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A Associação de Amizade com a Coreia – KFA é uma das poucas organizações internacionais atuais de difusão de notícias e estudos completos sobre a Coreia do Norte, e possui portais subsidiários em 120 países, como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Brasil. Fundada em 2000 na Espanha por Alejandro Pérez tem o objetivo de construir laços internacionais, promover o intercâmbio cultural e, em seus próprios termos, “mostrar a realidade da Coreia para o mundo”. A Associação é reconhecida e apoiada pela República Popular Democrática da Coreia – RPDC, e uma de suas ferramentas é a publicação de livros oficiais e aprovados pelo Estado coreano que tratam sobre diversos aspectos do país, como história, folclore, geografia e legislação. Torno pública, agora, esta primeira edição portuguesa em duas partes do livro “Understanding Korea: Folklore” que traduzi liberalmente neste mês de Dezembro, com o fim de esclarecimento intelectual e concessão de direito a uma visão alternativa da questão coreana pelo mundo lusófono. Para o melhor aproveitamento deste texto, sugiro a leitura prévia de minha tradução anterior desta mesma série de livros oficiais, “Understanding Korea: History” publicada no Sentinela com o título “A História da Coréia” em 25 de novembro também em duas partes.

Tradução de J. O. Bilda

A CULTURA DA COREIA: SOBRE TRAJES, PRATOS, COSTUMES FAMILIARES E JOGOS – PRIMEIRA PARTE[1]

  1. Folclore da Coreia

O folclore se desenvolveu na Coreia ao longo dos 5.000 anos de história de sua nação.

Singular para tal nação homogênea, consiste em costumes tradicionais de vida e em maneiras belas formadas no decorrer da luta contra as incessantes invasões de agressores estrangeiros e da criação de brilhantes tradições culturais.

O folclore, que perdeu suas cores nos dias da ocupação da Coreia pelo imperialismo japonês (1905-1945), desenvolveu-se, após a libertação, como um, com um conteúdo socialista sob uma forma nacional.

  1. Classificação do folclore coreano

O folclore coreano pode ser classificado em traje, dieta, moradia, vida familiar, vida comunitária, feriado folclórico, saudação e passatempos.

  1. Traje

O principal estilo de roupa peculiar à nação coreana foi formado nos tempos antigos.

Criadas ao longo da vida laboral e desenvolvidas de acordo com as características nacionais, existiam claras distinções entre roupas para homens e mulheres. Suas cores e formas variavam de acordo com a idade das pessoas, e as roupas de verão eram em sua maioria brancas.

As roupas eram simples, lisas e aculturadas, e as pessoas sempre as mantinham limpas e arrumadas.

Exemplar de conjunto de traje tradicional coreano. Fonte: https://commons.wikimedia.org
  1. Roupas masculinas

As roupas masculinas consistem em calças, jogori (casaco) e turumagi (sobretudo).

Seus tipos e formas variaram de acordo com os tempos e as posições das classes.

Ainda hoje os homens coreanos adoram usar roupas tradicionais.

  1. Roupas para mulheres

As roupas femininas consistem em jogori (casaco), calças, chima (saia longa) e sobretudo.

Jogori para mulheres é principalmente igual ao masculino na forma, mas geralmente mais curto que este em comprimento e belo pela boa harmonia de suas cores e padrões.

O jogori feminino visto nas pinturas murais das tumbas Koguryo geralmente caía no colo, mas tornou -se baixo no período da dinastia feudal de Joson (1392–1910). Na época atual, desenvolveu -se para ser conveniente com a eliminação gradual das formalidades feudais e da complexidade das roupas em geral.

O que é distintivo no jogori feminino é o hoejang (tiras coloridas de tecido para enfeites).

Originalmente, o hoejang servia para manter a jaqueta limpa, substituindo frequentemente uma parte, que fica suja mais cedo que as outras, por outra tira de pano; tornou-se um importante meio de decoração nos tempos da dinastia feudal de Joson.

Tiras de púrpura ou outras cores diferentes da cor de fundo do jogori foram costuradas nos punhos, gola, cordões e axilas. Isso foi chamado de samhoejang; o verde era considerado a melhor cor de fundo.

O jogori feminino foi classificado em sem forro, forrado, acolchoado e almofadado de acordo com a estação.

  1. Características do Chima e Jogori

Em primeiro lugar, eles são caracterizados por sua beleza formativa única. Os elementos detalhados do jogori curto e bem estruturado combinam bem com a silhueta aerodinâmica do chima longo.

Em segundo, eles são caracterizados por sua proporção formativa e beleza tridimensional.

As roupas tradicionais do Oeste são distintas por sua beleza tridimensional, enquanto as do Leste são caracterizadas principalmente por sua simplicidade.

O chima e jogori das mulheres coreanas são de uma forma única; eles sustentam as duas características das roupas do Oeste e do Leste. O jogori colorido sobre o chima de rica qualidade tridimensional constitui um conjunto de roupas de outras nações.

Terceiro, eles parecem enobrecedores e elegantes em suas cores. Quarto, a combinação de cores apresenta um alto nível de habilidades formativas.

A peculiaridade da combinação de cores está em sustentar a cor principal quando mais de duas cores são usadas e subordinar outras cores à principal.

  1. Recursos importantes no traje tradicional

As características importantes do traje tradicional coreano são sua diversidade e beleza.

Desde os tempos antigos, havia uma distinção clara nas roupas para homens e mulheres, e suas cores e formas eram adequadas à idade das pessoas que as vestiam e às estações do ano.

A diferença sazonal das roupas encontrou expressão na qualidade e na cor dos tecidos; as pessoas usavam roupas de algodão ou seda na primavera, outono e inverno, e rami[2] e roupas finas de linho no verão.

O jogori usado na primavera representava as cores das flores do damasco, pera, pêssego e azaleia e as características naturais da estação, quando tudo fica verdejante.

Os coreanos sempre deram atenção ao se vestir de forma limpa e arrumada.

Desde tempos antigos, inclinados à limpeza, os coreanos consideravam um costume usar roupas limpas e asseadas, embora simples, lavando-as e remendando-as com frequência.

  1. Dieta

A nação coreana criou e desenvolveu um costume alimentar peculiar. Os alimentos coreanos variam em espécie, alguns sendo especiais, e os métodos de prepará-los também são diversos.

O costume inclui pratos do dia a dia, pratos especiais, doces, bebidas e modos à mesa.

  1. Pratos do dia a dia

O povo coreano tem comido cereais cozidos, sopa, kimchi[3] e outros tipos de acompanhamentos cotidianos.

O alimento básico consiste em cereais cozidos e os alimentos subsidiários são sopa, pasta de feijão e kimchi.

Eles comeram esses alimentos porque cultivaram painço, kaoliang[4], soja, cevada e arroz como as principais safras e vegetais, incluindo bok choy[5] e rabanete, desde os tempos antigos, e se adaptaram aos sentimentos e gostos de sua vida.

  1. Pap (cereais cozidos)

Os coreanos enxáguam os cereais em água limpa e despejam uma certa quantidade de água sobre eles antes de fervê-los.

Eles comem esses cereais cozidos em todas as refeições.

O pap é cozido com arroz, cevada, painço ou sorgo; às vezes, cinco cereais – arroz, cevada, painço, sorgo e feijão – são fervidos juntos, ou alguns deles são misturados antes de serem fervidos.

  1. Pasta de feijão

Como um dos importantes condimentos indispensáveis à dieta alimentar dos coreanos, a pasta de feijão é um alimento fermentado feito com soja e sal como ingredientes principais.

No processo de fabricação de pasta de feijão, também são feitos o molho de soja e a pasta de feijão com pimenta.

Vários dos métodos de fazer a pasta de feijão evoluíram.

Os coreanos usam o molho de soja e a pasta de feijão como tempero básico para sopa, ensopado de vegetais e carne e outros acompanhamentos. A pasta de feijão apimentado às vezes é consumida como alimento subsidiário.

  1. Kimchi

O kimchi é feito decapando vegetais, incluindo bok choy e rabanete, e adicionando vários tipos de temperos e peixes, antes de fermentá-los.

O Kimchi, um alimento tipicamente coreano. Créditos

Não se sabe quando o kimchi surgiu na Coreia, mas de acordo com documentos históricos, o rabanete já era colhido no período de Koryo (918– 1392) e vários tipos de kimchi saborosos foram feitos no período da dinastia feudal Joson (1392–1910).

Existem muitos tipos de kimchi, dos quais o kimchi preparado para o inverno é o melhor.

No período que vai do início do inverno ao início da primavera, o kimchi é uma fonte de vitamina C e de vários elementos inorgânicos. A maioria de seus materiais é rico em vitamina C e em elementos inorgânicos básicos como Na, K, Ca, Mg e Fe. Em harmonia com alimentos ácidos como cereais cozidos, carne e peixe, aumenta o apetite.

Health, jornal americano de saúde, descreveu o kimchi coreano como um dos “cinco alimentos saudáveis do mundo”.

Em dezembro de 2015, a UNESCO inscreveu o kimchi na lista de patrimônio cultural imaterial da humanidade, e o introduziu por meio da Internet, destacando que os coreanos promovem a harmonia familiar, coletiva e social por meio do kimchi.

  1. Pratos Especiais

Os pratos especiais para a cerimônia de casamento e feriados são multifacetados em variedade e arranjos.

Eles incluem alimentos básicos como bolos de cereais e macarrão e alimentos não básicos como grelhados e sopa.

Os bolos de cereais são contados por primeiro em pratos especiais.

  1. Bolos de Cereais

Os bolos de cereais são feitos ou cozendo cereais em pó a vapor, ou triturando ou moldando os cereais cozidos.

Como alimento básico alternativo, eles são muito diversos em variedade. Deste a antiguidade, os coreanos adicionavam ervas e frutas de aroma e sabor únicos e pigmentos naturais a grãos como arroz, arroz glutinoso e painço para fazer vários tipos de bolos, nutritivos, saborosos e bons para os olhos.

O bolo típico feito de cereais em pó é o songphyon (bolo cozido no vapor sobre uma camada de agulhas de pinheiro) e o bolo típico feito com a cozedura de cereais é o chaltteok (bolo de arroz glutinoso).

  1. Macarrão

Coreanos adoram, desde os tempos antigos, comer macarrão: longas tiras finas de massa de grãos em pó e os pratos feitos com essas tiras.

De acordo com os materiais, a reparação, a localidade e a época, são diferentes no sabor, aroma, gradações do frio ao quente, quantidade de caldo e métodos de tempero e ornamentos.

Desde os tempos antigos, é protocolar servir macarrão aos convidados de honra e outros convidados durante as cerimônias de casamento e de primeiro aniversário.

Os macarrões são amplamente divididos em macarrão prensado e macarrão cortado. Eles são divididos em macarrão de trigo sarraceno, macarrão de trigo e macarrão de milho de acordo com os materiais, e macarrão frio, macarrão quente e macarrão picado de acordo com a forma como são servidos.

Representativo do macarrão de trigo sarraceno é o macarrão frio de Pyongyang.

  1. Macarrão Frio de Pyongyang

O macarrão frio de Pyongyang é conhecido desde os tempos antigos pelas características de seu ingrediente, caldo, tempero e armazenamento, o recipiente em que é servido e a maneira como é preparado.

O Macarrão Frio ou Naengmyeon de Pyongyang é uma iguaria bastante procurada por turistas. Fonte: https://www.koreapost.com.br/

Seu principal ingrediente é o trigo sarraceno, conhecido como cereal da longevidade por seus nutrientes saudáveis. As tiras de macarrão feito de trigo sarraceno não são muito duras, mas escorregadias. O sabor peculiar do trigo sarraceno estimula o apetite.

O que faz o macarrão frio Pyongyang se destacar dos outros é o caldo particularmente refrescante, doce e saboroso.

Eles são servidos em uma grande vasilha de latão, que parece refrescante e aumenta o apetite.

O alimento é elogiado como uma obra-prima do macarrão coreano, como alimento nacional representativo por seu sabor, aparência e preparo únicos.

Atualmente, o Restaurante Okryu em Pyongyang e muitos outros restaurantes no país servem o macarrão frio de Pyongyang.

  1. Pratos Típicos de Pyongyang

Eles incluem panqueca de feijão mungo, onban[6] de Pyongyang e sopa de tainha do rio Taedong, além do macarrão frio de Pyongyang.

  1. Pulgogi

O pulgogi é um prato favorito dos coreanos desde os tempos antigos. Eles cozinhavam carne em fogo aberto desde que começaram a usar o fogo em sua vida.

Bife e pato, os principais ingredientes do pulgogi, são nutritivos, e a carne grelhada é saborosa e tem um buquê único.

  1. Sinsollo

Um prato feito temperando e cozinhando alimentos acabados em sinsollo (braseiro de cozinha) é chamado sinsollo.

Como um prato saboroso e altamente nutritivo feito pelo processamento de carnes, frutos do mar, vegetais, ervas comestíveis e frutas separadamente e fervendo-os juntos em um braseiro de cozinha, é um dos pratos nacionais da Coreia amplamente conhecidos pelo mundo.

Por ter o melhor sabor e bela aparência, como se todos os tipos de iguarias estivessem reunidas em um único recipiente, costuma ser colocado nas mesas durante uma festa e outros eventos diversos.

  1. Kom

Os coreanos comem o kom como um prato medicinal. É feito cozendo carne no vapor por horas. Típicos são os feitos com coelho e frango.

  1. Jjim

O jjim é um prato feito com tempero prévio de carne, peixe e legumes e cozimento no vapor numa frigideira funda.

Por ser cozido no vapor, os materiais não queimam e não se formam camadas espessas em sua superfície; e como são aquecidos em um estado fixo, eles preservam sua forma original.

Existem três maneiras de preparar o jjim.

Um é cozinhando pargo do mar, frango e outros semelhantes em uma bandeja; outro é derramar água sobre costelas de animal picadas ou rabo de boi e ferver a água de modo que o caldo seja quase absorvido pela carne; a última é fazer cortes superficiais em abalone (molusco), trepang (pepino-do-mar) e semelhantes, antes de cozinhá-los no vapor.

  1. Hoe

É um prato feito a partir do processamento de peixe ou carne crua.

A carne crua, peixe ou marisco são fatiados em fatias finas e temperados com pasta de feijão apimentada ou molho de soja misturado com vinagre.

Famosos são os preparados com carne de boi, estômago de animal, peixe, polvo, lula, abalone, vieira (molusco branco) e ostra.

  1. Doces e bebidas

Os doces tradicionais incluem yot, yumilgwa, yotkangjong, tasik, suksilgwa e jonggwa.

Yot, ou taffy, é feito amassando o pó de cereal com malte de sorgo e fervendo-o até que fique pegajoso. Às vezes, é misturado com amendoim, noz, gergelim, etc.

Yumilgwa é feito amassando farinha de trigo no mel e fritando a massa. Yotkangjong, tasik e suksilgwa são bolos feitos amassando os

ingredientes em pó e fervidos ou cozidos no vapor no mel, dando-lhes uma forma.

Jonggwa é feito fervendo insam, gengibre, broto de bambu, damasco, pêssego, mirtilo e laranja no mel até que a mistura se torne gelatinosa. O jonggwa seco é denominado konjonggwa.

As bebidas incluem vinhos de arroz, chá, hwachae (suco de mel com frutas) e sujonggwa (ponche de frutas).

  1. Bebidas alcoólicas

Os coreanos fazem vinhos com cereais em suas casas desde os tempos antigos.

Eles podem ser classificados em três tipos – makkolli (licor grosso), chongju (vinho com baixo teor de álcool) e soju (licor com alto teor de álcool).

  1. Makkolli

Makkolli é uma bebida feita pela mistura de arroz ou amido de trigo com malte e fermentada antes da filtragem.

O Makkoli ou vinho de arroz coreano, geralmente é servido numa tigela, mas também pode ser encontrado engarrafado. Fonte: Wikimedia Commons

Também é chamado de thakju ou thakpaegi.

Makkolli significa literalmente um licor grosso ou turvo, e é uma bebida nacional da Coréia com uma longa história.

Láctea, azeda e doce, dá uma sensação refrescante.

  1. Licores Famosos

As marcas renomadas de licor coreano são: Licor Koryo, Soju Pyongyang, Kamhongno, Licor Taephyong, Licor Kaesong Koryo Insam, Licor Wild Insam, Vinho Inphung, Vinho Paektusan Bog Bilberry, etc.

  1. Cultura do Chá

A cultura do chá surgiu na época dos Três Reinos.

No início, estava confinado aos templos budistas e às pessoas ricas, mas no período de Koryo (918–1392) se espalhou por todo o país.

No período da dinastia feudal Joson, o chá era preparado com elementos de valor medicinal como frutas, folhas e raízes de árvores.

Ao contrário dos tipos de chá de outros países que são para estimulação, os coreanos têm elementos medicinais que contribuem para fortalecer o coração e o estômago.

O chá Insam[7], feito com raiz capilar de insam, especialidade coreana, é um tônico e é eficaz no tratamento de indigestão, anemia e distúrbios do sistema nervoso.

O chá de Schizandra chinensis tem um sabor doce e refrescante; se se beber um gole com frequência, é eficaz no tratamento de tosse, voz rouca e suor frio.

O saboroso e aromático chá kyolmyongja ajuda a tornar os olhos mais agudos e a proteger o fígado.

O chá de agulha de pinho rico em vitamina C promove a digestão e previne artrite, hipertensão e hepatite.

O chá de cevada, rico em elementos nutritivos, tem um sabor acentuado e favorece a digestão.

O chá de folhas de caqui, rico em vitamina C, é eficaz na prevenção da hipertensão e na cura da arteriosclerose, hemorragia estomacal, diabetes e hemorragia cerebral.

  1. Sujonggwa

Este ponche de frutas é preparado com caqui seco, gengibre, casca de canela, açúcar e mel. É também chamado de jonggwa de caqui seco.

Perfumado, delicioso e refrescante, o ponche de frutas de sabor único é um dos pratos do Dia de Ano Novo.

  1. Modos à mesa

A nação coreana, cortês desde a antiguidade, tem modos enobrecedores à mesa.

Eles não começam a comer antes que os mais velhos tomem suas colheres e pauzinhos.

À mesa assumem uma postura adequada e fazem as refeições em ambiente amigável.

O anfitrião pega colher e pauzinhos antes de seu convidado e coloca pratos deliciosos e raros perto deste. Ele também cria uma atmosfera amigável para que os hóspedes se sintam em casa à mesa; ele se abstém de terminar sua refeição antes do convidado para deixá-lo saciar-se.

  1. Moradias

A casa tradicional é uma casa térrea com aquecimento de piso.

As casas diferem um pouco em estrutura de província para província, mas algo que elas têm em comum é um sistema de aquecimento chamado ondol. O calor da lareira passa por baixo de pedras planas mantendo a sala aquecida, e uma chaminé no telhado mantém o ar da sala fresco e limpo.

As comunidades urbanas atuais são dominadas por prédios de apartamentos altos, mas no campo casas térreas com sistema de aquecimento ondol são comuns.

Quando alguém se muda para uma nova casa, os vizinhos o ajudam a transportar seus utensílios domésticos, apresentam caixas de fósforos ou utensílios domésticos e desejam-lhe uma vida feliz.

Ao entrar na sala, eles tiraram os sapatos. Na sala, os jovens oferecem aos seus idosos o lugar de honra (o lugar quente junto à lareira no inverno e a parte fresca da sala no verão).

  1. Ondol

O ondol evoluiu do costume do povo coreano de repousar no chão. Esta instalação em estilo de radiação de calor é semelhante ao sistema de hipocausto[8] romano no antigo Ocidente.

É constituído por lareira, furo de combustível, condutas e chaminé. Quando o fogo é aceso no buraco de combustível, o ar aquecido é conduzido através dos canos sob o chão, aquecendo o ambiente. Assim, diz-se que também foi chamado de kuundol (pedra aquecida), e mais tarde enrijecido para kudul (piso aquecido).

Kudul, inventado pela nação coreana, evita a umidade e o frio do chão e é eficaz na cura de várias doenças, pois preserva o calor por muito tempo.

O ondol de estrutura simples e favorável à saúde está atraindo o interesse do mundo porque é mais eficaz e conveniente do que o sistema de aquecimento ocidental.

Alguns países introduziram aparelhos elétricos, modelados a partir do ondol, e marcando-os como ondol ou kudul.

Essas palavras coreanas já entraram nos dicionários de algumas línguas. O sistema de aquecimento Ondol é amplamente difundido na Europa e nos Estados Unidos.

A Organização Internacional de Normalização reconheceu a eficácia do sistema e aceitou os sete critérios do sistema como padrões internacionais.

Relacionados à definição deste sistema, sua eficiência, projeto, análise dinâmica, instalação e operação, eles são úteis para uma introdução mais ampla do ondol na construção de casas em escala mundial.

Hoje, na Coréia, o sistema evoluiu para um sistema de aquecimento central.

  1. Construindo Casas

Desde os tempos antigos, os coreanos construíam casas em locais tranquilos e ensolarados.

Harmoniosas, únicas, simples mas cheias de estilo, as charmosas e ecológicas casas tradicionais coreanas, chamadas de Hanok (한옥) começaram a ser construídas no século XIV, durante a Dinastia Joson. Fonte: https://www.lucasartor.com/

As aldeias naturais frequentemente vistas na Coréia estão localizadas em lugares com montanhas na parte de trás e riachos ou campos de cultivo na frente. Quase todas as casas estão voltadas para o sul.

Quando alguém constrói uma casa, os vizinhos oferecem auxílio.

Tendo considerado a ajuda mútua e a partilha de alegrias e tristezas em todos os momentos uma obrigação moral entre vizinhos desde a antiguidade, eles ajudaram-se mutuamente na construção de casas.

  1. Vida em Família

Apoiar os pais com devoção filial, cuidar bem dos pais acamados e homenagear os pais falecidos são essenciais no costume familiar que o povo coreano tem observado de geração em geração.

Também é uma parte importante do costume da família amar as crianças e prestar muita atenção à sua educação.

  1. Sobrenomes de mulheres coreanas após o casamento

Ao contrário das mulheres de alguns países estrangeiros, as mulheres coreanas mantêm seus sobrenomes de solteira após o casamento.

  1. Celebração do primeiro aniversário

As famílias celebram o primeiro aniversário de seus filhos em grande estilo.

A criança é lindamente vestida e uma mesa de aniversário é arrumada com pratos especiais e vários tipos de coisas. O talento e o futuro da criança são previstos pelo significado simbólico daquilo que a criança pega primeiro da mesa.

  1. Casamento

O casamento na Coreia passa pelo processo de encontro, noivado, promessa da data da cerimônia de casamento, troca de presentes e cerimônia de casamento.

Um casal norte-coreano celebrando seu casamento no restaurante matrimonial Sonkyong, rua Changjon, em Pyongyang. Em entrevista para a Koryo Studio, que vende obras de arte norte-coreanas no Ocidente, uma noiva nativa revela: “Recentemente, a cultura do casamento mudou significativamente na Coreia do Norte, muitos restaurantes para casamentos foram construídos recentemente em Pyongyang, portanto, eles realizam as cerimônias de casamento em locais públicos, como restaurante ou hotel de casamento, ao invés de em casa.” Fonte: https://koryostudio.com/blog/wedding/

A cerimônia do noivo é realizada primeiro.

A cerimônia começa com a recepção do noivo na casa da noiva, e o noivo apresenta um ganso embrulhado em pano vermelho para sua sogra.

Isso decorre da crença de que o ganso é o símbolo da harmonia, confiança e castidade entre o marido e a esposa, pois é um animal que vive em harmonia com seu parceiro.

Em seguida, a noiva e o noivo derramam o licor em copos de cabaça decorada com fios azuis e vermelhos e, em seguida, trocam-nos. Isso é considerado um símbolo de vínculo matrimonial.

A noiva e o noivo sentam-se ombro a ombro em frente a uma mesa aberta em uma sala.

Após a cerimônia em sua casa, o noivo faz uma profunda reverência aos pais e toma uma liteira. Acompanhada do noivo a cavalo e seus parentes, ela vai para a casa de sua sogra.

Ao chegar na casa, ela aceita sua mesa e visita o santuário para homenagear os ancestrais da família de seu marido.

Em seguida, ela faz reverências para seus sogros e, em seguida, para os parentes de seu marido.

Durante a cerimônia de casamento o noivo usa chapéu e roupas dos nobres e a noiva usa roupas decoradas com sete tipos de ornamentos.

Nos tempos atuais, a antiquada cerimônia de casamento com formalidades vazias e exibições pomposas deu lugar a uma nova que não só sustenta as tradições nacionais, mas também atende aos gostos estéticos da época.

A noiva veste uma bela chima tradicional e jogori e decora sua cabeça e seios com flores, e o noivo veste as tradicionais calças coreanas e jogori.

Seus parentes e amigos próximos se reúnem para parabenizar o novo casal por seu casamento e desfrutam de pratos simples.

  1. 60º aniversário

No passado, uma pessoa que vivia até os 60 anos era considerada como tendo vivido muito na Coréia.

No 60º aniversário, as crianças organizavam uma grande festa para felicitar o convidado de honra.

Nesse dia, elas preparavam roupas novas e uma colcha para ele ou ela. Seus filhos, parentes e amigos se encarregavam de apresentar uma taça de vinho e fazer uma profunda reverência ao convidado de honra, desejando-lhe ainda mais longevidade.

Hoje o país, que dá importância aos costumes nacionais, arranja um aniversário que é estendido às pessoas que trabalharam com dedicação pelo país e seus semelhantes, também para os centenários.

  1. Serviços funerários e memoriais

Desde os tempos antigos, o povo coreano considerou respeitar seus pais e apoiá-los com devoção filial como uma obrigação moral a eles devida.

Essa piedade filial continuou mesmo após a morte dos pais.

Mas, a partir do final do século XIV, os serviços funerários e memoriais, sob a influência do confucionismo, tornaram-se uma combinação de fatores religiosos e supersticiosos e formalidades complexas.

O significado original do zelo com o corpo dos mortos e a prestação de homenagem à sua memória por obrigação moral foi distorcido e eles se transformaram em uma espécie de cerimônia.

Hoje, as formalidades vazias e as exibições pomposas do passado são substituídas por uma atmosfera simples, mas respeitosa, nos serviços fúnebres e memoriais.

No 8º dia do terceiro mês e no 15º do oitavo mês pelo calendário lunar, as pessoas visitam os túmulos de seus ancestrais e apresentam flores e pratos diante deles.

  1. Feriados Folclóricos

Desde tempos remotos, o povo coreano aproveitou os feriados folclóricos por estação.

Representativos deles são o Dia de Ano Novo lunar, Jongwoldaeborum (o 15º dia do primeiro mês lunar) e Chusok (o Dia da Lua da Colheita, o 15º dia do oitavo mês lunar).

  1. Dia do Ano Novo Lunar

Desde os tempos antigos, o povo coreano celebrou o primeiro dia do primeiro mês pelo calendário lunar como o maior feriado do ano.

Celebração do Ano Novo Lunar, o Seollal, em Pyongyang. Foto de Uriminzokkiri, de 2019. Fonte: https://www.nknews.org/2019/09/ask-a-north-korean-what-kind-of-traditional-culture-still-exists-in-the-dprk/

Primeiro faziam os preparativos, mantendo as casas limpas por dentro e por fora, decorando as paredes com pinturas, fazendo roupas novas e preparando alimentos.

No início da manhã do Dia de Ano Novo, faziam reverências aos mais velhos, trocavam pratos festivos com os vizinhos e jogavam vários jogos folclóricos.

O principal prato para o dia era uma sopa de bolo de arroz feita com fatias finas de bolo de arroz em barra em sopa de molho de soja. A sopa era essencial no Dia de Ano Novo.

Panqueca de feijão mungo também era uma obrigação na mesa neste dia. Um dos jogos folclóricos populares deste dia foi o yut (jogo de quatro varas), e as crianças gostavam de andar de trenó, empinar pipas e assim por diante.

  1. Jongwoldaeborum

A lua nascendo no 15º dia do primeiro mês pelo calendário lunar é a primeira lua cheia em um ano e a maior e mais brilhante das luas ao redor do ano. Assim, os coreanos, desde tempos antigos, festejaram este dia do ponto de vista folclórico de que a felicidade vem para aquele que for o primeiro a ver a lua cheia nesse dia.

O feriado começa a partir do 14º dia. Os eventos festivos representativos e os jogos folclóricos eram o jogo das tochas, jogo do cata-vento, cabo de guerra e competição de carros. Eles também brincavam em estacas de grãos empilhadas – longas estacas penduradas com caules de kaoliang[9] e suas bainhas retratando cinco cereais – desejando uma colheita abundante no ano.

Por volta do pôr do sol do dia 15, eles escalavam morros para ver a primeira lua cheia.

Depois de apreciar a lua, brincavam à luz de tochas, ateando fogo no mato velho dos arrozais e campos secos.

As crianças gostavam de brincar com o catavento e um cabo de guerra era praticado em muitas localidades.

Nesse dia, eles preparavam e comiam ogokpap (arroz cozido misturado com outros quatro cereais) e yakpap (arroz medicinal) com nove tipos de ervas secas cozidas.

  1. Chusok

Chusok, o 15º dia do oitavo mês lunar, é um dos maiores feriados folclóricos da Coréia.

Era um dia de celebração por uma colheita abundante e homenagem aos ancestrais.

Nesse dia preparavam bolo de arroz glutinoso, bolo de arroz em formato de meia lua recheado com feijão e cozido sobre uma camada de agulhas de pinheiro, bolinhos de castanha e vinho de arroz glutinoso, todos feitos com as novas safras do ano.

As famílias visitavam seus túmulos ancestrais com esses pratos sazonais para realizar serviços em memória dos mortos.

As frutas do dia eram a castanha, jujuba, caqui, pera e assim por diante. Naquele dia, as vizinhanças se reuniam para jogar vários jogos folclóricos como o ssirum (luta livre coreana) e balanço.

Hoje em dia o festival está sendo herdado de acordo com as demandas dos tempos.

Nesse dia, as famílias visitam os túmulos de seus ancestrais para aparar a vegetação dos montes e plantar relva ou colocar terra em locais danificados pela chuva ou pelo vento.

Em seguida, colocam buquês ou alimentos diante dos túmulos e observam um momento de silêncio ou fazem reverências em memória do falecido.

Os familiares e parentes sentam-se em roda e passam algum tempo, levando alimentos e relembrando a vida do falecido, antes de voltar para casa.

  1. Tongji

Tongji (um dia no décimo primeiro mês lunar) é o solstício de inverno. Desde tempos antigos, os coreanos chamam este dia de um pequeno Dia de Ano Novo.

Neste dia, tomando mingau de tongji, rememoravam os dias do ano, ponderando que haviam envelhecido mais um ano; também promoviam amizade com seus vizinhos, compartilhando do mingau.

O mingau foi preparado com arroz e adzuki[10] com adição de bolos de grãos em forma de ovo.

O costume de comer o mingau neste dia ainda é preservado.

  1. Características dos feriados populares

Os feriados folclóricos da Coreia têm algumas características.

Em primeiro lugar, a maioria deles não está apenas intimamente relacionado com a agricultura, mas também definido para se adequar à vida laboral dos agricultores.

Em segundo, poucos eventos religiosos são realizados nestes dias. Terceiro, as pessoas comemoram esses dias limpando suas casas por dentro e por fora, comendo alimentos saudáveis da estação e jogando jogos folclóricos.

Quarto, os feriados incorporam os traços tradicionais do povo coreano que respeita os idosos e vive harmoniosamente, ajudando uns aos outros.

  1. Jogos Folclóricos

Os jogos populares incluem artes marciais, jogos de treinamento físico, jogos intelectuais, canto e dança, e jogos infantis.

  1. Jogos de treinamento físico

Os jogos de treinamento físico incluem jogos animados e interessantes como o ssirum (luta livre coreana), gangorra, balanço, cabo de guerra, arco e flecha e cavalgada.

  1. Ssirum

Ssirum, ou luta livre coreana, é um jogo em que dois competidores seguram a faixa da coxa um do outro e tentam jogar o oponente no chão.

As pinturas murais da tumba do ssirum (final do século IV) e da tumba nº 1 de Changchuan (meados do século V) em Jian, província de Jilin, China, retratam cenas realistas do ssirum.

Pertencentes à época de Koguryo (277 a.C. – 668 d.C.), elas mostram que o ssirum tem uma longa história.

O ssirum foi considerado um evento obrigatório no Festival Chusok.

O campeão da partida ganhava um boi como prêmio, e o vencedor voltava para casa no boi decorado com flores como se fosse um general triunfante.

Hoje, o Concurso Nacional Ssirum do Grande Prêmio do Touro acontece todos os anos na pitoresca Ilha Rungna em Pyongyang para marcar o Festival Chusok.

  1. Gangorra

Diz-se que a gangorra se originou nos velhos tempos, quando, como expressão de suas queixas contra os grilhões feudais, as mulheres subiam em uma tábua em seu pátio para ter um vislumbre do mundo fora do muro.

No dia do Ano Novo lunar e no 15º dia do primeiro mês lunar, mulheres com roupas coloridas se reuniam para saltar na gangorra até tarde da noite.

Foto de treinamento para o 13º Jogos do Povo no parque Moran Hill em Pyongyang. Fonte: https://www.thesun.co.uk/news/1996994/inside-north-koreas-olympics-where-competitors-balance-on-see-saws-and-swings/

Havia diferentes modos de salto – salto vertical, acrobacias, salto rítmico ao som de canções folclóricas, salto em altura e salto em distância.

A gangorra ainda é praticada na Coreia e goza de popularidade no exterior como um item de acrobacia nacional.

  1. Balanço

Balanço é uma competição em que uma pessoa em pé em uma prancha segurada por duas cordas penduradas em uma certa altura tenta balançar o mais alto possível, oscilando para frente e para trás.

São praticados o balanço simples e o balanço duplo.

Um concurso é julgado de várias maneiras. O balançador tem que tocar com o pé um sino pendurado alto no ar. Ou uma corda graduada é presa à prancha oscilante para medir a altura que o balançador atingiu.

  1. Cabo de Guerra

O cabo de guerra, um jogo de equipe, tem uma longa tradição. Antigamente, era jogado geralmente em Jongwoldaeborum (15º dia do primeiro mês lunar) e no Festival Chusok. Agora, jogado em qualquer lugar e a qualquer hora, o jogo consagrado da nação coreana demonstra espírito de corpo e ajuda a construir força física e resistência.

  1. Tiro com arco

Koguryo (277 a.C. – 668 d.C.) foi o estado mais forte da história da nação coreana. Seu povo gostava de passeios a cavalo e arco e flecha desde a infância e sempre treinava seus corpos. Portanto, eles possuíam um físico forte e eram capazes de suportar qualquer dificuldade.

O rei Tongmyong (298 a.C. – 259 a.C.), o fundador de Koguryo, fez um arco e flecha sozinho aos sete anos de idade e jamais errou um alvo.

Então, ele foi chamado de Jumong, que significa Ás arqueiro.

Existem muitos registros e murais que ilustram que o arco e flecha era popular em Koguryo. A pintura mural da tumba em Tokhung -ri, no condado de Kangso, é o material mais antigo e real do arco e flecha. Ele retrata quatro arqueiros montados testando suas habilidades com cinco alvos em longas varas.

Em um canto da pintura, dois juízes e um registrador ficam de pé, assistindo ao jogo e registrando as pontuações de acordo com rígidos regulamentos.

Havia regras e procedimentos diferentes no tiro com arco, mas a ênfase era colocada em acertar os alvos em qualquer competição.

  1. Subakhui

Subakhui é um jogo de ataque com os punhos.

Amplamente difundido no período dos Três Reinos – Koguryo, Paekje e Silla – a arte marcial foi praticada ao longo da Idade Média, desde o período de Koryo até o período da dinastia feudal Joson.

Como um esporte de golpear e nocautear um oponente, a vitória dependia de onde e como atacar.

A técnica principal era acertar os pontos vitais do oponente com um golpe poderoso ou acertar o oponente em seus pontos vulneráveis.

Subakhui agora foi desenvolvido em Taekwon-Do.

Taekwon-Do é uma arte marcial nacional de ataque e defesa usando movimentos ágeis das pernas e mãos.

Os jogos de Taekwon-Do são divididos em movimentos básicos, padrões, treino, arte de autodefesa e demonstração de poder.

Os movimentos básicos são aplicados a jogos reais e totalizam mais de 3.200.

Os padrões são movimentos táticos, compostos de movimentos básicos por grupo e totalizam 24.

Treino ou sparring é um jogo em que se luta com um ou dois adversários, sendo dividido em treino promissório e livre.

A arte da autodefesa são as técnicas e métodos com os quais uma pessoa vira a situação em seu próprio benefício de forma rápida e flexível e se protege sem preparações prévias de um ataque repentino. O importante aqui é julgar prontamente a situação, tomar uma decisão e se mover por reflexo automático com uma força explosiva, fazendo o máximo uso reverso da força e da psicologia do oponente.

Poder é a capacidade de quebrar coisas como tábuas de madeira, tijolos e telhas com o punho, faca e calcanhar.

  1. Jogos Intelectuais

Os jogos intelectuais geralmente são disputados dentro de casa.

Eles incluem yut, janggi, paduk e konu.

  1. Yut

Yut é um dos jogos favoritos que o povo coreano sempre gostou de jogar no Dia de Ano Novo.

Um jogo de tabuleiro milenar e favorito da Coreia é o Yut. Fonte: http://gettingpastthewhitetiger.blogspot.com/

Os jogadores competem movendo marcadores em um tabuleiro de acordo com os padrões em que as quatro varas jogadas no ar caem.

Antigamente, era jogado do final do ano ao início do ano seguinte, mas agora se tornou um jogo de massa jogado por todos em qualquer lugar e a qualquer hora.

Os quatro gravetos lançados ao ar caem no verso ou reverso, dando origem a cinco padrões.

Quando três deles caem no anverso e um no verso, isso é chamado de do e recebe uma marca. Quando dois deles caem no anverso e os outros dois no reverso, é denominado kae e recebe duas marcas. Quando uma vara cai do lado oposto e as outras três do lado reverso, ela é chamada de kol e recebe três marcas. Quando todas as quatro varas caem nos lados opostos, ele é chamado de yut ou ssyung e recebe quatro marcas. Quando todas as quatro varas caem nos lados opostos, isso é chamado de mo e recebe cinco marcas.

O tabuleiro tem 29 posições ao todo, que dizem ter sido marcadas como uma imitação de constelações.

O vencedor é o primeiro a completar as rodadas exigidas do tabuleiro de acordo com os padrões em que os palitos caem.

  1. Janggi

Janggi, ou xadrez coreano, embora simples na composição, tem uma variedade incontável de movimentos, então quanto mais se joga, mais interessante fica.

Existem dez linhas horizontais e nove linhas verticais no tabuleiro e 16 peças de xadrez para cada jogador. As peças de xadrez dos dois jogadores são diferenciadas pelas letras vermelhas e azuis.

É costume dos coreanos que o jogador mais pobre se mova primeiro, e o jogador mais velho sempre usa as peças vermelhas e o jogador mais jovem, as azuis.

O vencedor é aquele que oprime o outro jogador movendo suas peças de xadrez para capturar as peças do oponente e, no final, capturar o rei.

Embora simples no significado de peças de xadrez e na estrutura das linhas no tabuleiro, esse passatempo tradicional tem um número incontável de jogadas e se tornou um jogo popular.

Uma competição de sabedoria, que alivia o jogador do cansaço espiritual e físico, melhora sua faculdade de pensar e traz alegria à vida.

  1. Paduk

Paduk, ou go, foi praticado desde os tempos antigos.

O jogo está associado à visão simples das pessoas daquela época sobre o universo de que o céu é redondo e a terra é quadrada.

Existem 361 interseções na placa quadrada de madeira e uma pedra é colocada em um ponto de interseção. As pedras para os dois jogadores são brancas e pretas, de forma redonda e plana e com cerca de um centímetro de diâmetro.

Existem vários métodos e regulamentos de jogo, mas o método mais comum é fechar o grupo. As pedras no território capturado são removidas e somadas ao número de cativos. Existem dois métodos para decidir o vencedor: um é remover os cativos do tabuleiro para contar o número de “casas” no território fechado; a outra é preencher as “casas” vazias com cativos e, em seguida, contar o número de “casas” remanescentes.

Capaz de jogar uma variedade infinita e bastante interessante, era frequentemente jogado por estrategistas militares em tempos remotos para o estudo de táticas. Hoje é jogado por uma ampla gama de pessoas, incluindo crianças.

  1. Konu

Ao contrário do janggi ou do paduk, o konu não precisa de instrumentos e seu método de execução é simples, portanto, pode ser jogado com qualquer coisa no chão.

Existem vários tipos de konu, e eles são diferentes uns dos outros no método de jogo – cercar as pedras do oponente colocando as pedras uma a uma como no paduk, colocando as pedras de antemão e depois movendo-as para capturar as pedras do oponente como em janggi ou removendo as pedras em colisão.

  1. Marionetes

Nos velhos tempos da Coreia, o teatro de fantoches era chamado de show de marionetes ou show do Velho Pak.

Isso foi herdado e agora se desenvolveu em uma peça de bonecos para atender às demandas da época e aos sentimentos das pessoas.

O teatro de fantoches moderno é uma combinação de três tipos de fantoches – fantoches controlados por vara e corda e fantoches de dedo.

Os bonecos controlados por bastão são utilizados na produção de obras de dramatismo, pois os bonecos precisam de uma ampla área para sua movimentação.

Os fantoches controlados por cordas são, em sua maioria, de tamanho pequeno.

Os fantoches de mão são controlados por três dedos que os vestem, e são usados para a representação de fábulas ou a representação de pequenos animais.

Na Coreia, é dada preferência ao uso de marionetes, combinados com show de luvas.

  1. Dança da música camponesa

A dança da música camponesa está associada ao trabalho agrícola; várias pessoas em trajes coloridos dançam alegremente em um campo amplo, cantando ritmicamente.

Ocorria antes e depois de um dia de trabalho e durante um intervalo, principalmente durante as estações de transporte do arroz e capinagem. Também foi organizado em feriados e durante eventos comunitários e festas laborais e recreativas.

Às vezes, os homens enrolam longas fitas de rabo de cavalo com movimentos vigorosos de suas cabeças. A dança da máscara Pongsan é conhecida desde os tempos antigos.

Hoje, a dança que surgiu associada à agricultura é executada em apresentações artísticas e em recintos de recreação.

  1. Jogo de máscara

Originalmente, as máscaras eram feitas e usadas para caçar animais ou assustar o inimigo, e isso se tornou uma brincadeira. Artistas usando várias máscaras cantavam e dançavam no palco, às vezes declamando suas falas. Na época feudal, representava a luta de classes antifeudal do povo.

Hoje as crianças com máscaras de animais como abelha, cigarra, gafanhoto, esquilo, lebre, raposa, lobo, urso e antílope apresentam uma bela dança nas performances artísticas de Ano Novo.

A dança da máscara por adultos é realizada em jogos esportivos ou durante piqueniques.

Agricultores cooperativos usando máscaras de milho, rabanete, bok choy[11], abóbora, porco, boi, galinha e pato fazem esta dança quando suas fazendas liquidam suas contas de final de ano.

  1. Jogos Folclóricos Infantis

Desde os tempos antigos, na Coreia, as crianças brincavam de vários jogos que contribuíam para o seu crescimento.

Eles incluem pião, jogo da peteca, empinar pipa, pular corda, trenó, chutar pedras, konu, pega-cauda e assim por diante.

As crianças dispendiam um tempo agradável brincando com flores e grama nas montanhas e campos na primavera, se banhando e pegando sol nos rios e campos no verão.

No outono, divertiam -se com várias peças que enchiam as aldeias com suas risadas até tarde da noite, e no inverno brincavam de rodar piões e andavam de trenó no gelo nas nevascas, desafiando o frio cortante.

Eles jogavam jogos caseiros, jogos ao ar livre, na grama e no gelo e assim por diante, sem qualquer preparação especial.

  1. Girar pião

Girar o pião era praticado geralmente no inverno.

Desde os tempos antigos, no inverno as crianças saíam e passavam momentos interessantes com vários tipos de piões feitos à medida dos seus gostos, desafiando o frio.

Os piões atuais não apenas retêm as formas dos antigos, mas foram reformados.

O advento dos piões de metal e plástico que substituíram os de madeira tornou possível o uso de piões alongados.

  1. Empinar pipa

Desde os tempos antigos, o empinar pipa começava no início do inverno e atingia seu clímax entre o Dia do Ano Novo lunar e o Jongwoldaeborum (15º dia do primeiro mês lunar).

Em particular, no Dia do Ano Novo lunar, as crianças competiam umas com as outras para empinar suas pipas mais alto.

Esse período era agitado com crianças empinando suas pipas.

As crianças divertiam-se nas colinas ventosas, cantando canções e empinando pipas.

  1. Trenó

Os trenós no inverno eram originalmente chamados de cavalo da neve, porque andar de trenó na neve ou no gelo dava a sensação de estar cavalgando.

Hoje, os trenós do passado com um par de corredores deram lugar aos modernos com um único corredor para várias acrobacias.

  1. Pular corda

Pular corda era frequentemente praticado por meninas com idade entre 7 e 16 anos, do início da primavera ao início do verão. Às vezes, era praticado por meninos da mesma idade.

As formas de pular corda tornaram-se mais diversas: duas crianças giram em torno de uma corda longa, a terceira gira uma corda curta em torno de si, girando seu corpo em 180 graus ou 360 graus duas ou três vezes; duas crianças pulam uma corda juntas, girando as cordas com uma das mãos cada uma; os jogadores sentados pulam sobre uma corda enquanto se levantam ao ritmo das canções; os jogadores cruzam uma corda fixa depois que seus pés pisam nela em uma determinada ordem ou fazem os mesmos movimentos leves com ela, em vez de simplesmente pular sobre ela; cinco ou seis crianças pulam uma corda fixa na ordem previamente combinada.

  1. Jogo de peteca

Jogar peteca é uma brincadeira para meninos.

O jogo remonta ao período dos Três Reinos (Koguryo, Paekje e Silla). As petecas variavam em forma de acordo com os períodos, mas a mais popular nos tempos modernos era aquela feita com uma moeda ou uma peça de ferro com um orifício no centro através do qual o papel coreano ou fio colorido, fio de lã, tiras de tecido ou penas de galinha torcidas à mão foram perfuradas.

O jogo da peteca ou Jegichagi, no qual os jogadores chutam um jegi (uma moeda envolvida em papel” para o alto e tentam mantê-lo no ar. Fonte: https://commons.wikimedia.org

Essas petecas têm uma boa aparência e caem lentamente devido à resistência do ar.

Existem diferentes métodos de jogar: chutar continuamente com a parte interna do tornozelo com um pé plantado no chão e o outro movendo-se para cima e para baixo do solo; chutar com um pé movendo-se para cima e para baixo no ar; chutar com um pé e depois com o outro; chutar com o lado interno do tornozelo de um pé e depois com o lado externo do outro; chutar com um pé no ar e depois lançar a peteca na cabeça ou nas costas; e jogando a peteca fora com o peito do pé depois de chutá-la por um tempo com um pé.

Um método interessante é passar a peteca um ao outro: duas ou três crianças passam e recebem uma peteca entre si ou um jogador mestre rodeado por várias crianças passa ou recebe a peteca das outras crianças. Às vezes, as crianças se deslocam uma certa distância enquanto a chutam.

Esta brincadeira aumenta a capacidade mental de concentração das crianças, ajuda -as a fazer um julgamento correto sobre a queda de objetos e torna seu físico mais forte.

  1. Características dos jogos populares

Os jogos folclóricos de longa data da nação coreana, que estão intimamente associados à sua vida, contêm suas características nacionais distintivas.

Em primeiro lugar, eles são ricos em emoção nacional como um reflexo dos sentimentos de vida e aptidões do povo coreano que se desenvolveram por muito tempo.

Os jogos do povo Koguryo, como ssirum, subakhui e tiro com arco, eram cheios de vigor.

Em segundo lugar, os tipos e métodos de jogar são diversos. Os jogos são centenas, como aqueles que podem ser disputados em qualquer lugar, ao ar livre, dentro de casa, independentemente do sexo e da idade, os de prática de artes marciais, treinamento físico e cultivo da faculdade de pensamento, os sazonais e os do decorrer do ano inteiro. E os métodos de jogá-los são incontáveis.

Terceiro, seus conteúdos são sadios e culturais.

Quarto, eles estimulam o amor ao próximo e à comunidade, bem como o patriotismo entre as pessoas.

Fim da Primeira Parte.


[1] SONG, Kim Chang. Understanding Korea, VII, Folklore. Editor Kim Ji Ho. Versão inglesa por Kim Yong Nam e Ham Song Jin. Juche 106, abr. 2017. Pyongyang: Foreign Languages Publishing House, 2017. Disponível em: <http://korea-dpr.com>. Nota do Tradutor.

[2] Fibra têxtil mais antiga da Ásia, anterior mesmo à seda, produz um tecido leve, suave e brilhante. N. do T.

[3]O termo significa “vegetais salgados” e refere-se a um prato típico coreano com base em hortaliças que descansam por horas em salmoura e, em seguida, são envolvidas em uma pasta feita com arroz, açúcar e demais temperos. N. do T.

[4] Licor destilado feito de sorgo (cereal) fermentado. N. do T.

[5] Mais conhecido como couve-china, repolho-chinês ou chingensai, é um tipo de repolho muito utilizado em culinária oriental. N. do T.

[6] Consiste em arroz cozido coberto com frango fervido e desfiado, fatias de cogumelos secos embebidos, alho-poró fatiado e alho. N. do T.

[7] Também conhecido como “Ginseng coreano”, é internacionalmente conhecido por suas propriedades medicinais. O insam é uma planta descoberta há milhares de anos, que começou a ser utilizada pelos povos asiáticos como um tônico para vida longa. A parte medicinal da planta é a sua raiz de crescimento lento, colhida após quatro a seis anos, quando o ingrediente ativo principal do gingseng (ginsenosídeo) atinge o máximo do seu teor. N. do T.

[8] Sistema de calefação romana de invenção tributada a Vitrúvio em que o ar aquecido numa fornalha (praefurnium) circulava sob o pavimento de um edifício e daí através de tijolos perfurados colocados no interior das paredes. Do étimo hypo que significa “sob” e kaiein, “acender”. N. do T.

[9] Um sorgo de grão, isto é, um cereal, comum na China e Coréia. N. do T.

[10] Feijão vermelho do Leste Asiático. N. do T.

[11] Também conhecida como acelga chinesa, repolho-china ou chingensai, comum no Leste Asiático. N. do T.

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