A origem e o significado do Natal

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Nos dias de hoje, no mundo cristão ocidental, o Natal ou Dia de Natal é um feriado e festival religioso cristão comemorado anualmente em 25 de dezembro (nos países eslavos e ortodoxos, cujos calendários eram baseados no calendário juliano, o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro). A data é o centro das festas de fim de ano e da temporada de férias, sendo, no cristianismo, o marco inicial do Ciclo do Natal, que dura doze dias.

Dies Natalis Solis Invicti

Na tradição latina indo-europeia pré-cristão, o Dies Natalis Solis Invicti, ou “aniversário do Sol Invicto” era um festival de longínqua raiz ancestral que com o desenvolvimento da religião oficial do Império Romano, foi colocado sobre a data do solstício, pois neste dia que o Sol volta atrás em sua partida em direção ao o sul e prova ser “invencível”, como a luz da esperança de uma nova aurora que retorna após a escuridão, renascendo o mundo e o ciclo eterno.

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O deus celebrado, Sol Invicto (em latim: Sol Invictus) foi o deus sol oficial do Império Romano posterior e o patrono dos soldados, também conhecido pelo nome completo, Deus Sol Invicto. Em 25 de dezembro de 274 d.C., o imperador romano Aureliano (214 – 275), do período tardio, o torna um culto oficial ao lado dos cultos romanos tradicionais.

A trindade do Sol Invictus em coluna romana pré-cristã de templo homônimo. / Reprodução

Sol Invicto era também o título religioso aplicado a três divindades distintas durante o Império Romano tardio. Ao contrário de outros, como o culto agrário do Sol Indiges (“Sol na Terra”), o título Deus Sol Invicto foi formado por analogia ao título imperial pius felix invictus (“pio, feliz, invicto”).

Dedicação ao Sol Invictus e ao gênio das cavalarias imperiais batavianas (equites singulares) para a saúde dos imperadores, pelo sacerdote de Júpiter Dolichenus M. Ulpius Chresimus uitum) canta (ularium) eorum M. Ulp (ius) Chresimus sace [sd] Iovis Dolich [eni] [dedicavit]. ”Mármore, segunda metade do século II d.C. Da área do quartel dos Equites Singulares, via Tasso, Roma. / Foto: Flickr.
O título foi introduzido pelo imperador romano Heliogábalo, na sua tentativa de impor o deus Elagabalo Sol Invicto, o deus-sol da sua cidade natal Emesa na atual Síria. Com a morte do imperador em 222 d.C.,o seu culto se perdeu. Logo depois, o título “invicto” foi aplicado a Mitra, o deus do Sol, da sabedoria e da guerra na mitologia persa, também adotado pelos romanos em inscrições de devotos. Também, aparece aplicado a Marte, deus latino da guerra.

Finalmente, o imperador Aureliano introduziu um culto oficial do Sol Invicto em 270 d.C., fazendo do Deus Sol a primeira divindade do império. Contudo, não oficialmente identificado com Mitra, o Sol de Aureliano tem muitas características próprias do mitraísmo, incluindo a representação iconográfica do jovem deus. O culto do Sol Invicto continuou a ser a base do paganismo oficial até a adesão do império ao cristianismo — antes da sua conversão, até o jovem imperador Constantino tinha o Sol Invicto como a sua cunhagem oficial. E depois, com o Édito de Milão (13 de junho de 313), que concedia liberdade religiosa, houve o uso do símbolo do Chi Ro cristão [1].

Tradição indo-europeia e ancestral

Os festivais de solstício de inverno eram os festivais mais populares do ano em muitas culturas. Entre as razões para isso, incluí-se o fato de que menos trabalho agrícola precisava ser feito durante o inverno, devido a expectativa de melhores condições meteorológicas com a primavera que se aproximava. As tradições de Natal modernas incluem: troca de presentes e folia do festival romano da Saturnalia; verde, luzes e caridade do Ano Novo Romano; madeiras do Yule e diversos alimentos de festas germânicas.

A Escandinávia pagã comemorava um festival de inverno chamado Yule, realizado do final de dezembro ao período de início do janeiro. Como o Norte da Europa foi a última parte do continente a ser cristianizada, suas tradições pagãs tinham uma grande influência sobre o Natal. Os escandinavos continuam a chamar o Natal de Jul.

O Solstício de inverno é um fenômeno astronômico que marca o início do inverno. Ele acontece normalmente por volta do dia 21 de Junho no hemisfério sul e 22 de dezembro no hemisfério norte.

Nascer do Sol sobre o monumento neolítico de Stonehenge (Inglaterra) na manhã do solstício de verão de 21 de junho de 2005. Foto: Reprodução.

No calendário chinês, o solstício de inverno chama-se “dong zhi” (‘chegada do inverno’) e é considerado uma data de extrema importância, visto ser aí festejada a passagem de ano.

Com a introdução do cristianismo no Império Romano houve, por parte da Igreja Católica, uma tentativa de cristianizar os festivais “pagãos”. Há indícios de que a data de 25 de dezembro foi escolhida para representar o nascimento de Jesus Cristo já no século IV. Há evidência bíblica de que Jesus não teria nascido durante o inverno, pois, no momento do nascimento, pastores estavam cuidando de seus rebanhos nas vigílias da noite, e o período do solstício, visto como o renascimento do Sol, carrega forte representatividade. Além disso, conseguiu aproveitar a popularidade das festividades da época.

Na cultura cristã romana

A palavra natal do português já foi nātālis no latim, derivada do verbo nāscor (nāsceris, nāscī, nātus sum) que tem sentido de nascer. De nātālis do latim, evoluíram também natale do italiano, noël do francês, nadal do catalão, natal do castelhano, sendo que a palavra natal do castelhano foi progressivamente substituída por navidad, como nome do dia religioso.

Já a palavra Christmas, do inglês, evoluiu de Christes maesse (‘Christ’s mass‘) que quer dizer missa de Cristo.

Os primeiros indícios da comemoração de uma festa cristã litúrgica do nascimento de Jesus em 25 de dezembro é a partir do Cronógrafo de 354. Essa comemoração começou em Roma, enquanto no cristianismo oriental o nascimento de Jesus já era celebrado em conexão com a Epifania, em 6 de janeiro. A comemoração em 25 de dezembro foi importada para o oriente mais tarde: em Antioquia por João Crisóstomo, no final do século IV, provavelmente, em 388, e em Alexandria somente no século seguinte.

Mesmo no ocidente, a celebração da natividade de Jesus em 6 de janeiro parece ter continuado até depois de 380.

Hoje em dia, a principal celebração religiosa entre os membros da Igreja Católica e de diversos outros grupos cristãos é o serviço religioso da Véspera de Natal ou o da manhã do dia de Natal. Durante os quarenta dias que levam ao Natal, a Igreja Ortodoxa pratica o Jejum da Natividade, enquanto que a maioria das congregações cristãs (incluindo a Igreja Católica, a Comunhão Anglicana, muitas igrejas protestantes e os batistas) iniciam a observância da temporada litúrgica do Advento quatro domingos antes do Natal — os dois grupos entendem que o período é de limpeza espiritual e de renovação para a celebração do nascimento de Jesus.

Tradições cristãs com origem pagã

Árvore gigante instalada na Praça do Comércio, em Lisboa. Foto; Nuno Ferreira Santos

As tradições do Natal são a decoração de casas, edifícios, elementos estáticos, como postes, pontes e árvores, estabelecimentos comerciais, prédios públicos e cidades com elementos que representam o Natal, como, por exemplo, as luzes de natal e guirlandas. A árvore de Natal é considerado por alguns como uma “cristianização” da tradições e rituais pagãos em torno do Solstício de Inverno, que incluía o uso de ramos verdes, além de ser uma adaptação de adoração pagã das árvores.

Na Roma Antiga, penduravam máscaras de Baco em pinheiros para comemorar  a Saturnália. As esculturas e quadros que enfeitavam os templos para ensinar os fiéis, além das representações teatrais semilitúrgicas que aconteciam durante a Missa de Natal serviram de inspiração para que se criasse o presépio. A tradição católica diz que o presépio (do latim praesepio) surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo o mais realista possível e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.

Outra versão sobre a procedência da árvore de Natal, a maioria delas indicando a Alemanha como país de origem, uma das mais populares atribui a novidade ao monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546), olhando para o céu através de uns pinheiros que cercavam a trilha, viu-o intensamente estrelado parecendo-lhe um colar de diamantes encimando a copa das árvores. Tomado pela beleza daquilo, decidiu arrancar um galho para levar para casa. Lá chegando, entusiasmado, colocou o pequeno pinheiro num vaso com terra e, chamando a esposa e os filhos, decorou-o com pequenas velas acesas afincadas nas pontas dos ramos. Arrumou em seguida papéis coloridos para enfeitá-lo mais um tanto. Era o que ele vira lá fora. Afastando-se, todos ficaram pasmos ao verem aquela árvore iluminada a quem parecia terem dado vida. Nascia assim a árvore de Natal. Queria, assim, mostrar as crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo.

Parque Ibirapuera, em São Paulo, Brasil, em época de natal. / Reprodução

O sucesso dessa representação do Presépio foi tanta que rapidamente se estendeu por toda a Itália. Logo se introduziu nas casas nobres europeias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. Na Espanha, a tradição chegou pela mão do Rei Carlos III, que a importou de Nápoles no século XVIII. Sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos se estendeu ao longo do século XIX, e na França, não o fez até inícios do século XX. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.

No Brasil, é muito comum a prática entre amigos, funcionários de uma empresa, amigos e colegas de escola e na família, da brincadeira do amigo oculto (secreto). Acredita-se que a brincadeira venha dos povos nórdicos. Porém, é também uma brincadeira de costumes e tradições de povos pagãos. A brincadeira se popularizou no ano de 1929, em plena depressão onde não tinha dinheiro para comprar presentes para todos se fazia a brincadeira para que todos pudessem sair com presentes.

Uma série de figuras de origem cristã e mítica têm sido associadas ao Natal e às doações de presentes. Entre estas estão o Papai Noel (Pai Natal em Portugal), também conhecido como Santa Claus (na anglofonia), Père Noël e o Weihnachtsmann; São Nicolau ou Sinterklaas, Christkind; Kris Kringle; Joulupukki; Babbo Natale, São Basílio e Ded Moroz.

A figura mítica pode ser vista no festival do Yule nórdico. A origem do nome em inglês Santa Claus pode ser rastreada até o Sinterklaas holandês, que significa simplesmente São Nicolau. Nicolau foi bispo de Mira, na atual Turquia, durante o século IV.
São Nicolau tradicionalmente aparecia em trajes de bispo, acompanhado por ajudantes, indagando as crianças sobre o seu comportamento durante o ano passado antes de decidir se elas mereciam um presente ou não. Por volta do século XIII, São Nicolau era bem conhecido nos Países Baixos e a prática de dar presentes em seu nome se espalhou para outras partes da Europa central e do sul. Na Reforma Protestante nos séculos XVI e XVII na Europa, muitos protestantes mudaram o personagem portador de presente para o Menino Jesus ou Christkindl e a data de dar presentes passou de 6 de dezembro para a véspera de Natal.

No entanto, a imagem popular moderna do Papai Noel foi criada nos Estados Unidos e, em particular, em Nova York. A transformação foi realizada com o auxílio de colaboradores notáveis, incluindo Washington Irving e o cartunista germano-americano Thomas Nast (1840-1902).

Após a Guerra Revolucionária Americana, alguns dos habitantes da cidade de Nova Iorque procuraram símbolos do passado não-inglês da cidade. Nova York tinha sido originalmente estabelecida como a cidade colonial holandesa de Nova Amsterdã e a tradição holandesa do Sinterklaas foi reinventada como São Nicolau.

Homenagem a nossos ancestrais

De 21/22 de dezembro até 1/2 de janeiro temos novamente as doze noites sagradas. Nesta época, a Terra e os seres humanos estão com seus espíritos mais atentos. Durante as doze noites sagradas, poderemos ter uma prévia do decorrer do próximo ano, onde é percorrido o horóscopo de Peixes até Áries. Também é dito que os sonhos neste período possuem um significado especial. Sentimos que aqui o tempo tem uma espiritualidade especial e se nós registrarmos as idéias e pensamentos destes dias sagrados poderemos aproveitá-los enormemente no próximo ano.

As doze noites sagradas

Einmal im Jahr

Einmal im Jahr, in der heiligen Nacht,
Verlassen die toten Soldaten die Wacht,
Die sie für Deutschlands Zukunft stehn,
Und kommen nach Haus, nach Art und Ordnung zu sehn.

Schweigend treten sie ein in den festlichen Raum –
Den Tritt der genagelten Stiefel – man hört ihn kaum –
Sie stellen sich still zu Vater und Mutter und Kind;
Aber sie spüren, daß sie erwartete Gäste sind:
Es steht für sie ein Stuhl am gedeckten Tisch,
Es glüht für sie im Glase dunkel der Wein,
Und in die Weihnachtslieder, gläubig und frisch
Stimmen sie fröhlichen Herzens mit ein.

Hinter dem Bild mit dem Stahlhelm dort an der Wand
Steckt ein Tannenreisig mit silbernem Stern.
Es duftet nach Tannen und Apfel und Mandelkern
Und es ist alles wie sonst – und der Tod ist so fern –
Wenn dann die Kerzen am Lichterbaum zu Ende gebrannt,
Legt der tote Soldat die erdverkrustete Hand
Jedem der Kinder leise aufs junge Haupt:
„Wir starben für euch, weil wir an Deutschland geglaubt.“
Einmal im Jahr, nach der heiligen Nacht,
Beziehen die toten Soldaten wieder die ewige Wacht.

Thilo Scheller

Uma vez por ano

E nos conta o poeta que é na noite sagrada, uma vez por ano, que aqueles soldados que tombaram em batalhas, deixam a vigília que fazem pelo destino da pátria e voltam às suas casas para saber da espécie e ordem. Que participam silentes ao lado de pai, mãe e prole do ambiente festivo, no qual eram esperados, como demonstra a cadeira vazia junto à mesa servida e a taça de vinho cintilante. Que, quando na árvore as velas se apagam, o visitante deita a mão incrustada sobre as cabeças juvenis, como que dizendo: “Morremos por vocês, porque acreditamos na Alemanha.” Uma vez por ano, depois da noite sagrada, eles voltam para a sua vigília eterna.

Nota:

[1] O Chi Rho é um cristo grama muito usado antes mesmo do tempo do imperador Constantino e adquiriu grande popularidade depois que ele o adotou para o seu lábaro.

O símbolo é formado pela sobreposição das duas primeiras letras (iniciais) chi e rho (ΧΡ) da palavra grega “ΧΡΙΣΤΟΣ” = Cristo de tal modo a produzir o monograma.
O símbolo de Chi-Rho também foi usado por escribas pagãos gregos para marcar textos, na margem, como uma passagem particularmente valiosa ou relevante; as letras combinadas Chi e Rho neste caso chrēston, significando “bom”. Algumas moedas de Ptolemeu III Evérgeta (246–222 a.C.) eram marcadas com Chi-Rho.

Conta a história que enquanto Constantino estava a caminho de uma difícil batalha na Ponte Mílvia (cuja qual o aguardava um exército maior e mais forte sob a liderança de Magêncio) viu uma visão no céu do Chi Rho e ouviu uma voz proclamar: “Por este sinal conquistarás” (do latim: “In hoc signo vinces”). Constantino ordenou rapidamente que o Chi Rho fosse pintado em todos os escudos dos soldados e em seu lábaro (estandarte). O exército de Constantino ganhou a batalha.

Há outra versão que diz que ele teve um sonho na noite anterior a batalha, e que alguém em seu sonho disse-lhe para colocar o símbolo em seus escudos para enfrentar o inimigo.

Andre Marques
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