Fidel Castro e o recrutamento de ex-membros da SS

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Em 2012, o serviço de inteligência alemão [BND] afirmou ter documentos apontando que Fidel Castro contratou ex-membros SS, a guarda de elite nacional socialista alemã, para treinar o exército cubano durante a Crise dos Mísseis, entre os Estados Unidos e a União Soviética, em outubro de 1962.

De acordo com o relatório, baseado em documentos confidenciais recém-divulgados, o presidente cubano chegou a contratar quatro ex-oficiais da SS [‘Schutzstaffel’, ou Tropas de Proteção], que iriam embarcar rumo a Cuba no dia 25 de outubro de 1962 para treinar as tropas posicionadas na ilha. Mas, segundo aquilo que foi relatado posteriormente, somente dois dos quatro oficiais realmente chegaram ao país.

“Como pagamento [pelos serviços prestados] foram oferecidos o equivalente a mil marcos alemães por mês, em moeda cubana, e mais mil marcos alemães por mês, na cotação desejada, em uma conta de um banco na Europa”, diz o documento.

Bodo Hechelhammer, coordenador de pesquisa do BND, explica que Fidel tentava buscar formas alternativas de proteger Cuba, que não fossem ligadas aos soviéticos. Algo bem coerente, dado o contexto de que Fidel e os dirigentes cubanos não aceitaram seguir com o governo nacional debaixo da égide soviética.

É também concordante com outra parte da opinião de Hechelhammer quando o mesmo afirma que os revolucionários cubanos não tinham nenhum problema em aliar-se com nacional socialistas para combater o seu maior inimigo, o imperialismo anglo-saxão.

Fidel Castro e John F. Kennedy

Fidel Castro, na ocasião, também ficou decepcionado com a forma com que os soviéticos, com o domínio da Rússia, enfrentaram a crise. Ninguém sabia à época, que Castro, também tinha tomado suas próprias precauções. Com a guerra parecendo cada vez mais iminente e inevitável, Castro não queria depender exclusivamente da ajuda da URSS.

O documento ainda diz que o líder cubano se aproximou de duas figuras fortemente ligadas às atividades nacionalistas na Alemanha ocupada que seriam responsáveis por traficar armas para comprar pistolas de fabricação belga. De acordo com os arquivos do BND, esses dois seriam o político alemão, Ernst-Wilhelm Springer, e o ex-oficial da Wehrmacht [“Força de Defesa”, conjunto das forças armadas da Alemanha nacional socialista], Otto Ernst Remer. De acordo com os documentos, eles vendiam armas internacionalmente e por isso foram contactados pelos cubanos, que buscava formas alternativas de armar o seu Exército. A intenção era armar seu exército de uma maneira que não passasse aos olhos do Kremlin, em Moscou.

Springer e Remer: nacionalistas do pós-guerra

Ernst-Wilhelm Springer [1925 – 2007] formou-se engenheiro antes da guerra. Alistou-se na Wehrmacht  Após o fim da guerra [onde foi capturado], com a Alemanha desgraçada, filiou-se na agremiação política do SRP [Partido Socialista do Reich] em 1950 e tornou-se até 1952 membro do Parlamento Estadual da Baixa Saxônia.

Fritz Dorls, Otto Ernst Remer e Wolf Graf von Westarp em 1952. Foto: Bundesarchiv

O partido foi criado em 2 de outubro de 1949 em Hameln, como uma divisão da ala social-socialista do DKP-DRP de Otto Ernst Remer, angariando a simpatia de quase todos os grandes nomes nacionalistas alemães remanescentes após o fim da guerra, como Wolfgang Falck, August Finke, Bernhard Gericke, Gerhard Heinze, Helmut Hillebrecht, Gerhard Krüger e Wolf Graf von Westarp. O ex coronel da Força Aérea Hans-Ulrich Rudel também foi um proeminente defensor do partido, assim como o ex general SS Leo von Jena em seu início.

Otto Ernst Fritz Adolf Remer (1912 – 1997), ex-oficial alemão da Segunda Guerra condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, após o conflito, havia adentrado na política formando o DKP [Partido Conservador Alemão] foi perseguido na República Federal da Alemanha como revisionista chamado de “extremista de direita”.

Depois que o SRP tornou-se o primeiro partido político a ser da República Federal da Alemanha pelo Tribunal Constitucional Federal em 1952 devido suas orientações políticas claramente nacional socialistas, Remer  e Springer fugiram para a Síria, onde ambos trabalharam para Orient Trading Company (OTRACO). Logo em 1956, o próprio partido de Remer viria a ser o segundo proibido na Alemanha ocupada. A mesma trajetória fez Alois Brunner nesse época, onde se juntou à Síria de Hafez al-Assad. Após um incidente mal explicado em 1962 envolvendo um suposto atentado a bomba suas atividades comerciais foram investigadas e ele foi acusado de violar a Lei de Explosivos e Armas e a exportação ilegal de armas de guerra.

Contexto: Crise dos Mísseis

A chamada “Guerra Fria” foi o cenário de acirramento geopolítico durante o século XX, entre o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos e o comunista liderado pela União Soviética. Exatamente logo após a queda da Alemanha e o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, tal como previsto por figuras como Adolf Hitler e Paul Joseph Goebbels.

Entretanto, nenhum dos puxadores de blocos tomou ações diretas contra o outro, razão pela qual o conflito foi chamado de “guerra fria”. Esses dois poderes limitaram-se a atuar como “eixos” de poder influentes no contexto internacional e à cooperação econômica e militar com os países aliados ou satélites de um dos blocos contra os outros, razões essas que levaram a diversos conflitos pelo globo durante este período. As duas superpotências desejavam implantar seu modelo de governo em todo o planeta.

Em 29 de outubro de 1962, o líder comunista cubano, Fidel Castro, discursa à nação sobre a crise dos mísseis soviéticos que coloca o país contra os Estados Unidos. Foto: AFP

No ano de 1962, como resposta à fracassada Invasão da Baía dos Porcos de 1961 por parte dos EUA contra Cuba na qual as forças de Castro contiveram o avanço estadunidense e a presença de mísseis balísticos estadunidenses PGM-19 Jupiter estacionados na Itália e na Turquia, o líder soviético Nikita Khrushchev deu aval ao para Cuba posicionar mísseis nucleares em seu território para deter uma futura invasão estadunidense [Os EUA ainda hoje mantém o território da base de Guantánamo em Cuba].

Foram então colocados mísseis balísticos soviéticos em Cuba e um acordo secreto entre Kruchev e Fidel Castro foi feito em julho para construção de uma série de instalações de lançamento de mísseis depois do verão de 1962. Nos Estados Unidos, em plena época de eleição, impuseram um bloqueio militar contra a ilha para que novos mísseis não entrassem em Cuba e determinou que armas ofensivas fossem entregues por Cuba, além de ter exigido que as armas já entregues fossem desmontadas e levadas de volta à URSS.

Fotografia dos Presidentes Nikita Khrushchev e John F. Kennedy apertando as mãos durante sua reunião em Viena, Áustria. Foto: Tretick, Stanley, Look Magazine, 3 – 4 de junho de 1961.

Depois de um longo período de tensas negociações entre 16 e 28 outubro de 1962, foi feito acordo entre Kennedy e Kruschev. Os soviéticos desmontaram as suas armas em Cuba e as levaram para a União Soviética sob verificação das Nações Unidas, em troca de uma declaração pública dos Estados Unidos de nunca invadir Cuba sem provocação direta e que secretamente retirariam seus mísseis da Itália e Turquia.

Fidel liderou o país até 2006, quando, por problemas de saúde, transferiu o poder ao vice-presidente, seu irmão Raúl Castro. Fidel faleceu em 2016, aos 90 anos, em Havana, capital de Cuba.

As relações diplomáticas entre os EUA e Cuba foram cortadas pouco antes da Crise dos Mísseis, em 1961, e somente em 2014 o presidente Barack Obama as restituiu, sendo o primeiro dos Presidentes norte-americanos a visitar a Ilha desde 1928! Mas logo no início do mandato do sucessor, Donald Trump, as relações foram novamente esfriadas.

Fontes de pesquisa:

BUONO, Vinícius. FIDEL CASTRO RECRUTOU ANTIGOS OFICIAIS NAZISTAS PARA TREINAR O EXÉRCITO CUBANO: O nazismo não é de esquerda, mas isso pouco importava para o ditador cubano na hora de fazer valer seus interesses. Aventuras na História, Matéria, Personagens, 29 jul. 2019. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/fidel-castro-recrutou-antigos-oficiais-nazistas-para-colaborar-com-o-exercito-cubano.phtml. Acesso em 28 jan. 2020.

STEINBERGER, Albert. Documentos afirmam que Fidel recrutou ex-nazistas para treinar Exército cubano. BBC Brasil, Internacional, Brasília, 16 out. 2012. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/10/121016_fidel_nazistas_as.shtml. Acesso em 28 jan. 2020.

METAPEDIA. Guerra Fria. Metapedia, a enciclopédia alternativa,12 jan. 2018. Disponível em: https://pt.metapedia.org/wiki/Guerra_Fria. Acesso em 28 mar. 2020.

METAPEDIA. Otto Ernst Remer. Metapedia, a enciclopédia alternativa. 04 ago. 2016. Disponível em: https://pt.metapedia.org/wiki/Otto_Ernst_Remer. Acesso em 28 mar. 2020.

WIKIPEDIA. Ernst-Wilhelm Springer. Wikipedia, Die freie Enzyklopädie. Disponível em: https://de.wikipedia.org/wiki/Ernst-Wilhelm_Springer. Acesso em 28 mar. 2020.

Andre Marques
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4 thoughts on “Fidel Castro e o recrutamento de ex-membros da SS”

  1. A questão é saber quem saiu mais chamuscado dessa parceria pragmática e de conveniência aos olhos de seus respectivos nichos ideológicos.
    Então, considerando o que Fidel Castro fez nesse caso e trazendo isso para os dias de hoje, acho que ele ficaria em maus lençóis com os esquerdo-progressistas (uma fatia considerável dos admiradores do regime cubano).
    Para mim, não há dúvida de que os ex-membros da SS pisaram feio na bola. Onde já se viu emprestar seus notáveis conhecimentos sobre técnicas de combate para uma horda de comunistas a serviço dos interesses de um provável judeu.

    1. Pisar feio na bola é acreditar e prosseguir com a propaganda difamatória contra o Terceiro Reich Alemão, fazendo analogias de cunho liberalista onde somente o dinheiro importa. Mesmo que seja da camarilha do Stauffenberg , não merece divulgação.

      Ao embasar-se em usurpações semânticas escusas a história amplia inexoravelmente a dimensão da bestialidade humana. https://nationalvanguard.org/2020/04/capitalism-is-the-real-disease-bailing-it-out-only-makes-us-sicker/#comment-32544

      Todos aqueles escritores que abusam do falso termo nazista – conscientemente ou não – estão do lado daqueles que agora transformam o mundo em uma prisão gigante, na qual os mortos serão mais numerosos do que os vivos. 👀👇 http://www.thetruthseeker.co.uk/?p=83879

      http://die-heimkehr.info/wp-content/uploads/2019/05/Amerika_Befreier.png

      1. Depois que soube que S. E. Castan admirava Fidel Castro, nada mais me surpreende.
        Afinal de contas, quem é você perto do autor de  Holocausto: Judeu Ou Alemão? nos Batidores da Mentira do Século?
         Reputo como minha maior sorte ter aprendido desde muito cedo a desprezar comunistas, judeus e outras gentalhas.

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