Gottfried Feder e os fundamentos econômicos do Nacional-Socialismo

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A crise financeira mostrou ao mundo que os fundamentos da economia mundial devem ser repensados, pois o fenômeno dos juros compostos sempre terminará em desastres desta natureza, como bem demonstra os Ciclos de Kondratieff. Mas o que pouco se ouve é como realizar uma reestruturação econômica mundial – não medidas paliativas como aumento do controle sobre as transações bancárias, mas sim um novo fundamento econômico.

Para a grande mídia, os aspectos históricos relacionados ao Nacional-Socialismo, também denominado pejorativamente de “nazismo”, concentram-se invariavelmente às questões raciais e imperialistas.

Dificilmente temos oportunidade de conhecer as ideias econômicas, sociais e culturais deste movimento político.

Em seu livro “Luta contra as Altas Finanças” (“Kampf gegen die Hochfinanz“, 1933), o engenheiro Gottfried Feder (1883 – 1941) delineou a via dorsal econômica do Nacional-Socialismo. Nesta época de crise financeira mundial, a obra de Feder ganha novamente a atenção dentro dos debates para concepção de uma nova ordem econômica mundial.

Para que o mundo possa se desenvolver de forma saudável economicamente, é necessário o Rompimento com a escravidão dos juros. A obra de Feder revela uma outra via econômica, com notório sucesso nos poucos anos em que foi aplicada. Como pequena contribuição teórica, apresentamos a seguir um extrato da obra Luta contra as Altas Finanças, página 301 et seq.

Gottfried Feder (1883 – 1941). Reprodução.

Nascido em 27 de janeiro de 1883,  em Würzburg, Baviera, era filho de  uma funcionário público chamado Hanse Feder e de  sua esposa, Mathilde Feder. Depois de frequentar escolas humanistas em Ansbach e Munique, estudou engenharia em Berlim e Zurique (Suíça); depois de se formar, ele fundou uma empresa de construção em 1908, que foi particularmente ativa na Bulgária, onde construiu uma série de edifícios oficiais.

De 1917 em diante, Feder estudou política financeira e economia, desenvolvendo sua visão social e nacionalista durante os anos da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). E em 1919 escreveu o manifesto Como quebrar os grilhões dos banqueiros (Brechung der Zinsknechtschaft). Isso foi logo seguido com a criação de uma “força-tarefa” dedicada a conseguir esses objetivos, que exigiam a nacionalização de todos os bancos e a abolição de interesses financeiros.

No mesmo ano, Feder, juntamente com Anton Drexler, Dietrich Eckart e Karl Harrer, se envolveram na fundação do “Deutsche Arbeiterpartei” (DAP – Partido dos Trabalhadores Alemães). Antes da adesão e conhecimento do próprio Adolf Hitler, que viria, pouco tempo depois, a entrar no partido e conhecer as ideias de Feder.

Em fevereiro de 1920, juntamente com Adolf Hitler e Anton Drexler, Feder elaborou o chamado “Programa dos 25 pontos”, que resumia as opiniões do partido, e apresentou suas próprias ideias anticapitalistas e anti-comunistas.

Este foi apresentado em um comício, no dia 24 de fevereiro de 1920, na presença de 2.000 pessoas. Em uma tentativa de fazer o partido mais atraente para grandes segmentos da população, o DAP foi rebatizado em fevereiro do mesmo ano, com o nome de “Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei” (NSDAP – Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) ou Partido Nacional-Socialista (vulgarmente “nazi“).

Entre suas obras mais importantes, que falam exatamente de toda a sua visão econômica e do Nacional-Socialismo, verifica-se:

“An Alle, Alle! Das Manifest zur Brechung der Zinsknechtschaft des Geldes” (Para todos, todos! O manifesto para quebrar a servidão do dinheiro pelo juros) de 1919.

“Das 25-Punkte-Programm” (O programa dos 25 pontos), 1920.

“Der deutsche Staat über eine nationale und sozialistische Stiftung” (O Estado alemão em uma fundação nacional e socialista), de 1920.

“Das Programm der NSDAP und seine weltanschaulichen Grundlagen” (O programa do NSDAP e seus fundamentos filosóficos), 1927.

“War Wille Adolf Hitler?” (O que Adolf Hitler quer?), 1931.

“Kampf gegen die Hochfinanz” (Luta contra as altas finanças),1933.

“Die Juden” (Os judeus), 1934.

“Die Neue Stadt” (A cidade nova), 1939.

Missão e sentido da economia

A economia popular tem em sua totalidade a tarefa, em primeira linha, de suprir as três necessidades básicas de todos os cidadãos – alimentação, moradia e vestuário – e, além disso, satisfazer todas as necessidades culturais e de característica civilizatória segundo padrão dos respectivos níveis tecnológicos e das relações salariais. A economia em sua totalidade é um elo a serviço de todo organismo popular, ela é na melhor das hipóteses um serviço ao povo para a grandeza e bem-estar da nação.

A economia de um povo não é um objetivo em si, ela não existe para enriquecer alguns líderes econômicos ao custo de seus funcionários públicos, empregados e trabalhadores, muito menos ela existe para servir como objeto de exploração das Altas Finanças internacionais. [1]

Formas de Economia

Existem três possibilidades para conduzir a economia:

a. Livre economia sem qualquer compromisso (liberal-capitalista)
b. Imobilizada e rígida economia planificada (marxista coletivista)
c. Verdadeira economia popular estruturada (universal nacional-socialista)

A forma de economia capitalista totalmente descompromissada leva sempre à uma grande distância entre pobres e ricos, ela produz métodos exploratórios que levam à despersonalização e vulgarização de toda economia, e libertam lutas econômicas contínuas, as quais o próprio Estado tem que observar passivamente. A rígida forma econômica planificada marxista de socialização dos meios de produção leva ao desligamento dos poderosos fatores econômicos, da personalidade criativa. Tal economia cauteriza e afunda em seu produto interno. Somente a economia nacional-socialista dividida organicamente, que livra o caminho da exploração capitalista e igualitarismo marxista, abrindo novamente as portas para a personalidade criativa, e pode se tornar, sob cuidadosa condução estatal, uma fonte de real bem-estar para a comunidade do povo.

A divisão de classes em patrões e empregados deve ser superada através do lema nacional-socialista: Operários da testa e do punho, uni-vos!

Somente assim cada um pode produzir em seu posto de trabalho o melhor para seu povo, e com isso para si mesmo. [2]

Estado e economia

Na era liberalista, as lideranças econômicas orgânicas foram eliminadas, e desenvolveu-se uma luta selvagem pelo poder entre Estado e Economia.

Esta luta pelo poder pode contemporizar dois acontecimentos: ou vencem os interesses puramente material-capitalistas sobre o Estado e com isso sobre a população (escravidão dos juros), ou os poderosos da política tomam para si todo o aparato econômico (socializam-no), então todo o Estado se transforma em um maquinário econômico e submerge ao patamar de um instituto de trabalho compulsório, como na Rússia ( soviética, entre 1917 e 1991).

O Nacional-Socialismo coloca o Estado necessariamente antes da economia, pois o Estado como representante, como guardião do poder, honra e imagem da Nação, como defensor do Reich não pode ele próprio atuar na economia produtiva, pois ele seria impelido no jogo de interesses dos diferentes ramos econômicos e não poderia mais cuidar livremente do bem-estar geral.

Por isso resulta desta relação entre Estado e Economia:

a. O direito supervisor do Estado sobre a economia
b. O direito de intervenção estatal através de medidas policiais, administrativas e tributárias, caso o interesse do país assim o exija. [3]

A mais grave corrupção da ideia socialista é sua constrição, sua limitação ao campo econômico. Este é o principal motivo de todos os mal-entendidos sobre o tema socialista.

No capitalismo democrático, o dinheiro se converte em um bem, uma mercadoria imprescindível, monopolizada por umas poucas “fábricas” e “lojas” que especulam com ele, fazendo-o escasso e caro. Este mercado do dinheiro é o que chamamos politicamente de “Finança”, e suas fábricas que monopolizam a criação do dinheiro são os Bancos, mediante ao crédito.

É uma demonstração de total desconhecimento econômico crer que o dinheiro é “fabricado” pelo Estado ou pela Fábrica de Moeda. O Estado capitalista não é mais que um cliente dos bancos, que criam o dinheiro por meio dos créditos. Embora parte deles sejam oficiais (estatais, no sentido que seu proprietário é o Estado), atuam neste termo como os demais Bancos, criando dinheiro creditício a alto interesse.

Rui Nogueira, em “Servos da Moeda” (2001), relata:

“Para melhorar a vida de todos nós, o governo tem de investir.

Tem de aplicar moeda (dinheiro) nas coisas que produzem riquezas e qualidade de vida. Pode, então, fazer moeda (emitir) ou usar a poupança e arrecadação de impostos. Só o governo pode fazer moeda, emitir papéis que tenham valor legal de troca

Na Grã-Bretanha, o Banco da Inglaterra, fundado em 1694, obteve em 1844 o monopólio de novas emissões de notas. A tendência, lógico, é a do monopólio pelos bancos nacionais, sob controle governamental.

Aqui uma pergunta curiosa: Se você pudesse fabricar o seu dinheiro e o da sua família, você transferiria este poder para outra pessoa? Não!!! É lógico! Como controlar a moeda se outros podem fabricar o seu dinheiro?

É um absurdo que alguém além da Casa da Moeda do Brasil, possa fazer o nosso dinheiro, como as notas de plástico fabricadas no exterior. É um lucro extra que passa para outros quando poderia beneficiar a sociedade brasileira.”

Fundamentos da economia

O trabalho criativo, produtivo, o trabalho da testa e punho, é o fundamento de toda economia. Ele, o trabalho, merece o primeiro lugar, o lugar de honra em toda a economia. Patrimônio, propriedade, posse, lucro de bens materiais de todos os tipos, dinheiro, capital, consumidores, fábricas, meios de produção, máquinas, sim, mesmo o campo e as cidades são frutos do trabalho produtivo. A tarefa primordial do futuro Estado será a proteção da personalidade criativa e a proteção da força de trabalho diante da exploração. Todo trabalho é merecedor de sua remuneração, e todo trabalho deve render uma receita justa. Disto resulta que as receitas originárias do trabalho aplicado e capaz, sejam os solos cultiváveis, sejam as ferramentas e bens, são transferidas para a livre propriedade e patrimônio daquele que produz e ele é protegido através da lei e da justiça. Por isso vale para a lei de direito autoral:

O Nacional-Socialismo reconhece fundamentalmente a propriedade privada e a coloca sob proteção do Estado. Ele atrela, porém, o direito de propriedade ao dever moral em relação à comunidade.

O Nacional-Socialismo reconhece também o direito de herança, pois para ele a família é a célula mais importante da nação.

O direito à remuneração do trabalho não deve ser concebido de tal modo, que seja impossível, em algum momento, o preço de venda de um produto se transformar na base do salário. Nos preços (preços de venda) dos produtos devem conter as inúmeras parcelas referentes a matéria-prima, modernização e depreciação das máquinas, prédios, trabalhos auxiliares, direção comercial e técnica, instalações sociais e sanitárias, mais além para educação e crianças, assistência previdenciária e de saúde, para instalações estatais para viabilização e segurança da produção, dos direitos, dos contratos comerciais, sim, também da produção nacional através da polícia e do exército etc.

Junto a esta forma mais conhecida de propriedade privada, é possível também a propriedade coletiva na forma de propriedades estatais e municipais ou propriedades de pessoas jurídicas segundo o direito civil etc. Ao contrário dos sistemas capitalistas e marxistas, o Estado Nacional-Socialista possibilitará a todas forças produtivas alcançar sua propriedade.

No Estado Nacional-Socialista, os operários desprovidos de posses devem conseguir conquistar suas propriedades através da aplicação e capacidade. Eles devem perceber que são cidadãos com plenos direitos e co-proprietários de toda produção nacional.

Trabalho e Capital

O capitalismo resultou na total submissão do trabalho, sua exploração, e o fez preso aos juros. Com isso, ele inverteu totalmente a relação saudável e natural entre trabalho e capital (dinheiro). A situação atual do país, das cidades, na economia, mostra as terríveis conseqüências deste prejudicial, sim, mortal desenvolvimento. O Nacional-Socialismo chama essa situação de: Escravidão dos Juros. [4]

O despotismo do capital de empréstimo não se satisfaz mais com simples formas de empréstimo, há muito tempo ele criou através do anonimato (transformação das empresas em sociedades anônimas) as personalidades criativas para a melhor parte de suas possibilidades de atuação, e transformou a economia de sua função original de atender as necessidades, para uma posição de puro lucro.

Além disso, o capital financeiro conseguiu também transformar a conduta financeira do poder público para o diabólico sistema de Títulos (leia-se: se endividar) e, em proporções mundiais, os horríveis tratados entre a Alemanha e os aliados (Tratado de Versalhes, Pacto de Dawes [5] e Plano Young [6]) a realização plena do domínio através dos juros das altas finanças sobre o trabalho alemão. O rompimento da escravidão dos juros é a maior e mais significativa tarefa político-econômica, que o Estado nacional-socialista tem para resolver.

Ele é a pré-condição para o restabelecimento da saúde econômica.Pormenores sobre as medidas almejadas pelo NSDAP estão suficientemente descritas nas publicações oficiais do partido.

No período de transição, o Estado nacional-socialista se utilizará de forma consciente seu direito de criar dinheiro para o financiamento das grandes tarefas públicas e a construção de moradias dentro de minhas conhecidas propostas (banco econômico e habitacional etc). [7]

Economia popular orgânica

A construção econômica nacional-socialista: a economia é um elo artificial. As atuais interligações existentes (operários, empregados, funcionários públicos, empresários, sindicatos) levam à divisão da economia em diversos grupos de interesses, onde alguns estão em luta aberta ou oculta contra outros.

A autêntica e verdadeira economia almeja a dissolução destas interligações inorgânicas, e quer a união de patrões e empregados dos diferentes ramos da economia dentro de uma divisão segundo as profissões.

O Estado nacional-socialista considera como uma de suas mais importantes missões, a superação das relações entre patrões e empregados envolvidas na atmosfera envenenada da luta de classes e presunção de castas, e colocar todos aqueles envolvidos no processo produtivo em fidelidade e responsabilidade perante o objetivo comum do trabalho nacional.

Sob concessão de amplas administrações próprias, os conselhos profissionais procederão com a regulamentação das relações salariais e de férias; eles atuarão principalmente também para o restabelecimento da honra trabalhista e regulamentarão todas condições pessoais dos funcionários e dirigentes nas empresas. Estes conselhos profissionais se reunirão em associações municipais, regionais e estaduais, e marcarão presença em um departamento central do Reich.

Junto a estas câmaras profissionais para regulamentação das relações pessoais, as câmaras econômicas aparecem como novidade na vida econômica, formada de pessoas independentes, totalmente desinteressadas na economia em si e/ou dos homens que ali atuam. As câmaras econômicas têm a função de verificar o significado de cada um dos ramos de atividade trabalhista, para controlar no sentido e a serviço do interesse da coletividade.

Uma tarefa muito importante destas câmaras econômicas é a manutenção do mercado interno e a atenta supervisão do comércio exterior.

As câmaras econômicas são reunidas no Conselho Econômico do Reich, que preserva o interesse geral de toda a Nação perante desejos especiais e interesses de alguns ramos de atividade econômica.

Exemplo: Nos anos 1925-1930 a indústria têxtil da Saxônia viveu uma extraordinária conjuntura através da moda das meias-calças femininas, que foram exportadas para todo o mundo. Ao mesmo tempo, os industriais alemães de máquinas têxteis ofereceram por todo o mundo seus teares. Cada uma das máquinas vendidas no estrangeiro significa concorrência para a indústria têxtil alemã, desemprego, fome e miséria.

As câmaras econômicas do Terceiro Reich terão a missão de impossibilitar tal concorrência, impedindo a exportação dos teares que tomarão o pão do trabalhador alemão. Um exemplo moderno em grande estilo são os contratos com a Rússia soviética que foram fechados com a indústria alemã, iniciando então uma terrível luta concorrencial contra a economia alemã.

Política comercial

O fundamento da política nacional-socialista de comércio exterior é: Todos os produtos que possam crescer ou ser produzidos na Alemanha, não devem ser obtidos no estrangeiro. Isso significa proteção da economia alemã nas cidades e no campo diante da concorrência estrangeira.

Se naquela época a Alemanha importava cerca de 4.000 milhões em alimentos do estrangeiro (trigo, cevada, frutas, legumes, manteiga, ovos, queijo, carne etc), isso significa miséria e necessidade na agricultura alemã, desemprego e eterna sangria dos recursos nacionais alemães (Exemplo: a importação de carne congelada).

Da mesma forma é inconcebível que mais de 2.000 em produtos manufaturados (vestuário, máquinas, automóveis, metal etc) tenham sido importados do estrangeiro pela Alemanha.

Um alemão que compra um automóvel caro do estrangeiro, paga com isso cerca de 3.000 RM (reichmarks) em Salários aos trabalhadores estrangeiros. Os trabalhadores alemães, que podem fazer a mesma coisa, tornam-se desempregados, e os contribuintes alemães têm que pagar ainda 2.000 RM (reichmarks) pelos auxílios desemprego e sociais por cada carro vendido. Proibindo a importação de cada produto estrangeiro supérfluo não significa de forma alguma a rejeição tola e inexequível contra o estrangeiro e o comércio mundial, pois da mesma forma que o estrangeiro necessita ainda por muitos anos dos produtos alemães manufaturados de alta qualidade, nós precisamos urgentemente de matéria-prima, vital para nossa indústria de transformação: algodão, lã, cobre, peles, óleos minerais, minério de ferro etc.

Medidas transitórias

Eliminação do desemprego

O Nacional-Socialismo encontrará ao tomar o poder político uma situação terrível da economia alemã. Um exército de cinco milhões de desempregados exige sua reintegração no processo produtivo, as finanças estatais estão destruídas, Estado e economia totalmente endividados, a arrecadação fiscal e o poder aquisitivo da população paralisados, os cofres públicos vazios, agricultura, indústria, comércio e serviços estão falindo. Além disso reina um sistema de irresponsabilidade, corrupção e economia assistencialista dos partidos políticos, e o espírito está contaminado pela ideia da luta de classes. É imperativo prosseguir com uma gigantesca limpeza e educação.

Criar trabalho e pão

A introdução do trabalho compulsório irá libertar primeiramente meio milhão de cidadãos alemães da maldição do desemprego. A necessária desmontagem da legislação dos aluguéis acontecerá na forma, onde os mutuários da casa própria presos aos juros serão aliviados em pelo menos metade de suas contribuições junto ao fisco, caso eles apresentem os recibos das reformas de suas propriedades na monta correspondente aos descontos fiscais recebidos. Centenas de milhares teriam alimentação e centenas de milhares seriam colocados novamente no ciclo econômico virtuoso.

Junto a isso, o setor da construção será fomentado através do incentivo à construção popular através da disposição de crédito barato (sem juros), segundo minhas propostas para constituição de bancos sociais para a construção e voltados à economia popular.

Sob pressão estatal é conduzida uma ampla restrição das importações e o direcionamento da procura no mercado interno. O setor agrícola estará em condições, impreterivelmente através da redução dos juros, refinanciamento das dívidas, redução dos impostos e disposição de crédito barato, em condições de produzir e abastecer o mercado alemão com ovos, frutas, legumes, carne, manteiga etc. Deve ser possível alcançar a marca de 2 bilhões de excedentes em gêneros alimentícios através de produção própria. Isso iria permitir a reintegração de pelo menos 1 milhão de desempregados ao setor produtivo. O mesmo objetivo é alcançado através da supressão das importações de produtos manufaturados do estrangeiro para o mercado interno alemão. E novamente centenas de milhares encontrarão trabalho na economia revigorada. No setor político-financeiro, os maiores impulsos e desoneração da carga tributária virão com a redução dos juros, resultado em primeira instância da estatização do Reichsbank e dos demais bancos emissores de papel-moeda.

A estatização do crédito real e a conversão das notas promissórias emitidas com elevadas taxas de juros ocasionará uma espetacular revitalização do mercado imobiliário e da construção civil.

A estatização e supervisão dos grandes bancos por parte do governo levará à uma simplificação e solução de outros gargalos econômicos de seu endividamento com altas taxas de juros.

A estatização das concessionárias de energia elétrica levará a uma enorme e importante redução dos preços das tarifas de energia e terá efeito sobre toda a cadeia produtiva.

Junto a estas medidas que significam a reativação do mercado interno, aparecem as grandes metas da política externa que apenas citamos a seguir:

A supressão da tributação do plano Young, aumento de nossa área econômica através de acordos aduaneiros etc. Um vigorosa política de alianças possibilitará o reerguimento sustentável do Estado alemão baseado no trabalho eficiente, o qual, longe de objetivos imperialistas, terá como seu único objetivo assegurar à população alemã trabalho e pão em liberdade e honra.

Fonte: Inacreditável

Notas:

[1] Ramon Bau, em seu “Nuestras Ideias” (1990), diz:

“Deve-se entender como bem do povo tudo aquilo que leve aos seus integrantes uma melhor qualidade humana, tanto física, como ética e espiritual, a uma formação pessoal, artística e cultural superior.
O sentido de desenvolvimento que se considera “positivo” é aquele que é coincidente e adequado ao caráter popular, a sua idiossincrasia […].”

[2] Bau elabora que: “A mais grave corrupção da ideia socialista é sua constrição, sua limitação ao campo econômico. Este é o principal motivo de todos os mal-entendidos sobre o tema socialista.”

[3] Bau em sua comparação argumenta: “Finança é propriamente tudo o que está relacionado com o uso do dinheiro. […] Portanto, os meios financeiros deveriam estar a serviço da economia, e esta ao serviço da política do povo.”

[4] – E novamente temos uma situação análoga na economia mundial. Dentro de uma política de juros compostos, isso é inevitável. Qualquer discussão que não envolva este problema não quer resolver a crise, mas sim somente encontrar um meio de perpetuar a mamata dos rendimentos das aplicações. Em outras palavras, é a glorificação da usura, da exploração do trabalho.

Juros composto são a aplicação de juros sobre juros, isto é, os juros compostos são aplicados ao montante de cada período. Esse tipo de juros é utilizado pelo sistema financeiro, pois oferece uma rentabilidade mais alta para as instituições bancárias. A taxa de juros é sempre aplicada ao somatório do capital no final de cada mês. Assim, cobra-se juros sobre os próprios juros que já estão sendo cobrados em relação a uma dívida anterior, que representa o tempo além do contrato estipulado para transações de empréstimo ou dívidas em relação ao tempo. Em outras palavras, é a glorificação da usura, da exploração do trabalho

[5] – O Plano Dawes foi uma medida provisório elaborada por um comitê dirigido Charles G. Dawes com o objeto público de “viabilizar” o pagamento das “dívidas que a Alemanha possuía” após o final da Primeira Guerra Mundial, decorrentes do Tratado dos vencedores e inimigos político-econômicos imposto a esse país de forma alarmantemente arbitrária,  a Paz (armada) de Versalhes.

O comitê era composto por 10 representantes desses países, dois de cada um dos seguintes países: Bélgica, França, Grã-Bretanha, Itália e Estados Unidos. O comitê chegou a um acordo em agosto de 1924 que consistia em:

a) Evacuação da região da região do Ruhr pelas forças aliadas.

b) O pagamento das indenizações começaria em 1 bilhão de marcos que aumentaria num período de 4 anos até atingir 2,5 bilhões de marcos anuais (quantia inimaginável hoje e naquela época).

c) O Reichsbank da Alemanha seria reorganizado sob supervisão aliada (na prática seria privatizado, como os dos Estados Unidos e Brasil hoje, passando às mãos dos agentes Rotschild, como Hjalmar Schacht, que acabou por assumir sua presidência.

d) Empréstimos estrangeiros, principalmente dos E.U.A., seriam disponibilizados para a Alemanha (levantar o sistema da Dívida – escravização financeira dos países hoje via bancos privados)

e) A fonte para as verbas de reparação deveriam incluir impostos sobre transportes, impostos sobre mercadorias e taxas alfandegárias (taxar o povo com pesados impostos).O plano foi prontamente aceito pela Alemanha e entrou em vigor em setembro de 1924. Os pagamentos persistiram até 1929 quando se percebeu que os valores eram insustentáveis para a Alemanha e o plano foi substituído pelo Plano Young.

Com efeitos de causar uma estabilização, ou seja, pre-fixar os montantes devedores e dividendos de dívida, o Plano Dawes também tornou a moeda alemã dependente de mercados externos e frágil em relação a crises na economia americana (como a crise de 1929), falindo o país economicamente e hiperinflações.

[6] – Escrito em agosto de 1929 e formalmente adotado em 1930, foi apresentado pelo Comissão Internacional de Reparação aos Aliados (1929 – 1930) liderado pelo industrial americano Owen D. Young, criador e ex-presidente da Radio Corporation of America (RCA), que, na época, concorreria ao conselho de curadores da Fundação Rockefeller, e também havia sido um dos representantes envolvidos no plano anterior de reestruturação de reparações de guerra – o Plano Dawes de 1924, quando ficou claro que devido a profundidade da crise financeira internacional e afundamento da Alemanha, o país derrotado não iria conseguir pagar os juros da dívida. Então aumentaram o valor, esticando o prazo de pagamento e a quantidade de endividamento.

A comissão estabeleceu o valor da reparação alemã em um total teórico de 132 bilhões, num total prático de 50 bilhões de goldmarks (marcos de ouro). O Plano Young reduziu pagamentos adicionais por aproximadamente 20%, embora o total teórico fosse de 112 bilhões de goldmarks, o equivalente a  US $ 27 bilhões em 1929 (US $ 114 bilhões em 2018) durante um período de 58 anos, que terminaria em 1988, poucos esperavam que o plano durasse por mais de uma década.

Ainda por cima, o Plano Young dividiu o pagamento anual, fixado em dois bilhões de goldmarks, (US $ 473 milhões), em dois componentes: uma parte incondicional, igual a um terço da soma, e uma parte adiável, igual ao restante. dois terços, que seriam objeto de juros e financiados por um consórcio de bancos de investimento americanos coordenado pela JP Morgan & Co.

[7] Na crise financeira mundial de 2008, os Bancos Centrais imprimem também uma quantidade inimaginável de papel-moeda para suprir os rombos provocados pela necessidade do pagamento de juros. Mas caso esta política de juros não venha a ser modificada, de nada adiantará o esforço empreendido, pois o resultado é um só: a hiperinflação.

Em Macroeconomia, hiperinflação é uma inflação acima dos níveis adequados e fora de controle. O que ocorre é um encarecimento rápido dos produtos, recessão e desvalorização acentuada da moeda. O caso clássico conhecido é a crise econômica alemã de 1923. Alguns especialistas também costumam dar esta classificação para a inflação brasileira poucos dias antes da vigência do Plano Collor.

A maior hiperinflação do mundo foi registrada na Hungria, logo após a Segunda Guerra Mundial, quando sua moeda era o “pengő“. Em 2008, a Economia do Zimbabwe viveu um surto hiperinflacionário que foi um dos maiores da história e o primeiro registrado no século XXI.

Bibliografia recomendada

FEDER, Gottfried. Kampf gegen hohe Finanzen. GRIN Verlag. Munique: 2008. p. 301 et. seq.

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Andre Marques
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