Bolsonaro, Israel e o Cristianismo

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Ao apagar das luzes de 2018, a 28 de dezembro, o então presidente-eleito Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, visitaram a sinagoga Kehilat Yaacov, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Este foi mais um capítulo da longa série de eventos ligados a Israel, procurados e promovidos pelos homens públicos da família Bolsonaro.
Neste artigo iremos abordar quando esses eventos se tornaram mais intensos, quais seriam os principais motivos dessa relação e quais são suas prováveis consequências.

A busca pela simpatia de Israel

Logo quando Jair Bolsonaro protocolou ofício junto ao Partido Progressista, em abril de 2014, revelando sua intenção de concorrer ao cargo de presidente do Brasil, não havia uma procura explícita pelo apoio da comunidade judaica.
O que existia naquele momento era a conveniente aproximação aos evangélicos.
Mas ao longo de sua trajetória até o Planalto, os Bolsonaro intensificaram a relação com Israel. Em algum momento de 2015, deve ter ficado claro a eles a necessidade dessa aproximação. Pode se especular muita coisa, até mesmo a influência de Olavo de Carvalho, mas o mais provável é que tenha sido uma opção estratégica, haja vista a pressão de alguns pastores neo-pentecostais brasileiros. Estes seguem os preceitos do estranho “sionismo cristão”, corrente segundo a qual o retorno dos judeus à terra santa e a criação do Estado de Israel, em 1948, segue uma profecia bíblica que anuncia o retorno do messias. O judaísmo messiânico/político e o cristianismo são compatíveis? Abordaremos esta questão mais à frente.
A eleição de Donald Trump também deixou evidente os resultados positivos provenientes do alinhamento ao lobby judaico da costa leste norte-americana.
Em 2016, os parlamentares da família Bolsonaro viajam até Israel. Entre visitas ao parlamento Knesset, museu Yad Vashem e outros pontos turísticos, um batismo simbólico foi planejado em detalhes.
Jair Bolsonaro, católico, é batizado no rio Jordão pelo pastor Everaldo do partido PSC
O marketing exige: vistam a camisa!
Finalmente, no ano eleitoral de 2018, Jair Bolsonaro anuncia sua intenção de transferir a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém.
Publicação original aqui

Judaísmo e Cristianismo

Para aqueles que estudam as religiões, o cristianismo aparentemente significou uma ruptura com o judaísmo (Mateus 7:28), algo bem diferente deste fenômeno tão particular da Direita Kosher atual, que pretende juntar numa única cesta estas duas religiões abraâmicas (judaísmo e cristianismo) e formar uma frente contra o fabricado inimigo comum, o Islã – a terceira religião abraâmica. Não querendo nos intrometer nessas desavenças entre adeptos das três religiões do deserto, e também não entrando na questão do Deicídio, há suficientes passagens nos textos bíblicos que revelam o completo antagonismo entre o Pentateuco e os Evangelhos. Ver aqui Mateus 7:28, João 1:17, Lucas 16:16 e 2 Coríntios 3:15.
Não iremos entrar nos detalhes destas diferenças, pois existe vasta literatura a esse respeito. Aos interessados, indicamos o Evangelho de Marcion, escrito por volta de 150 d.C., principalmente a obra “Antitheses”. Também o conhecimento do Talmud Babilônico, que juntamente com o Velho Testamento representa um dos pilares do judaísmo, deveria ser de conhecimento daqueles que hoje defendem um “sionismo-cristão”. Juntar água e óleo não é tarefa fácil! A figura humana defendida no Velho Testamento e no Talmud NÃO É COMPATÍVEL com a universalidade pregada pelo cristianismo, onde TODOS são filhos de Deus. Uma coisa é respeitar cada religião e seus dogmas, outra é formular uma tese claramente falsa e explorar a boa fé e ignorância das pessoas.
Dentre as principais diferenças, apenas para ilustrar um dos questionamentos que já rendeu bastante discussão no século XIX e início do século XX, foi sobre a divindade “Jeová”. O leitor atento perceberá que se nosso atual código penal fosse aplicado a esta entidade, ela levaria no mínimo a prisão perpétua, sem direito a qualquer benefício legal. “Jeová” é algo completamente distinto do “Pai Nosso” de Jesus, descrito nos Evangelhos. A obra “O falso Deus – Provas materiais contra Jeová”, escrita em 1921 por Theodor Fritsch, descreve alguns pormenores desta questão polêmica. A obra é uma das inúmeras que abordaram este tema na Europa. Hoje elas são classificadas como “textos antissemitas”. Um termo cunhado no auge do POLITICAMENTE CORRETO.
Finalmente, segue um exemplo cruel, mas que revela um pouco mais do caráter sui generis de Jeová:
Em 1 Samuel 15, Jeová torna Saul rei de Israel e ordena que os bebezinhos dos amalequitas sejam assassinados (!). Posteriormente, como Saul tentou aplicar um golpe em Jeová, este diz estar arrependido (!) de ter nomeado Saul rei de Israel! Uma divindade que assassina e que se arrepende!

Consequências do “sionismo-cristão”

Primeiramente temos que resgatar a verdade histórica: Israel foi criado na expulsão violenta das famílias palestinas e na apropriação indevida de suas terras. Sem essa consideração, são inúteis quaisquer esforços para encontrar uma solução pacífica e a contento para ambas as partes. O apoio incondicional a Israel, como demonstrado pela família Bolsonaro, pisa com os dois pés no direito inalienável dos palestinos à sua terra natal. Quem aceita isso não pode reclamar das invasões do MST.
Os adeptos do sionismo-cristão têm forte influência do dogmatismo religioso, pois somente assim poderiam ser angariados para atuar nas fileiras filo judaicas. Como é inerente aos fanáticos, qualquer fato não alinhado será descartado e ignorado. Ao insistirem nessa ideia messiânica, os sionistas-cristãos estarão promovendo a longo prazo o extermínio do povo palestino. Nas redes sociais já podemos perceber como é fácil criar o ódio (por ignorância) contra os palestinos e muçulmanos em geral. Muitos evangélicos veem a legítima REAÇÃO dos palestinos como atos terroristas, numa descarada inversão dos fatos! Provavelmente também irão apoiar as aventuras israelitas em uma guerra contra o Irã, mas neste caso eles deveriam se colocar na primeira fila do conflito, ou seja, servindo de bucha de canhão para os sionistas.
Em seu discurso na sinagoga de Copacabana, Jair Bolsonaro disse aos judeus presentes, “que seremos mais do que bons parceiros, nós seremos irmãos”. Que sua tola ingenuidade ou sutil dissimulação ou cega vassalagem venha a ser iluminada com o conhecimento a respeito das verdadeiras intenções deles para conosco.
Apesar dessa bizarra relação sionista-cristã, o Movimento Nacional-Espiritualista apoia neste início de 2019 o governo de Jair Bolsonaro.
Estaremos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos.
Campinas, 02/01/2019.

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Andre Marques

Brasileiro, estudante de Direito e atuante na área de marketing é fundador e editor do site O Sentinela (abril de 2013).
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