De Kurt Waldheim ao FPÖ: Como Se Usa o Fantasma do “Nazismo” na Áustria

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Durante a campanha presidencial na Áustria, Kurt Waldheim foi acusado de “nazista”, de participante nos massacres de judeus, de deportações e outros crimes. Os números chegaram a ultrapassar os 100.000. No dia 25/4/86 o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicou a seguinte notícia, que fazia parte da campanha de difamação: “WALDHEIM — o setor de busca a nazistas, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, recomendou ao ministro Edwin Meese que decrete a proibição de entrada no país de ninguém menos que o ex-Secretário Geral das Nações Unidas, o austríaco Kurt Waldheim. Neal Sher, porta-voz do Departamento, disse ontem em Washington que a recomendação indica que Waldheim deve ser colocado numa ‘lista de observação’, até que se esclareçam as denúncias sobre sua participação em massacres de civis durante a segunda guerra mundial, na Grécia e na Iugoslávia, onde o ex-Secretário Geral da ONU serviu como oficial do exército alemão. A recomendação foi feita após uma análise do Departamento em torno dos arquivos da ONU, recentemente requisitados pelos governos de Israel e Áustria. Waldheim é atualmente candidato à presidência da Áustria, nas eleições do Início de maio, e as acusações contra ele foram apresentadas pelo Conselho Judaico Mundial”.

O caso Kurt Waldheim (1986)

Uma semana antes da eleição, no segundo turno, o Ministro da Justiça de Israel, Yitzhak Modai, declarou em Nova York que um israelense testemunhou quando Waldheim agrediu pessoalmente seu irmão, até que este morresse. (Zero Hora, 9/6/86). Nessa mesma semana foi insinuado que, caso Waldheim fosse eleito, possivelmente o Mercado Comum Europeu não negociaria com a Áustria. Uma nítida interferência da imprensa internacional e do sionismo em assunto que somente interessava aos austríacos. Nas últimas semanas os austríacos se mostravam cansados e irritados pelas acusações, ressurgindo o anti-semitismo durante a campanha, com bandeiras suásticas pintadas nas ruas, enquanto a comunidade de judeus recebia uma avalanche de cartas ofensivas. Até parece que a provocação é feita com o propósito de os países, onde residem e trabalham, discriminá-los e expulsá-los, para eventualmente seguirem para Israel, cada vez mais vazia. Não creio que isso vá acontecer.

Kurt Josef Waldheim (1918 – 2007), como membro das forças armadas unificadas alemãs e posteriormente como secretário da ONU. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi capitão SA e participou da ocupação da Jugoslávia, com a Wehrmacht, como tradutor. Foi eleito Secretário-geral da ONU em Janeiro de 1972, posto onde se empenhou bastante nas intervenções da ONU para resolver crises, como a árabe-israelense. Foi reeleito para um segundo mandato em 1978. Realçou a necessidade de um desenvolvimento econômico para os países mais pobres. Também reagiu ao massacre dos hutus no Burundi, num relatório de Junho de 1972, qualificando-o de genocídio. Esta matança havia feito mais de 80 000 mortos. Falha em obter um terceiro mandato, devido ao veto da China. Contudo, o seu secretariado é visto como um fracasso, pois a ONU saiu dos anos 70 mais paralisada e ineficaz do que entrara. Por fim, em 1982, o New York Times revela o seu passado como nacional-socialista germânico. 
Toda essa campanha, que durou vários meses, terminou com a eleição de Kurt Waldheim, que recebeu 53,9% dos votos. Nos Estados Unidos vai prosseguir a investigação… Em Washington estão fazendo a carta habitual de felicitações ao presidente eleito, que no entanto não será divulgada em Washington, apenas em Viena…” (com certeza para não ofender os sionistas).
Israel vai segurar por mais alguns dias os parabéns oficiais… Em Viena, o maior “caçador de alemães”, o polonês Simon Wiesenthal, conclamou os Estados Unidos, Grã-Bretanha e demais países envolvidos a formar uma comissão multinacional de especialistas para pesquisar documentos sobre o passado de Waldheim. (Zero Hora, 10/6/86).
Esta última é incrível, o homem não é austríaco, está na Áustria há muitos anos, e pede para países estrangeiros formarem uma comissão multinacional para examinar o presidente eleito do país que o abriga… Sobre essa figura haverá um capítulo especial.
“Em Moscou a agência Tass fez um incondicional elogio a Waldheim, ao noticiar sua eleição, qualificando-o de eminente político e dizendo que sua vitória é importante para a causa do povo palestino, que luta para recuperar seus direitos, e se congratulou com o duro golpe desferido pelos eleitores austríacos sobre a propaganda israelense e à política de ingerência nos assuntos internos do país por parte dos meios sionistas. O comentarista político da agência Tass foi mais longe, dizendo que a eleição de Waldheim significa um claro repúdio às acusações israelenses sobre o passado desse homem. As acusações sionistas não tiveram efeito algum no eleitorado austríaco. É a vitória das forças da justiça e da paz sobre as de chantagem e do ódio”.
Essa imprensa, porém, não se entrega facilmente e já no dia seguinte vinha uma notícia, desta vez da Inglaterra, com uma acusação apresentada pelo deputado britânico Greville Janner, denunciando o envolvimento de Waldheim na morte de 30 prisioneiros de guerra britânicos, que foram interrogados por uma unidade integrada por Waldheim, e depois fuzilados e jogados numa vala comum…
Viena junho 1986, e Berlim, 1940
A campanha contra Waldheim, desencadeada pela imprensa internacional, e a animosidade que provocou contra a comunidade judaica em Viena, me levam a transcrever uma parte do livro “Um Repórter Brasileiro da Segunda Guerra Mundial”, escrito pelo repórter Alexandre Konder, do Rio de Janeiro, durante os meses de fevereiro a maio de 1940, onde encontramos o seguinte, à pg. 133:
“A Alemanha, reunidas as terras da antiga Áustria, do Protetorado e da antiga Polônia, deve ter hoje, dentro dos seus limites, vários milhões de judeus. Uns trezentos mil emigraram nestes últimos anos. Vieram para a América, de preferência para Nova York, Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo”.
‘Emigrou o pior, a gente que era, afinal de contas, a única responsável por tudo isso que aconteceu’, diz-me num café da Unter den Linden o Sr. Joseph Mendel, judeu berlinense. ‘Por causa dessa elite verdadeiramente nociva, que também a nós explorava, pagamos todos. Berlim tinha mais de duzentos mil Israelitas e Viena, mais ainda. Várias vezes os nossos bons elementos chamaram a atenção dessa gente, que agora está flanando longe daqui, em outras terras, semeando talvez futuras reações anti-semíticas. Tudo foi em vão, e veio o inevitável…’ “
” ‘Somos uma raça marcada. Vivemos sob perseguições porque, infelizmente, nos falta o senso de auto-crítica. Ao contrário, não nos deixaríamos levar tão facilmente pelas miragens dos louros dos nossos sucessos. Veja o que ocorre na América do Norte: os que lá estão, pensam hoje da mesma maneira como pensaram, dentro da Alemanha, os judeus, ao tempo em que haviam conseguido um lugar verdadeiramente privilegiado. Julgam-se facilmente vitoriosos em definitivo e se esquecem de que existem no país milhões de criaturas que sabem pensar, e que têm bem nítida a consciência da nacionalidade. Eis por quê vários clubes e restaurantes nos Estados Unidos já começam a exibir letreiros anti-semitas. Somos conhecidos demais para podermos alimentar certas pretensões. A reação é fatal’ “. (Isso, há 46 anos; imaginem o domínio que o sionismo exerce, hoje, nos Estados Unidos).
“Faço-lhe uma pergunta indiscreta para o ambiente de um café berlinense, que tem bem visível o retrato de Hitler, Pergunto-lhe como a coletividade judaica da Alemanha recebe o movimento que se faz lá fora em seu favor. Ele acende um cigarro, responde:”
“Não nascemos ontem, meu amigo. Conhecemos bem o significado dessa campanha. Ela peca, inicialmente, por sua nenhuma sinceridade. Não é o judeu alemão, polonês ou tcheco que ela visa defender. A nossa sorte não lhes interessa em nada, e a prova aí temos, que quase todos os portos do planeta estão fechados para nós. Os poucos que hoje conseguem emigrar, é a custa de muito dinheiro, dinheiro nosso, saído daqui, pelos guichês dos bancos alemães. Não devemos o menor favor a quem quer que seja, no exterior. Entendemo-nos com os alemães, só com os alemães, e somente eles é que nos fornecem divisas. Lá fora é apenas literatura. Literatura contra o Terceiro Reich, literatura para efeitos políticos internos e externos. Nós apenas interessamos a essa gente como cartaz. Veja o caso da Palestina: uma comédia! Era mil vezes preferível que essa gente tivesse ficado dentro da Alemanha. Não estaria hoje sendo caçada, nas ruas, pelas balas dos árabes…’ “
“E com mau humor o Sr. Mendel concluiu: ‘É melhor que nos deixem em paz’ “. O repórter continua: “Os campos de concentração onde ‘milhares de judeus sofrem o cativeiro alemão’, segundo pude apurar em rodas israelitas e não-israelitas, são uma pura blague para efeitos de propaganda no exterior, contra o Terceiro Reich. Existem judeus presos, é fato, mas não pelo fato de serem judeus, e sim por estarem ligados a penalidades do código penal. Fora do Reich, entretanto, é muito fácil transformar-se um criminoso comum em mártir do nacional-socialismo. Principalmente quando a maior parte das agências de informações jornalísticas se acha nas mãos dos sionistas”. Isso, na primavera de 1940, na Europa! (4)
CASTAN, Siegfried Ellwanger. “Holocausto Judeu ou alemão? Nos bastidores da mentira do século”, p. 29 – 32. Editora Revisão, 1 ed. Rio Grande do Sul, (1988).
 
Viena, Áustria, 2017
Em 13 de janeiro desse ano, cerca de 20 mil pessoas estiveram num protesto contra o novo governo vigente eleito democraticamente pelo fato de que a nova coalização havia incorporado o partido FPÖ (Partido da Liberdade), um dos muitos apelidados pela grande mídia de “extrema-direita”, o já batido “esqueleto no armário” para qualquer sigla ou personalidade política que mostra propostas conservadoras (seja ela de qualquer viés, é um “nazista”).
O interessante do protesto foram os participantes. Segundo a reportagem da Reuters, a manifestação teve a participação de estudantes, entidades da “esquerda política” e aposentados que incluía um grupo que se intitulava “Vovôs Contra a Direta”, carregando cartazes que diziam: “não deixem os nazistas governarem”.

A tensão aumenta pelo fato de que o FPÖ foi fundado por ex-integrantes da, coisa que atualmente os líderes tentam se afastar por motivos óbvios.Em sua história a Associação dos Independentes (VdU) era formada por diferentes grupos de interesse: além de muitos ex-nacional-socialistas austríacos, após a derrota de 1945, nas primeiras eleições do Conselho Nacional pós-guerra, não tinham sufrágio e também estavam incluídas o Landbund e o Grande Partido Popular Alemão, formando o único dito abertamente de Terceira Posição ao lado dos dois principais partidos dos social-democratas (SPÖ) e do socialistas-cristãos (ÖVP). Houve conflitos sobre a orientação do partido, o que levou a divisão. Hoje, segundo sua plataforma disposta em seu próprio site, se descreve como representante da Terceira Posição e vê-se na herança do sistema nacional-liberal de valores da revolução democrática burguesa de 1848. (5)

Os manifestantes pediam que os ministros do partidos fossem boicotados pelos outros países europeus e que a Áustria seja ignorada quando ocupar a presidência da União Europeia (que o seu próprio país seja boicotado e ignorado!, Quase igual Wishental).

Os protestos começaram logo após o ministro do Interior Herbert Kicckl (do FPÖ), afirmar que imigrantes que buscam asilo no país devam  ser enviados para centros especiais enquanto aguardam uma resposta do governo. Atitude até sensata se lembrarmos que atualmente a UE “derrubou” a alguns anos dessa década os controles de fronteiras da Europa Ocidental, causando uma profunda crise de refugiados e transtornos urbanos em diversos países da Europa.

Herbert Kicckl, atual Ministro do Interior austríaco no Parlamento

 

No negócio fica mais claro quando vemos que a aliança entre o FPÖ e a maior bancada de governo, pertencente ao partido tido como “conservador” OVP, elegendo desse partido, Sebastian Kurz, como chanceler, formando uma coalizão que comanda o país, onde foi efetuada um acordo sobre o endurecimento das restrições de fronteira e entrada de imigrantes.
Entre os slogans dos partidos é dito sobre acabar com a imigração ilegal e combater o radicalismo islâmico. Coisa horrenda aos olhos da “new-left” em geral, ao passo que os adversários acusam o FPÖ de promover políticas racistas, xenófobas e anti-democratas…e ainda mais, de manter um posicionamento anti-judaico! (1)

Heinz-Christian Strache (esquerda) e Sebastian Kurz (direita) na declaração conjunta
Em 26 de janeiro, grande parte do centro da cidade de Viena, a capital da Áustria, ficou bloqueado por milhares de policiais para garantir a segurança de uma celebração dos partidários e apoiadores do FPÖ e evitar possíveis incidentes com manifestantes contrários ao evento.

Enquanto grupos de esquerda e feministas convocaram concentrações e marchas de protesto contra o “Akademiker Ball” (Baile dos Acadêmicos, em tradução livre), que aconteceu no Hofburg, o antigo Palácio Imperial com participação de numerosas agremiações estudantis e nacionalistas (cerca de duas mil pessoas) de todas as vertentes, as primeiras marchas de repúdio à celebração direitista começaram no centro de Viena com a participação de algumas centenas de pessoas.

Manifestantes protestam contra o Akademiker Ball no centro de Viena, Áustria
 
O Akademikerball de Viena ocorre anualmente desde 2013 organizada pelo FPÖ e por corporações universitárias na Wiener Ballsaison

 

Dos 51 deputados do FPÖ no parlamento, cerca de 20 são acusados de pertencer a organizações e fraternidades ultranacionais, um prato cheio para a imprensa, que, sendo você um nacional-socialista, simples nacionalista ou conservador, não faz muita diferença. Um exemplo é que recentemente, o periódico semanal “Falter“, acusou Udo Landbauer, um político do FPÖ é acusado enaltecimento de genocídios de judeus em suas canções (?).
Landbauer, que se recusa a renunciar, liderava a lista das eleições no Estado federado de Baixa Áustria. (2)

No dia 31 de Janeiro, Sebastian Kurz, chanceler conservador, dissolver uma corporação pan-alemã codirigida por um grupo do partido FPÖ, a Wiener Neustadt Germania Corporation, fundada durante a Primeira Guerra Mundial, parte de uma rede de organizações nacionalistas e pan-alemãs com fortes raízes em alguns círculos na Áustria.

Udo Landbauer (1986), natural da baixa Áustria é filho de um pai austríaco e de mãe iraniana. Até esse ano, era desde 2011 presidente federal do Ring Freiheitlicher Jugend Österreich, desde 2010 político municipal em Wiener Neustadt e desde 2013 membro do Baixo Landtag austríaco. Na eleição estadual na Baixa Áustria esse ano, foi o principal candidato do FPÖ na Baixa Austria. Como resultado do caso da fraternidade Germania para Wiener Neustadt, ele depôs em 1º de fevereiro de 2018 todas as funções políticas e sua filiação ao FPÖ. (fonte)
A Chancelaria e o Ministério do Interior decidiram lançar o “processo de dissolução” da Wiener Neustadt, disse Kurz, alegando que várias músicas desta organização fazem a apologia do nazismo e do Holocausto, com base nas alegações do periódico “Falter“.
O Ministério Público designou quatro investigadores para este processo. O Ministério do Interior, associado ao lançamento do processo de destituição, é liderado por Herbert Kickl, um dos principais estrategistas do FPÖ, um partido fundado após a guerra por antigos SS e membros do partido nacional-socialista. (3)
Hoje a situação que se vê é essa “caça-as-bruxas” mesmo quando um governo é eleito de forma democrática e por maioria dos cidadãos do país. Se ele não estiver de acordo com os planos, não é preciso hoje o agir do sionismo ou de forças mais obscuras. A própria mídia idiotizada que faz de canções antigas um tabu e motivo de investigação contra um governo legítimo anda no mesmo caminho de uma “neo-esquerda”, que defende os únicos e exclusivos interesses mais radicais do neo-liberalismo.
NOTAS:
 
(2) – Uol notícias: Evento da extrema-direita e protestos contrários bloqueiam centro de Viena


(3) – DN: Áustria irá dissolver corporação pan-alemã que tem cânticos nazis


(5) – Wikipedia: Die Freie Enzyklopädie: Freiheitliche Partei Österreichs

(4) – Grifos e edição de texto: www.osentinela.org
 
REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA:
 
CASTAN, Siegfried Ellwanger. “Holocausto Judeu ou alemão? Nos bastidores da mentira do século”. Editora Revisão, 1 ed. Rio Grande do Sul, (1988).

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Andre Marques

Brasileiro, nascido em 1993 na cidade de Fortaleza, cursa o bacharelado em Direito pela Universidade de Fortaleza. Possui conhecimento autônomo nas área de economia, ciência política e pesquisa histórica amadora com enfase em assuntos não convencionais ou desprezados pelo academicismo oficial.

Após atuar durante muitos anos no Marketing empresarial e comercial, fundou o blog O Sentinela (atual site) onde hoje é editor, um dos redatores e um dos colunista.
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