Entrevista com Robert B. Stinnett, autor de “O dia da Fraude” – de Pearl Harbor ao 11 de Setembro

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As medias dominantes compararam os ataques de 11 de Setembro de 2001 ao ataque japonês a Pearl Harbor. Ambos os ataques foram apresentados como casos em que o inocente e desinformado governo do EUA foi apanhado de surpresa por inimigos traiçoeiros. Mas a analogia dos dois ataques pode revelar-se muitíssimo mais real do que pretenderam os seus autores.
Verifica-se que em 1941 o Governo dos EUA estava perfeitamente informado dos planos de guerra japoneses e da data do ataque a Pearl Harbor. Não só estava informado como desejava-a e provocava-a. O governo dos EUA queria um ato aberto de guerra por parte do Japão. É o que demonstra Robert B. Stinnett, autor de “O dia da fraude”, cuja entrevista é aqui apresentada.
Levou 60 anos para que, finalmente, fosse possível conhecer estes fatos históricos: O governo ianque sabia de tudo em relação a Pearl Harbor. Pergunta-se agora: Quantos anos será preciso para saber de ciência certa aquilo que já é muito mais do que uma suspeita, ou seja, que o Governo Bush teve conhecimento prévio dos ataques do 11 de Setembro? Para confirmar que a extrema direita norte-americana soube destes ataques e deixou-os acontecer porque servia aos seus interesses? Que, em grande medida, colaborou com eles? Que, em consequência, está a haver uma alteração do regime político dos EUA, com fortes tendências para a sua fascistização?
Quem tiver dúvidas quanto à duplicidade de que é capaz o governo ianque, ou quanto às possibilidades conspiratórias que o aparelho de Estado norte-americano proporciona àqueles que estão no topo da sua hierarquia, leia com atenção a descrição destes fatos passados há mais de 60 anos.
Em 25 de Novembro de 1941 o almirante japonês Yamamoto enviou uma mensagem de rádio aos vasos de guerra japoneses a dizer que o ataque a Pearl Harbor seria a 7 de Dezembro. Registos recém liberados provam que de 17 a 25 de Novembro a US Navy interceptou 83 das mensagens que Yamamoto enviou aos seus navios. Parte da mensagem de 25 de Novembro diz:
“… a força tarefa, mantendo seus movimentos estritamente secretos e mantendo-se sempre alerta contra submarinos e aviões, avançará para as águas havaianas e, no momento exato da abertura das hostilidades, atacará a força principal da frota dos Estados Unidos no Hawaii e desferirá um golpe mortal…” 
Alguns poderão considerar: se a teoria de que o Presidente Franklin Roosevelt tinha conhecimento prévio do ataque de Pearl Harbor fosse real isto teria sido mencionado no filme “Pearl Harbor”, lançado neste verão. Desde a Segunda Guerra Mundial muitas pessoas têm suspeitado de que Washington sabia que o ataque estava para vir. Quando Thomas Dewey concorria à presidência contra Roosevelt, em 1944, ele deu-se conta da capacidade dos EUA de interceptar mensagens de rádio do Japão, e considerou que este conhecimento permitir-lhe-ia derrotar o popular FDR. No fim daquele ano, Dewey planeou uma série de discursos acusando FDR (Franklin Delano Roosevelt) de ter tido conhecimento prévio do ataque. Finalmente, o general George Marshall, então presidente da Joint Chiefs of Staff, persuadiu Dewey a não pronunciar tais discursos. Os dirigentes navais do Japão não perceberam que os EUA haviam decifrado os seus códigos, e os discursos de Dewey poderiam ter sacrificado essa vantagem americana. Assim, Dewey nada disse, e em Novembro FDR foi eleito presidente pelo quarto mandato. 

A esquerda, o livro de Robert B. Stinnett “O dia da fraude” (Day Of Deceit). A direita a superprodução hollywoodiana “Peal Harbor”. Mais uma propaganda falsificada do globalismo para fins de motivação das guerras geopolíticas em defesa da “liberdade democrática”
Agora, segundo Robert Stinnett, autor de “O dia da fraude” (Day Of Deceit), editado pela Simon & Schuster, temos a prova. O livro de Stinnett é dedicado ao congressista John Moss, o autor do Ato da Liberdade de Informação (Freedom Information Act). Segundo Stinnet, as respostas aos mistérios de Pearl Harbor podem ser encontradas no extraordinário número de documentos a que ele pôde ter acesso graças ao Ato da Liberdade de Informação. Telegrama após telegrama com descrições e a enorme quantidade de mensagens militares que os EUA interceptaram mostram claramente que os navios japoneses estavam a preparar-se para a guerra e dirigiam-se em linha reta para o Hawaii. Stinnett, escritor, jornalista e veterano da Segunda Guerra, passou 16 anos revolvendo os Arquivos Nacionais. Ele debruçou-se sobre mais de 200 mil documentos e efetuou dúzias de entrevistas. Esta pesquisa meticulosa conduziu Stinnett a uma conclusão firmemente estabelecida: FDR sabia. 

Franklin Delano Roosevelt ( 30 de janeiro de 1882 – 12 de abril de 1945 ) também conhecido por suas iniciais, FDR , o 32º presidente dos Estados Unidos (1933-1945) e figura central nos eventos mundiais de meados do século 20, liderando os Estados Unidos durante uma época de crise econômica mundial e guerra mundial
“Os seus rapazes não serão enviados para guerra no estrangeiro”, foi a famosa declaração da campanha de Roosevelt de 1940. Ele não estava a ser sincero. Os militares de FDR e os responsáveis do Departamento de Estado concordavam em que uma vitória da Alemanha nazi ameaçaria a segurança nacional dos Estados Unidos. Nas reuniões da Casa Branca o sentimento dominante era de que a América necessitava uma chamada para a ação. Não era isto que o público queria, contudo. 80 a 90% do povo americano nada queria com a guerra da Europa. Assim, segundo Stinnett, Roosevelt provocou o Japão a fim de levá-lo a atacar, deixou acontecer Pearl Harbor, e a seguir galvanizou o país para a guerra. Muitos dos que estiveram em contato com Roosevelt naquela época sugerem que FDR não estava a ser franco em relação às suas intenções na Europa. Após o ataque, na noite de domingo, 7 de Dezembro de 1941, Roosevelt teve uma breve reunião na Casa Branca com Edward R. Murrow, o famoso jornalista, e William Donovan, o fundador do Office of Strategic Services. Posteriormente Donovan contou a um assistente que acreditava que FDR recebia com satisfação o ataque e não parecia surpreendido. A única coisa que parecia importar a Roosevelt, sentiu Donovan, era se o público passaria a apoiar uma declaração de guerra. De acordo com “O dia da fraude”, em Outubro de 1940 FDR adotou uma estratégia específica para incitar o Japão a cometer um ato de guerra aberta. Parte da estratégia era mover a frota do Pacífico para fora da California e ancorá-la em Pearl Harbor. O almirante James Richardson, o comandante da frota do Pacífico, opôs-se fortemente à manutenção dos navios num lugar perigoso como o Hawaii. Ele declarou isto a Roosevelt, e assim o Presidente libertou-o do seu comando. Posteriormente Richardson citou Roosevelt como tendo dito: “Mais cedo ou mais tarde os japoneses cometerão um ato aberto contra os Estados Unidos e a nação ficará desejosa de entrar na guerra”. 

O ataque a Pearl Harbor foi uma operação aeronaval de ataque à base norte-americana de Pearl Harbor, efetuada pela Marinha Imperial Japonesa na manhã de 7 de Dezembro de 1941. O ataque em Pearl Harbor, na ilha de Oahu, Havaí, foi executado de surpresa contra a frota do Pacífico da Marinha dos Estados Unidos da América e as suas forças de defesa, o corpo aéreo do exército americano e a força aérea da Marinha. O ataque danificou ou destruiu 21 navios e 347 aviões, matando cerca de 2403 pessoas e ferindo outras 1178. Contudo, os três porta-aviões da frota do Pacífico não se encontravam no porto, pelo que não foram danificados, tal como os depósitos de combustível e outras instalações. O ataque marcou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra do Pacífico, ficando conhecido como Bombardeamento de Pearl Harbor e Batalha de Pearl Harbor, embora o nome mais comum seja Ataque a Pearl Harbor ou simplesmente Pearl Harbor. (Photo by Albert Harlingue/Roger Viollet/Getty Images)
Para aqueles que acreditam que conspirações governamentais não podem acontecer, “O dia da fraude” poderia provar-lhes que isso não é assim. O bem documentado livro de Stinnet apresenta um caso convincente de que os mais altos responsáveis do governo — incluindo as mais altas patentes — enganaram e ludibriaram milhões de americanos acerca de um dos dias mais importantes da história do país. Ele agora tem de ser considerado um dos mais definitivos — se não o definitivo — livro sobre o assunto. Gore Vidal afirmou:

“…Robert Stinnett limpou a maior parte dos fumos das armas. ‘O dia da fraude’ mostra que o famoso ataque ‘surpresa’ não foi surpresa para os nossos dirigentes voltados para a guerra…”

E John Toland, o autor que ganhou o Prêmio Pulitzer com o livro “Infâmia”, sobre Pearl Harbor, declarou:

“Passo a passo, Stinnett passou dos antecedentes para a guerra, utilizando novos documentos para revelar os terríveis segredos que nunca foram revelados ao público. É perturbador que onze presidentes, incluindo aqueles que admirei, mantiveram a verdade afastada do público até que os pedidos de Stinnett ao abrigo do Ato da Liberdade de Informação finalmente convenceram a Marinha a liberarem a evidência”.

Entrevista com autor de “O dia da fraude”
Repórter: O que o levou a escrever um livro sobre Pearl Harbor?
Stinnett: Bem, eu estava na Marinha durante a Segunda Guerra. Servia num avião de transporte. Com George Bush, acredite ou não.
Repórter: Escreveu um livro sobre isso.
Stinnett: Sim, é verdade. Sempre nos disseram que os alvos japoneses, os navios, foram vistos por submarinos dos Estados Unidos. Mas nada nos disseram acerca da decifração dos códigos japoneses. OK. Assim, em 1982 eu li um livro do Professor Prange chamado “Ao amanhecer nós dormíamos” (“At Dawn We Slept”). E naquele livro diz-se que em Pearl Harbor havia uma estação secreta da US Navy interceptando códigos navais japoneses antes de 7 de Dezembro. Bem, aquilo foi uma bomba para mim. Foi a primeira vez que ouvi falar nisso. Eu trabalhava no The Oakland Tribune naquele tempo… Assim, fui ao Hawaii para ver a estação a fim de confirmar isso. E então, para encurtar uma longa história, encontrei os homens da criptografia envolvidos e eles encaminharam-me a outras fontes, documentos que corroborariam todas as suas informações. E assim aquilo começou a conduzir-me para a frente. Meu objetivo primário era aprender acerca dos procedimentos de intercepção. E assim solicitei arquivos da Marinha ao abrigo do Ato da Liberdade de Informação porque com os serviços de inteligência é muito difícil. A resposta é: não-não. Eles não querem discutir isso. Mas a Marinha deixou-me, deu-me permissão para ir ao Hawaii e mostraram-me a estação… Assim aquilo começou a avançar. E a seguir eu pedia determinada informação, isto é hoje, estamos a falar sobre a década de 80, fins da década de 80. E eles eram muito relutantes em dar-me mais informação. Estava a obtê-la a conta-gotas.
Repórter: Os historiadores e responsáveis do governo que afirmam que Washington não teve conhecimento prévio do ataque a Pearl Harbor, sempre argumentaram que os EUA não estavam a interceptar e não haviam decifrado códigos militares importantes do Japão nos meses e dias que antecederam o ataque. O ponto crucial do seu livro é que a sua investigação prova que isto é absolutamente falso. Estávamos a ler a maior parte das mensagens via rádio do Japão. Correto?
Stinnett: Isso é correto. E acredito nisso, também. Como sabe, a revista Life, em setembro de 1945, logo após a rendição do Japão, sugeriu que o caso era assim, que Roosevelt arquitetara Pearl Harbor. Mas aquilo foi ignorado como um panfleto anti-Roosevelt, e eu também acreditei.
Repórter: Outra afirmação no centro da teoria do ataque-surpresa de Pearl Harbor é que os navios do Japão mantiveram os rádios silenciosos quando se aproximavam do Hawaii. Isso também é completamente falso?
Stinnett: Sim e isso foi afastado do Congresso, de modo que ninguém sabia acerca de tudo isto.
Repórter: Até o Ato da Liberdade de Informação.
Stinnett: Sim.
Repórter: Será esta declaração verdadeira? Se a América estava a interceptar e descodificar mensagens militares do Japão então Washington e FDR sabiam que o Japão estava em vias de atacar Pear Harbor.
Stinnett: Oh, sem dúvida.
Repórter: Mas sente que isso é assim tão simples?
Stinnett: Sim, este era o seu plano. Era o plano de provocar um “ato aberto de guerra”, contado no meu livro, que foi adotado pelo Presidente Roosevelt em 7 de Outubro de 1940.
Repórter: O sr. escreveu que em fins de Novembro de 1941 foi enviada uma ordem a todos os comandantes militares dos EUA que dizia: “Os Estados Unidos desejam que o Japão cometa o primeiro ato aberto”. Segundo o secretário da Guerra Stimson, a ordem vinha diretamente do Presidente Roosevelt. Estava o gabinete de Roosevelt comprometido em apoiar esta política de provocar o Japão a cometer o primeiro ato de guerra aberta?
Stinnett: Não sei se ele revelou isto ao gabinete. Ele pode ter revelado o plano a Harry Hopkins, seu confidente próximo, mas não há qualquer evidência de que alguém no gabinete soubesse disso.
Repórter: Penso que escreveu no seu livro que eles sabiam… Que alguns deles estavam ao par…
Stinnett: …Bem, alguns sabiam. O secretário da Guerra Stimson sabia, como se vê no seu diário, e também provavelmente Frank Knox, o secretário da Marinha, sabia. Mas Frank Knox morreu antes de a investigação ter principiado. Assim, tudo o que temos realmente é o diário de Stimson. E ele revela muito ali, e eu o cito no meu livro. O sr. deve querer dizer o seu gabinete de guerra. Sim. O diário de Stimson revela que nove pessoas no gabinete de guerra — o pessoal militar — sabia desta política de provocação. 

Henry L. Stimson (Nova Iorque, 21 de setembro de 1867 – Long Island, 20 de outubro de 1950) foi um advogado, diplomata e político norte-americano filiado ao Partido Republicano. Ele serviu em duas ocasiões como Secretário da Guerra (de 1911 a 1913 sob William Howard Taft e de 1940 a 1945 sob Franklin D. Roosevelt. Nessa segunda ocaisão ele liderou o chamado de guerra contra a Alemanha, encarregado de encontrar e treinar treze milhões de soldados e aviadores, etc. Ele também foi governador-geral das Filipinas. Como Secretário de Estado durante a presidência de Herbert Hoover, ele articulou a Doutrina Stimson que anunciou a oposição norte-americana a expansão japonesa pela Ásia. (fonte)
Repórter: Embora Roosevelt tenha feito declarações em sentido contrário para o público, não sentiria ele e os seus conselheiros que a América estava no fim das contas indo rumo à guerra?
Stinnett: Correto. Bem, sua declaração era: “Não enviarei os nossos rapazes para a guerra a menos que sejamos atacados”. Assim, ele concebeu este ataque para realmente nos levar à guerra contra a Alemanha. Mas penso que era a sua única opção. Manifestei-a no livro.
Repórter: Quem era o Tenente Comandante Arthur McCollum e qual era sua conexão com o ataque de Pearl Harbor?
Stinnett: Ele trabalhou para a inteligência Naval em Washington. Ele também era o oficial de comunicações do Presidente Roosevelt. Assim, todas estas interceptações iriam para o Comandante McCollum e a seguir ele as encaminharia para o Presidente. Não há dúvida sobre isso. Ele era também o autor do seu plano para levar o Japão a atacar-nos em Pearl Harbor. E ele nascera e fora criado no Japão.
Repórter: McCollum escreveu este plano, este memorando, em Outubro de 1940. Era dirigido a dois dos mais próximos assessores de Roosevelt. O mesmo McCollum exprime que é inevitável que o Japão e a América caminhem para a guerra e que a Alemanha nazi tornava-se uma ameaça à segurança da América. McCollum está a dizer que a América tem de envolver-se na guerra. Mas ele também diz que a opinião pública é contra isso. Assim, McCollum sugere em consequência oito coisas específicas que a América deveria fazer para levar o Japão a tornar-se mais hostil, a atacar-nos, de modo a que o público apoiasse o esforço de guerra. E como ele nascera e fora criado no Japão, ele entendia a mentalidade japonesa e como os japoneses reagiriam.
Stinnett: Sim. Exatamente.
Repórter: Foi a existência deste memorando do Comandante McCollum alguma vez revelada ao público antes de o seu livro aparecer?
Stinnett: Não, não. Eu o recebi em consequência do meu pedido ao FOIA, em Janeiro de 1995, de extração dos Arquivos Nacionais. Eu não sabia que ele existia.
Repórter: FDR e os seus conselheiros militares sabiam que se as oito ações de McCollum fossem implementadas – coisas como manter a frota do Pacífico em Pearl Harbor e debilitar a economia do Japão com um embargo – não havia dúvida de que isto levaria o Japão — cujo governo era muito militante — a atacar os Estados Unidos. Correto?
Stinnett: Correto e é o que o Comandante McCollum diz. Ele afirma: “Se o sr. adotar estas políticas então o Japão cometerá um ato aberto de guerra”. 

Arthur H. McCollum (4 de agosto de 1898 – 1 de abril de 1976) e seu famoso memorando. O oficial naval americano, além de um membro-chave da agência de inteligência no sudoeste do Pacífico, ele nasceu em Nagasaki, Japão, filho de dois Missionários Batistas e passou vários anos no lá depois da graduação da Academia Naval,  na Academia Naval dos EUA em 1923, adquirindo grande quantidade de conhecimento sobre o Leste Asiático e Pacífico Sudoeste que se revelou chave em suas interações com a Inteligência Naval. McCollum serviu como oficial naval americano e se aposentou em 1951 como contra-almirante e consultor depois da Segunda Guerra Mundial para o Grupo Central de Inteligência e a Agência Central de Inteligência. 
Repórter: Há alguma prova de que FDR tenha visto o memorando de McCollum?
Stinnett: Não há qualquer prova de que ele realmente tenha visto o memorando, mas ele adotou todas as oito provocações — chegando a assinar ordens de execução… E outras informações nos arquivos da Marinha mostram evidências conclusivas de que ele o viu.
Repórter: O mesmo é dirigido a dois dos principais conselheiros de Roosevelt, e o sr. inclui o documento na passagem em que um deles aceita o rumo de ação sugerido por McCollum.
Stinnett: Sim, Dudley Knox, que era seu colaborador próximo.
Repórter: O “arranjo esplêndido” era uma frase com que os dirigentes militares de FDR costumavam descrever a situação dos EUA no Pacífico. Pode explicar o que era o “arranjo esplêndido”?
Stinnett: O “arranjo esplêndido” era o sistema composto por 22 estações de monitoragem no Pacífico que eram operadas pelos Estados Unidos, pela Grã-Bretanha e pela Holanda. Este sistema estendia-se ao longo da costa oeste dos Estados Unidos, subia ao Alasca e a seguir descia ao Sudeste Asiático e ao Pacífico Central.
Repórter: Estas estações de monitoragem de rádio permitiam-nos interceptar e ler todas as mensagens do Japão, não é?
Stinnett: Absolutamente. Tínhamos todos os sons do Japão sob detecção.
Repórter: O sr. afirma que o “arranjo esplêndido” era tão especializado que desde a década de 1920 Washington sempre soube o que o governo do Japão andava a fazer. Assim, asseverar que não sabíamos que os japoneses estavam para bombardear Pearl Harbor seria ilógico?
Stinnett: É exato.
Repórter: Seu livro afirma que em 1941 havia um espião a residir no consulado japonês de Honolulu.
Stinnett: O Japão colocou este espião — era um oficial naval japonês — em Honolulu. Ele chegou em Março de 1941 sob um nome fictício, e ficou adido ao consulado japonês local. Mas quando o FBI conferiu o seu nome descobriu que não estava listado no registo estrangeiro japonês, o que o tornou imediatamente suspeito. Eles colocaram uma “cauda” nele. E assim o espião começou a passar mensagens para o Japão que nós estávamos a interceptar. Estas agora eram num código diplomático. E então o FBI continuou a segui-lo de perto, bem como a inteligência naval.
Repórter: A inteligência naval, o FBI e Roosevelt sabiam que este homem estava a espiar a frota em Pearl Harbor, e deixaram a espionagem continuar. A política do governo de FDR era então olhar para o outro lado e deixar o Japão preparar-se para atacar-nos?
Stinnett: Isso é certo. Está correto. Ele estava a fornecer um cronograma do ataque.
Repórter: O espião estava mesmo a enviar planos de bombardeamento de Pearl Harbor?
Stinnett: Sim. De Março a Agosto ele esteve a fornecer o recenseamento da frota americana do Pacífico. Então, a partir de Agosto, começou a preparar planos de bombardeamento de Pearl Harbor, onde os nossos navios estavam ancorados e assim por diante.
Repórter: E Roosevelt chegou a ver esses planos de bombardeamento, não é?
Stinnett: Sim, isso é correto.
Repórter: O sr. afirma que por duas vezes, durante a semana de 1 a 6 de Dezembro, o espião informou que Pearl Harbor seria atacada. Segundo um comandante japonês, a mensagem de 2 de Dezembro era:

“Não foram observadas alterações na tarde de 2 de Dezembro. Até então eles não parecem ter sido alertados”.

E na manhã de 6 de Dezembro a mensagem era:

“Não há barragens de balões levantadas e há uma oportunidade para um ataque surpresa contra estes locais”.

Estas mensagens foram interceptadas pela Marinha, certo? Será que Roosevelt sabia destas mensagens?

Stinnett: Elas foram interceptadas. Isso é correto. Elas foram enviadas pelas comunicações da RCA. E Roosevelt enviou David Sarnoff, que era o chefe da RCA, a Honolulu de modo a que este facilitasse a obtenção destas mensagens ainda mais rapidamente. Embora estivéssemos também a interceptá-las a partir do éter, de qualquer forma. E de 2 de Dezembro a 6 de Dezembro o espião indicou que Pearl Harbor iria ser o alvo. E a 2 de Dezembro foi interceptada uma mensagem, sendo descodificada e traduzida antes de 5 de Dezembro. A mensagem de 6 de Dezembro… não é realmente prova.. foi interceptada, mas há toda espécie de estórias de encobrimento sobre se chegou ou não ao Presidente. Mas ele recebeu outra informação do que iria acontecer no dia seguinte, de qualquer modo.
Repórter: Viu os registos destas interceptações com os seus próprios olhos?
Stinnett: Sim. Tenho isso.
Repórter: E todas estas outras mensagens que a Marinha estava constantemente a interceptar mostravam exatamente onde estavam os navios japoneses, que estavam a preparar-se para a guerra e que estavam a dirigir-se diretamente para o Hawaii. Certo?
Stinnett: Está certo. Nossos detectores de direção de rádio localizaram os vasos de guerra japoneses.
Repórter: O sr. diz que Roosevelt recebia regularmente cópias destas interceptações. Como elas lhe eram entregues?
Stinnett: Pelo Comandante McCollum reencaminhando a informação para ele. Elas eram preparadas em forma de monografia. Chamavam a isto monografia… eram enviadas ao Presidente através do Comandante McCollum que as despachava através do adjunto naval do Presidente.
Repórter: Na página 203 da edição encadernada do seu livro lê-se:

“Sete transmissões de rádio navais japonesas interceptadas entre 28 de Novembro e 6 de dezembro confirmaram que o Japão tencionava começar a guerra e que começaria por Pearl Harbor”. 

Viu o registos destas intercepções com os seus próprios olhos?

Stinnett: Sim. E também temos novas informações sobre outras interceptações na nova edição que saiu em Maio de 2001… Não há dúvida sobre isso.
Repórter: Segundo “O dia da fraude”, em 25 de Novembro o Almirante Yamamoto enviou uma mensagem de rádio à frota japonesa. Em parte da mensagem lê-se:

“A força tarefa, mantendo seus movimentos estritamente secretos e mantendo guarda cerrada contra submarinos e aviões, avançará dentro de águas havaianas e no instante da abertura das hostilidades atacará a força principal da frota dos Estados Unidos no Hawaii e desferir-lhe-á um golpe mortal…”. 

Qual é a prova de que o registo desta interceptação existe? O sr. o viu? Mais uma vez, Roosevelt soube disto?

Stinnett: A versão em inglês desta mensagem foi divulgada pelos Estados Unidos, num livro oficial. A versão japonesa — a mensagem original — não foi divulgada pelos EUA. Eu tenho cópias dos registos de rádio da Estação H — uma estação de monitoragem no Hawaii. Eles provam que a Marinha interceptou 83 mensagens que Yamamoto enviou entre 17 e 25 de Novembro. Tenho esses registos, mas não as interceptações originais, 86% das quais não foram divulgadas pelo governo… Até que Roosevelt, no princípio de novembro de 1941, ordenou que as interceptações originais japonesas fossem entregues diretamente a ele pelo seu adjunto naval, Capitão Beardall. Por vezes, se McCollum sentia que uma mensagem era particularmente quente, entregava-a pessoalmente a FDR. 

Nascido a 4 de Abril de 1884 em Nagaoka, Japão, foi sexto filho do diretor de uma escola, sendo posto para adoção e adotado pela família Yamamoto, tornando-se Isoroku Yamamoto. Em 1919, deixou o Japão e entrou para a Universidade de Harvard nos EUA. Essa experiência o fez discordar de uma eventual guerra contra os Estados Unidos. Em 1939, para sua surpresa, foi nomeado Almirante (um dos mais importantes do Japão) mesmo sendo contra a guerra com os americanos e foi ignorado quanto a urgência de uma declaração de guerra antes do ataque em Pearl Harbor. Imediatamente, ponderou sobre os novos paradigmas da guerra naval. “Sob meu comando…”, disse ele ao ser empossado, “…dar-se-á prioridade ao treinamento aéreo”, defendendo o uso de porta-aviões em operações avançadas. Assim, planejou o ataque a Pearl Harbor. (fonte)
Repórter: No fim do dia 6 de dezembro e nas primeiras horas da manhã de 7 de dezembro os Estados Unidos interceptaram mensagens enviadas ao embaixador japonês em Washington. Estas mensagens constituíam basicamente uma declaração de guerra — o Japão estava a dizer que rompia negociações com a América. Naqueles mesmos momentos, mostraram as interceptações ao General Marshall e ao Presidente Roosevelt.. Quando FDR os leu disse: “Isto significa guerra”. Quando a última interceptação foi mostrada a Roosevelt ainda faltavam horas antes do ataque a Pearl Harbor. Nesta última interceptação o Japão dava a data final de quando iria romper relações com os EUA — a data final era a hora exata em que Pearl Harbor foi atacada. FDR e Marshall deveriam ter então enviado uma advertência de emergência ao Almirante Kimmel em Pearl Harbor. Mas eles atuaram de forma displicente e não enviaram uma advertência a Kimmel.
Stinnett: Sim. Esta é a mensagem enviada do Ministério das Relações Exteriores do Japão ao embaixador japonês em Washington, DC. E ele atuou assim… rompeu relações com os Estados Unidos e estabeleceu um cronograma para as 13h00 de domingo, 7 de Dezembro, fuso horário da costa leste.
Repórter: O qual era a hora exata em que Pearl Harbor foi bombardeada.
Stinnett: Correto. Eles, com toda a sua informação, perceberam isso. E então o General Marshall, apesar disso, sentou-se em cima da mensagem durante cerca de 15 horas porque não queria enviá-la… não queria advertir os comandantes do Hawaii a tempo… não queria que eles interferissem com o ato aberto. Finalmente acabaram por enviar, mas a mensagem não chegou senão após o ataque.
Repórter: Roosevelt também viu isso. Eles deveriam ter enviado uma advertência de emergência ao Almirante Kimmel, no Hawaii, não é?
Stinnett: Correto. Mas o sr. verifica que eles queriam que ocorresse o ato aberto por parte do Japão. Aquilo unificou o povo americano.
Repórter: Isto parece o caso clássico dos superiores que fazem algo questionável e a seguir conseguem que as pessoas abaixo deles arquem com as culpas. O Almirante Husband Kimmel estava à frente da frota em Pearl Harbor e ele foi rebaixado e culpado pelo ataque. Isso justificava-se? 

Husband Edward Kimmel nasceu em Henderson, Kentucky, à 26 de Fevereiro de 1882. Entrou na Academia Naval dos Estados Unidos em 1904. Ele serviu em vários navios de guerra, comandou duas divisões de destroyers. Ele também teve uma série de cargos importantes em pavilhões pessoais e no Ministério da Marinha. Ele foi promovido a almirante em 1937. Em fevereiro de 1941, ele se tornou Comandante Chefe, da Frota dos Estados Unidos e da Frota do Pacífico, com o posto temporário de Almirante. Ele operava na avançada base em Pearl Harbor, mas foi afastado da frota em dezembro de 1941, após o ataque surpresa dos japoneses. Depois disso, ele foi afastado do posto de almirante e se aposentou em março de 1942. Husband Edward Kimmel morreu em Groton, Connecticut, no dia 14 de maio de 1968. (fonte)
Stinnett: Não, não se justificava. E o Congresso, como sabe, em outubro de 2000 votou por isentá-lo porque foi-lhe retirada a informação. Isso é muito importante. Mas estava sujeito à aprovação do Presidente Clinton, que não a assinou. Mas pelo menos o Congresso atuou, fez o que devia.
Repórter: O sr. afirma que ao Almirante Kimmel e ao General Short — que dirigia o Exército no Hawaii — foi negada por Washington a informação que lhes teria permitido saber que o ataque estava para vir. De que modo foi negada informação a Kimmel e a Short?
Stinnett: Bem, eles foram postos de lado… Não lhes foi dito que o espião estava ali, e não lhes foram dados estes documentos cruciais, a informação dos detectores de direção de rádio. Toda esta informação estava a ir para toda a gente, exceto para Kimmel e Short. Isso é muito claro… Num certo momento Kimmel especificamente solicitou que Washington o informasse imediatamente acerca de quaisquer desenvolvimentos importantes, mas eles não o fizeram.
Repórter: Foi dada alguma informação a Kimmel, porque duas semanas antes do ataque ele enviou a frota do Pacífico ao norte do Hawaii num exercício de reconhecimento a fim de verificar os transportes japoneses. Quando os responsáveis militares da Casa Branca souberam disto qual foi a sua reação?
Stinnett: O Almirante Kimmel tentou num certo número de ocasiões fazer algo para defender Pearl Harbor. E, realmente, duas semanas antes do ataque, a 23 de Novembro, Kimmel enviou aproximadamente uma centena de vasos de guerra da frota do Pacífico para o sítio exato em que o Japão planeava lançar o ataque. Kimmel atuava com seriedade. Ele estava à procura de japoneses. Suas ações indicavam que ele queria estar perfeitamente preparado para a ação se ele encontrasse um navio da Armada japonesa. Quando responsáveis da Casa Branca souberam disto eles disseram a Kimmel que ele estava “a complicar a situação”… O sr. vê, a Casa Branca queria um ato aberto de guerra por parte do Japão que fosse claro e inequívoco. Os isolacionistas teriam acusado FDR de precipitar a ação japonesa por permitir que a frota do Pacífico fosse ao Pacífico norte… Assim, minutos depois de ter recebido a diretiva da Casa Branca, Kimmel cancelou o exercício e mandou a frota retornar ao seu ancoradouro em Pearl Harbor… Foi onde os japoneses a encontraram em 7 de Dezembro de 1941.
Repórter: A Casa Branca estava a algemar Kimmel? Eles queriam-no completamente passivo?
Stinnett: É exato.
Repórter: FDR enviou uma advertência de guerra a Kimmel em 28 de Novembro. Foi uma advertência suficiente?
Stinnett: Bem, foi uma advertência, mas nela também orientaram o Almirante Kimmel e todos os comandantes do Pacífico para ficarem de lado, não irem para a ofensiva, e permanecerem em posição defensiva, e deixarem o Japão cometer o primeiro ato aberto. É o que diz a mensagem, e está no meu livro. E para o Almirante Kimmel, aquela mensagem que ele recebeu foi repetida duas vezes… permaneça de lado, deixe o Japão cometer o primeiro ato aberto, o fraseamento exato está no meu livro.
Repórter: Seu livro torna abundantemente claro que FDR e os seus conselheiros sabiam que o Japão estava a preparar-se para a guerra, e sabiam que o Japão ia finalmente atacar. Mas poder-se-á dizer que FDR sabia que o ataque iria ter lugar especificamente na manhã de 7 de Dezembro em Pearl Harbor?
Stinnett: Sim…..Absolutamente.
Repórter: Por meio das interceptações de rádio?
Stinnett: Por meio das interceptações de rádio, sim. Tanto militares como diplomáticas.
Repórter: Teve o embaixador dos EUA no Japão, Joseph Grew, alguma indicação de que o Japão estava a planear um ataque surpresa a Pearl Harbor?
Stinnett: A informação é de que ele teve. Eu o cito no livro, e ele advertiu Washington para permanecer alerta porque não lhe podia dar a informação do último minuto.
Repórter: Bem, de acordo com o seu livro o Embaixador Grew tinha uma fonte confiável em sua embaixada que lhe contou estar o Japão a planear o ataque, e assim Grew enviou terríveis advertências à Casa Branca de que um ataque ao Hawaii era uma possibilidade muito realista.
Stinnett: Sim, o Embaixador Grew foi o primeiro a ser informado — depois de o Presidente Roosevelt ter adotado o memorando das oito ações — sobre o ataque a Pearl Harbor, em Janeiro de 1941. E a seguir foi pedido ao Comandante McCollum para avaliar o caso e ele disse: “Oh, não há nada quanto a isso”, apesar de ser o seu plano! 

Joseph Clark Grew, escritor, político e diplomata norte-americano, nasceu em 27 de maio de 1880, pertencendo à classe alta de Boston e estudando na Universidade Harvard.  Possuía uma longa ficha de serviços diplomáticos: encarregado de negócios em Viena quando em abril de 1917 se produziu a ruptura com o Império Austro-Húngaro por causa da entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. Depois embaixador dos Estados Unidos na Dinamarca (1920-1921), Suíça (1921-1924) e Turquia (1927-1932). . Entre 1924 e 1927 foi sub-secretário de Estado. Em 1932 foi nomeado embaixador no Japão, cargo que desempenhou durante os nove anos seguintes, até ao ataque japonês à base de Pearl Harbor sem que tivesse havido uma prévia declaração de guerra. A sua nomeação como embaixador no Japão tinha para Grew um significado especial pois era casado com uma neta de Matthew Perry, o comandante da força naval que se apresentou na baía de Tóquio em meados do século XIX, exigindo a abertura dos portos japoneses ao comércio internacional. O casamento foi muito bem recebido no país e o casal comparecia frequentemente nas reuniões da alta sociedade da capital japonesa. Grew fez tudo o que estava ao seu alcance para evitar a guerra, mesmo tomando iniciativas sem dar conta prévia ao seu governo, mas após o ataque a Pearl Harbor esteve detido durante nove meses por ordem do governo japonês até ter sido libertado e poder voltar aos Estados Unidos em agosto de 1942, incorporando-se imediatamente no Departamento de Estado. Sobre a sua experiência no Japão escreveu um livro muito influente com o título “Ten Years in Japan” (Dez anos no Japão). (fonte)
Repórter: Mc Collum estava a ser insincero.
Stinnett: Sim, exatamente.
Repórter: Em 5 de Dezembro a Marinha interceptou uma mensagem dando instruções às embaixadas japonesas em todo o mundo para queimarem os livros de código. O que significa um governo instruir suas embaixadas a queimarem seus livros de código?
Stinnett: Significa que a guerra começará dentro de um dia ou dois.
Repórter: Trata-se de um conhecimento comum entre os militares. E os responsáveis em Washington viram estas interceptações e o seu significado.
Stinnett: Sim, correto.
Repórter: FDR e Washington também sabia que o Japão havia mandado retornar todos os navios da sua frota mercante. O que significava isto?
Stinnett: É bem sabido no governo e entre os militares que se um país manda voltar a sua frota mercante é porque os navios são necessários para transportar soldados e abastecimentos para a guerra.
Repórter: Assim, em sua opinião, se não tivesse havido Pearl Harbor, os EUA teriam mesmo assim lançado bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki?
Stinnett: Bem, é o que os sobreviventes, as famílias daqueles que foram mortos em Pearl dizem. Eles afirmam que se não tivesse havido Pearl Harbor não teria havido Hiroshima. Mas, naturalmente, esta é uma pergunta “o que se”. E não sei como respondê-la.
Repórter: Uma pessoa pode apenas especular sobre isso. Mas surge de um certa forma como se Hiroshima e Nagasaki fossem uma retribuição por Pearl Harbor.
Stinnett: Penso que realmente provocou o término da guerra. Sabe, eu estava lá naquele tempo e, francamente, … fui sujeito a ataques kamikazes, eles estavam a atacar nossos navios, e cerca da metade dos nossos navios estavam fora de combate em Julho de 1945. Assim, pessoalmente, fiquei satisfeito com a bomba atômica porque aquilo terminava a guerra. Ela provavelmente salvou a minha vida. 

Imagem colorida artificialmente: “Kamikazes” era o nome dado aos pilotos de aviões japoneses carregados de explosivos cuja missão era realizar ataques suicidas contra navios dos Aliados nos momentos finais da campanha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial. Desde então, a palavra “kamikaze” passou a ser usada em diferentes línguas como metáfora para pessoas, ações ou práticas potencialmente suicidas, inclusive em sentido figurado. Os pilotos levavam consigo uma “Katana”, espada considerado um dos principais símbolos símbolos da bravura dos Samurais e uma pistola, pois caso fossem capturados, eles poderiam se matar, antes de qualquer tortura ou interrogatório, prática semelhante ao “Seppuku” ou “Harakiri“, adotado por muitos Samurais.
Os pilotos recebiam a orientação de que no momento da colisão, eles não poderiam fechar os olhos, para evitar o erro dos alvos. (fonte)
Repórter: Se o que está a dizer é verdade, então Pearl Harbor é um primeiro exemplo de um governo a tratar seres humanos como ratos cobaias. Ainda assim, o sr. não menospreza nem tem uma visão negativa de FDR.
Stinnett: Não, não tenho uma visão negativa. Penso que era a sua única opção atuar assim. E cito o principal criptógrafo da frota do Pacífico, que disse: “Foi um preço bonito e barato que se teve de pagar para unificar o país”.
Repórter: Esse criptógrafo, o Comandante Joseph Rochefort, era um confidente de McCollum. Ele trabalhou em estreita ligação com Kimmel em Pearl Harbor. Poder-se-ia argumentar que Rochefort que era o mais próximo de Kimmel foi o mais responsável por negar a Kimmel a informação vital. E ele fez tal declaração. Mas o sr. concorda com isso? Muitas pessoas ficariam ofendidas e enraivecidas por uma tal declaração. Muitas pessoas não concordariam com isto.

A esquerda, imagem de mortos após ataque da bomba atômica do exército aliado em Hiroshima (1945); a direita, cadáver em praia de Pearl Harbor (1941). Se somarmos apenas o saldo de morte nesses dois lugares (A bomba em Hiroshima contando Nagazaki) são:  2403 pessoas e  outras 1178 feridos em Pearl Harbor ao passo que foram 90.000 à 166.000 mortos em Hiroshima e 39.000 à 80.000 mortos em Nagasaki, num total de 129.000 à 246.000 mortos além de  20 prisioneiros de guerra estadunidenses, neerlandeses e britânicos mortos no Japão.  Num total de 133.601 à 249.601 entre mortos e feridos, militares e a maioria civil japonesa só nesses dois episódios, numa guerra fomentada e arquiteta por quem defendia seus próprios interesses financeiros, globalistas e monopolistas internacionais, que não sofreu um arranhão se quer e hoje é chamado ou de herói ou mesmo grandes sábios e líderes. (Fonte 1, e 2)
Stinnett: Muitas pessoas não a aceitariam, mas penso que naquelas circunstâncias esta era a única opção de FDR. E, naturalmente, esta foi da espécie daquelas usadas na Guerra do Vietnã, como sabe. A Resolução do Golfo de Tonkin foi baseada numa provocação dirigida às canhoneiras norte-vietnamitas. Foi assim que o Presidente Johnson conseguiu que a Resolução do Golfo de Tonkin passasse no Congresso. Houve uma provocação.
Repórter: Aparentemente trata-se de uma estratégia militar, mas as famílias — obviamente — das pessoas que são mortas quando os militares usam esta estratégia não concordariam com isto.
Stinnett: Sim, eu sei. Quando falo acerca disto com as famílias elas começam a chorar. Ficam terrivelmente inquietas… Mas, como sabe, foi usada pelo Presidente Polk na Guerra Mexicana em 1846. E também pelo Presidente Lincoln em Fort Sumter. E também, como eu disse, no Vietnã, neste caso do Golfo de Tonkin.Certo que o governo dos Estados Unidos da América já ganhou ou participou de inúmeros conflitos armados com essa estratégia, e não, não é bonito nem foi um preço baixo para a humanidade. Stinnett possivelmente (ou não quer falar) de quem estava por trás de Rosevelt naquela época, quem operava o governo norte-americano desde a muito tempo,  ou o influenciava com mão de ferro e em silêncio (como hoje), mas que havia na década de 1930 encontrado um inimigo a altura, e decididamente queria levar os EUA para a Segunda Guerra Mundial. – NT

Repórter: Podia ser uma filosofia tradicional dos militares, a ideia de que os militares tem por vezes de provocar o ataque do inimigo, sacrificar os seus próprios soldados, de modo a unificar um país para a guerra.
Stinnett: Penso assim. Julgo que provavelmente poder-se-ia remontar aos tempos de Cesar.
Repórter: Quanto do seu livro nunca havia sido revelado antes ao público?
Stinnett: A ruptura do silêncio da rádio. O fato de que os navios japoneses não mantiveram silêncio quando se aproximaram do Hawaii… A decifração dos códigos japoneses — quero dizer, a prova completa disso. Códigos militares, enfatizo… E também as oito ações do memorando de McCollum — que constitui a essência do meu livro. Se eu não houvesse obtido isto o livro não seria tão importante.
Repórter: Sua investigação parece provar que podem existir conspirações do governo. Na sua óptica, quantas pessoas diria que, afinal das contas, sabiam que o Japão estava prestes a atacar Pearl Harbor mas mantiveram silêncio sobre isto e encobriram-no antes e após o evento?
Stinnett: Eu cito cerca de 35 pessoas no livro que certamente sabiam disso. E provavelmente há mais do que isso.
Repórter: Também parece como um clássico encobrimento de Washington. No seu livro usa a frase “fraudes de Pearl Harbor”. Desde os ataques têm faltado documentos, há documentos alterados, pessoas a serem insinceras e pessoas cometendo perjúrio diante de comités de investigação de Pearl Harbor. Correto?
Stinnett: Está correto. Totalmente. E como sabe o Departamento da Defesa etiquetou algumas das minhas solicitações sobre Pearl Harbor como Segredos da Defesa Nacional B1, e eles não os entregarão. Eu digo isso no livro. Janet Reno não os entregaria para mim.O que será? – NT

Repórter: E a todos os comités oficiais do Congresso sobre Pearl Harbor foi negada e não foi entregue todas esta informação relevante e secreta?
Stinnett: Correto. Eles também foram afastados do assunto. Muitas pessoas provavelmente não querem acreditar que um presidente faria tal coisa.Não é de se admirar que a verdade dos fatos por trás de tudo isso e muito mais, que guarda a chave da maior fraude da história da humanidade e da forma como nos vemos e nos organizamos hoje, seja inconveniente aos olhos dirigentes – NT

Douglas Cirignano Portagem em português original: resistir.info (Tradução de J. Figueiredo)


Fonte original: independent.org


Edição e correção de texto: O Sentinela


 

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Andre Marques

Brasileiro, nascido em 1993 na cidade de Fortaleza, cursa o bacharelado em Direito pela Universidade de Fortaleza. Possui conhecimento autônomo nas área de economia, ciência política e pesquisa histórica amadora com enfase em assuntos não convencionais ou desprezados pelo academicismo oficial.

Após atuar durante muitos anos no Marketing empresarial e comercial, fundou o blog O Sentinela (atual site) onde hoje é editor, um dos redatores e um dos colunista.
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