250ª Divisão Azul: Voluntários espanhóis e portugueses na Werhmacht

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A Divisão Azul [‘Blaue Division’, ‘División Española de Voluntarios’] designada como “250ª Einheit spanischer Freiwilliger” da Wehrmacht, foi uma unidade de voluntários espanhóis e portugueses que serviu a partir de 1941 e oficialmente até 1943 no Exército Alemão durante a Segunda Guerra Mundial, mais especificamente na frente oriental contra a União Soviética, num total de 46.000 voluntários integrantes.

Início e formação

Com o início da “Operação Barbarossa” em junho de 1941, Franco ofereceu a Berlim diversos voluntários do Exército Espanhol, veteranos da Guerra Civil Espanhola (ocorrida entre 1936 e 1939, quando as tropas de Francisco Franco, auxiliado pelo III Reich e o fascistas Reino da Itália derrotaram comunistas e republicanos na Espanha) e membros da Falange, que se apresentaram nos grandes centros urbanos, principalmente Barcelona, Valência e Sevilha.

Despedida de voluntários da Divisão Azul na estação del Norte em Madrid em 1941 – Martín Santos Yubero/ Archivo Regional de la Comunidad de Madrid

A procura foi tanta que as autoridades concluíram que se poderia formar uma divisão de infantaria completa, com um contingente inicial de 18.104 homens, dos quais 2.612 eram oficiais. Para liderar este efetivo Franco designou o Major-general Augustin Muñoz Grandes, um veterano de sucesso durante a Guerra Civil Espanhola.

No mês seguinte, partiu o primeiro grupo de voluntários para um intensivo treinamento de cinco semanas em Grafenwöhr na Baviera. Ali eles formaram a 250ª Divisão de Infantaria e trocaram seus antigos uniformes azuis (que deu origem ao nome Divisão Azul) pela farda cinza utilizada pela Werhmacht com a adição de um emblema na altura do braço direito com as cores da bandeira espanhola. A nova divisão também adotou o padrão formal de composição do exército germânico, subdividindo-se em três regimentos de infantaria (262º, 263º e 269º); cada um destes composto por três batalhões com quatro companhias cada. Ainda havia, para dar suporte, um regimento de artilharia (250º) composto por quatro batalhões de três baterias cada. Completava o contingente 1º batalhão de infantaria de reserva, 1º batalhão antitanque e unidades de reconhecimento, comunicação, transporte, médico, veterinário, policial e correio. Os aviadores voluntários formaram a Esquadrilha Azul, a qual, a bordo de aviões Bf 109 e Fw 190, foi creditada com 156 derrubadas de aviões soviéticos.

Em 20 de agosto, após fazer o juramento, a Divisão Azul foi enviada à frente oriental e estava pronta para o combate sendo incorporada ao Grupo de Exércitos Centro (Marechal von Bock) que tinha por objetivo principal a tomada de Moscou.

Foi transportada por trem a Suwalki, Polônia, de onde tiveram de continuar a pé. Depois de atravessar os territórios da Lituânia e Bielorrússia até a cidade de Smolensk. Durante a marcha uma contraordem do Alto Comando Alemão (OKW), em fins de setembro de 1941, fez com que a divisão fosse realocada ao Grupo de Exércitos Norte (Marechal von Leeb), integrada ao XVI Exército (General Busch), cujo objetivo era tomar Leningrado, cidade no noroeste da União Soviética fronteiriça à Finlândia.

Participação heroica na Grande Guerra

Na noite de 12 de outubro de 1941 a Divisão Azul teve seu batismo de fogo ao se defrontar com um batalhão soviético que tentava atravessar o rio Volkhov em meio a escuridão. A investida soviética foi detida deixando pra trás cerca de 50 mortos e 80 prisioneiros. Quatro dias depois, numa segunda tentativa, o Exército Vermelho foi, novamente, rechaçado.

A batalha pela posse do rio tornou-se violenta, mas os espanhóis souberam manter uma cabeça-de-ponte do outro lado da margem mesmo sofrendo pesadas baixas da artilharia inimiga. Até o final daquele mês algumas cidadezinhas foram capturadas pelo caminho muito embora os soviéticos, constantemente, realizassem contra-ataques. No começo de novembro a frente se estabilizou próximo à cidade de Nikitkino devido as baixíssimas temperaturas. O inimigo se reorganizou e, acostumado ao frio, fez com que as tropas da 250ª Divisão recuassem, tomando-lhes as pequenas cidades antes conquistadas. Novamente a batalha se focou pela tomada do rio Volkhov, agora completamente congelado.

Durante abril e maio de 1942 os primeiros reforços começaram a chegar para substituir as perdas humanas. As operações da Divisão Azul, nesse período, se limitaram a manter a linha conquistada além de pequenas incursões de limpeza e observação durante as quais foram capturados materiais do inimigo e alguns prisioneiros, inclusive o General Vlasov (comandante do 2º Exército de Choque), que mais tarde passaria a lutar ao lado dos alemães com o Exército Russo de Libertação.

Em agosto de 1942, os voluntários espanhóis foram transferidos da frente norte para o sudeste do cerco à Leningrado. Ali, em fevereiro de 1943, eles sofreram uma forte contra-ofensiva soviética (revigorada após a recente vitória na Batalha de Estalingrado), na cidade de Krasny Bor, próximo da rota Leningrado-Moscou.

Os espanhóis com 5.900 fizeram frente a 4 divisões soviéticas (44.000 homens) e 100 carros de combates. Mesmo sofrendo pesadas baixas, perdendo 4.000 homens e ainda tendo 300 aprisionados, os espanhóis detiveram os ataques soviéticos em sete ocasiões, os quais perderam entre 11.000 e 14.000 homens. O assalto foi contido e o cerco à Leningrado mantido por mais um ano. A estabilização da linha fez com que os generais alemães passassem a dar mais valor aos combatentes espanhóis. Para repor as grandes perdas na batalha, Franco enviou mais reforços com a adição de alistados compulsoriamente.

Fim da guerra e repatriação

De qualquer forma, o ano de 1943 estava sendo terrível para o Exército Alemão em toda frente leste. Após a derrota de Estalingrado e o fracasso da ofensiva em Kursk, a linha estava em franca retirada.

Na Espanha o General Francisco Franco vinha sofrendo pressões em seu governo, principalmente da Igreja Católica e de membros da Falange, para encerrar a participação dos espanhóis na guerra e a quase-aliança com a Alemanha. Houve o início das negociações e em outubro, Franco deu a ordem definitiva, substituindo o comandante por Emilio Esteban Infantes e iniciou os procedimentos para dissolução da divisão e a repatriação dos homens. Alguns voluntários (600) que se recusaram a retornar, foram alocados em legiões de estrangeiros (Legião Azul) e em várias unidades do Exército, até nas Waffen-SS.

Companhia Voluntária Espanhola – SS 101/102

Em alemão Spanische-Freiwilligen-Kompanie der SS 101, foi uma unidade militar do III Reich, e organizada e treinada no campo de treinamento da cidade de Klagenfurt, Áustria, em 1944, e formada por voluntários espanhóis fascistas. Estavam subordinados as Waffen-SS e foram recrutados por Edwin Haxel.

Parte do efetivo da Spanische-Freiwilligen-Kompanie der SS 102, eram oriundos da Divisão Azul, muitos deles veteranos falangistas da Guerra Civil Espanhola

Parte do efetivo da Spanische-Freiwilligen-Kompanie der SS 102, eram oriundos da Divisão Azul, muitos deles veteranos falangistas da Guerra Civil Espanhola

Parte do efetivo era formado principalmente por ex-combatentes da Divisão Azul e ex-membros da Falange Espanhola, muitos deles veteranos da recente Guerra Civil Espanhola. Mesmo com a dissolução do grupo muitos nacionalistas espanhóis, fortemente seguidores do fascismo pretendiam continuar a luta na Europa contra a ideologia que consideravam inimiga, o bolchevismo representado pela União Soviética (URSS).

A Spanische-Freiwilligen Kompanie der SS 101, estava dividida cinco pelotões com um efetivo de aproximadamente 200 espanhóis nacionalistas, e comandada pelo experiente oficial espanhol, o SS-Obersturmbanfuhrer Miguel Ezquerra, que havia participado da Operação Barbarossa, e lutado na Frente Oriental contra os soldados bolcheviques, principalmente em batalhas na região de Leningrado.

O SS-Obersturmbanfuhrer Miguel Ezquerra

Nos primeiros meses de 1945 lutaram na região da Pomerânia, Alemanha, contra as tropas dos Aliados, ao lado da 28ª SS-Freiwilligen-Panzergrenadier – Divisão Wallonien. São relocados para a defesa da cidade de Berlim no restante do conflito na Europa em auxílio ao SS-Freiwilligen-Panzergrenadier – Divisão Nordland e da 15º Waffen Grenadier Division der SS.

A Spanische-Freiwilligen-Kompanie der SS 101, ficaria conhecida como Sturmabteilung Ezquerra, durante campanha realizada na Batalha de Berlim. Com a derrocada do Terceiro Reich em maio de 1945, o oficial fascista logra escapar das autoridades Aliadas, quando se disfarça de trabalhador espanhol, e ruma para a capital da França, Paris, em seguida para a Espanha.

A maior parte do efetivo da unidade acabou por tombar em combate, outros foram presos por autoridades soviéticas e condenados a longas penas de prisão ou excussão sumaria. Poucos conseguiram escapar ou se entregar as tropas britânicas, ou demais Aliados.

Lorenzo Ocañas ao lado de Miguel Ezquerra, importantes líderes combatentes das Spanische-Freiwilligen-Kompanie der SS 101 e 102

Os espanhóis da Spanische-Freiwilligen-Kompanie der SS 102, estacionados e com a missão de defender Berlim, recebem ordem para formarem pequenas unidades Einsatzagruppen para eliminarem qualquer alvo considerado ameaça. Defenderam o Ministério da Propaganda e o Gabinete do Chanceler do cerco imposto pelos soviéticos com grande perda de combatentes devido a grande resistência frente ao ataque contínuo do inimigo.

Um dos destacados soldados da Spanische-Freiwilligen-Kompanie der SS 102, foi Lorenzo Ocañas, ferido em combate quando ainda lutava pela Divisão Azul, se alista na unidade em 1944, e participa da defesa da capital do III Reich.

A maior parte do efetivo da unidade também acabou por tombar morto, com um pequeno número de soldados que conseguem alcançar as tropas dos Estados Unidos, ou Reino Unido, e se entregar, pois os soviéticos impunham serias penas aos condenados por crimes de guerra ou traição.

Portugueses na Divisão Azul

Muito escreveu-se, ou tentou-se, sobre o tema da Divisão Azul em mais de 300 livros publicados no mundo todo, centenas de artigos à memória de ex-divisionários, portanto através destes depoimentos todos, em nenhum é mencionada a participação de portugueses voluntários na Divisão Azul.

Portugueses voluntários na Wallonien waffen-SS (SS-Sturmbrigade Wallonien)

Pelas contribuições encontradas, eram antigos combatentes, voluntários, da Espanha nacional que participaram na cruzada de 1936-1939, eram combatentes ativos anti-bolcheviques que não quiseram perder a retribuição da visita feita a Espanha pela Rússia Soviética, querendo assim acompanhar os seus camaradas espanhóis na luta contra um inimigo comum.

Em ambos os casos provinham da Legião estrangeira Espanhola, a contribuição que nos deu a conhecer estes factos, sob o ponto de vista, ainda fresco, deve-se a declarações proferidas numa entrevista, executadas no mesmo ano, 1942, a João Rodrigues Júnior, um voluntário Português. Esta entrevista foi executado pela revista Portuguesa AESFERA, a 23 de Agosto de 1942 (esta revista, apesar de Portugal ser um país de influencia anglófila, a citada publicação tinha um carácter totalmente pró Nacional-Socialista, editada periodicamente, com reportagens muito boas, sobre a Guerra mundial e com secções, muito culturais, sobre os diferentes países do Eixo, entre eles a Espanha.

Foto de cortejo fúnebre militar, onde um caixão com o Estandarte português ladeado por soldados alemães

O seu ultimo número, dava os pesamos, ao povo alemão pela morte do Führer, Adolf Hitler, e encerrou a 8 de Maio de 1945, após o comitê Aliado proceder ao apreendimento de bens de pessoas e empresas ligadas ao Eixo), na entrevista citada, que se transcreve a seguir, cita a existência de outros voluntários Portugueses que caíram nas garras Russas.

Rodrigue Júnior a Frente de Leningrado

Um legionário Português do Terceiro Reich que esteve na Divisão Azul: Este rapaz (foto ao lado), moreno e frágil, de 26 anos, que temos aqui connosco, tem muito que nos dizer. Chama-se João Rodrigues Júnior e nasceu em Mafra. É pintor da construção civil, depois de ter cumprido o serviço militar, partiu para Espanha, onde havia começado a guerra Civil, e se ofereceu, para a Legião Estrangeira, no ano de 1936.

Depois de se ter alistado, partiu para Melillla, para receber instrução de Legionário e foi incorporado, combateu na terrível luta de Teruel, com temperaturas muito abaixo de zero, e também na batalha do Ebro e Catalunha. Foi ferido várias vezes e uma delas deixou-o cego durante algum tempo.

O seu contrato com a Legião foi por cinco anos e estava a terminar. Podia renova-lo ou sair, mas… Foi então que começou a guerra contra Rússia. E eu, devido aos anos de guerra na Espanha, sabia o que eram os bolcheviques e os seus ideais sobre a pátria, e decidi continuar a minha vida de legionário, lutando contra eles. Quando em Espanha abriram as inscrições para a campanha na Rússia, ofereci-me.

Em entrevista ele conta:

Na Divisão Azul havia mais legionários Portugueses?

Sim, uns quinze. Julgo que fui o único que sobreviveu.

Na divisão houve muitas baixas?

Umas sei mil, mas a verdade é que a maioria foi devido ao frio. Imagine o que é lutar com 35,5 graus abaixo de zero!

João Rodrigues, explique-nos a sua vida em Berlim. Vê-se que pertenceu à divisão Espanhola, que na cruzada contra a Rússia comunista tinha o número 250, e também teve, ferido, num hospital de campanha, Alemão.

Quando a Divisão Azul atravessava a França, o comboio foi atacado por muitos aviões ingleses que não nos acertaram. E quando passamos na parte Francesa não ocupada, um grande grupo, incluindo algumas mulheres, insultou-nos e tentou roubar o comboio. Depois de chegarmos à Alemanha, fomos para a frente de Leninegrado, onde estivemos quase um ano sob o comando de um grande militar: o Major Ramirez de Cartagena. Combatíamos sem parar e com alguma violência. Mas o nosso pior inimigo era o frio – tanto era que algumas vezes tínhamos que lutar só com uma camisa, debaixo de temperaturas inimagináveis, os casacos que nos haviam dado pareciam pedras.

O que pensa da organização da campanha na Rússia, no que toca a cuidados com os combatentes?

Sobre isso, como em tudo o resto, eu que estive na guerra de Espanha posso dizer que era fantástica. Os alemães organizavam tudo de forma admirável, comida, munições, transportes, assistência a feridos, etc.

E os Russos?

Os seus ataques eram constantes e muito violentos. Mas “aquilo” é totalmente diferente do que se passa no nosso lado. Atacam sempre muitos, muitas vezes com mulheres, velhos e crianças muito pequenas, e também morreram muitos, porque não utilizavam a nossa táctica de caminhar com alguma distância uns dos outros, em grupos pequenos. Aqueles que nós vimos, não eram bons militares, pois não tinham preparação nem organização militar. Posso dizer que independentemente de muitos que passaram para o nosso lado, muitas divisões Russas foram feitas prisioneiras por grupos nossos muito mais pequenos, como aconteceu no sector do rio Volchov, onde a desproporção entre vencedores e vencidos foi impressionante.

Imagem de Rodrigue Júnior na revista em entrevista. Uma foto de si na época e outra na atualidade da entrevista.

E que ideia lhe deixaram os russos?

Horrível. Roupas más, fome, sujos. As mulheres, na sua maioria eram miseráveis. Sem qualquer charme, sem sapatos, muitas usavam “serapilheira” atada aos pés!…

Bom exemplo dos resultados de um estado comunista!

É verdade. O que era bom seria que fossem lá comprová-lo, os que querem saber o que é o comunismo.

Este português também teria de abandonar o combate quando uma úlcera obrigou à sua evacuação para Espanha. Tratado e recuperado voltou a alistar-se na Divisão Azul. Fez novo treino na Alemanha, mas não voltaria à frente russa. Adoece de novo e é considerado”inútil para o combate”. Em Agosto de 1943 está de volta a Espanha.

Ainda segundo o investigador Ricardo Silva, da Universidade Nova de Lisboa, Rodrigues Júnior faleceu em Janeiro de 1956.

Em Junho de 1992 a revista do jornal “O Independente” trazia uma reportagem/entrevista com Jaime Graça, então com 79 anos, que também vestira as fardas do “ Tércio” e da Divisão.

Segundo relatava teria sido recrutado no Rossio, quando foi abordado para “ir trabalhar para Espanha”. Só tarde demais terá percebido que estava a engrossar as fileiras do Generalíssimo Franco. No país vizinho passou pelos campos de batalha de Toledo, Madrid e Ebro entre outros.

Foi ferido por duas vezes. Terminada a guerra civil, foi enviado para o Norte de África onde não ficaria muito tempo. Segundo conta depois de ter sido “enganado” no Rossio, foi obrigado a integrar a Divisão Azul que Franco mandou constituir em 1941. Um sargento tê-lo-à designado como “voluntário”.

Queixa-se da comida, do frio e da guerra ao longo do tempo em que percorreu a Estônia, a Letônia, a Lituânia e a Ucrânia. Terminou a sua viagem às portas de Leninegrado onde volta a ser ferido, agora numa perna. Mais tarde adoeceu com um problema nos olhos que vai dar-lhe um bilhete para casa.

Graça também realça a organização germânica em todas as áreas enquanto os soldados russos que viu eram uns “coitaditos”. Já as mulheres de todos os países por onde passou merecem-lhe os maiores elogios…

Os 40 graus abaixo de zero fizeram os seus estragos e o problema dos olhos agravou-se, levando a que fosse dispensado.

Em Espanha e levanta alguns milhares de pesetas -cerca de 200 mil, assegura – que tinham sido depositados na sua conta como soldo.

Estoura ainda em Espanha a sua pequena fortuna “na batota, nas mulheres, no vinho”. Regressa a Portugal quase como partiu, pregando um susto dos grandes à mãe:

“Eu tinha perdido, há algumas semanas, a chapa que os militares utilizam no pulso […], e alguém a enviou para a Embaixada espanhola, aqui na rua do Salitre. A minha mãe foi lá saber de mim e disseram-lhe que eu já tinha morrido. Mostraram-lhe a chapa e tudo. Depois quando eu apareci à frente dela, coitada, deu-lhe um chilique. Caiu no chã. Andava de luto e tudo”.

Nos últimos anos da sua vida lutava pela obtenção de um pensão junto dos governos de Espanha e da Alemanha, aparentemente sem grande sucesso.

A revista “VISÃO HISTÓRIA”, no seu nº 21, conta a odisseia de 33 Portugueses que, durante a 2ªGM foram combater integrados na Divisão Azul, na cruzada contra o bolchevismo Ricardo Silva relembra estes portugueses caídos no anonimato, até pelo regime do Estado Novo.

Na edição (n.º 21, Setembro de 2013), a Visão História identifica 159 voluntários portugueses que combateram, comprovadamente, pela Alemanha Nacional-Socialista na frente russa, naquela que foi a maior operação militar de todos os tempos: a invasão da União Soviética pelas forças da Alemanha nazi, lançada no verão de 1941.

Nascidos entre o Minho e o Algarve, estes homens foram permeáveis ao ambiente político de uma época favorável aos regimes nacionalistas europeus, como o salazarismo português da época, mas também se alistaram aventureiros e mercenários para tomar parte na cruzada anti-bolchevique do Ocidente.

É dessa participação ativa de portugueses num dos principais teatros de operações da Segunda Guerra Mundial, que em Fevereiro foi capa na edição de linha da Visão e que tem sido praticamente ignorada pela historiografia portuguesa, que aqui damos conta. Identificam-se os homens pelos seus nomes e dão-se rostos concretos a inúmeras histórias, numa reconstituição que só foi possível graças ao laborioso trabalho — quatro anos de investigação em dezenas de arquivos internacionais — levado a cabo por Ricardo Silva, mestre em História Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa e autor da tese Portugueses na Wehrmacht. Os voluntários da Divisão Azul (1941-1944).

Baixas e Condecorações da Divisão Azul

O número de perdas da Divisão Azul na guerra é de aproximadamente 5 mil mortos e 8.800 feridos ou desaparecidos, sem contar as baixas por doenças ou pela intensidade do frio. Dos que se recusaram a retornar à Espanha e permaneceram lutando, após outubro de 1943, 372 foram aprisionados pelos soviéticos dos quais 286 permaneceram em cativeiro até 1954, quando voltaram para a Espanha no navio Semíramis, fretada pela Cruz Vermelha (em 2 de abril de 1954).

No total, cerca de 47.000 soldados serviram na Divisão Azul na Rússia. Entre 4.500 e 5.000 deles foram mortos, e mais de 8.000 ficaram feridos. 321 foram feitos prisioneiros de guerra pelo exército soviético. Somente alguns poucos conseguiram sobreviver aos longos anos de privações e trabalhos forçados durante o cativeiro. Enquanto a maior parte dos soldados alemães, italianos, romenos e de outras nacionalidades foram postos em liberdade após cinco anos nos campos de internação; os prisioneiros espanhóis da Divisão Azul tiveram de esperar até 12 anos. Os poucos que sobreviveram ao tratamento sub-humano que lhes era dispensado, foram repatriados em 1954, chegando ao porto de Barcelona em 2 de abril de 1954 no agora célebre barco Semíramis. Ao total das honrarias concedidas aos soldados e aos oficiais da Divisão Azul foram:

2 Cruzes de Cavaleiro (uma com Folhas de Carvalho)

2 Cruzes de ouro

138 Cruzes de Ferro de Primeira Classe

2.359 Cruzes de Ferro de Segunda Classe

O Exército Alemão soube recompensar o grande esforço feito pela Divisão Azul, pois muitos dos voluntários foram condecorados com medalhas alemães por bravura em combate diante do inimigo. Instituiu, inclusive, em janeiro de 1944, uma medalha para homenagear todos estes combatentes – a Medalha da Divisão Azul.

Fontes de pesquisa:

METAPEDIA. Divisão Azul. Metapedia, a Enciclopédia Alternativa. Segunda Guerra Mundial, 24 jan. 2018. Disponível em: https://pt.metapedia.org/wiki/Divis%C3%A3o_Azul. Acesso em 22 out. 2018.

O ARQUIVO. A Divisão Azul, os espanhóis e portugueses do Exército Alemão. O Arquivo, Temas polêmicos, História e Cultura. Disponível em: http://www.oarquivo.com.br/temas-polemicos/historia/4163-a-divis%C3%A3o-azul,-os-espanh%C3%B3is-e-portugueses-do-ex%C3%A9rcito-alem%C3%A3o.html. Acesso em 22 out. 2018.

Machinist. Divisão Azul – Portugueses que combateram ao lado de Hitler. Letras Despidas, 11 jan. 2014. Disponível em: http://letrasdespidas.blogspot.com/2014/01/divisao-azul-portugueses-que-combateram.html. Acesso em 22 out. 2018.

DISSIDENTE.INFO. Visão História: Portugueses que combateram na Frente Leste. Dissidente.info: Arma de desintoxicação cultural, 14 set. 2013. Disponível em: http://dissidentes.blogspot.com/2013/09/visao-historia-portugueses-que.html. Acesso em 22 out. 2018.

Andre Marques
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