Ernst von Salomon e os freikorps

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“O Nacionalismo autêntico não é um estado anímico patrioteiro ou chauvinista, mas simplesmente a vontade de um povo de viver segundo suas próprias leis. Este nacionalismo é e sempre será o verdadeiro inimigo do imperialismo”  – Ernst von Salomon, “Die Geächteten”, 1930.

Nascido a 25 de setembro de 1902, em Kiel,  capital e a maior cidade do estado alemão de Schleswig-Holstein, no norte do então Império Alemão, Ernst von Salomon era filho de um oficial do exército. Em 1913 tornou-se cadete na na vila de Berlin-Lichterfelde em Karlsruhe (‘Carlsrue’), cidade independente da Alemanha, capital do distrito homônimo e da região administrativa de Karlsruhe, estado de Baden-Württemberg.

No ano seguinte, como combatente na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Ernst von Salomon assistiu impotente à primeira derrota total da Alemanha frente ao poderio Aliado. Após o fim da guerra, aproximou-se dos meios nacionalistas e aderiu aos Freikorps (Corpos-Francos), uma organização militarizada e ideologicamente nacionalista que atuava na Alta-Silésia, Prússia Oriental e na região do Báltico, envolvendo-se na repressão dos movimentos comunistas emergentes dado o caos gerado pelo colapso do Estado Imperial e a ascensão do regime republicano que atuava na Alemanha sobre estrito interesse e imposição dos vencedores do conflito, conforme Tratado de Versalhes (1919).

A partir de 1919, com apenas 17 anos, Ernst von Salomon está então nos Freikorps,  especificamente em combate no Báltico contra os comunistas e na Silésia contra os polacos que procuram anexar essas terras. Os seus companheiros lutavam, igualmente, contra os movimentos separatistas, na Baviera e na Renânia, contra os partidários  dos soviéticos e revolucionários de caráter marxista que, iguais abutres, aproveitam a derrota alemã na primeira guerra para alastrar-se e ganhar a massa.

A tradição dos Freikorps

Representação de tropas brunswickers [multidões negras], em formação. / Reprodução
Os “corpos-livres” ou “corpos-francos” possuem uma longa tradição franco-germânica enraizada no militarismo desses povos que iam muito além no tempo, antes das primeiras duas décadas do século XX, os “Freikorps” ou “Freischar” constituíam as unidades paramilitares das quais eram nomeadas independentemente de sua origem nacional. No mundo de língua alemã, regimentos livres de voluntários nativos, desertores, opositores e infratores eram estabelecidos no século XVIII nos regimentos militares reais sob o nome de “Corpo Livre”. As tropas equipadas, às vezes exóticas, serviram então como infantaria e cavalaria, mais raramente como artilharia, existindo também em diferentes associações mistas de armas ou legiões. O Corpo Livre Prussiano, por exemplo, de Friedrich Wilhelm Gottfried Arnd von Kleist incluía infantaria, caçadores, dragões e hussardos enquanto os franceses voluntários de Saxe uniam lanceiros e dragões.

Especialmente entre 1756 e 1758, durante a Guerra dos Sete Anos, Frederico II criou 14 unidades independentes de infantaria, que, no entanto, dificilmente poderiam ser controladas militarmente, muito menos implantadas taticamente e com precisão. No curso da guerra, a partir de 1759, foram criados os chamados Freicorps, que consistiam em vários ramos de armas (já citadas acima), liderados juntamente por oficiais profissionais experientes. Embora operassem independentemente e muitas vezes atrás das linhas inimigas, eram militarmente bem treinados e podiam agir prontamente em associação.

Lützowsches Freikorps “Schwarze Jäger“ [Caçadores Negros”]. Tropas prussianas.
Mas os Corpos Livres no sentido moderno originou-se na Alemanha durante as Guerras Napoleônicas (1806-1815). Os combatentes envolvidos muitas vezes vinham de famílias ricas e educadamente aristocráticas, pegando em armas por motivos patrióticos, não para ganhar como mercenários, mas como voluntários nacionais. Um dos primeiros do tipo foi  Ferdinand von Schill e seu antigo regimento de hussardos, em 1809. Lutou contra os invasores da França durante a Quinta Guerra da Coalizão. Conhecidos como Corpo Livre de Schill (‘Schill’sches Freikorps’ ou ‘Schill’sche Jäger’).

No início da revolta de novembro de 1918, o Conselho dos Deputados do Povo não tinha tropas confiáveis ​​em Berlim. De acordo com o Supremo Comando do Exército (OHL), o Corpo Livre foi estabelecido desde novembro de 1918 pelos ex-soldados da Primeira Guerra Mundial. Nessas associações voluntárias reuniram-se forças conservadoras monarquistas e direitistas que não viam mais uma perspectiva e um futuro seguro devido ao fim da guerra e à revolução bolchevique.

As freikorpskämpfer em 1919, possuíam o capacete de aço do exército alemão, assemelhando-se por completo ao Exército regular em aparência e capacidade. Foto: Bundesarchiv, Bild

Na época de Ernst, contavam com cerca de 400.000 membros, divisos em cerca de 120 unidades, que tinham exclusivamente e acima de tudo, visões contra-revolucionárias vermelhas e também antidemocráticas. Essas unidades menores dos Freikorps continham uma média entre 2.000 à 10.000 homens, armados com carabinas, cujas unidades de infantaria e cavalaria também contavam com metralhadoras pesadas e lançadores de minas.

Brigadas cívicas de Freikorps

Futuramente, as divisões Freikorps na Alemanha acabariam em adesão massiva as divisões SS do futuro NSDAP comandado por Adolf Hitler. Prova disso é a extensa lista das organizações paramilitares e nacionalistas associadas e a grande quantidade de generais, militantes e outros oficiais SS que vieram dessas organizações, as quais na SS, foi respeitado o caráter militarista -nacionalista anti-comunista e anti-democrático-liberal.

Ativismo nacionalista

 

Ernst iniciou servindo no Freikorps do capitão Erhardt, a menos numerosa das unidades e uma das mais ativas dos “corpos”; depois das batalhas na Silésia e na Renânia entra na “Warte”, um exíguo grupo de poucas dezenas de homens, uma elite de escolhidos entre os comandados de Erhardt.

Os altos funcionários dos então governo “republicano alemão”, responsáveis da República de Weimar mostram-se, perante esta Alemanha humilhada pelo tratado de Versalhes, controlada pelos “aliados”, à beira da fragmentação interna, fracos, quando não condescendentes. Não era só a humilhação a que foi sujeitada a nação a partir do exterior que move os movimentos de resistência nacional, é a indignidade interna do governo instalado.

A revolta cresce e expande-se, dos veteranos da primeira guerra ao povo anônimo. Juntam-se, nesses “corpos livres”, voluntários dos mais diferentes meios, desde homens formados nas academias militares, filhos de oficiais, a antigos soldados rasos e gente sem experiência militar. O chamamento unificador da pátria vexada começa a agregar, ali ultrapassam-se as questiúnculas de “classe”, marcha-se então por cima da cartilha marxista, o “mito” da nação mostra-se mais forte que o da consciência classista, o inimigo principal começa a surgir claramente aos olhos desses voluntários nacionalistas do pós-guerra: é o novo “Deutsches Reich”, a nova ordem que emana de Weimar, é a democracia-liberal imposta pelos “aliados” à nova Alemanha que enfraquece a pátria, com o seu patético espetáculo de divisionismo parlamentarista, de pequena politiquice num país já de si à beira da ruína. Se a extrema-esquerda não aceita o novo regime porque está apostada em realizar ali o que fora conseguido na Rússia, para os nacionalistas a democracia-liberal é um corpo estranho à tradição da orgulhosa pátria imperial, alicerçada sobre a honra, o heroísmo e a autoridade; nauseia o constante comprometimento, os meios-termos, as meias-medidas, a dissimulação partidária, as discussões sobre coisa alguma…

O regime de Weimar, por outro lado, mostra-se incapaz de assegurar a ordem interna, aniquilar os movimentos marxistas de secessão e reagir aos ditames de Versalhes que subjugam a Alemanha, de forma vergonhosa, ao estrangeiro. Então ativista, em 1922 é assassinado o ministro dos negócios estrangeiros Walther Rathenau, político de origem judaica que defendia a necessidade da Alemanha cumprir o Tratado de Versalhes. Condutor da viatura onde se fizeram transportar os assassinos, Ernst von Salomon posteriormente é condenado a uma pena de prisão, escapando à sentença de morte por ser menor de idade quando os fatos ocorreram.

Walther Rathenau, ministro dos negócios estrangeiros da República, era, nessa época, um dos homens mais proeminentes da nova democracia, grande responsável pelas negociações das condições impostas pelos vencedores ao povo germânico, defendia não só a necessidade de cumprir com as imposições de Versalhes ao mesmo tempo que negociava o tratado de Rapallo com a União Soviética. Por sua morte, Ernst ganhou 5 anos de prisão.

Em 1927 Ernst von Salomon envolve-se na luta dos camponeses do Schleswig-Holstein, sendo novamente sentenciado a uma pena de prisão, desta vez feita por uma tentativa de homicídio. Após o cumprimento de alguns meses foi posto em liberdade.

Naqueles tempos que sucederam à primeira derrota alemã em 1918, a revolução reunia todas as contradições em torno de um único objetivo claro, a restauração de uma nação soberana, senhora de si, portadora de uma identidade própria. É Ernst von Salomon que o define na perfeição quando afirma que todos aqueles combatentes aglomerados nos Freikorps não tinham ainda precisado das suas ideias quanto à organização do Estado,  mas reagiam simplesmente contra a insidiosa situação em que o país havia caído.
Seriam precisamente esses “revolucionários conservadores” que naqueles agitados anos se dedicariam, progressivamente, em inúmeros artigos, livros e conferências, a fornecer à Alemanha uma ideia de si, definindo conceitos, apontando caminhos, relembrando a História.

“O sangue que corria através das nossas veias estava impregnado de uma demanda selvagem pela vingança, pela aventura e perigo… Nós eramos um grupo de combatentes embriagados com todas as paixões do mundo; cheios de desejo, exultantes na ação. O que nós queríamos, nós não o sabíamos. E o que nós sabíamos, nós não o queríamos! Guerra e aventura, excitamento e destruição. Uma intraduzível força jorrou para cima de cada parte do nosso ser e impeliu-nos avante.”  – Ernst von Salomon, “Die Geächteten”, 1930.

Em 1930, data em que publica o livro Die Geächteten (Os foras da lei), obra onde relatara a luta desses corpos de voluntários em defesa da Alemanha e os tempos passados na prisão, texto que se tornara anos mais tarde uma fonte de inspiração para muitos nacionalistas europeus.

Visão do Nacional-Socialismo

Com a ascensão de Adolf Hitler sobre o comando do NSDAP no Parlamento alemão, em 1933,  Ernst von Solomon absteve-se de qualquer oportunismo político, renunciando à atividade política e limitando-se a escrever guiões para a produtora cinematográfica alemã UFA.  Salomon assiste ao desenrolar da História com algum distanciamento e vive, durante o regime, com a sua companheira judia. A sua luta havia sido travada, derrubar o Estado colaboracionista de Weimar, vingar o ultraje pátrio de que essa República fora responsável.

Até porque, ao que parece, sua não tanta identificação com Hitler se dava por algumas questões ideológicas. Ernst sempre foi dono de uma postura aristocrática, cultivando um sentido de autoridade e hierarquia na qual desagradava-lhe o populismo nacional-socialista na imagem que Hitler tinha de homem do povo. De ascendência veneziana e tradição monárquica, Ernst von Salomon não era um ‘anti-semita’ no sentido de “anti-judaísmo”, o “culto da raça” como identidade maior dentro de uma concepção de povo e nação unidas contra um inimigo comum interessava-lhe sobretudo em termos espirituais, pois não era a “raça ariana” (cujo sentido, em termos para época, soaria para nós hoje, aquilo que se pode identificar de objeto comum do ser europeu como um todo, independente da etnia, ou seja, a solidariedade étnica-popular entre os iguais, garantindo sua coexistência),  mas o espírito prussiano que exaltava. Esse espírito prussiano identificava-o com a coragem, o cumprimento do dever, com um sentido trágico da vida e épico da morte.

Ernst von Salomon jovem, adulto e idoso. /Reprodução

Acreditava ele na ideia de não servir “partidos”, mas apenas a nação. Pois, para ele, era nas horas difíceis, dizia, quando não os partidos mas a própria nação que estava em jogo, que lhe importava a luta. Por isso ofereceu-se novamente em 1939 para combater na segunda guerra, tendo porém sido rejeitado pelos serviços militares.

Casou-se com Ille Gotthelft, judia alemã (vejam só o quão malvados e “racistas” foram esses alemães) e casal Von Salomon nunca foi incomodado pelas autoridades nacional-socialistas. O que faz cair por terra o quadro que é apresentado sobre a questão judaica na Europa do início do século XX, pois sem contar os milhões de judeus e centenas de instituições judaicas alemãs que fizeram adesão ao nacionalismo alemão e aos corpos nacionais, por serem e se sentirem tão alemãs quanto os outros, não fazendo diferenciação por religiosidade ou seita, colocando a nacionalidade à frente de qualquer lealdade a um “imperialismo ideológico” como quer o sionismo, ou deturpação religiosa que provenha do judaísmo radical e ocultista.

Pós-guerra

Um episódio curioso é relatado pelo próprio Von Salomon, quando apontou mais tarde descrição do momento em que ele e a sua esposa foram detidos pelos militares estadunidenses, que os insultavam chamando-os de “porcos nazis”, sendo Ille Gothelft sexualmente molestada.

Ernst von Salomon ficou prisioneiro dos invasores aliados de 1945 a 1946. Levado para um dos campos de detenção pelos norte-americanos, agredido por militares e testemunhou vários atos semelhantes praticados com seus compatriotas, assim como violações de mulheres germânicas (além da sua própria mulher), perante as gargalhadas e o voyeurismo passivo dos soldados norte-americanos, obcecados pela propaganda “anti-nazi” que era posta em prática pela primeira vez da forma como a conhecemos hoje.

A Alemanha vencida é agora dividida em quatro partes, que ficam sob administração francesa, inglesa, norte-americana e soviética. Na zona americana implementa-se intensivamente um plano de “desnazificação” que leva, para além do processo de Nuremberg, ao julgamento de 169.282 alemães, contra 22.296 na zona inglesa e 18.000 na zona sob administração soviética.

Em 1951 Von Salomon publica o livro “Der Fragebogen” (O Questionário), no qual ele expõe as suas respostas às 131 questões elaboradas na zona sob controle norte-americano presentes num formulário a que 12 milhões de cidadãos alemães foram obrigados a responder após a guerra, nomeadamente sobre a sua relação com o governo e partido nacional-socialistas, fazendo esse questionário parte do processo de desnazificação. Nesta obra Ernst von Salomon coloca em causa o sadismo do questionário, apontando se os estadunidenses poderiam sob forma alguma avaliar os alemães sobre a democracia, quando os Estados Unidos da América apresentavam grandes deficiências nesse campo (exemplo disso era a então pujante segregação racial  contra negros vigente na forma de lei estadual, baseada em diversas propostas congressistas desdo o fim da Guerra Civil, em boa parte dos estados norte-americanos da época).

De acordo com as respostas cada alemão poderia ser classificado em 5 grupos cujas sentenças podiam passar, por exemplo, pela pena de morte, a expropriação dos bens pessoais, o impedimento de exercer qualquer profissão que não fosse de trabalho manual ou a absolvição de culpa.

Ernst assistiu, como outros milhões de compatriotas, às escuras da mídia internacional e da “opinião pública”, a “reeducação” da Alemanha, imposta pela conferência de Postdam, na qual retiraram o emprego a 141.000 alemães, destituíram 80% dos professores e impediram 50% dos médicos de exercerem a sua profissão e a condução da Alemanha à falência econômica, reduzindo-a a um Estado agrário, com a diretiva J.S.C. 1067,de Roosevelt, registrando tudo de forma mordaz em suas obras.

Morte e legado

 

Ernst von Salomon. Foto: Pinterest

Com o “Questionário” exortou o seu povo a não quebrar também, a não se justificar, a elevar-se uma vez mais, a socorrer-se do “espírito prussiano”, a mostrar orgulho na sua identidade, a procurá-la no fundo da sua memória e a não permitir que esta fosse recriada pelos vencedores conforme a sua vontade, a não permitir que impusessem à “Prússia” um regime estranho à sua natureza. O espelho que o livro coloca à frente da moralidade americana, denunciando-a em toda a sua falsidade, contando a história como ela não pode ser contada, nos antípodas das “fábulas hollywoodianas”, é um exercício de impertinência imperdoável. Este livro tem um simbolismo próprio que ganha significado na vida do seu autor, ele encerra um ciclo, representa um regresso à origem.

Ernst von Salomon veio a falecer na pequena localidade de  Stöckte, distrito de  Winsen (Luhe) em Harburg na Baixa Saxônia, em 9 de Agosto de 1972 e nunca viu sua nação erguer-se novamente, mas seu legado escrito ficou para a posteridade, apesar de hoje encontrar-se um tanto esquecido até mesmo pelos próprios patriotas, envolto em deturpações sobre sua vida.

Referencias de pesquisa:

METAPEDIA. A enciclopédia alternativa. Ernst von Salomon. Metapedia, A enciclopédia alternativa, 15 jun. 2013. Disponível em: https://pt.metapedia.org/wiki/Ernst_von_Salomon. Consultado em 22 jun 2018

METAPEDIA. Freikorps. Metapedia, Die alternative Enzyklopädie, 2 dez. 2015. Disponível em: https://en.metapedia.org/wiki/Freikorps. Consultado em 22 jun 2018

NUNES, Rodrigo. Ernst von Salomon – O questionário de um proscrito. Causa Nacional, data desconhecida. Disponível em: <http://www.causanacional.net/index.php?itemid=261>. Consultado em 22 jun 2018.

Andre Marques
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