O Esquecido Plano de um Estado judaico em Mato Grosso do Sul

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A ideia de retornar à “terra ancestral” ocupou as mentes dos judeus por séculos. O objetivo foi formalizado em 1897, ano em que a sala de concertos do Cassino Municipal de Basileia, na Suíça, sediou o Primeiro Congresso Sionista. O sionismo era um movimento que defendia a criação de um Estado hebreu completo e independente na Palestina, e cujo projeto acabou sendo imposto a outras iniciativas.

No entanto, no final do século XIX e no início do século XX, a Palestina estava sob o controle do Império Otomano, de modo que a tarefa de retornar a essas terras tocou o impossível.

A fundação do atual Estado artificial de Israel teve como origem a diplomacia advinda do lobby judaico-internacional britânico com a chamada Declaração de Balfour, uma carta assinada pelo ministro das Relações Exteriores britânico Arthur James Balfour, e dirigida ao Barão Lionel Walter Rothschild, líder do judaísmo organizado no Reino Unido. Datado em 2 de novembro de 1917, já prevendo a iminente derrota do Império Otomano e seu eventual desmembramento, incluindo a região da Palestina. Lugar onde os sionistas internacionais queriam a todo custo seguir a ideia (na época não muito unânime entre os judeus) de refundar o “antigo reino de israel”.

Foto do texto da Declaração de Balfour, 1917. I Imagem: BBC

Assim, o documento da Declaração de Balfour anunciava o apoio do governo britânico ao estabelecimento de um “lar nacional” para o povo judeu nas terras palestinas, que passavam a ser um protetorado britânico provisório para os judeus-sionistas. Era o chamado Mandato Britânico da Palestina, aprovado na Liga das Nações (órgão que precedeu as Nações Unidas) em 1922.

O Estado artificial de Israel surge em 1948 como plano aprovado pelas Nações Unidas em Assembléia Geral em 1947 e, justamente por isso, outros projetos para a formação desse país acabaram esquecidos na gaveta empoeirada dos planos que nunca se concretizaram. Não havia só um plano de nação para os judeus, mas algumas dezenas. E havia movimentos territorialistas não-sionistas, ou seja, que não faziam questão de ocupar o território do antigo Reino de Israel, mas miravam o globo todo.

Desde então, até 1948 muitas possibilidades foram consideradas. Muitos pensadores judeus propuseram suas próprias variantes, como Joseph Otmar Hefter, um oponente do movimento sionista e autor da obra “Nova Judeia”.

Em 1938, Joseph Otmar Hefter, publicou em Nova Iorque, o panfleto “Room for the Jews!”, que trazia um mapa com um manifesto e um descritivo de possíveis novos países judaicos. Hefter era um defensor da Nai Juda (Nova Judeia), um estado soberano e pleno.

“Os judeus têm o direito de demandar:
– INDEPENDÊNCIA em vez de tolerância
– SOBERANIA em vez de direitos de minorias
– AUTOCONFIANÇA em vez de proteção
– DIGNIDADE em vez de compaixão”

Dez desses projetos estão exibidos no panfleto de Hefter, como Madagascar, Uganda e Birobidzhan, na extinta União Soviética (atual Rússia). Mas na América do Sul foram assinalados um território que ocupa o sul e o oeste da Guiana e o sudeste da Venezuela, na fronteira com o Brasil. E por sua vez, existia um outro, em terras brasileiras, mas especificamente no atual Mato Grosso do Sul:

“Uma seção da região de Matto (sic) Grosso, ao norte do Rio Paraná, na fronteira com o Paraguai. Encravada, inexplorada, desconhecida, quase inabitada. Uma terra difícil de florestas, perigosa, mas habitável. Rica em recursos. Borracha, ouro, diamantes. Potencial império industrial. Poderia neutralizar grandes colônias japonesas e alemãs entrincheiradas na costa.”

A riqueza de recursos da região está lá, mas é representada hoje pelo minério de ferro, além da biodiversidade e do potencial turístico de nível global. A “indústria” está mais na soja e no gado.

Até então, a região do Brasil que hoje corresponde ao Mato Grosso do Sul foi povoada efetivamente quando as fortalezas militares que os exércitos da Tríplice Aliança na Guerra do Paraguai (1864 – 1870) utilizaram para formar bases, sendo transformadas, depois do conflito, em cidades, como Dourados, Miranda e Coxim. O projeto que de fato tornou o Mato Grosso do Sul um estado da federação (até então parte do atual estado do Mato Grosso)  não foi o judaico, mas o da Liga Sul-Mato-Grossense, que, pouco antes de Hefter, em 1932-34, iniciou os trabalhos rumo à separação de Mato Grosso, o que ocorreu em 1977.

Referências:

ANNURTV. De Argentina a Siberia: los lugares contemplados por los sionistas para crear su Estado: Hace un siglo, del despacho del ministro de Exteriores británico salía un documento que acabaría dando paso a la fundación del Estado de Israel en tierras palestinas.. AnnurTV, [S. l.], 13 nov. 2017. Medio Oriente, p. 1. Disponível em: https://www.annurtv.com/nota/47970-regimen-israeli-de-argentina-a-siberia-los-lugares-contemplados-por-los-sionistas-para-crear-su-estado.html. Acesso em: 16 nov. 2019.

BBC – REDAÇÃO. Los otros lugares contemplados para un Estado judío antes de la creación de Israel en territorio palestino. BBC, BBC – Mundo, 5 nov. 2017. Disponível em: https://www.bbc.com/mundo/noticias-41857911. Acesso em: 16 nov. 2019.

VAN DEURSEN, Felipe van Deursen. O plano obscuro de criar um Estado judaico em Mato Grosso do Sul. Super Interessante, [S. l.], 1 out. 2019. História, p. 1. Disponível em: https://super.abril.com.br/blog/contaoutra/o-plano-obscuro-de-criar-um-estado-judaico-em-mato-grosso-do-sul/?fbclid=IwAR2sHCDwVfzxbZBrzPoBZUQY3nq5wTcoFJGTB7TMNIVh8o11zVrcZ1s-fSw. Acesso em: 6 nov. 2019.

WIKIPEDIA. História de Mato Grosso do Sul. Wikipedia, a enciclopédia livre, [S. l.], 31 jan. 2018. História das subdivisões do Brasil, p. 1. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Mato_Grosso_do_Sul. Acesso em: 16 nov. 2019.

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Andre Marques
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