Clemente A. Pavolini: O que representava Mussolini para as mais diversas camadas ideológicas?

É de razoável entendimento que um verdadeiro fascista tenha o espírito voltado para o sentimento “antiamericanista”. Depois das incursões norte-americanas na Repubblica Sociale Italiana e futuras menções falsas a respeito do Estado Fascista em latu sensu, não é raro o fato de um fascista detestar aos Estados Unidos e a Israel mais do que aos próprios bolcheviques.
De antemão, cumpre ressaltar que o ódio aos bolcheviques é algo que deve, primordialmente, ser analisado e, secundariamente, correlacionar os pontos em que o bolchevismo causa prejuízo ao fascismo. Sob essa perspectiva, também seguirão pontos em que Mussolini concorda com o bolchevismo aplicando algumas teses das quais eles também concordavam ao Estado Italiano, bem como à Repubblica Sociale Italiana, sob o espectro de reformas sociais. Mussolini, sem dúvidas, a figura mais ressaltada dos primeiros trinta anos do século passado, era também admirado por figuras do bolchevismo, como Lenin, Stalin e Niccola Bombacci (fundador do PCI – Partido Comunista Italiano).
Para iniciar o estudo, cumpre ressaltar que a figura do Duce Mussolini esteve ligada à figura de um “novo César”, que resgataria o Estado Italiano e daria a esse o lugar o qual se acreditava merecer.
O primeiro ponto a ser estudado é o ponto do antissemitismo. Começar a estudar o fascismo pelas perseguições aos judeus, é a mesma coisa que assistir a um filme pela última parte. É comum para os leigos ou àqueles que preferem resumos à estudos. Mussolini era apoiado pelo principal Rabi de Roma e por expressa maioria da parcela judaica residente na Itália (bem como da comunidade judaica mundial). Inclusive, não é demais ressaltar, os judeus estavam inseridos na política fascista italiana. Há relatos de judeus nas origens do movimento fascista, em 1919, até a expulsão dos mesmos em 1938.
Importante é a notificação de que durante dezesseis anos, o fascismo não inseriu políticas raciais em sua doutrina ou estatutos. As políticas raciais foram surgir apenas em 1938 e foi recusada por boa parte dos ideólogos e políticos fascistas.
No tangente aos americanos, foram as questões raciais que deram início na reprovação de figuras norte americanas em relação ao Duce da Itália. Durante dezesseis anos, o Duce foi venerado pela comunidade norte americana, tendo seus expoentes naquele País. De início, ironicamente, o fascismo era desprezado pelo coletivo Klux Klux Klan. Tal desprezo se dava ao fato de a política fascista ser oriunda do socialismo e de fascistas norte americanos serem imigrantes (genuinamente falando).

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A coletividade norte americana passou, na verdade, a desprezar o fascismo, em 1934, devido à incursão fascista na Etiópia. Porém, boa parte da mídia norte americana manteve-se inerte sobre o tema. O Chicago Tribune inicialmente apoiou a invasão. Outros meios de comunicação afirmaram ser hipocrisia condená-lo. O New Republic disse que seria equivocado condenar a Mussolini, pois o culpado de tudo era o capitalismo internacional.
O poeta americano Wallace Stevens, por exemplo, manteve-se favorável ao fascismo, chegando a afirmar “Eu sou pró Mussolini, pessoalmente.”. A imagem de Mussolini continuava intacta.
O famoso New York Times, em tom de admiração, chegou a publicar que “Mussolini era o Roosevelt latino que primeiro age e depois procura saber se é legal. Ele tem sido uma grande ajuda para a Itália”. O exposto foi escrito por Isaac Marcosson.
A Legião Americana foi fundada no mesmo ano em que Mussolini chegou ao poder. Em seus primórdios buscou inspiração no movimento fascista italiano com a declaração de seu líder: “Não se esqueçam de que os militantes do Partido Fascista são para a Itália o que a Legião Americana é para os americanos”.
No ano de 1926, o humorista americano Will Rogers visitou a Itália e encontrou o próprio Duce. Após conversa e alguns elogios, concluiu: “O governo ditatorial é o melhor governo, desde que tenha o ditador correto”.
No ano seguinte, o diretor do Literary Digest fez a seguinte pergunta para a opinião pública: “Existe escassez de grandes homens?”. O nome mais citado foi o nome de Benito Mussolini, seguido de Vladimir Lenin. Também partiu da imprensa americana, em um livro de autoria conjunta de Albert Einstein, a dedicatória final ao “Duce”. A dedicatória continha as seguintes palavras: “Para Benito Mussolini, de um velho que saúda o governante, o Herói da Cultura.”
Talvez nenhuma comunidade ou instituição norte americana tenha se incomodado com o fascismo. Mas, não equivocadamente, nenhuma outra instituição foi tão pró Mussolini quanto a Universidade de Columbia. Em 1926, ela criou um centro de estudos da cultura italiana e um centro de palestras sobre os temas políticos da mesma. Era a genuína “casa do fascismo” na América e uma escola para os ideólogos fascistas que despontavam. Segundo John Patrick Diggins, o próprio “Duce” colaborara com a doação de móveis para a casa.
Em outra passagem, o presidente do U.S Seel chamou o ditador italiano de “o maior homem vivo” do mundo.
O fascismo certamente tinha seus críticos nas décadas de 1920 e 1930. Ernest Hemingway era cético em relação a Mussolini desde o princípio. Henry Miller não gostava do programa fascista, mas olhava à força do Duce com simpatia.
Vale ressaltar que a esquerda radical não se manifestou a respeito do fascismo durante boa parte de seu programa.
Para o Cristianismo, a figura do Duce é um cheque em branco. Cumpre também mencionar que o Duce, apesar de ter dado total autonomia ao Vaticano, afirmou, em sua prematuridade política, que Deus estava morto. Em outra passagem, vale lembrar que Mussolini não obedecia aos sacerdotes e professores religiosos. Outrossim, há a figura do Estado Fascista, que concedeu espaço para o Cristianismo. Há uma declaração do mesmo onde diz que a religião cristã deveria ser a religião oficial do povo italiano. Também é de suma importância colecionar informações de relatos de figuras religiosas sobre o Duce. O Padre Pio, em uma declaração sobre o Duce, disse: “Mussolini, quando morrer, andará no paraíso.” Em outra ocasião, em uma situação onde atentaram contra a vida do Duce, ressaltou, “Oremos por ele, porque sua vida está em perigo.” Outra figura imensurável que fez menções a respeito do Duce, é o Padre Pio XII, que ressaltou: “O maior homem que eu conheci”. O Cardial Idelfonso Schuster também expôs seu conceito acerca de Mussolini com a seguinte declaração: 

“Nunca como antes (depois da morte de Cesar) a divina providência, enviou Otaviano. Assim também na Itália surge o homem providencial, o genial, o que salvo o estado, instituiu o emprego e deu à consciência a mais perfeita união nacional italiana”

Sabe-se que um dos maiores homens políticos da história era aficionado declarado de Benito Mussolini. O nome desse homem é Mahatma Ghandi. Ghandi classificava Mussolini como um grande homem, forte, estadista e dedicado ao seu povo de corpo e alma.
Para concluir o exposto sobre o que a figura do Duce representava para os intelectuais e figuras do século passado, cumpre mencionar sobre o aluvião de ideais socialistas presentes no Duce. Mussolini, para o socialismo, era um guerreiro nessa cruzada, e seu fascismo, um grande salto na experimentação dessa doutrina que ele criou através das mesmas bases em que Lenin e Trotsky criaram as suas. Mussolini afirmava que se o século precedente havia sido o século do capitalismo, esse seria o do fascismo.
Em se tratando de socialismo, vale lembrar a resposta de Lenin quando indagado sobre o Duce: “Mussolini? Um grande homem! Que pena que o perdemos”que o perdemos para o fascismo, ressalte-se -. Também cumpre ressaltar que o próprio Lenin havia dito anteriormente que a revolução na Itália estava em mãos certas – não mencionando nada após a concretização do Regime Fascista.
Nicola Bombacci
Nicola Bombacci, fundador do Partido Comunista Italiano, velho amigo de Lenin, tido como “comunista arrependido”, com quem havia se encontrado por vezes, chamava o próprio Duce de “Te” – tratamento pessoal informal -, se tornando um de seus melhores amigos e auxiliando-o na formação da “Repubblica Sociale Italiana”, vindo a morrer ao seu lado. Foi o próprio Bombacci quem proporcionou ao Duce o seu último testamento, recomendando um jornalista socialista que marcara para sempre as últimas passagens de Mussolini. Em uma dessas passagens, Il Duce ressaltou: “Eu lego a República aos republicanos, não aos monarquistas, e o trabalho da reforma social aos trabalhadores, não às classes médias”. As últimas palavras de Bombacci foram: “Viva Mussolini!”, “Viva o socialismo!”

Lenin tinha um certo apreço pelo Duce. Stalin o respeitava – apesar de ter dito que contra o fascismo utiliza-se a violência. Churcill também simpatizava. Getúlio Vargas, Hitler, Franco, Plínio Salgado, José Antonio Primo de Rivera, Ramiro Ledesma Ramos, Corneliu Codreanu, Perón e outros tantos nomes, dentre eles, o do pacifista, Mahatma Ghandi, viam o Duce com olhos simpáticos, fazendo declarações, utilizando parte de seus pensamentos e apoiando em alguns casos.
Por fim, cumpre ressaltar a frase que mais soava na Itália fascista. Em função de um grande pragmatismo, caráter, ambiguidade e polêmicas, nos cumpre gritar juntos mais uma vez aquela pequena e curta frase: “SALUTO IL DUCE!”.

Fonte: Pax Brasiliana

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