As contradições de Eduardo Bolsonaro em discurso pelas Armas Nucleares

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Em evento da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, da qual é presidente, em Brasília, DF, Eduardo Bolsonaro (Partido Social Liberal-SP) defendeu a posse de armas nucleares. Entenda aqui as contradições de seus posicionamentos.

Nesse evento, teve lugar o encontro do parlamentar Eduardo com alunos da Escola Superior de Guerra, entidade em que se formam militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Ali ele pronunciou:

“São bombas nucleares que garantem a paz. Se nós já tivéssemos os submarinos nucleares já finalizados, que têm uma economia muito maior dentro d’água; se nós tivéssemos um efetivo maior, talvez fôssemos levados mais a sério pelo (Nicolás) Maduro, ou temidos pela China ou pela Rússia.”

O programa nuclear da Marinha, que existe desde a década de 1970, e que certamente fez progressos desde então, como por exemplo no enriquecimento de urânio, o país ainda está longe de ter um submarino nuclear – algo que os americanos obtiveram nos anos 1950 – , nos faz questionar desde quando e até que ponto sempre houve a sabotagem e enfraquecimento de programas belicistas no Brasil através de governos apátridas, como foi o caso da sabotagem estadunidense da Base de Alcântara, hoje concessionada aos norte-americanos.

A perseguição ao Almirante Othon, um dos maiores cientistas nucleares do mundo e intimamente relacionada ao programa nuclear brasileiro, por parte das investigações encabeçadas pelo juiz Moro e a Operação Lava Jato da Polícia Federal, muito influenciada por interesses dos EUA em quebrar monopólios financeiros nacionais e abrir caminho ainda mais para multinacionais, a recente entrega do pré-sal para as multinacionais estrangeiras na Era PT e que a gestão Bolsonaro defende (na forma de defesa de privatizações e sua postura anti-concessões estatais) são fatores recentes do porque nossos projetos desse calibre andam a passos de formiga.

A Marinha será a mais afetada pelos cortes de gasto instituídos pelo governo, que é de 44% para todas as Forças Armadas, afetando diretamente seus projetos estratégicos, como o submarino nuclear, que estava previsto até então para 2029.

Falando aos militares presentes no evento, Eduardo ressaltou que, em um hipotético conflito com a Venezuela, eles teriam um papel importante e que as pessoas só dão valor às Forças Armadas “quando precisam”, já que existe a crença generalizada de que o Brasil é um país pacifista no sentido de não entrar em guerra. Ele ainda disparou insultos gratuitos contra Maduro, chamando-o de “maluco associado a terroristas”.

Eduardo parece ser um entusiasta de um efetividade militar brasileira de maior porte, tal como qualquer entusiasta brasileiro, mas quer ao mesmo tempo, usar essa efetividade para fins de derramar sangue num país vizinho, que nunca nos sancionou, sujando o solo da América do Sul de sangue jovem em pró do petróleo venezuelano ser sugado pelos anglo-americanos barões do mercado desse produto. Não faz sentido.

A China é um dos cinco EAN (Estados com armas nucleares) reconhecidos pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que ela ratificou em 1992. A China é o único do grupo dos EAN a dar uma garantia de segurança incondicional aos Estados não-nucleares. Sua Política pública chinesa tem sido sempre uma “regra de não-primeiro uso” ou white paper”, mantendo uma força de dissuasão retaliatória direcionados para alvos contra-valor.

Essa política foi ratificada em 2005, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmando que o governo não seria o primeiro a usar armas nucleares a qualquer momento e em qualquer circunstância. Além disso, permanecendo inalterado o uso ou ameaça de uso de armas nucleares contra os Estados possuidores de armas não-nucleares ou zonas livres de armas nucleares.

Quanto a Rússia, o presidente Vladimir Putin suspendeu oficialmente a participação do país em 4 de março deste ano do do tratado INF [1] assinado com os Estados Unidos durante a Guerra Fria, somente após o governo norte-americano deixar acordo no início de fevereiro, apoiado por seus aliados na OTAN, acusando a Rússia de violar o tratado com seu sistema de mísseis 9M729.

Nem Rússia nem China sabotaram ou mesmo dissuadiram o Brasil com uso de Armas Nucleares ou mesmo nos obrigou a assinar tratados de não-proliferação, pois, como visto suas situações atuais, os próprios, como elevados índices de crescimento econômico anuais, fazem e desfazem seus próprios tratados e compromissos, sem precisar pedir permissão ao “Tio Sam”, os quais sempre estão em atenção quanto ao armamento.

Eduardo apontou também que não existe debate no Congresso sobre o assunto, mas disse que é necessário caso queiramos “atropelar” as convenções a tratados das quais fazemos pate.

“Esse assunto não é pauta nesse momento, eu sequer vejo debate nesse sentido. A gente sabe que, se o Brasil quiser atropelar essa convenção, tem uma série de sanções, é um tema muito complicado. Mas acredito que possa voltar ao debate aqui.”

O Brasil foi um dos 189 países que endossou o TNP (Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares), em 1998, na “gestão da privataria” de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). E não satisfeitos, também fazemos parte do Tratado de Tlatelolco, assinado por todos os países da América Latina e Caribe em 1968, com exceção de Cuba, que o integrou somente em 2002.

No TNP, iniciado em 1968 para valer a partir de 1970, dos 189 países que assinaram, cinco deles, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China são detentores declarados de armas nucleares e curioso e´que são também os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Incluindo o fato de que França e China só assinaram em 1992, o que originalmente tinha a ideia de diminuição da proliferação de armamentos de destruição em massa, obrigados a não transferir essas armas para os chamados “países não nucleares”, nem auxiliá-los a obtê-las, acabou se tronando o impasse previsível e óbvio que de hoje em dia, apenas os mandantes da ONU-OTAN podem obter e continuar fabricando suas armas sem sequer declarar contas ao mundo, enquanto para o resto dos países isso não é possível, ou seja, a defesa. Se o filho do Presente, Eduardo, defende nossa obtenção desses armamentos sob tal justificativa, deveria ele apoiar as justificativas do Irã da Coréia do Norte (que não assinou esse tratado) em sua luta contra essa forma de persuasão das potências estrangeiras.

Não obstante, ele cita Índia e Paquistão, que junto de Coréia do Norte são o grupo de países seletos que não assinaram o tratado, como um exemplo positivo.

” Paquistão e Índia, como é a relação dos dois? Se só um tivesse bomba nuclear, a relação não seria a mesma. Sou entusiasta dessa visão. Vão dizer que eu sou agressivo ou que quero tocar fogo no mundo, mas enfim. De fato. Por que o mundo inteiro respeita os Estados Unidos? Explodiram o World Trade Center, o que eles fizeram? Passaram por cima de tudo quanto é veto e invadiram o Iraque.”

Citando a farsa para invadir o Oriente Médio dos Bush com Israel chamada de “11 de setembro” e a “respeitabilidade” dos EUA, Eduardo ratifica, mesmo sem querer, o posicionamento do “Eu posso você não”. Aqueles que ele julga seus principais aliados são na verdade, os principais responsáveis pelo fato de o Brasil não ter qualquer projeto de defesa capaz de suportar o ataque de um país superpotência ou a nossas forças armadas serem tão sucateadas, ou nosso governo ser composto em boa parte de lacaios.

Lembrem-se de quem é que de fato inaugurou o uso da arma nuclear em guerra, os EUA, no Japão, sem qualquer necessidade a não ser a de mostrar ao mundo de onde sairiam as determinações da Nova Ordem Mundial advinda do pós-guerra.

Defendemos a soberania nacional e a queremos mais que tudo no mundo. Assim como defendemos que nosso país tenha um projeto efetivo e arrojado nuclear para que, como dizia Enéas, possamos ter poder de barganha e persuasão, pois é para isso que esse tipo de armamento serve de imediato hoje quanto aos interesses de seus possuidores. E sim, porque não, caso nós a detivéssemos, pudêssemos usá-las na garantia a paz, expulsando de vez a águia de rapina estadunidense de terras ibero-americanas.

Eis oque pode estar fazendo mal para a mente do filho de Bolsonaro:

O grande defeito de Eduardo Bolsonaro

Nota:

[1] Assinado em 1987 com a então URSS, esse tratado proibiu o uso de mísseis com alcance entre 500 e 5.500 km, encerrou a crise dos mísseis europeus na década de 1980, provocada pela presença de ogivas nucleares SS-20 soviéticas dirigidas a capitais ocidentais.

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Andre Marques

Brasileiro, estudante de Direito e atuante na área de marketing é fundador e editor do site O Sentinela (abril de 2013).
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