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Joseph Yacoub Safra, falecido na última quinta-feira (10), banqueiro judeu-libanês naturalizado brasileiro fundador do Banco Safra, com uma fortuna estimada em 23,3 bilhões de dólares (120 bilhões se contar o patrimônio dos Safra junto dele), era o homem mais rico do Brasil e o 37º do mundo. Ele também era considerado o banqueiro mais rico do mundo! Como, em um país como o Brasil, de população cuja imensa maioria vive com menos do que o digno para viver, um estrangeiro acumula tanto poder e dinheiro? Ninguém fica rico assim senão roubando e roubando a cada segundo de sua vida.

A origem do clã Safra

Jacob Safra, o patriarca da família no Brasil, nasceu em Alepo, Síria, em 1891, dentro de uma família judaica com mais de um século de experiência no setor bancário. Filho de Eliahou Safra e Sabouth Husni. Safra descendia de uma longa linhagem de banqueiros, que financiavam e faziam o câmbio de moedas e ouro entre mercadores da Europa, Império Otomano, África e a Ásia. Muito antes de pensar em ter filhos e mudar-se para o Brasil, Jacob viveu na tradicional cidade do norte sírio, ponto de confluência dos três continentes e rota das caravanas que capitaneavam o comércio terrestre entre o Ocidente e o Oriente.

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Em 1914, aos 23 anos, foi enviado pelo tio, Ezra Safra, para Beirute, capital do Líbano, a fim de gerenciar a abertura de uma filial do banco sírio fundado por Ezra, o Safra Frères & Cie., pertencente à sua família desde meados do século XIX. A casa operava como um banco, fazendo empréstimos e câmbio entre ouro e moedas de países asiáticos, europeus e africanos. Jacob fundou um novo banco em 1920. Dessa vez com seu nome: Banco Jacob E. Safra e ampliou, assim, as atividades da família no Oriente Médio, ficando famoso por converter rapidamente os valores entre diversas moedas para seus clientes.

Na capital libanesa, Jacob casou-se com uma judia, Esther Teira. Juntos, tiveram nove filhos; Elie, Paulette, Evelyne, Edmond, Arlette, Moise, Huguette, Gaby e Joseph Safra.

Vinda para o Brasil e laços judaicos através da filantropia

Em 1952, Jacob Safra se instalou em São Paulo, onde fundou em 1955, o Banco Safra; junto aos filhos Edmond, Moise e Joseph. Além das finanças, o patriarca sempre manteve-se ligado à filantropia, mecanismo utilizado por todo milionário que usa tais fachadas para servir de atravessador de seus planos financeiros e influência externa. Mas no caso dos Safra, era uma filantropia judaica. Uma de suas obras foi a construção de uma sinagoga em São Paulo, após conduzir a criação da Congregação Sefardi Paulista. Isso começou a dar certo no meio judaico e logo a filantropia virou uma “marca” quando o clã monta a Fundação Filantrópica Jacob E. Safra, presente até os dias de hoje. Desde então, vieram muitas doações para hospitais, museus e à comunidade judaica.

Seus três filhos — e cofundadores do Banco Safra — assumiram os negócios após a morte do patriarca em 1963.

O banco dos banqueiros e a lei familiar de ser discreto

O Banco Safra – oficialmente fundado em 1967 com o nome de Banco de Santos – atraiu parte da riqueza paulistana e ganhou a fama de ser o “banco dos banqueiros.”

Com o sucesso de suas operações, os Safra passaram a comprar outras instituições financeiras. Em 1972, com a aquisição do Banco das Indústrias, o nome Banco Safra passou a ser oficialmente utilizado. O irmão mais velho, Edmond, foi enviado pelo pai para Genebra, Suíça, e depois para Nova York. Nos EUA, Edmond fundou os bem-sucedidos Trade Development Bank e o Republic National Bank of New York. No Brasil, Joseph seguiu a tradição conservadora, severa e extremamente discreta dos que levam o sobrenome Safra. Em torno de si e de sua família, o banqueiro levantou muros mais altos do que aqueles que circundam sua mansão de mais de 100 cômodos no bairro do Morumbi, em São Paulo.

Ao longo da vida, Joseph concedeu raríssimas entrevistas e nunca frequentou as colunas sociais, sempre repletas de bilionários e suas excentricidades. Todas as informações disponíveis sobre o grupo Safra vêm de comunicados oficiais, balanços e aquisições — além de poucos, mas significativos, escândalos.

Família Safra obteve 50 mil hectares em região Xavante durante o auge do regime militar, em 1967

A família do homem mais rico do Brasil, Joseph Safra, obteve, em 1967, com subsídios milionários da Sudam (Superintendência Desenvolvimento Amazônia), 50 mil hectares de terras na Bacia do Araguaia, no estado do Mato Grosso, numa região de ocupação do povo Xavante. Na época o banco Safra era pilotado por Joseph, Moise (falecido em 2014) e Edmond Safra (falecido em 1999). O grupo cria gado e planta soja no município de Água Boa que possui hoje 21 mil cabeças de gado. As terras na época foram compradas por um preço irrisório

Mais de cinco décadas depois, as fazendas do grupo Safra no município de Água Boa estão em nome de duas empresas do grupo, a Pastoril Agropecuária Couto Magalhães S.A., com sede no Mato Grosso, e a Agropecuária Potrillo S.A., com endereço na Avenida Paulista com a Rua Augusta. Uma área de 50 mil hectares, como a do território obtido pela família Safra, equivale a cerca de duas vezes o território das Ilhas Cayman, no Caribe. Não há informação sobre incidência específica nas fazendas dos Safra, mas inúmeros estudos acadêmicos mostram que as terras cedidas nessa região eram ocupadas por indígenas.

O Vale do Araguaia mato-grossense é a mesma região da Fazenda Suiá Missu, objeto de desintrusão – expulsão de invasores – no fim de 2012 e início de 2013, para a efetivação da Terra Indígena Marãiwatsédé. O MPF pede uma indenização de R$ 130 milhões para os Xavante.

Investimentos com as privatizações

Na década de 1980, com a inflação galopante assolando o Brasil, Joseph aproveitou para lucrar em uma inusitada aplicação: a caderneta de poupança. Safra lucrou especulando centenas de milhões no Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC) e Caixa Econômica Federal.

No fim da década de 1990, com os maiores pacotes de privatização da história executados pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, Safra se aliou à tele americana BellSouth e criou a BCP, primeira empresa a ter a permissão de explorar um espectro da rede de celular, quebrando o monopólio das subsidiárias da Telebrás. Em 2002, a BCP deu um calote de US$ 375 milhões em seus credores.

O estranho assassinato de Edmond Safra

Portador de Mal de Parkinson, o dono de um dos maiores bancos do mundo, entre eles o Republic National Bank of New York, o judeu libanês Edmond Safra morreu em 1999 em um episódio nunca esclarecido de assassinato premeditado. Edmond era considerado pela Forbes o 94º homem mais rico do mundo, tendo uma fortuna avaliada em 2,5 bilhões de dólares, vivia em um prédio luxuoso em Mônaco. Porém, toda essa aparente proteção não impediu que dois homens encapuzados e portando apenas uma faca invadissem sua residência na madrugada de 3 de dezembro de 1999 e pusessem fogo em uma das alas de sua casa. Trancado no banheiro, o banqueiro e sua enfermeira morreram asfixiados.

O ataque teria sido uma retaliação da máfia russa, pois, o banqueiro havia delatado ao FBI como mafiosos usavam suas agências para lavagem de dinheiro, inclusive, encerrando cerca de 40% de seus negócios na Rússia ou uma resposta pela venda do banco ao HSBC por uma empresa americana acusada de fraudes em vendas de títulos no Japão, o que teria causado o prejuízo de mais de um bilhão de dólares em investidores.

Concluiu-se que o crime havia realmente sido premeditado e, Ted Maher, um dos enfermeiros do banqueiro, foi colocado contra qualquer confissão como culpado e sentenciado.

Fraudes na Receita Federal

Em 2016, Safra foi acusado junto à Justiça pelo Ministério Público Federal por corrupção de oferecer 15 milhões de reais em propina para funcionários federais para não pagar multas de 1,49 bilhão à Receita.

Em 2017, 15ª a Vara Federal de Brasília bloqueou os bens de Joseph Safra em até R$ 1 milhão após ação de improbidade administrativa em andamento no âmbito da Operação Zelotes. O banqueiro era alvo de investigação do MPF (Ministério Público Federal), no caso da empresa JS Administração de Recursos S/A, integrante do Grupo Safra.

A empresa estava sob a suspeita de participação no esquema de venda de sentenças no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda responsável por recursos de empresas multadas pela Receita. Os valores em discussão no Carf giravam em torno de R$ 1,8 bilhão, segundo o juiz substituto da 15ª Vara Federal, Rodrigo Parente Bentemuller, na decisão de bloqueio de bens.

Caso Gobbo

Em 2019, uma reportagem do jornal Folha de São Paulo mostrou que a Justiça condenou o superintendente de segurança do Banco Safra, Sebastião Jesus Garozzo, a um ano de prisão por ameaçar um cliente,  um empresário do grupo Gobbo. O caso é sério e foi comparado a ações de gangsters. O empresário foi perseguido em Campinas, São Paulo. Segundo a Polícia, Fiuza carregava em seu carro 172 munições de pistola, uma faca, barra de ferro e um par de algemas.

O grupo Gobbo era um comércio familiar do interior de São Paulo, que contava com 12 lojas de calçados e faturava 15 milhões, até quebrar. Segundo Guto Gobbo, gerente das lojas Gobbo, a falência teria acontecido por fraudes feitas pelo Safra. Desde 2008 Gobbo faz críticas pesadas ao Safra, tendo criado o site Safraude, onde ele conta como o banco Safra fraudou antecipações dos recebíveis de cartão de crédito. Isso não foi bem visto pelo banco, que resolveu processá-lo e, por meio de seus agentes, coagi-lo.

O Gobbo ganhou 3 ações contra o Safra no STJ (Superior Tribunal de Justiça), nelas o STJ reconheceu as fraudes apresentadas. O Safra foi condenado a devolver R$1 milhão.


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