Padre Coughlin sobre o poder do dinheiro

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Uma carta de 1934 do reverendo Charles E. Coughlin sobre o dinheiro, crédito, e o poder corruptivo dos Bancos

O transcrito a seguir é uma carta primeiramente entregue pelo Reverendo Charles E. Coughlin no dia 30 de Dezembro de 1934 intitulada “Dinheiro não é um mistério”, Coughlin em diversas formas foi uma figura pioneira na história estadunidense – um dos primeiros e verdadeiros homens de massa, ele liderou as bases para o rádio moderno e demonstrou enorme poder na mídia de transmissão para se comunicar com as massas. O programa de rádio do Padre Coughlin, operado na sua paróquia em Michigan, chegou a ser ouvido por cerca de 22% da população americana – possivelmente a maior audiência que qualquer pessoa individual já teve em toda a história. O Padre Coughlin também liderou um movimento político fundado em 1934, denominado União Nacional para a Justiça Social, Coughlin propagou um conjunto de ideias populistas e massivamente populares que consistia numa mistura de isolacionismo, nacionalismo estadunidense, anticapitalismo, anticomunismo e valores cristãos. Muito do apelo de Coughlin veio de suas frequentes críticas do perverso sistema capitalista americano, essas críticas se provando especialmente populares durante o período da Grande Depressão e as políticas polêmicas propostas pelo presidente americano Franklin Roosevelt. Coughlin viu no modelo capitalista americano e particularmente na sua estrutura bancária e tratamento do dinheiro, muitas causas dos males da sociedade moderna. A palestra a seguir é um exemplo típico da denúncia de Coughlin sobre o destrutivo sistema financeiro dos Estados Unidos.

 

Desde o ano de 1929, os Estados Unidos está em estado de transição. Lentamente, mas certamente com todas as outras nações civilizadas, temos passado da era do capitalismo moderno para uma nova era do comunismo, do fascismo, do socialismo ou do hitlerismo. Nós nos Estados Unidos, temos uma escolha, a saber, seguir o curso de uma delas ou então construir um novo sistema baseado na justiça social. Ainda sim, aqueles que mais prosperam e produziram menos sob o antigo sistema estão lutando ferozmente para manter seus privilégios e suas funções de legislação.

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Certamente, durante esse ano que se aproxima e nos anos seguintes, nós testemunharemos a dissolução total do capitalismo moderno. É aconselhável que eu uso do adjetivo “moderno”, pois o capitalismo, como o conhecemos nos últimos 20 ou 30 anos, diferia quase substancialmente do capitalismo que foi originalmente concebido. Hoje é mais conhecido por seus vícios do que por suas virtudes.

Aqueles que lutam tão incessantemente para preservar seu cadáver reprodutor da pobreza se recusam a enfrentar o problema urgente de igualar a produção à distribuição. São aqueles que, nos próximos anos, continuarão a se opor à restauração do Congresso de seu direito de cunhar e regular o valor do dinheiro. Eles ainda acreditam que toda riqueza deve ser identificada como o ouro: esse é o pensamento básico por trás do padrão ouro. Eles ainda acreditam que as dívidas do fazendeiro, do comerciante, do município, do Estado, que foram contraídas por meio da operação de uma inflação de crédito insana, de dinheiro manufaturado da contabilidade, devem ser pagas a eles em moeda que não existe.

SAIBA MAIS

Eles ainda trabalham sob a desilusão de que o operário é tão ignorante que ele está disposto a morrer de fome, ou, ao menos, retroceder para um padrão de vida inferior, apesar da plenitude da riqueza do capital que o cerca – fábricas, campos, minas, florestas – tudo isso é inútil, pois o banqueiro controla a cunhagem de dinheiro e a emite na mesma base que fazia antes de passarmos por uma reavaliação psicológica irreal de nosso ouro.

Eles ainda acreditam que o povo americano vai ficar acostumado às ficar em filas de pão, à ociosidade forçada por via do desemprego e ao corte de salários.

Mas mais importante, eles lutarão de forma justa e injusta, escrupulosa e inescrupulosamente, para ter seu esquema de emprestar dinheiro manufaturado ao governo, dinheiro pelo qual o governo e nós, contribuintes, imprimiremos bilhões de dólares em títulos de papel ouro que eventualmente devem ser resgatados com boa moeda. Mas a esse pensamento de crédito – de títulos, de dívida – voltarei.

Que nos recusaremos a sofrer esse domínio financeiro por mais tempo, é certo. Essa forma de capitalismo, que agora é um cadáver, exige pelo menos, um enterro honroso.

É desnecessário perguntar que sistema de economia política substituirá o capitalismo. Nós, nos Estados Unidos, somos muito religiosos, muito dedicado às nossas mães, nossas esposas e nossos filhos para aceitar a filosofia do comunismo. Existe um Deus. Existe um paraíso. Existe uma consciência e existe um código imutável dos Dez Mandamentos. Da mesma forma, existe um Cristo. Existe sua Divina Fraternidade. Há seu evangelho de amor no coração de seus filhos. Essas coisas são verdadeiramente preciosas para serem trocadas por qualquer céu feito pelo homem com seu pão preto e igualdade na escravidão.

Percebendo a distinção, por um lado, entre o socialismo internacional, que nivela todos os homens num padrão baixo em vez de nivelar esses homens num padrão alto, e, por outro lado, o socialismo americano, que é uma plataforma política infelizmente nomeada, não posso imaginar o povo americano adotando a filosofia da primeira ou as propostas da segunda.

O socialismo internacional é anti-religioso e anti-moral. Não apenas restringe a liberdade. Ele o abole. Ele também, como o comunismo, se preocupa apenas com os bens desse mundo.

Mas o socialismo americano, como professado pelo inteligente Norman Thomas ou por uma pessoa honesta como Eugene Debs, embora preferível ao capitalismo que conhecemos, vai muito longe, ao meu ver, em seu programa de nacionalização da indústria. [Nota: Norman Thomas e Eugene Debs eram ambos membros importantes do Partido Socialista Americano – Bogumil]

Nem o conceito de ditador fascista ou nacional-socialista atrai o cidadão americano amante da liberdade com seu amor tradicional pela democracia e pelas instituições republicanas que proíbem o nacional-socialismo e o fascismo.

Antes de prosseguir nesta discussão, estou disposto a me comprometer com a afirmação de que o capitalismo moderno deve ir tão bem quanto a democracia moderna. Mas me apresso em acrescentar que enquanto o capitalismo defende vigorosamente o direito à propriedade privada, a principal crítica contra ele era que os operadores do capitalismo haviam concentrado tanto a propriedade privada que pouco restava ao povo.

Em outras palavras havia muito nas mãos de poucos, e pouco nas mãos de muitos.

Quanto à democracia moderna, ela degenerou em um sistema em que, pelo menos nesse país, dois partidos políticos, sob a liderança dos banqueiros e dos industrialistas controlados pelos banqueiros, manipulavam convenções e eleições e as controlavam de forma direta ou indireta, a majestade do Estado que havia muito pouca democracia e muita plutocracia.

Contra todos esses sistemas – o indescritível comunismo, socialismo filosófico, fascismo ditatorial, capitalismo decadente, democracia controlada e a plutocracia moderna – existe um sistema econômico conhecido como justiça social. Sem buscar concessões, não seduzindo nenhum homem com promessas vazias, ele escreve uma plataforma para o hoje, com princípios de verdade, de justiça, de humanidade como os judeus da antiguidade os tinham em seus códigos, como Cristo os ensinou no Monte. Justiça para o trabalhador, justiça para o fazendeiro, justiça para o proprietário, justiça para todos!

É um sistema projetado para estender e ampliar a liberdade, em vez de mutilá-la e restringi-la.

Tem como objetivo libertar o homem da subjugação da pobreza desnecessária e da exploração de seus concidadãos que estão com falta de consciência.

É um sistema que se apoia na crença de que a felicidade terrena do homem se identifica com a casa que ele possui, onde, em paz e tranquilidade, ele e seus entes queridos podem conhecer, amar e servir ao seu Deus.

Ela considera o homem e sua família, não como bens móveis do Estado, mas considera como servo de seus cidadãos.

Por fim, a filosofia da justiça social nos ensina que a terra é do Senhor, a ser repartida para o nosso sustento, de acordo com os nossos méritos, de tal forma que quem conquista qualquer propriedade não possa usar dessa propriedade contrária ao bem comum.

Esse programa de justiça social não milita contra a Constituição dos Estados Unidos de forma alguma. No entanto, ela se opõe à interpretação errônea dada a essa Constituição pelos banqueiros internacionais que escrevem as leis unicamente para seus próprios fins egoístas.

II

Hoje irei falar de um dos fundamentos da justiça social, a nacionalização de nosso dinheiro.

SAIBA MAIS

A menção da palavra dinheiro sugere algo misterioso. Mas nós, que dominamos os segredos ocultos do vapor e da eletricidade; nos, que conduzimos nossos submarinos sob as ondas e enviamos nossos argosies (grandes navios mercadores) de carga acima das nuvens; nós, para quem a natureza revelou os segredos da física e da química e das ciências aplicadas e das artes, certamente somos inteligentes o suficiente para dominar o simples problema da distribuição. Em outras palavras, somos inteligentes o suficiente para desenvolver um sistema financeiro que irá abolir a frase mais trágica que foi cunhada pelos lábios do homem – “Carência no meio da abundância”.

Considere a origem e o propósito do dinheiro.

Em termos gerais, o dinheiro é simples. Será necessário apenas uma pequena pesquisa nas páginas da história para descobrir sua origem.

O dinheiro é uma ferramenta que o homem inventou depois que passou a era da troca – depois da era de trocar um porco por uma ovelha ou um par de mocassins por um arco e flecha. Por fim, tornou-se necessário descobrir um método de avaliação de ovelhas, porcos, fazendas e trigo quando mercadorias de valor desigual eram trocadas entre os fazendeiros – quando uma vaca era trocada por uma dúzia de ovos. O dono da vaca deveria receber outra coisa além dos ovos. Em outras palavras, era necessário que um homem expressasse sua dívida para com o próximo. Ele fez isso por meio de dinheiro.

Em termos gerais, quando um cidadão troca com outro coisas de igual valor, não há dívida, não há necessidade de dinheiro. Mas quando coisas de valor desigual são trocadas, é necessário dinheiro para mostrar a diferença na barganha.

No início da história, o dinheiro era primitivo. Anéis de ferro, gado, wampum (contas feitas de conchas de moluscos marinhos tradicionalmente consideradas sagradas pelas tribos ameríndias da região nordeste do continente norte-americano) e até mesmo a própria terra passaram a ser usados como uma medida para calcular a dívida que um homem tinha com seu semelhante. Hoje, quando a sociedade se tornou mais complexa e quando a máquina produz os bens do mundo, o dinheiro é mais necessário do que nunca para distribuir os bens da fábrica para as famílias em casa. O dinheiro é apenas o meio do comércio. Em torno dele gravita todo o nosso problema de distribuição. Sem o dinheiro, a indústria, o trabalho, a agricultura, tudo para.

III

Iremos fazer uma pausa pequena para considerar a história do uso do dinheiro na Inglaterra.

(a) No ano 1100, quando Henrique I era o rei, até o ano de 1694, quando o Banco da Inglaterra foi organizado, a Inglaterra tinha um sistema financeiro peculiar, que era conhecido como “talhas”. Essas “talhas” eram simplesmente pedaços de madeira com cerca de 1,2 metros de comprimento e 2,5 cm de largura. Esse pedaço de madeira foi entalhado com um canivete para expressar libras, xelins e centavos. O valor exato foi impresso com tinta nas laterais do bastão e depois dividido no sentido do comprimento. Foi o governo que fez a divisão. Metade da vara foi dada ao cidadão em troca de serviço governamental. A outra metade permaneceu no tesouro real.

Cabia aos xerifes do condado na Inglaterra coletar para os impostos essas varas que os cidadãos possuíam. Cabia ao governo igualar a meia-vara coletada com a parte que já estava no tesouro real. Quando eles eram registrados ou combinados, os gravetos eram destruídos.

Em 1694, quando o Banco da Inglaterra foi fundado, $ 70 milhões dessas varas foram reunidas e em seu lugar o novo banco emitiu papel-moeda de uma quantia semelhante. No entanto, os velhos contadores de madeira tinham curso legal na Inglaterra até 1783. O acúmulo dos séculos não foi finalmente destruído até que os gravetos foram queimados na Casa do Parlamento em 1830. A Inglaterra não estava no padrão ouro. Ela estava no padrão “de madeira” e prosperou!

(b) Antes do estabelecimento do Banco da Inglaterra em 1694, haviam bancos na Europa, onde as pessoas podiam depositar o seu ouro ou sua prata. Moedas de todas as nações eram trazidas pelos marinheiros e mercadores para os cofres dos bancos. Era tarefa dos banqueiros atribuir um valor adequado para essas moedas, em seguida, creditar ao dono das moedas sua quantidade adequada de riqueza.

Claro que era perigoso carregar ouro e prata consigo. Era melhor o manter num banco de depósito forte. Quando a ocasião exigia que um comerciante transferisse o ouro para outro, cabia ao banqueiro, a pedido das duas partes interessadas, fazer a transferência sem que o ouro jamais saísse de seu banco.

Tenha em mente que os bancos não concediam empréstimos originalmente. Eles não criavam crédito. Eles simplesmente transferiam o crédito.

(c) Mas com a fundação do Banco da Inglaterra, começamos a descobrir que essa banco realmente cria crédito em vez de apenas transferi-lo.

Acredito que no ano passado eu disse a esta audiência que o Banco da Inglaterra recebeu sua autorização para operar e criar crédito, ou em outras palavras, cunhar dinheiro, quando os mercadores de Londres se aproximaram do Parlamento e disseram aos seus membros que, se eles quisessem, mercadores para os ajudar a acabar com uma revolução, o Parlamento teria que conceder esses mercadores o direito de cunhar dinheiro. (Quão semelhante à ação dos banqueiros privados nos dias de Alexander Hamilton e mais tarde no tempo de Lincoln!)

Assim, o Banco da Inglaterra começou a emprestar aquilo que não tinha. Para cada dólar, por assim dizer, de ouro que o banco tinha, ele arriscava emprestar 10 dólares de crédito. Pelo menos 9 dólares não existiam. E mais do que isso, para cada dólar em dinheiro do empréstimo concedido para um comerciante, o Banco da Inglaterra teve a audácia de marcar em seus livros que se tratava de um dólar. Aqui está o mistério que cerca o dinheiro. Como um empréstimo pode se tornar um depósito? Como pode algo que você não possui ser algo que você possui? Como 2 menos 2 pode ser igual a 4?

SAIBA MAIS

Nunca deixe ninguém lhe dizer que essas notas de crédito, ou notas de banco, fabricadas pelo Banco da Inglaterra, eram lastreadas totalmente em ouro. Isso eu expliquei. As notas de banco raramente, ou nunca foram garantidas por 40% de ouro. O dinheiro do crédito raramente, ou nunca, foi garantido por mais de 10% por cento de retenção. Entre os anos de 1797 e 1822, o papel moeda do Banco da Inglaterra nada mais era do que papel-moeda e não podia ser resgatado por ouro ou prata ou qualquer outra coisa. Aqueles foram os dias em que não havia ouro garantido; Mesmo assim, os negócios e o governo continuaram. Esse é um bom ponto para lembrar quando os banqueiros com suas vozes de tenor gritam alto por dinheiro sólido.

(Quão diferentes somos nesse país com 9 bilhões de dólares em ouro e prata descansando pacificamente em todos os nosso cofres do Tesouro e apenas 5 bilhões de dólares em papel-moeda existindo contra ele!)

Também é bom repetir que o Banco da Inglaterra, mesmo em seus dias prósperos, quando seus cofres estavam carregados de ouro, sempre considerou seguro emitir duas vezes e meia mais papel-moeda do que ouro em seus cofres. Este fato histórico não está sujeito a contradições. Devo retornar a este pensamento.

(d) Vamos continuar nosso esboço do dinheiro e sua história. No ano de 1780, os banqueiros privados de Londres não tinha o privilégio de emitir notas bancárias ou papel-moeda. O Banco da Inglaterra ainda mantinha esse monopólio. Agora, esses banqueiros privados descobriram um esquema pelo qual poderiam competir com o Banco da Inglaterra. Que era o seguinte: Em vez de simplesmente aceitar ouro e prata para depósito de comerciantes e transferir esse ouro nos livros dos bancos à vontade do comerciante, eles deram a cada depositante um talão de cheques e permitiram que o depositante transferisse seu próprio dinheiro por escrito um cheque em seu depósito. Aqui está a origem do talão de cheques!

Esse talão de cheques forneceu uma nova moeda. Os governadores do Banco da Inglaterra protestaram perante o Parlamento que isso estava indo contra o seu monopólio. Mas a resposta do Parlamento foi: “O dia de monopólio acabou.”

(e) O sistema dos banqueiros de Londres na criação desse dinheiro em talão de cheques, juntamente com o Banco da Inglaterra na emissão de notas bancárias, como suas notas de cinco e dez dólares, e também empréstimos, foram adotados na América, quando em 1800, os Estados Unidos fretaram um grande número de bancos que eram bancos de depósito, como os bancos privados da Inglaterra, e bancos de desconto, como o próprio Banco da Inglaterra. Não preciso repetir que o Banco da Inglaterra era uma empresa privada com seu estatuto quase forçado ao governo sob a mira de uma arma.

Assim, surgiu nesse país uma nova ideia de banco. Era um lugar para depositar sua moeda e seu ouro, onde você podia verificar e transferir usando um talão de cheques. Também era um lugar para pedir dinheiro emprestado e ter seu empréstimo marcado nos livros do banqueiro como um depósito.

IV

O esboço histórico acima é bastante seco e desinteressante, mas é necessário que o povo deste país saiba.

Vamos agora transferir nossa atenção do passado para o presente para ver se os banqueiros são fiéis até mesmo às suas próprias tradições.

Quando você lê a declaração emitida pelo Sr. J.F.T. O’Connor, o controlador de nossa moeda, você então descobrirá que não há mais do que 5 bilhões de dólares em dinheiro real em toda a nação.

SAIBA MAIS

(a) Em seguida, leia a confissão impressa e divulgada pelos banqueiros. Os banqueiros dizem que em 1929 tínhamos 58 bilhões de dólares em depósito e cerca de 30 bilhões de dólares em 1934!

A verdade é que os bancos não têm mais do que 1 bilhão em moeda em depósito. Os empréstimos que concedem a industriais e comerciantes e outros cidadãos compõem a diferença entre o 1 bilhão que eles realmente possuem e os 30 bilhões de dólares que eles fingem que possuem. Os banqueiros são profissionais na contagem dos ovos antes de serem chocados.

Se for assim, o que os banqueiros realmente emprestam se não for dinheiro em moeda? A verdade é que eles emprestam crédito – dinheiro falso. Eles dão ao cidadão que solicita um empréstimo o direito de rescindir quando esse cidadão lhes entrega uma nota promissória, ou uma hipoteca de sua casa ou uma hipoteca de bens móveis, como máquinas agrícolas. Quando recebem esse papel do cidadão, creditam o empréstimo que lhes concederam como um depósito real. O cidadão não recebe mil dólares em mão. Ele simplesmente recebe um talão de cheques com direito a desembolsar mil dólares.

(b) Com esse pensamento claramente estabelecido, qual é então o nosso dinheiro moderno? E onde ele está?

Quanto à moeda – os 5 bilhões de dólares de dinheiro real – aproximadamente 1 bilhão de dólares está nos bancos. Esse dinheiro os banqueiros guardam, então esse dinheiro é dividido entre 20 mil bancos em todo país.

Outro bilhão de dólares está nas caixas registradoras e lojistas. Certamente os banqueiros não podem emprestar esse bilhão.

Quanto aos outros 3 bilhões de dólares, está no bolso das pessoas. E é utilizado em hotéis, restaurantes, terminais ferroviários e rodoviários e para mil e uma pequenas transações. Também está nas casas das pessoas que o usam para pagar o açougueiro e o padeiro. Grande parte está em latas e em bules de chá, em baixo dos colchões e em outros lugares secretos. Isso descreve resumidamente onde está o dinheiro em moeda real.

O que é o dinheiro? Quanto são 30 bilhões de dólares que os banqueiros afirmam ter em depósito? Certamente não é moeda. É dinheiro dos banqueiros – dinheiro manufaturado pelos banqueiros; uma ficção puta, uma invenção da imaginação do povo, um mistério impenetrável que você não consegue entender pois não é entendível. É realmente o que os depositantes devem aos banqueiros. É o valor representado pelo direito de retirada do povo. Se as pessoas algum dia decidissem usar de deus talões de cheques em uma determinada data e numa determinada hora, os bancos iriam quebrar totalmente.

No entanto, meus amigos, 95% das transações dessa nação são realizadas com o uso do dinheiro dos banqueiros, ou dólares de crédito, ou talão de cheques. É o dinheiro da imprensa dos banqueiros que o povo americano está disposto a aceitar!

V

(a) Agora vamos examinar por um momento como o crédito opera no funcionamento dos negócios. Todos os banqueiros do mundo sabem como a extensão de míseros mil dólares de crédito ajuda a manter a roda dos negócios girando. Ele mesmo dirá que os mil dólares concedidos representarão 50 mil dólares de volume real de negócios num único ano. Um devedor de mil dólares compra mercadorias no varejo. O varejista, por sua vez, compra no atacadista. Logo o empreiteiro é chamado para restabelecer o estoque dos atacadistas. O empreiteiro faz um pedido ao fabricante, que por sua vez compra mão-de-obra e matéria-prima da mina, do campo ou da floresta.

SAIBA MAIS

Entretanto, muitos homens estão empregados em toda a linha, onde esses mil dólares fluíram como o riacho de um rio. O capital prospera e o trabalho prospera à medida que o crédito flui por todo o país. Todos percebem que, se a emissão de crédito fosse feita com honestidade pelos banqueiros privados, haveria prosperidade.

Mas aí está o problema! “Se” – uma palavra gigantesca de duas letras! Às vezes, nossos banqueiros estendiam o crédito até que eles se tornassem um balão inflado que não podia fazer outra coisa senão estourar. E em todos os momentos, com apenas seus bilhões de dólares em moeda real em depósito, eles emprestaram esses 20, ou 30, ou 40 bilhões extras de dinheiro de ficção, a 5%, ou 6%, ou 7%, obtendo um lucro de um bilhão de dólares mesmo num ano ruim.

(b) Existe o outro lado dessa imagem. Os banqueiros, como classe, têm se mostrado gananciosos. Eles não podem escapar dessa qualificação da mesma forma que um tigre pode escapar de ser chamado de cruel. Sua própria natureza demanda que eles sejam gananciosos.

Como podemos explicar isso? Bem, quando o mutuário pediu um empréstimo, ele entregou a escritura de sua casa ou fazenda, que constituem numa riqueza real. Quando o banqueiro emitiu uma grande quantidade de crédito, ele concluiu que é hora de parar de emitir mais crédito e que, além disso, é hora de exigir os empréstimos já existentes. O empréstimo de mil dólares, de que falei, é recuperado. Leva 50 mil de negócios fora de circulação. O varejista não recebe pedidos, nem o atacadista, nem o empreiteiro, nem o fabricante. Todos eles dispensam o trabalho assim que as ordens cessam. Os preços das fazendas e dos imóveis caem e o banqueiro assume quando os devedores não podem pagar em dinheiro. Ele os assume, veja bem, embora não tenha emprestado dinheiro de verdade. O banqueiro empresta simplesmente crédito, seu próprio monopólio da prensa de crédito. Ele fabricou esse crédito e cobrou juros sobre ele. Ele o criou sabendo que não havia ouro ou moeda por trás dele. Ele pode “correr” contra o povo, mas o povo não deve correr contra o banqueiro!

(c) Agora é muito fácil para o banqueiro começar a sua gráfica. Mas no momento em que um estudante de reforma bancária e monetária traz esses fatos à sua atenção, o banqueiro e sua imprensa sempre gritam “Pare, ladrão!” O dinheiro da imprensa é o dinheiro do banqueiro. É sua moeda. Ele possui essa prerrogativa. É por isso que os Baruchs, os Warburgs, os Morgans e os Mellons, os banqueiros da Federal Reserve e todos os banqueiros enfeitados com o cravo branco nos Estados Unidos verão o vermelho se a algazarra dos banqueiros sofrer alguma interferência.

É por isso que eles correm escada acima para a Casa Branca e para os vestiários do Congresso, se alguém ousar sugerir que o povo soberano dos Estados Unidos reconquiste o poder sobre o dinheiro que foi originalmente colocado diretamente nas mãos do Congresso segundo a Constituição.

Um banqueiro não produz nada. Ele é um sanguessuga que vive do trabalho dos outros. Ele está nesse negócio com o intuito de fabricar dinheiro por meio de um ato do Congresso e pela graça de uma gráfica e uma caneta. Seu negócio é, eventualmente, conseguir o que ele não criou.

Você pergunta, então, que depressões foram criadas pelos banqueiros?

O que importa se quinze milhões de homens ficarem ociosos no desemprego, se as fábricas fecharem, se o comércio ficar paralisado, se a pobreza for o destino da multidão nessa terra de fartura! Sua bagunça continuará – uma bagunça sórdida e cruel que envenena o próprio sangue vital da nação.

E se houver menos negócios bancários a serem feitos nos dias de depressão – eles não ligam! Pois, além dos empréstimos comuns que fazem as cidadãos comuns, eles continuam a ganhar dinheiro com os títulos do governo que rendem altos juros. Pelo menos 20 bilhões desses títulos estão nos cofres dos banqueiros. E muito deles são títulos emitidos pelo governo para vestir os garotos de 1916 com calças cáqui, para incutir o assassinato em seus corações, alimentá-los com biscoitos hardtack e prepará-los para se tornarem forragem nos campos de batalha da França. Laços sangrentos que eram usados para propósitos destrutivos! Laços criminosos que eles esperavam que você e eu resgatemos pelo privilégio de terem feito um matadouro deste mundo!

Que preocupação eles têm com as depressões, enquanto esses laços sangrentos continuarem a pingar seu veneno maligno sobre a prosperidade de um povo mal-entendido!

Seis vezes no último século e quatro vezes nesse século, fomos sujeitos a pânico, pânico provocado pelo homem, a maior de todas ocorrendo após o estabelecimento do sistema bancário da Federal Reserve, no preâmbulo de seu regulamento, praticamente garantiu a essa nação a liberdade do pânico!

Devemos permitir que esse sistema continue, esse sistema de banco privado que cria depressões e ganha dinheiro com títulos sangrentos? Vamos traçar as depressões agora para nossos filhos e netos?

Chame a lista com antecedência, como os banqueiros o chamam, e plote-o e represente graficamente 1940 – 1950 – 1970 – 1990. Ouça as palavras de “super-expansão do crédito”, “superprodução”, “especulação” – palavras que trazem todas as depressões de volta à mente astuta do banqueiro que, por sua própria natureza, não pode deixar de planejar colher aquilo que ele não plantou.

Apresento esses fatos, não apenas para consideração do nosso congressista, mas também para os industrialistas e membros da União Nacional pela Justiça Social que exigem a nacionalização do crédito e a retirada da prerrogativa de dinheiro na produção dos banqueiros.

O banqueiro privado não deve ser capaz de estender crédito quando o crédito é estendido em demasia. Ele não pode mais pedir empréstimos quando não existe mais a possibilidade de pagar por eles. Não podemos mais permitir que eles se apoderem de nossas fábricas, armazéns, lojas, fazendas e casas. Não sofreremos mais com o chicote da insegurança.

Se as depressões vieram e as fábricas fecharam, não culpe a Deus como se ele tivesse falhado. Foi um homem estúpido quem falhou, não Deus! Um homem estúpido que permitiu a um punhado de guardiões auto-constituídos de nossa propriedade guiar nossos destinos econômicos como se fôssemos fantoches e peões! Homens egoístas e gananciosos que conceberam um sistema simples de manter o volume da moeda e o volume de crédito inundado, para que seu pequeno grupo improdutivo pudesse dominar as massas produtivas.

Membros do Septuagésimo Quarto Congresso! Milhares de pessoas me pedem para atacar o comunismo, para me juntar à luta contra o radicalismo; talvez para se esgueirar pelos becos e descobrir os agitadores que destruiriam nossas instituições.

Membros do Congresso! vocês devem se lembrar da história – história radical! Karl Marx, o fundador do socialismo marxista, nunca fez um dia de trabalho honesto na sua vida, mas desfrutou dos mais generosos benefícios de Engels, que, embora fosse alemão, tirou sua fortuna das fábricas têxteis inglesas. Riqueza, não pobreza, pagou Marx por seu trabalho. Martinez de Portugal estava bem abastecido com seus bens desse mundo, mas é considerado por todos os historiadores um dos mais profundos conspiradores contra o Estado.

Adam Weishaupt, fundador da filosofia comunista, sempre foi amplamente suprido pelo dinheiro dos ricos. Cagliostro, comunista italiano, sacou enormes montantes de dinheiro dos banqueiros de Amsterdã, Rotterdam, Londres, Gênova e Veneza. Adrien DuPont, amigo do duque de Orleans, conspirou para impedir o abastecimento de alimentos de seus conterrâneos e, em seguida, bloquear todas as reformas na Assembleia Nacional da França.

Eu estava planejando a queda de meu país; se eu defendesse o comunismo ou o socialismo, ou uma ditadura anárquica, eu releria a história de todas as revoluções sociais e depois saudaria o banqueiro americano como camarada e amigo.

Criar o desemprego é o primeiro princípio do comunismo de Adam Weishaupt a Lenin. Causar miséria, fome e extrema pobreza é algo que está escrito em letras grandes e em negrito na primeira página da anarquia. Tornar a agricultura tão improdutiva a ponto de super povoar nossas cidades com trabalhadores rurais ociosos tem sido uma política estabelecida em todos os catecismos de descontentamento, desde os “illuminati” do século XII, ao agitador vermelho do século XX.

Para deixar o ateísmo se levantar contra a religião; a anarquia contra o governo e a fome contra o povo são ensinadas nos jardins da infância dos comunistas.

Finalmente, para abrir o abismo entre o pequeno grupo dos muito ricos e a massa proletária – impiedosos, sem propriedade, mas nunca sem consciência – esse é o programa de destruição.

Por que procurar nos porões os currais de reprodução do radicalismo vermelho. Vá para os salões de mármore do banqueiro. Lá você encontrará aquilo que Weishaupt ensinou – a necessidade de espalhar o desemprego – para tornar a miséria, a pobreza extrema e a fome o destino das massas populares. O programa dos banqueiros é reproduzido na gramática da anarquia.

Entre os bancos da nação – nos Bancos da Federal Reserve, se quiser, e encontre a política de empréstimos agrícolas. Veja se isso ajuda a tornar as fazendas improdutivas, e, portanto, enviar os trabalhadores rurais ociosos para super povoar nossas cidades. Posso mostrar essa política nos ensinamentos de todos os filósofos radicais por oito séculos.

Por último, olhe para nossa querida América, com a riqueza concentrada nas mãos de um pequeno grupo e 50 milhões na miséria.

Homens do Congresso! Nenhum radical teve sucesso sem ser dotado da generosidade de um patrão rico!

Nenhum radical na história mundial teve o terreno tão bem preparado como o banqueiro americano preparou pra ele.

Antes de expulsar o radical e o radicalismo, você deve ter coragem de expulsar as causas que geram os radicais e o radicalismo!

Recupere o poder do povo sobre o dinheiro – dinheiro em moeda e dinheiro de crédito – recupere o poder que nossos antepassados lhe deram – “para cunhar dinheiro e regular o valor dele” – seja esse dinheiro em moeda ou crédito. Esse é o seu principal trabalho esse ano. A menos que seja alcançado, há pouca esperança de um salário justo e digno ou de tirar a cruz da depressão de nossos ombros!


Fonte da tradução: Alerta Nacionalista (blog) em 23 de agosto de 2020


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