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Em 2010 vimos o retorno definitivo do Burzum com o álbum intitulado “Belus”. De início, o álbum se chamaria “The White God” (pt-br. ‘O Deus Branco’), mas teve o título alterado devido às especulações sobre racismo. Com certeza é um dos melhores trabalhos de Varg Vikernes e, por incrível que pareça, o menos explorado; nos dias de hoje, com o declínio da crítica e a música mainstream se tornando cada vez mais impactante nos meios da sociedade civil, é preciso compreendermos o quão impactante e valoroso é Belus e como o seu significado profundo possui uma ampla riqueza tanto para o meio da Política dissidente quanto para uma melhor captação da Tradição em seu sentido integral.

“A inspiração para o álbum veio de várias fontes, acho que boa parte veio dos contos de fadas e mitos, da música clássica, a partir de memórias de um tempo ido, desde a música tradicional, da fantasia, do vento e do tempo, de profundas florestas e água corrente, do céu e do sol, das montanhas, da neblina e de folhas amarelas caindo de árvores antigas”, estas são as palavras de Varg Vikernes a respeito do seu álbum.

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Pelo que é sugerido na Tradição, Belus é o nome antigo mais conhecido para a divindade que nasce, morre e ressurge; em toda a temática lírica do Burzum isso é refletido em Baldr (principalmente em seu grande álbum de Dungeon Synth “Dauði Baldrs”). Também uma interpretação simbólica bastante robusta do Sol. Isso pode ser refletido tanto em Baldr, como em Apollo, Belbog ou até mesmo Cristo.

No que diz respeito ao fator dos ciclos sagrados, é um componente importante para toda a compreensão cósmica; das coisas mais vis às mais superiores. Oswald Spengler compreendeu isso muito bem ao destacar uma nítida diferença entre o homem apolíneo e o homem faustiano. O homem faustiano é aquele ao qual se rendeu ao Espaço, ao tempo inerte, ao dualismo; o homem que busca a imortalidade naquilo que perece. O homem apolíneo é aquele que compreende o Espaço e o Tempo, que une as categorias simbólicas e, principalmente, possui consciência de que a imortalidade consiste na mortalidade, e que tudo o que é imortal deve morrer para então renascer. Em suma, há uma morte mas não um fim; e é pela morte que vem um novo princípio.

Capa do album “Belus”. O sétimo da banda norueguesa de black metal Burzum (de Varg Vikernes, o único integrante), lançado em 8 de março de 2010 através da Byelobog Productions. Foi o primeiro disco gravado pela banda após um hiato de quase 11 anos.

Parece uma coisa simples, e de fato é, se formos analisar de uma maneira meramente alegórica, sem qualquer sentido útil, mas tal raciocínio é o cerne de todas as coisas: desde as mais complexas formulações teológicas às mais remotas interpretações da vida humana enquanto animal político. De forma consciente ou não, Spengler utiliza da mesma fórmula para descrever como as civilizações nascem, morrem e renascem; e mais importante: o fator civilização não morre, apenas suas propriedades. Da mesma forma que algumas concepções simbólicas podem desaparecer ou ter seu sentido deturpado ao longo do tempo, mas o Símbolo Primário (fonte de todas as manifestações humanas) sempre permanece imóvel.

Antes de tudo, compreender as canções de Belus não é apenas um exercício de religião comparada, ou quaisquer raciocínios com o objetivo de melhor se habituar às tradições metafísicas, isso limitaria a coisa. De fato, toda Tradição existente pertence a algo, existe no espaço e transita no tempo, as formas como a Tradição se mantém ao longo dos séculos enquanto as civilizações decaem é um ponto muito importante para nós.

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O arquétipo solar está disposto em todas as realidades da experiência humana, desde a vida, os dias, as pragas, os solstícios, a religião, sociedade, ideias e os demais fatores determinantes que norteiam nossa cosmovisão.

Como diz a Tradição, o Sol perde muito da sua força durante a estação de inverno e volta ao seu apogeu durante o verão. Veja, diminuir sua intensidade não implica exatamente que morreu por completo, mas que haverá um outro nascimento; assim funciona todos os ciclos da vida humana e também complementa a ideia de que a morte é apenas parcial. O fato de algo morrer implica necessariamente que, com seu fim, haverá um novo início, tudo se renovará e o mais vil metal voltará ao seu acabamento dourado.

A Civilização Ocidental simboliza essa morte solar, e tal morte implica no prelúdio de um sol tão forte e radiante que voltará a brilhar. Quando há vida, há morte, e quando há morte, há vida; a morte nunca é o fim quando se trata de algo que jamais morrerá, mesmo que fique oculto no coração do homem durante toda uma vida.

By Felipe Rotta

Felipe Rotta, 1997, é catarinense, cristão ortodoxo, graduando em Ciência Política, estudante de Língua Alemã e entusiasta de Filosofia.

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