Bolsonaro e Haddad: O que a agenda neoliberal espera de ambos?

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“Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem quem perder, vai ganhar ou vai perder. Vai todo mundo perder”.  – Dilma Rousseff, setembro de 2010, ao declarar-se contrária a um plebiscito sobre a legalização do aborto.

Seja Haddad, seja Bolsonaro, o vencedor vai ter que abrir espaço a agenda neoliberal. Isso é fato consumado.

Se o ex-capitão da reserva e deputado federal (RJ), Jair Messias Bolsonaro não ganhar, o que seria surpresa, dadas pesquisas que o favorecem amplamente os projetos militares estarão a cena de sua alavancada política? O vencedor vai dispensar, para colher o não-apoio das forças armadas, ou incorporar a contribuição delas, se forem pertinentes e democráticas?

Seja Haddad, seja Bolsonaro, dificilmente, a agenda neoliberal do governo do vice de Dilma (PT), Temer e sua base aliada PSDB, MDB e PMDB, que, também, compõe a agenda de Paulo Guedes, guru de Bolsonaro, continuaria incólume.

Mas a pergunta mais imediatista é se a política antinacional de preços dos combustíveis, que destrói poder de compra dos salários, mercado interno, arrecadação e investimentos continuaria, seja com Haddad seja com Bolsonaro, sem sofrer revezes, dado que aprofunda arrocho salarial e redução do poder de compra da sociedade, aprofundando crise de subconsumismo?

O discurso de Haddad, reafirma economia política “lulista” de ampliar participação das políticas sociais compensatórias (que não nada mais que paliativos e estratégicos neoliberais para mascarar a verdadeira sangria de recursos) na política de governo nacional, promete rever a desnacionalização neoliberal da Petrobrás, tentando fazer antagonismo ao ultra-liberal de Paulo Guedes, mas na pática, seu partido, durante 14 anos de poder, nada fez para mudar o processo de privatização, nem a retirada de soberania do Pre-sal, não salvou a Petrobrás do sufocamento, muito pelo contrário.

Deixou que os cartéis empreiteiros nacionais agissem da forma mais desregrada possível, causando desgaste, aprofundando a corrupção política e trazendo a ruína de ambos (governo e iniciativa privada do setor) para o país, afastando investimentos e abrindo espaço para o desmantê-lo e crise política.

Ele afirma que “o PT sempre trabalhou na linha de que é possível dividir os frutos do capitalismo.

Ele nunca foi um partido anti-capitalista”. De fato, não é só a tentativa amenizante que ele tenta dar aos investidores que faz o ex-prefeito de São Paulo falar assim.

Nunca na história do regime republicano brasileiro, pelo menos, uma classe específica de especuladores financeiro e uma certa plutocracia nacional lucrou tanto quanto na Era PT (2002 – 2016), enquanto o povo ainda vive de política social compensatória.

Bolsonaro e os político-militares usam a estratégia de ganhar espaço na guerra de ocupação política do Brasil em que se transformou a luta ideológica depois da derrubada do PT (Partido dos Trabalhadores) do Executivo, com a impopular ex-presidente, Dilma Roussef, em 2016.

Na última semana, Jair Messias Bolsonaro mudou o discurso sobre as privatizações. Disse que as empresas estatais estratégicas não serão privatizadas – Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Embrapa etc., desmentindo Paulo Guedes. Mas que mudou o discurso ultra-liberal de Guedes para um mais nacionalista, como o de Villas Boas, comandante do Exército, senão os assessores militares

Bolsonaro chegou admitir preservar o “miolo” da Petrobrás e privatizar refinarias e distribuidoras, mas alertou que se trata de assunto delicado a requerer muita discussão etc. Mas há ai dois discursos em torno de Bolsonaro: o de Paulo Guedes, neoliberal, e o dos militares,  mistura de ambos os modelos econômicos, nacionalista e neoliberal.Claramente, sua fala já entrou em desacordo com seu projeto de governo (que não é bem dele, mas de quem está por trás). Segundo pesquisa, apenas 37% dos eleitores de Bolsonaro querem privatização das estatais estratégicas.

Não se engane pelo fato de que os agentes diretos das Altas Finanças tenham levado um belo toco nessas eleições, como foi o caso do PSDB, MDB e PMDB (esse último de certa forma pois está presente em todos os lugares e todos as gestões).

Gestores de grandes fundos internacionais, economistas tucanos Gustavo Franco, Armínio Fraga, Pérsio Arida e Cia Ltda, ligados, hoje, a George Soros, destacam que Bolsonaro representa oque classificam como “volatilidades financeiras” incontroláveis. O fato novo, como destaca o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, entrou em cena, subitamente, para surpresa e espanto geral dos adoradores de bezerro de ouro, pois ninguém, diz, havia feito o cálculo essencial da conquista de espaço político dos militares na agenda de Bolsonaro. E oque Wall Street espera agora no Brasil em 2019?

Andre Marques
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