Hans Asperger: medicina psiquiátrica alemã a serviço da saúde infantil

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Johann “Hans” Friedrich Karl Asperger nasceu em 18 de fevereiro de 1906, numa fazenda nos arredores de Viena, então capital do antigo Império Austro-Húngaro. Era ele o mais velho de três irmãos. Ainda muito novo, demostrava seu talento especial para a erudição, principalmente com a linguagem. Nos primeiros anos da  escola primária, ele já era conhecido por recitar poemas do poeta compatriota Franz Grillparzer. Muito tímido e de poucos amigos, dedicou-se aos estudos e, em 1931, com 25 anos, formou-se em medicina.

No seguinte, em 1932, tornou-se um dos diretores da estação ludo-pedagógica da clínica infantil da universidade em Viena. Dois anos depois, já como demonstrava seu interesse na área, envolveu-se com seus trabalhos em sua clínica psiquiátrica, em Leipzig. Logo no ano seguinte se casaria, casamento esse que lhe daria cinco filhos.

Estudos e contribuição científica

Asperger tinha então um especial interesse na anomalia das crianças “fisicamente anormais”, como era tratado na época. Em 1936, seu artigo “Die Autistischen Psychopathen’ im Kindesalter” [Os psicopatas autistas na infância] [1] baseou-se em seus estudos que realizou com mais de 400 crianças para determinar suas teorias psiquiátricas.  A “síndrome de Asperger”, como conhecemos hoje, é considerada um estado do autismo, geralmente com maior adaptação funcional. Pessoas com essa condição podem ser desajeitadas em interações sociais e ter interesse em saber tudo sobre tópicos específicos. [2] Asperger observou em seu estudo que o padrão de comportamento e habilidades que descreveu ocorria preferencialmente em meninos, denominando-o de “psicopatia autista”, uma desordem da personalidade que incluía sintomas como falta de empatia, baixa capacidade de formar amizades, conversação unilateral, intenso foco em um assunto de interesse especial e movimentos descoordenados. Asperger chamava as crianças que estudou de “pequenos professores”, devido a sua habilidade de tratar sobre um tema específico detalhadamente e de forma abrangente fora do comum.

Greta Ernman Thunberg (2003), garota sueca de Estocolmo, é um conhecido rosto de uma ativista ambiental da mídia e outras corporações globalistas. Ela, ainda crianças foi diagnosticada com síndrome de Asperger, TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo e mutismo seletivo. [3]
Mesmo o estudo do historiador médico Herwig Czech, publicado recentemente onde acusa Asperger de ter “enviado para a morte 800 crianças em campos nazistas” conseguiu incriminar o pediatra, admitindo que “nada leva a crer que o trabalho de Asperger sobre o autismo tenha sido afetado.” [4]

Envolvimento partidário

Em 1938, ano que Asperger formula publicamente o conceito de “psicopatas autistas”, a Áustria finalmente foi anexada à Alemanha via plebiscito com 98% favoráveis. [5] Assim, em uma Áustria que agora fazia parte de uma Alemanha unificada, a A Universidade de Medicina de Viena foi integrada aos projetos políticos nacionais alemães e Asperger ao corpo médico alemão. Embora não tenha se filiado ao partido, o especialista integrou grupos que filiados que apoiavam a medicina comunitária alemã promovida pelo partido Nacional-Socialista e a política de saúde nacional para o povo.

Asperger promoveu palestras públicas e participou de eventos voltados à área médica com base em apoio a nova política pública nacional em acordo com o partido nacional-socialista.

Acusações de apoio a limpeza racial e eutanásia de deficientes 

Sobre a acusação de que Asperger colaborou com o governo alemão para a eliminação de crianças que supostamente “não estavam aptas à higiene racial” e promovendo “programas de eutanásia” os escritor e pensador e pesquisador Ramon elucida em um artigo sobre medicina comunitária nacional-socialista:

“O Nacional Socialismo alemão é acusado por alguns temas sanitaristas. São acusações normalmente falsas, grande parte delas baseadas em mentiras. Pois como em poucos casos da História, em qualquer acusação contra esse regime, a mentira se torna verdade. Existe a acusação de que a Alemanha pretendia “eliminar” os fracos, a impor a esterilização obrigatória e o controle médico para matrimônios, assim como a lei da Eutanásia e os experimentos médicos com seres humanos.” [6]

Hans Asperger. Imagem: Reprodução.

Recordemos que nos anos 30, a Medicina não era tão eficaz em questão de evitar a dor. Hoje, contudo, o contexto é outro, e não se justificam leis de indiferença a vidas mantidas de modo artificial.

No texto produzido durante o regime nacional-socialista, “Hilfe für ältere und behinderte Menschen in Deutschland” [Assistência aos velhos e deficientes na Alemanha], Gustav Hägermann [7], ilustra a política humanitária do governo da época com relação aos mais necessitados, muito diferente da brutalidade que se tem dito sobre a Alemanha.

Alguns livros que atacam a política do Terceiro Reich se baseiam em uma passagem do livro de Adolf Hitler Mein Kampf [Minha Luta] para condenar a política sanitária alemã, na qual se diz que “uma geração de fortes eliminará os fracos”. Na realidade, o texto original diz que “uma raça mais forte acabará com as raças fracas, pois o ciclo da vida romperá as barreiras de uma humanidade individualista para dar lugar a outra, baseada nas leis da natureza, dos fortes”. Portanto, não é que o nacional-socialismo como ideologia vigente tenha desejado “acabar com os fracos” mas, a referência foi feita à natureza que conduz à decadência povos, seu declínio como coletividade e Estado. Seria, de fato, uma fraqueza por lei natural, não por ação de um partido. Mas sim uma advertência aos povos, para que não se rendam à decadência e não se deixem dominar pelo capitalismo nem por outros poderes que se fazem presentes.

A lei de 14 de Julho de 1933 dizia que “os que forem portadores de enfermidades hereditárias graves poderão ser esterilizados, quando, após exames médicos, for comprovado que a sua descendência sofreu enfermidades mentais graves ou severas deformações físicas, tais como: esquizofrenia, epilepsia grave hereditária, demência, malformações congênitas graves e debilidade mental congênita”.

Assim sendo, a deficiência hereditária tinha de ser grave e com grande probabilidade de ser hereditária. Esta restrição era comum em muitos países pois era o entendimento médico-sanitário da época. Nos Estados Unidos, em 1905 em Indiana, e em 1924 na Virgínia. Sem distinção de raças: aplicado tanto a brancos quanto a negros. No Brasil do final do século XIX e início do XX, por exemplo, muitas famílias de imigrantes que vieram para cá sabiam que dentre os critérios para a sua entrada no país, estava a de não possuir deficientes físicos ou mentais entre seus membros.

Na Enciclopédia Larousse Medical de 1925, se indicava que o “matrimonio deveria ser proibido a enfermos hereditários graves”. Pela lei nacional de outubro de 1935 na Alemanha, estava proibido o matrimonio com problemas genéticos, a não ser que fossem esterilizados.

Jovens com deficiência visual incorporando as fileiras do NSDAP. Imagem: www.inacreditavel.com.br

Sir Juliennn Huxley (1887 – 1945), biólogo, filósofo, eugenista, escritor, humanista e internacionalista britânico, primeiro secretário geral da UNESCO entre 1946 e 1949, conhecido por suas contribuições pela popularização da ciência através de livros e conferências, escreveu em 1960 a favor da esterilização forçada de pessoas com deficiências hereditárias. E ele era um homem absolutamente anti-racista. Leis similares foram feitas em países como Dinamarca, Suécia, Noruega, Estônia.

Pois bem. Na Alemanha, buscou-se ao máximo a preocupação com a saúde. No Congresso de Demografia de 1935, o Dr. Wilhelm Frick (1877 – 1946), então Ministro do Interior, declarou: “A Lei pretende não somente livrar a geração atual de grandes sofrimentos, como também as próximas. Somente assim é que se cumpre o princípio cristão de amor ao próximo: amor também pela geração próxima”. Posteriormente esta lei foi atacada pela Igreja, acusada de atentar contra a “dignidade humana”.

Mas para aqueles que mesmo assim, atentam para a visão do senso comum de hoje na manutenção de enfermidades hereditárias e tendo nos nacional-socialistas pessoas impiedosas, lembremos que em 1941 nos EUA, Theodore Kaufmann publicou “Germany must perish!” [Alemanha deve perecer!], onde recomendava que durante a guerra uma parte da população alemã fosse esterilizada para evitar um novo poder alemão durante séculos… E neste caso não falava de enfermos hereditários, senão de um genocídio racial anti-alemão.

A medida que causou o maior furor nos adversários do Nacional Socialismo foi a eutanásia [8] (etimologicamente, significa “Boa morte”). Milhares de médicos adotaram essas medidas. Muitos intelectuais não-alemães apoiaram a eutanásia durante o período em que Hitler esteve no poder. Entre os mais conhecidos, o Prêmio Nobel de Medicina, o francês Alexis Carrel, em sua obra “O homem, esse desconhecido”.

Hitler foi partidário desta medida, como exemplo de grande estima que tinha pela dignidade humana, dignidade que via ridicularizada nesses seres sem consciência nem vida espiritual. Muitos pais de filhos profundamente anormais e com deficiências físicas e psíquicas gravíssimas lhe escreveram pedindo piedade para os seus filhos, o que é dizer, pedindo para que deixassem de sofrer e de viverem pior que animais – aclamavam pela eutanásia.

Estas cartas fizeram com que Hitler passasse a pensar medidas a respeito, mesmo com a possível oposição de seus rivais. Os doutores Brandt, Conti e Brack, junto com o Reichsleiter Buhler, da parte política do Estado, seriam os encarregados de colocar em marcha o programa da eutanásia na Alemanha. Em Outubro de 1939, Hitler acabou por firmá-lo. Este programa está perfeitamente documentado.

Esta lei irá durar até 1941, sendo suspensa por conta de protestos da Igreja e pela imagem que poderia ser levada ao exterior, a qual prejudicava a compreensão do tema. Não era um tema fácil: um tribunal médico tomaria a decisão sobre o estado real do sujeito. Conforme a avaliação, era encaminhado para um centro médico. Neste é que finalmente era decidido se a prática da eutanásia far-se-ia justificável ou não.

Hans Asperger no pós-guerra. Imagem: Reprodução.

Somente a incapacidade mental absoluta, ou casos gravíssimos de dor, é que justificavam a eutanásia. [9]

Em 1943, a Alemanha planejou os sistemas Berkatit e Schaefer, que basicamente, era a tentativa de se converter a água do mar em potável, para que assim pilotos e marinheiros pudessem sobreviver em alto mar. Experiências foram feitas, a fim de se descobrir qual seria o melhor. Foram experimentos levados a todo rigor, sem causar mortes. No entanto, em Nuremberg, por conta desses sistemas, os alemães foram acusados de haverem torturado seres humanos. Inúmeras pessoas que passaram pela experiência, relataram que foram bem tratadas, e que somente uma delas teria sido castigada por não obedecer as normas de ensaio.

Essas provas de sobrevivência no mar, praticadas tanto em Dachau, em 1944, pelos alemães, quanto nos Estados Unidos pela NAVY. Por conta disso questão, o médico W. Beigelböck foi condenado a 15 anos de prisão, ou seja, pelos mesmos experimentos que realizaram ingleses e americanos sem menores problemas. Mesmo os estadunidenses realizando muitos desses mesmos experimentos alemães, sem que isso fosse aceito como prova no Tribunal de Nuremberg, pois somente se aceitava o que os alemães haviam feito.

Como vemos, a Medicina durante o Nacional Socialismo teve como base uma visão comunitária, atendendo a necessidades reais. Nos nossos dias, a Medicina está muito mais voltada para o dinheiro, tendo como foco a estética e o sexo, deixando de lado aos mais necessitados, aos velhos sem ajuda.

Legado e reconhecimento

Asperger viajava pouco e todas as suas publicações eram todas em alemão. Ele foi contratado como professor na Universidade de Viena em 1944 e no final da Segunda Guerra Mundial, serviu na Croácia (frente do Leste).

Após o fim da guerra, tornou diretor de clínica infantil em 1946, vindo a se tornar professor na clínica infantil da universidade [Universitäts-Kinderklinik], em Innsbruck, de 1957 à 1962. Em 1964 encabeçou o posto médico das SOS-Kinderdörfer (Aldeias SOS Infantis) em Hinterbrühl. Tornou-se professor emérito em 1977 e trabalhou até o fim de sua vida ministrando aulas até seis dias antes de morrer, em 21 de Outubro de 1980.

Ele publicou um total de 359 trabalhos, a maioria sobre dois temas da “psicopatia autista e morte. Apenas na década de 80, após sua morte, seu nome foi reconhecido mundialmente como um dos pioneiros no estudo do autismo, dando nome para a “síndrome de Asperger”. Além disso, seu principal trabalho publicado durante a Guerra permanece catedrático para o estudo do tema.

Notas:

[1] Publicado na revista científica Archiv für Psychiatrie und Nervenkrankheiten [Arquivos de Psiquiatria e Doenças Nervosas], número 117, páginas 76-136.

[2] PIMENTA, Tatiana. Síndrome de Asperger – Características, diagnóstico e tratamento. Vittude Blog, 1 out. 2018. Disponível em: https://www.vittude.com/blog/sindrome-de-asperger/. Acesso em 24 fev. 2020.

[3] GESSEN, Masha. THE FIFTEEN-YEAR-OLD CLIMATE ACTIVIST WHO IS DEMANDING A NEW KIND OF POLITICS. The New Yorker, 2 out. 2018. Our Columnists. Disponível em: https://www.newyorker.com/news/our-columnists/the-fifteen-year-old-climate-activist-who-is-demanding-a-new-kind-of-politics. Acesso em 24 fev. 2020.

[4] REUTERS. Médico que descobriu Asperger “cooperou ativamente” com nazistas: Uma nova pesquisa afirma que Asperger encaminhou várias crianças com deficiências graves a hospital do nazismo, onde quase 800 crianças morreram. Exame Abril. Viena, 19 abr 2018, Mundo. Disponível em: acusação. Acesso em 24 fev. 2020.

[5] METAPEDIA. Anschluss. Metapedia, La enciclopedia alternativa. Disponível em: https://es.metapedia.org/wiki/Anschluss. Acesso em 24 fev. 2020.

[6] Artigo presente no site: Nacional-Socialismo e medicina a serviço da comunidade

[7] HÄGERMANN, Gustav. La Labor del partido en pro de los alemanes. 10. ed. [S. l.]: Dt. Informationsstelle, 1941. 32 p.

[8] “O Estado concede a “boa morte” a uma série de corpos que perderam as capacidades mais básicas de um ser humano. Isto poderia ser a base da eutanásia. Não se trata de matar pessoas de forma indistinta, senão de antecipar o fim de uma vida física que não está sendo correspondida por uma consciência ou uma vida espiritual.” Ramon Bau em: Nacional-Socialismo e medicina a serviço da comunidade.

[9] “Certamente que apoio a eutanásia. Esta é mais antiga que a própria vida. Não vem a ser um crime contra a humanidade. Eu não posso pensar como um eclesiástica ou um jurista. Sou médico e vejo a lei da natureza como a lei da razão. Por isso, em meu coração nasce um amor pelo homem. Carrego comigo um peso – não o de um crime, mas sim o da responsabilidade”. – Dr. Brandt, Tribunal de Nuremberg, 1946.

Responsável pelo tema, Brandt foi categórico ao afirmar que a lei da eutanásia foi aprovada por motivos de misericórdia e em defesa da dignidade humana. Do mesmo modo, observou que de modo algum o projeto estava ligado a questões econômicas, tampouco para liberar as camas de hospitais, pois precisamente em 1941, a Alemanha começou a ter um número maior de feridos na guerra. De qualquer maneira, o projeto foi cancelado. – Ramon Bau em: Nacional-Socialismo e medicina a serviço da comunidade.

Andre Marques
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