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Em 1935, a Alemanha Nacional Socialista enviou uma missão diplomática à Venezuela, encomendada pelo próprio Adolf Hitler, para homenagear os restos mortais do el libertador Simón Bolívar. A missão consistia principalmente de oficiais da Kriegsmarine [Marinha de Guerra Alemã].

Na foto você pode ver os oficiais alemães fazendo a saudação romana em frente ao túmulo do libertador, no Panteão Nacional. Este é um fato crioulo.

Créditos: Hechos Criollos

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Quem foi Bolívar?

Simón Bolívar, o profeta da independência e ideólogo da união ibero-americana, sobrevive não só nas pinturas do Palácio de Miraflores, sede do governo da Venezuela, mas também em esculturas de praças, nome de universidade e ruas do país. Ele vive no imaginário do povo, incentivado pelas alusões de líderes de Estado – principalmente pelo governo bolivariano da Venezuela, fruto do movimento social e militar encabeçado por Hugo Chávez, que encarnou um estilo que diz ser inspirado em Bolívar, reivindicando uma nova forma de socialismo para nosso tempo.

Nascido em uma família da fidalguia de Caracas, Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar e Palacios Ponte-Andrade y Blanco, ou simplesmente “Simón Bolívar” (1783 – 1830), foi militar, estadista, líder revolucionado e escritor. Comandante na guerra de independência da Venezuela (também lutando pela libertação de Colômbia, Peru, Equador e Bolívia), governou com poder centralizado nas mãos, e tentou unir as antigas colônias hispânicas em uma só pátria, uma só República. Virou ícone da libertação dos povos e referência para teóricos e políticos ibero-americanos. Bolívar se tornou um símbolo político em partes da América Ibérica, com vários movimentos utilizando a memória, a imagem e o legado escrito de Bolívar como partes importantes de suas mensagens políticas e propaganda.

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Bolívar na visão de distintas ideologias

Embora seja o mais lembrado por ter ligado Bolívar a um movimento popular de massa, Chávez não foi o primeiro estadista a cultuar o personagem da independência. Muito antes dele, Antonio Guzmán-Blanco, em 1870, já enfatizava a figura de Bolívar, construindo bustos e fazendo referências ao antigo líder pelas ruas das cidades.

Chávez concede entrevista no palácio de Miraflores, em Caracas, tendo quadro de Simon Bolívar ao fundo (Juan Barreto/AFP/VEJA/VEJA)

Como toda figura histórica que deixou um legado teórico e prático, Simón Bolívar é usado como referência por setores ideológicos distintos.

Na Europa da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), Bolívar chegou a ser citado pelo fascismo italiano. Moacir Werneck de Castro, no livro “O Libertador – A Vida de Simón Bolívar” (Ed. Rocco), escreve que há registros de que o regime de Mussolini tentou interpretar o legado de Bolívar e que o nacional socialismo alemão também fez o mesmo. “Em um livro de Wolfram Dietrich […], o prefácio do autor menciona como principal lição de vida de Bolívar a tese de que ‘um povo só pode prosperar sob o comando enérgico de um FUEHRER”. (ênfase do autor)

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Nacionalismo Crioulo: o contexto ideológico de Bolívar

O nacionalismo crioulo foi ideologia que surgiu nos movimentos de independência entre os crioulos (na América espanhola, são os descendentes dos colonizadores europeus), especialmente na América Ibérica (ou Latina) do início do século XIX. Os nacionalistas crioulos queriam o fim do controle das potências europeias. Esse objetivo foi facilitado quando o então imperador da França, Napoleão Bonaparte (então, Napoleão I) assumiu o controle da Espanha e Portugal, quebrando uma cadeia de controle dos reis espanhóis e portugueses aos governadores locais. A fidelidade aos estados napoleônicos foi rejeitada, e cada vez mais os crioulos exigiam a independência. Eles procuraram derrubar os “peninsulares” – os funcionários enviados da pátria para impor o controle. Eles conseguiram isso após como guerras civis de 1808-1826.

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