Após prisão de Julian Assange, WikiLeaks disponibiliza documentos secretos

Nos ajude a espalhar a palavra:

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, 47, foi preso na embaixada do Equador em Londres, nesta quinta-feira (11), após quase 7 anos como exilado. O WikiLeaks é uma organização que divulga documentos confidenciais de governos e empresas.

A polícia londrina, a mando do establishment da City of London e da Primeira-ministra do Reino Unido e Líder do Partido Conservador desde 2016,  Theresa May, prendeu o australiano com base (de justificativa, a mesma de 2012) no pedido de extradição feito por autoridades norte-americanas e violação de liberdade provisória concedida em 2012, processo que ele responde no Reino Unido por ter deixado de se apresentar à Justiça britânica. Após o presidente equatoriano, Lenín Moreno, suspender asilo, policiais entraram na embaixada do Equador, onde Assange estava. O governo equatoriano também suspendeu nesta quinta-feira seu asilo e sua cidadania enquanto o Governo americano emitiu um pedido de extradição para ele.

Se fosse a poucos anos atrás, antes do advento da internet em massa e da dificuldade de controle de informações pelo Sistema, coisa que hoje cada vez mais os mesmos tentam afunilar, dadas todas as informações divulgadas por pessoas como as que trabalham em pró do WikiLeaks, talvez iriamos achar que fosse teoria da conspiração, pura inverdade que jamais seria comprovada. Mas casos como o de Assange e de Edward Snowden vieram comprovar que nossos piores pesadelos que pareciam estar num futuro distante são a realidade de um mundo onde somos cada vez mais, na era da desinformação desinformada, induzidos a letargia.

Esperamos que, com certeza, a mídia de massa teleguiada irá atacar a imagem do WikiLeaks e de Assange afim de dar descredito à ambos, para apaziguar a “opinião pública” e fazendo-a esquecer dos reais motivos pelos quais Assange e sua iniciativa são ativistas, a liberdade das mídias alternativas e o compromisso com a verdade, apresentando os fatos podres que o establishment privado-governamental e financeiro mundial não quer as pessoas comuns saibam ou mesmo que deem qualquer importância. Mas a a verdade é uma só e sempre vem a tona, de uma forma ou de outra. Os dados divulgados pelo WikiLeakes revelam a podridão dos círculos de Poder mundial e isso é oque é realmente relevante para nós e para “Eles”, que não querem que você saiba que o mundo não bem como te contaram.

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, é preso na embaixada do Equador em Londres, nesta quinta-feira (11) — Foto: Reprodução/RUPTLY

Apresentação à Corte do carrasco

O fundador do WikiLeaks foi levado a uma delegacia do centro de Londres e depois seguiu para a Corte de Magistrados de Westminster, onde Assange foi considerado culpado pelo Tribunal de Westminster, em Londres, por violar as condições de sua libertação provisória no Reino Unido (não ter se apresentado à Justiça local), um crime que pode levá-lo a ser sentenciado a um ano de prisão.

Uma audiência sobre o pedido de extradição dos Estados Unidos será no dia 2 de maio.

Ele tentava evitar desde 2012, sua extradição para a Suécia, onde respondia por uma falsa denúncia de assédio e abuso sexual, já até mesmo arquivada hoje em dia, e também respondia um processo sobre divulgação de documentos sigilosos estadunidenses.

No dia de sua prisão, o ministro júnior de Relações Exteriores do Reino Unido, Alan Duncan, disse que Assange não deve ser extraditado a algum país que o condene a morte ou o torture – inclusive os Estados Unidos.

Van da polícia do lado de fora da embaixada equatoriana depois que o fundador do Wikileaks, Julian Assange, foi preso pela polícia britânica, em Londres, nesta quinta-feira (11) — Foto: Peter Nicholls/ Reuters

No entanto, o Departamento de Justiça dos EUA adiantou que Assange pode pegar no máximo cinco anos de prisão, descartando uma pena perpétua ou mesmo capital.

Em nota, o Governo dos Estados Unidos informou que Assange é acusado de conspiração em uma tentativa de entrar ilegalmente em um computador do governo americano para ter acesso a informações confidenciais.

Negada a cidadania equatoriana

O presidente equatoriano Lenín Moreno, do partido de esquerda Alianza Pais, disse que o fundador do WikiLeaks violou repetidas vezes os termos acordados para permanência na embaixada. Claramente suas desculpas rasas se esforçam para parecer credíveis, mas o que fica claro é que no final e com a nova administração do Executivo do poder equatoriano, venceu o lobby dos “novos amigos maiores” do Equador, os EUA e a Inglaterra, junto de seus deep states de influências denunciados a um tempo atrás por Jonh Perkins, em seu “Assassinos Econômicos”. Como não havia nada pra denunciar que justificasse a perseguição implacável de 7 anos, foram pronunciados as seguintes denuncias:

A alegação do presidente Moreno foi de que o asilado não tinha o direito de “hackear contas privadas ou telefones” e não podia intervir na política de outros países, especialmente aqueles que têm “relações amistosas” com o Equador.

Em uma rede social, Moreno afirmou que a decisão foi tomada também em razão da “conduta desrespeitosa e agressiva” de Assange, além das declarações da sua organização contra o Equador.

Ele foi acusado pelo presidente equatoriano de instalar equipamentos eletrônicos não permitidos e bloquear câmeras de segurança da embaixada, além de maltratar guardas. Nesta semana, Fidel Narvaez, ex-cônsul do Equador, havia dito que Assange teria sido acusado de invadir a privacidade de Moreno.

Na verdade, como foi demonstrado pela página Mobilização Islâmica cuja ilustração abaixo de Latuff, do Brasil 247, retrata bem a situação. Julian Assange, que expôs crimes de guerra dos EUA no Iraque, foi encurralado pelo governo britânico por quase 7 anos na embaixada do Equador e agora Theresa May manda prendê-lo para ser entregue de presente a Donald J. Trump.

Arte de Latuff

Para o WikiLeaks, a decisão do Equador foi ilegal e é claro que o grupo já esperava essa reviravolta contra o seu fundador.

Na quarta-feira (10), o WikiLeaks divulgou que Assange foi espionado durante parte do período em que ele ficou na embaixada. Kristinn Hrafnsson, editor-chefe do WikiLeaks, disse que as informações podem ter sido entregues ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump. Assange é investigado naquele país pelo maior vazamento de documentos da sua história.

Asilo Político

Assange procurou proteção diplomática na embaixada do Equador em 2012 para evitar ser extraditado para a Suécia, onde ele enfrentava um processo por ser acusado tendenciosamente de “abuso sexual” contra uma mulher. Ele recebeu asilo por decisão do então presidente equatoriano, Rafael Correa.

Até mesmo a acusação na Suécia foi arquivada em 2017. Porém, mantinha-se na condição de asilado, porque havia (e ainda há) o citado processo contra ele na Inglaterra, por falta de pagamento de fiança, e a também citado processo nos EUA pela divulgação feita pelo WikiLeaks de documentos sigilosos.

Segundo a Reuters, o atual presidente equatoriano Moreno afirmou que o Equador recebeu uma garantia britânica de que Assange não seria extraditado para um país onde ele pudesse enfrentar a pena de morte.

Assange ganhou repercussão mundial em 2010, quando o WikiLeaks publicou um vídeo de 2007 que exibia helicópteros Apache matando 12 pessoas em Bagdá – entre as vítimas, havia duas equipes de notícias da Reuters.

No mesmo ano, o WikiLeaks divulgou mais de 90 mil documentos secretos com detalhes da campanha militar dos EUA no Afeganistão, seguidos por quase 400 mil relatórios internos que descreviam operações secretas no Iraque.

A proteção diplomática tinha sido concedida pelo Equador a Assange há quase sete anos pelo antecessor de Moreno, Rafael Correa, que agora vive na Bélgica.

Impasse internacional

Após a sua prisão, o ex-presidente equatoriano Rafael Correa, o primeiro presidente sul-americano a fazer a auditoria da Dívida Pública em sua país, que agora vive na Bélgica, protestou contra a decisão de Quito, afirmando sua ilegalidade e sua violação ao direito internacional.

“Lenín Moreno, nefasto presidente do Equador, demonstrou sua miséria humana ao mundo, entregando Julian Assange – não apenas asilado, mas também cidadão equatoriano – à polícia britânica. Isto coloca em risco a vida de Assange e humilha o Equador. Dia de luto mundial”

Interessante notar que Moreno ocupou o cargo de Vice-Presidente do país entre 2007 e 2013 durante o governo de Rafael Correa.

Para Agnes Callamard, relatora especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias da Organização das Nações Unidas (ONU), a decisão de suspender o asilo de Assange o coloca em risco real de sofrer “graves violações de seus direitos humanos”.

“Ao expulsar Assange de sua embaixada, as autoridades equatorianas permitiram que os britânicos o detivessem, o que o deixa um passo mais próximo da sua extradição para os Estados Unidos. Ao fazê-lo, o Equador expõe Assange a um risco real de graves violações de seus direitos humanos”, disse Callamard à AFP.

O governo russo, que hoje abriga o ex-analista de sistemas da NSA, Edward Snowden, que tornou públicos detalhes de vários programas do sistema de vigilância global da NSA estadunidense, afirmou que espera que os direitos de Assange não sejam violados.

Assange não se refugiou na Embaixada Russa porque isso teria acirrado tensões geopolíticas em um nível ainda mais alto. Nos últimos 6 anos estivemos várias vezes perto de uma guerra entre EUA e Rússia.

Imaginem o nível da propaganda americana se o Assange estivesse na Embaixada Russa. Assange não foi burro, tomou uma decisão arriscada e incerta para sua segurança pessoal, mas prudente e responsável dentro de um contexto mais amplo, e dentro de uma série de considerações estratégicas e táticas de longo prazo.

Quem é Julian Assange

Julian Assange na sacada da embaixada do Equador em Londres, em 19 de maio de 2017 — Foto: Reuters/Peter Nicholls/File photo

Julian Paul Assange nasceu em Townsville, Queensland, Austrália, em 3 de julho de 1971. É programador, jornalista, hacker e ativista, conhecido por ser o fundador, editor e porta-voz do site WikiLeaks em 2006.

Na década de 1990, Assange foi condenado por atividades como hacker.

Declarando-se culpado, foi multado em milhares de dólares e escapou da prisão por se comprometer a não reincidir.

Após isso, estudou física e matemática na Universidade de Melbourne, e trabalhou com uma acadêmica, Suelette Dreyfus, que pesquisava a internet e seus efeitos na sociedade.

A plataforma que ele criou publica documentos e imagens confidenciais, o WikiLeaks, que usa sistemas para dificultar a identificação das fontes que enviam materiais.

Inicialmente, o WikiLeaks era um instrumento para que documentos secretos pudessem ser vazados.

Após 2010, quando ganharam repercussão mundial por divulgar o vídeo de soldados estadunidenses executando 18 civis de um helicóptero em Bagdá, Iraque, logo o sistema tratou de manchar sua imagem. Também havia material que mostrava a atuação de tropas dos EUA não só em outros locais do Iraque, mas do Afeganistão. Ambos países ocupados pelas tropas federais estadunidenses. [1]

A polícia sueca interrogou Assange logo no mesmo ano de sua repercussão na mídia (na verdade, logo em seguida) sobre duas supostas acusações estupro e abuso sexual. E o mesmo homem que é confesso desde 1990 por suas atividades, nega tal fato veementemente. Ainda em 2010, um pedido de prisão internacional foi emitido para que ele fosse investigado!

Em Londres, chegou a ser detido e pagou uma fiança de 240 mil libras como multa. A outra alternativa era a cadeia.

apelou, na Justiça inglesa, para não ser extraditado para a Suécia, mas perdeu o caso. A justiça sueca arquivou o caso em 2017.

Em junho de 2012, com receio da extradição, Assange entrou na embaixada equatoriana em Londres e pediu asilo político – que lhe foi concedido depois de cerca de dois meses. Havia, contra ele, um pedido de prisão por violar as condições da sua fiança.

Então, a polícia metropolitana de Londres fez um plantão na porta da embaixada durante três anos. Quanta eficiência! Na medida em que a criminalidade multicultural só aumenta.

O WikiLeaks voltou ao noticiário em 2016, quando publicou milhares de e-mails do comitê do Partido Democrata.

WikiLeaks libera acesso a arquivo após prisão de Assange

Após a prisão de Julian Assange, o WikiLeaks liberou acesso ao seu arquivo. Entre os dados divulgados, segundo informa a  Jovem Pan, estão informações sobre o governo dos Estados Unidos e até sobre o senador Tasso Jereissati e a ex-senadora Roseana Sarney.

Os dados brutos trazem contratos, atas de reuniões e documentos. Muito material do arquivo, no entanto, já havia sido exposto pelo WikiLeaks. O arquivo está disponível aqui.

Fontes de pesquisa:

G1. Entenda como e por que Julian Assange, fundador do WikiLeaks, foi preso na embaixada do Equador: Saiba quem é o ativista que foi retirado da embaixada em Londres,14 abr. 2019. Mundo. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/04/11/entenda-como-e-por-que-julian-assange-foi-preso.ghtml. Acesso em: 12 abr. 2019.

JOVEM PAN. WikiLeaks libera acesso a arquivo após prisão de Assange, 11 abr. 2019. Disponível em: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/wikileaks-libera-acesso-a-arquivo-apos-prisao-de-assange.html. Acesso em: 12 abr. 2019.

Notas:

[1] Como havia a revelação de identidades de pessoas que cooperavam com os militares no Oriente Médio, oficiais norte-americanos afirmaram que o vazamento colocava vidas em risco.

Por conta da divulgação desses arquivos, um soldado do exército dos EUA, Bradley Manning foi condenado à prisão.

Posteriormente, Manning mudou de gênero e nome, passando a ser conhecida como Chelsea Manning., que cumpriu sete anos de prisão, até que o na época presidente, Barack Russein Obama, trocasse sua pena.

Andre Marques
Siga em
Nos ajude a espalhar a palavra:
Gostou do artigo? Você pode contribuir para o site com uma doação:

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.