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Amenemope foi o escriba-chefe do antigo Egito por três sucessivas administrações reais, e como tal, o responsável pelas obras escritas solicitadas por três reis: Horemebe, Ramsés I e Seti I. Sua “Instrução de Amenemope”, texto composto provavelmente durante o final do Novo Império (1189-1077 AEC), semelhante em conteúdo à maior parte da instrução ou literatura sapiencial antes escrita, consiste numa coleção de máximas e admoestações práticas para a vida. Em particular, muitos paralelos foram traçados entre a forma e o conteúdo de porções da obra de Amenemope e os hebraicos Livro dos Provérbios (Mishlé), Salmos (Tehilim) e Eclesiastes (Sirach), todavia vale lembrar que Amenemope viveu não menos que trezentos anos antes do reinado de Salomão em Israel. Esta edição portuguesa do psicólogo, filósofo e escritor J. O. Bilda é a primeira tradução integral do texto britânico, por sua vez traduzido diretamente do rolo de papiro egípcio.

Thoth era o deus da sabedoria, das técnicas, da ciência e da escrita. Segundo a tradição, escreveu As Tábuas de Esmeralda como um presente para os homens. Tal como fizeram com outras nações, os gregos identificaram seus deuses com os dos egípcios (dada a origem comum de grande parte de ambos os povos e/ou culturas e de grande parte do mundo pré-cristão) e Thoth tornou-se um correlato de Hermes. Os princípios do que convencionou-se chamar por doutrina hermética se verificam no Caibalion, o livro que presumivelmente tornaria a sabedoria das Tábuas de Esmeralda compreensível para o homem ulterior. [1]

Naturalmente, Thoth também era o deus dos escribas, uma casta egípcia respeitável. Os escribas eram responsáveis ​​por dar continuidade à tradição de manter os anais dos soberanos do Egito. Thoth começou essa tradição escrevendo a história dos deuses fundadores da grande enéade, isto é, os nove deuses originários de Atum à Néftis. Após sua morte, os escribas começaram a documentar os 3.000 anos posteriores. Ser um escriba era uma posição de honra, confiança e fé. Segundo as tradições, Thoth teria escrito mais de trinta mil livros. [2]

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Amen-hotep ou Amen-em-ope, “O Deus está em paz”, foi o escriba-chefe da nação por três sucessivas administrações reais. Como tal, ele era responsável pelas obras escritas solicitadas por três reis: Horemebe, Ramsés I e Seti I. Amenemope administraria e distribuiria esses textos aos escribas sob sua gestão com instruções sobre onde e como aplicar a escrita. Seu serviço ocorreu em um momento de transição de poder da XIX para a XX Dinastia, no final do período Ramesside, Novo Império. Naquele momento, o longo governo de uma família foi substituído pelo de uma nova família de reis. Amenemope foi o autor de A Instrução de Amenemope, texto composto provavelmente durante o final do Novo Império (1189-1077 AEC).  Filho de Kanakht, residiu em Akhmim, cujo mais antigo nome foi Ipu, grande cidade do Alto Egito, próxima a Tebas e o majestoso Palácio de Charuc, onde viveu o glorioso Amenófis III e, então, seu filho, um dos mais brilhantes espíritos da História Universal, Akhenaton [3] – cuja fé nova-antiga do “Disco solar” e sua “energia interior”, Áton, estendeu influências silenciosas entre as classes intelectuais dos escribas e sacerdotes vindouros, dentro e fora do Império. [4]

Com a transição para a dinastia de Ramsés I, Amenemope foi o responsável por instalar os editais de uma nova dinastia. Ele não criou o édito, mas o ditou ao povo nos templos e palácios reais em toda a nação. Essa foi uma grande responsabilidade que desempenhou com notável integridade. Sua confiança lhe rendeu muitos títulos, incluindo o poder de coletar impostos devidos pelo povo ao Estado.

O texto de Amenemope, semelhante em conteúdo à maior parte da instrução ou literatura sapiencial antes escrita, consiste numa coleção de máximas e admoestações práticas para a vida. Em particular, muitos paralelos foram traçados entre a forma e o conteúdo de porções da obra de Amenemope e os hebraicos Livro dos Provérbios (Mishlé), Salmos (Tehilim) e Eclesiastes (Sirach). [5]

A semelhança, dependência ou plágio fica mais evidente nos capítulos que constituem os “ditos dos sábios” dos Provérbios (22:17-24:22) em que o autor hebraico aparentemente usou as Instruções como modelo – a obra egípcia compreende trinta capítulos, e o texto hebraico se refere aos seus “trinta ditos” como uma das fontes na compilação de sua própria antologia. [6] Foi o egiptólogo inglês e uma das maiores autoridades Sir Wallis Budge quem, adquirindo o rolo de pergaminho das Instruções do Museu Britânico em 1888, após a tradução deste finda em 1923, precisou as óbvias similaridades com os textos hebraicos, historicamente possível pelo declínio egípcio entre 1070 e 525 AEC ao tempo em que Israel e Canaã se erguiam nos reinados de Salomão e Ezequias. Tal acabou se tornando também a opinião oficial de Adolf Erman, egiptólogo alemão, Thierry Maire em seu artigo Proverbes XXII 17ss.: Enseignement à Shalishôm?, John Collins na Introdução à Bíblia Hebraica, o célebre Breasted no clássico The Dawn of conscience e outros. [7] Vale lembrar que Amenemope viveu não menos que trezentos anos antes do reinado de Salomão em Israel. Também fica claro, hoje, que o antigo Egito foi quem criou o gênero da “instrução”. Tradicionalmente, teria começado com Thoth e suas Tábuas, mas segundo historiadores o texto mais antigo é a Instrução de Ptah-Hotep de 2500 AEC, um vizir que a teria escrito para seu filho e herdeiro. Mais famosa, porém, é a de Amenemope, também escrita para o filho, criado no momento da transição de doutrinas muito rígidas para uma “era de piedade”, ou seja, de fidelidade às obrigações naturais. O livro de Amenemope é amplamente considerado uma obra-prima da sabedoria do mundo antigo. Amenemope aconselha as pessoas a se concentrarem menos no sucesso material e mais na paz interior ou serenidade. Ele instrui seu filho e outros a cultivar a aceitação dos desígnios misteriosos dos Deuses.


Notas

[1] SEGANFREDO, C.; FRANCHINI, A. S. As melhores histórias da mitologia egípcia. Porto Alegre: L&PM, 2012.

[2] O CAIBALION: estudo da filosofia hermética do antigo Egito e da Grécia. São Paulo: Pensamento, 1978.

[3] DEVI, S. Filho do Sol. 2. ed. Rio de Janeiro: Renes, 1982.

[4] BURNS, E. M. História da civilização ocidental. Porto Alegre. Globo, 1972.

[5] BRITANNICA. Amenemope, egyptian author. 2013. Disponível em: <https://www.britannica.com/biography/Amenemope>. Acesso em: 18 out. 2021.

[6] BREASTED, J. H. The dawn of conscience. New York: Charles Scribner’s Sons, 1961.

[7] ANYJART-EDITION. Que peut-on dire à propos des Textes Sacrés Africains qui ont été plagiés dans la Bible? Disponível em: <https://www.anyjart.com/amenmop>. Acesso em: 18 out. 2021.

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