma intenção belicosa em favor sionista tinha Hilary Clinton em sua campanha nas eleições estadunidenses passadas. Quem quer guerra de fato?

Como se já não tivesse sido bastante criminosa a guerra de oito anos que os EUA conduziram contra entre 190 e 1988 o Irã, utilizando o Iraque de Saddam Hussein como proxy.

No último dia 28 de junho, os iranianos prestaram homenagem aos civis mortos pelo ataque com armas químicas em 1987, na cidade de Sardasht (imagens abaixo). Eles nunca esquecerão que o ocidente apoiou e armou Saddam Hussein – inclusive com armas químicas. O Conselho de Segurança da ONU nunca condenou o gaseamento do povo iraniano.

Ou seja, quem é o verdadeiro estado terrorista neste planeta? Quem deveria ser punido com as sanções mais severas e levado aos tribunais por causa de crimes de guerra? Quem deve finalmente desaparecer e acabar de vez com suas agressões?

A comunidade internacional e principalmente os europeus com seus conhecidos “valores” são um bando de covardes puxa-sacos, que apenas se curvam diante de todos os crimes dos EUA, Arábia Saudita e Israel.

Foi nos dito que um dos motivos para a criação da União Europeia seria servir como potência independente em contrapartida às outras potências. Por isso os 28 países membros deveriam abrir mão de sua soberania e deixá-la a cargo do governo central em Bruxelas.

Justamente o contrário foi criado. A União Europeia é colônia de Washington e a Europa uma zona de ocupação, composta de voluntários cúmplices em aterrorizar o mundo. Eles não merecem respeito.

Os ataques aos petroleiros iranianos no Golfo de Omã

O assessor do presidente do Parlamento iraniano Hossein Amir Abdollahian (foto ao lado), principal diplomata do Irão, citado pela agência de notícias iraniana Fars, disse que “os serviços de inteligência americanos e israelenses são os principais suspeitos por trás dos ataques no dia 13/6 a dois petroleiros no Golfo de Omã” e acrescentou que A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein estão piorando a situação na região. A República Islâmica do Irã, ao defender fortemente seus interesses nacionais e apoiar a estabilidade da região, desapontará os inimigos e expulsará a Casa Branca”, afirmou o funcionário.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, lembrou a seus leitores que “o famoso grupo anti-Irã de Bolton, Netanyahu, bin Salman e Bin Zayed Al Nahyan estão sabotando a diplomacia para pressionar os EUA a aumentar ainda mais a sua diplomacia. hostilidades contra Teerã ”, e que recentes alegações do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, fazem parte da mesma campanha.

Ainda sengundo Zarif, o ataque ocorreu em meio a uma visita histórica do primeiro-ministro japonês, Abe Shinzo, ao Irã, oque levanta suspeitas, pois o mesmo representante do governo do Japão pedia pela promoção do diálogo entre os países da Ásia ao se reunia com o aiatolá Khamenei.

Primeiro-ministro japonês, Abe Shinzo em visita ao Irã. FOTO: CBS News

 

Todos os membros da tripulação dos dois petroleiros foram salvos por equipes de resgate iranianos no mesmo dia. Embarcações de resgate iranianas pegaram os 23 tripulantes de um dos tanqueiros e 21 do outro do mar e os levaram para a segurança em Jask, no Irã, na província de Hormozgan, no sul.

Enquanto isso, o dono japonês de um dos petroleiros, o Kokuka Courageous, acusou abertamente a administração Trump de fornecer informações “falsas” sobre o ataque ao Golfo de Omã.

FOTO: CBS News

Todos os membros da tripulação dos dois petroleiros foram salvos por equipes de resgate iranianos na quinta-feira. Embarcações de resgate iranianas pegaram os 23 tripulantes de um dos tanqueiros e 21 do outro do mar e os levaram para a segurança em Jask, no Irã, na província de Hormozgan, no sul.

Enquanto isso, o dono japonês de um dos petroleiros, o Kokuka Courageous, acusou abertamente a administração Trump de fornecer informações “falsas” sobre o ataque ao Golfo de Omã.

Trump sabe qual é sua política política sobre o Irã?

Naturalmente, a administração culpa o Irã por não aceitar sua oferta supostamente “generosa” para falar. No entanto, Teerã não tem motivos para acreditar que Washington seja sério. Se por um lado, o secretário de Estado Mike Pompeo recentemente propôs conversações sem precondições, além de que o Irã precisava concordar com as muitas exigências impossíveis de Washington antes mesmo de se sentar à mesa de negociações. O Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, explicou que o presidente estava “preparado para falar sobre o futuro”, mas somente depois que o Irã desistisse de suas atividades nucleares e outras chamadas de “inaceitáveis”. Em outras palavras, o Irã precisou se render primeiro. Os Estados Unidos não negociariam sob tais circunstâncias. Por que o Irã faria isso?

O “Cinturarão Neocon” sempre faz a guerra pois a instabilidade e terror é estratégico à manutenção do Poder sobre as nações. O conselheiro de segurança nacional John Bolton, o secretário de Estado Mike Pompeo e o vice-presidente Mike Pence antes do início de uma entrevista coletiva no Rose Garden na Casa Branca em 7 de junho de 2018 em Washington, DC (Foto: Chip Somodevilla / Getty Images)

Ao contrário do pressuposto comum em Washington de que os iranianos em média adorariam os Estados Unidos por tentarem destruir a economia de seu país, a última rodada de sanções aparentemente provocou um aumento notável no sentimento antiamericano. O nacionalismo superou o anticlericalismo.

No ano passado, o presidente se retirou do acordo e seguiu com uma declaração de guerra econômica. Ele então declarou que o Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana, uma organização militar, era um grupo terrorista. (Washington rotineiramente usa a designação “terrorista” para propósitos puramente políticos.) Finalmente, há relatos, oficialmente negados por Washington, de que as forças dos EUA, aliadas aos radicais islâmicos – o tipo de extremistas responsáveis ​​pela maioria dos ataques terroristas aos americanos – vêm travando. uma guerra encoberta contra as operações de contrabando do Irã.

Pompeo estabeleceu os termos da rendição de Teerã: o Irã deveria abandonar qualquer pretensão de manter uma política externa independente e produzir sua capacidade de mísseis dissuasivos, deixando-a subserviente à Arábia Saudita, Militares norte-americanos e treinados. Teerã não poderia cooperar com outros governos, como a Síria, a pedido deles. A única coisa que faltava nos comentários de Pompeo era a insistência de que o Irã aceitasse um governador geral americano em residência.

A proposta era um impedimento e parecia o infame ultimato austro-húngaro de 1914 para a Sérvia, que deveria ser rejeitado e assim justificar a guerra. Afinal de contas, o assessor de segurança nacional John Bolton expressou sua preferência política em um artigo do New York Times de 2015 intitulado To Stop Iran’s Bomb, Bomb Iran.” (Para parar o Irã, Bomba, Bomba no Irã).

Após críticas do presidente iraniano, Hassan Rouhani, o presidente dos Estados Unidos twittou: “Qualquer ataque do Irã a qualquer coisa americana será recebido com grande e esmagadora força. Em algumas áreas, esmagadora significará obliteração”.

No dia 21/6, após recuar a autoria de o ataque contra alvos no Irã, o presidente Donald Trump explicou sua decisão no Twitter, dizendo que um número estimado de 150 mortos “não é proporcional a abater um drone não-tripulado”.

De acordo com o The Washington Post, o secretário de Estado Mike Pompeo entregou uma mensagem aos líderes iraquianos, com a intenção de serem transmitidos ao Irã, de que a morte de qualquer norte-americano resultaria em um ataque. Em seus tweets na semana passada, Trump disse que o Irã nunca teria permissão para obter armas nucleares. Em seus tweets posteriores, Trump disse que qualquer ataque a “qualquer coisa americana” provocaria um outro ataque, embora quando o Irã derrubou um drone estadunidense, o presidente decidiu não lançar um ataque em resposta, quanto mais soltar “obliteração”.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, fala durante sua visita ao santuário do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, ao sul de Teerã, Irã, em 30 de janeiro de 2019. Site oficial do Presidente / Divulgação via REUTERS.

Respostas proporcionais ou obliteração de qualquer ataque? Lendo as declarações do presidente, é impossível saber qual é a política do Irã de Trump – e está claro que Trump também não sabe. Avaliações detalhadas de qualquer uma das abordagens parecem inúteis quando nenhuma política dura mais do que o tempo de vida de um tweet.

As fileiras de assessores de Trump estão cheias de neocons, incluindo o secretário de defesa. Ele não confia nos conselheiros que ele tem, falando com desprezo do Conselheiro de Segurança Nacional John Bolton em público (“John Bolton é absolutamente um falcão. Se dependesse dele, ele enfrentaria o mundo inteiro de uma só vez”) E supostamente descartando seus conselhos em particular.

É impossível para o Irã saber qual é a visão da Casa Branca, aumentando as chances de que ela seja mal calculada e desencadeie um conflito crescente. Embora manter os iranianos desprevenidos possa parecer vantajoso para os interessados, não há como os aliados saberem como apoiar a posição dos EUA, que continua mudando. Nem os militares americanos sabem o que Trump quer.

O confronto com o Irã mostra alguns sinais de ser apenas uma crise dessas, mas Trump largamente se esquivou do problema da credibilidade ao ser totalmente incoerente. Uma política não pode ter credibilidade se não existir em primeiro lugar.

Aumento de tensões ou equilíbrio Ocidente-Oriente? Geopolítica petroleira e as relações de Poder entre EUA, Rússia, China e Irã.

Agora vamos sair do olhar regional e olhar num sentido global, geopolítico.

Em jogos aos interesses sionistas por detrás da politica interna-externa estadunidense, os holofotes saem um pouco da Síria, estando a guerra perdida para os globalistas, e voltam-se mais uma vez para o Irã. Thierry Meyssan, intelectual árabe-francês, afirma, por exemplo que “os dois Grandes mostraram nos dois últimos 75 anos que são razoáveis e, assim, souberam sempre recuar antes de chegar a poderem destruir-se mutuamente.”

Trump, por vezes tem jogado para os dois lados, como é o caso do possível bombardeamento do Irã no incidente do drone sobre espaço aéreo iraniano, onde suspendeu a ordem minutos antes de se consumar. Esse jogo duplo, permitiu a Trump auto-proclamar “vitória” no Ocidente por diversas vezes, seja no caso sírio, onde declarou ter expulsado os terroristas colocados lá pelas próprias agências internacionalistas que atuam ou possuem sede nos EUA, no caso norte-coreano, onde, através de conversações inéditas em mais de 50 anos, foi o primeiro presidente estadunidense a entrar, literalmente, na Coréia do Norte de braços dados com Kim Jong-un (que havia feito o mesmo com o presidente sul-coreano) ou na sua política de reaproximação no Vietnã, oque as agradando as multinacionais e transnacionais que se fartam no trabalho escravo dessa nação.

Mas como isso funciona com a mentalidade dos persas? Talvez um histórico ajude a nos dar uma ideia…

A partir da primeira Conferência de Genebra em junho de 2012, em meio ao início do conflito sírio, iniciado um ano antes, EUA e Rússia colocaram-se como iguais em lados opostos de interesses sobre aquela parte do Levante, onde essa manutenção de equilíbrio geopolítico foi mediada e idealizada pelo ex-Secretário-geral da ONU, Kofi Annan. E mesmo com a presença de outros membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Turquia, Iraque, Kuwait e Catar pela Liga Árabe, sem a participação da comissão síria propriamente dita, tal acordo não vingou sequer uma semana! Fracassando os planos de Kofi Annan, teve entrada massiva a entrada na guerra de membros da OTAN contra a Síria de Bashar Al-Assad e o Partido Social-Nacionalista Sírio.

Esse mesmo projeto foi reexaminado pelos três Conselheiros Nacionais de Segurança estadunidense, John Bolton israelense, Meir Ben-Shabbat e russo, Nikolai Patrushev em 24 de junho, com a clara resistência das duas partes, Ocidente (EUA-Israel) e russa. Daí também emana uma nova proposta, dado o sucesso das potências antagônicas ao Ocidente no Oriente Médio, um novo plano para a questão palestina, o que não agradou à Israel que segrega sua população.

Dentro desse contexto do Oriente Médio, passado a questão síria (ou não), o Pentágono preocupasse hoje com impedimento da retomada do programa nuclear que eles haviam proposto lá no passado, ao Xá Reza Pahlevi. Apesar de a imprensa de forma geral bradar aos quatro cantos sobre o “terror nuclear” iraniano, o próprio Irã publicamente já não busca elaborar a bomba atômica desde que o Imã Khomeini condenou as armas de destruição maciça como incompatíveis com a sua concepção do Islã. Nos próprios arquivos secretos revelados por Netanyahu, indicam a fabricação de um gerador de ondas de choque e exclusivamente sobre este assunto, que sim, pode gerar uma bomba atômica, mas como mostraram as próprias inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA – International Atomic Energy Agency), esse não é o objetivo do Irã.

Quais as reais motivações e porque o Pentágono tenta a todo custo impedir mesmo isso? Claramente sabemos o porque tal censura não é feito a seus Aliados.

Outro fator é que, internamente, o governo Trump tem a preocupação de reequilibrar as suas trocas comerciais, garantindo a estabilidade de emprego e renda interna estadunidense, o país que mais consome no mundo. Isso implica na sorte de uma manutenção na Ásia, especificamente a China, de uma vantagem comercial, mantendo os preços do petróleo a nível da rentabilidade do seu petróleo de xisto (cerca de US $ 70 dólares o barril). É por isso que se opõem às vendas iranianas, venezuelanas e sírias no mercado internacional, até 2025, e tentam bloquear o acesso dos hidrocarbonetos russos à União Europeia.

Por sua vez, a Rússia, cujo recursos dos hidrocarbonetos presentam mais da metade de seus recursos comerciais e financeiros, através da forte e gigante estatal Gazprom, procura uma saída para evitar a desvalorização do seu produto.

“[…] Ela [Rússia] assinou um acordo nesse sentido com a OPEP e reduz voluntariamente a sua própria produção, o que explica porque é que retarda o inevitável confronto com Washington sobre este assunto, aguardando, assim, a constituição da nova Comissão Europeia. Se Bruxelas ceder novamente a Washington e proibir a importação de gás russo, Moscovo aceitaria uma baixa de preços a fim de escoar a sua produção e, de facto, provavelmente arruinará a indústria de petróleo de xisto dos EUA. O baralho seria então virado do avesso e os Estados Unidos já não teriam mais interesse em opor-se às vendas iranianas, venezuelanas e sírias.” [1]

Enquanto isso, a China, que já possui um mercado interno crescente de demanda, poderia reduzir suas exportações para os Estados Unidos, escoando dentro de seu próprio país, o que privaria outros mercados, auto-sustentando-se e ainda por cima a preço mais baixo que o do mercado externo. Enquanto a UE, implorando ao governo estadunidense que possa comprar petróleo iraniano, a China, ao contrário, negocia com bastante peso, comprando, mesmo que mais lentamente quantidades de petróleo iraniano. Isso, em acordo com os EUA, para evitar confronto.

Um melhor acordo para ambos (China, Irã e EUA) não seria aquele que os permitisse se desenvolver por igual?

Trump, mesmo quando diz insistir querer paz, segue o caminho da guerra.

Uma guerra contra o Irã serve muito aos interesses israelenses

Tais manobras também devem ser entendidas no contexto das maneiras como o Irã tem funcionado como um obstáculo aos objetivos da classe dominante norte-americana no Oriente Médio, uma visão compartilhada pela classe dominante israelense por seus próprios interesses.

Os planejadores USA-Israel desprezam o Irã principalmente porque ele é uma potência regional independente. Possui uma forte política militar interna e externa que inclui o fornecimento de apoio material à resistência palestina armada a Israel e a defesa do Líbano do Hezbollah das agressões EUA-Israel, incluindo a invasão conjunta em 1982 e o ataque israelense apoiado pelos EUA em 2006.

O apoio do Irã foi crucial para ajudar o Hezbollah a resistir à ocupação israelense do país, apoiada pelos EUA.

Fontes de pesquisa: Alles SchalI und Rauch I Inacreditável Rede Voltaire I New Observer The Atlantic National Interest I The Eletronic Entifada 

Notas:

[1] MEYSSAN, Thierry. O jogo de Washington à volta do Irão. Rede Voltaire, [S. l.], 25 jun. 2019. Disponível em: https://www.voltairenet.org/article206825.html. Acesso em: 6 jul. 2019.

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Andre Marques

Brasileiro, estudante de Direito e atuante na área de marketing é fundador e editor do site O Sentinela (abril de 2013).
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